Passagens sobre Menor

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Frases sobre menor, poemas sobre menor e outras passagens sobre menor para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Censura e Criatividade

Dos d√©spotas prov√™m, at√© certo ponto, os pensadores. A palavra acorrentada √© terr√≠vel. O escritor duplica e triplica o seu estilo, quando um senhor imp√Ķe sil√™ncio ao povo. Sai desse sil√™ncio certa plenitude misteriosa que se filtra e se condensa em bronze no pensamento. A compreens√£o na hist√≥ria produz a concis√£o no historiador. A solidez gran√≠tica de tal ou tal prosa c√©lebre n√£o √© mais do que um amontoamento feito por um tirano.
A tirania constrange o escritor a circunscri√ß√Ķes de di√Ęmetro, que s√£o alargamentos de for√ßa. O per√≠odo ciceroniano, apenas suficiente para Verres, sobre Cal√≠gula embotar-se-ia. Quanto menor for a exuber√Ęncia da frase, maior ser√° a intensidade do golpe. Sirva de exemplo a concis√£o de T√°cito no exprimir e a sua veem√™ncia no pensar. A honestidade de um grande cora√ß√£o, condensada em justi√ßa e em verdade, fulmina.

Os V√°rios Tipos de Amor

Parece-me que podemos, com maior razão, distinguir o amor em função da estima que temos pelo que amamos, em comparação com nós mesmos. Pois quando estimamos o objecto do nosso amor menos que a nós mesmos, temos por ele apenas uma simples afeição; quando o estimamos tanto quanto a nós mesmos, a isso se chama amizade; e quando o estimamos mais, a paixão que temos pode ser denominada como devoção. Assim, podemos te afeição por uma flor, por um pássaro, por um cavalo; porém, a menos que o nosso espírito seja muito desajustado, apenas por seres humanos podemos ter amizade. E de tal maneira eles são objecto dessa paixão que não há homem tão imperfeito que não possamos ter por ele uma amizade muito perfeita, quando pensamos que somos amados por ele e quando temos a alma verdadeiramente nobre e generosa.
Quanto √† devo√ß√£o, o seu principal objecto √© sem d√ļvida a soberana divindade, da qual n√£o poder√≠amos deixar de ser devotos quando a conhecemos como se deve conhecer. Mas tamb√©m podemos ter devo√ß√£o pelo nosso pr√≠ncipe, pelo nosso pa√≠s, pela nossa cidade, e mesmo por um homem particular quando o estimamos muito mais que a n√≥s mesmos. Ora,

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Meu verdadeiro nome √© bastante conhecido nos arquivos ou registros das pris√Ķes de Newgate e Old Bailey, e certos processos de maior ou menor import√Ęncia relativos √† minha conduta pessoal encontram-se ainda pendentes.

O Livre Arbítrio

Um homem é dotado de livre arbítrio e de três maneiras: em primeiro lugar, era livre quando quis esta vida; agora não pode evidentemente rescindi-la, pois ele não é o que a queria outrora, excepto na medida em que completa a sua vontade de outrora, vivendo.
Em segundo lugar, é livre pelo facto de poder escolher o caminho desta vida e a maneira de o percorrer.
Em terceiro lugar, √© livre pelo facto de na qualidade daquele que vier a ser de novo um dia, ter a vontade de se deixar ir custe o que custar atrav√©s da vida e de chegar assim a ele pr√≥prio e isso por um caminho que pode sem d√ļvida escolher, mas que, em todo o caso, forma um labirinto t√£o complicado que toca nos menores recantos desta vida.
São esses os tês aspectos do livre arbítrio que, por se oferecerem todos ao mesmo tempo formam apenas um e de tal modo que não há lugar para um arbítrio, quer seja livre ou servo.

O Eterno é a Própria Vida

Segundo a express√£o de Lavelle, a morte d√° ¬ęa todos os acontecimentos que a precederam esta marca do absoluto que nunca possuiriam se n√£o viessem a interromper-se¬Ľ. O absoluto habita em cada uma das nossas empresas, na medida em que cada uma se realiza de uma vez para sempre e n√£o ser√° nunca recome√ßada. Entra na nossa vida atrav√©s da sua pr√≥pria temporalidade. Assim o eterno torna-se fluido e reflui do fim ao cora√ß√£o da vida. A morte j√° n√£o √© a verdade da vida, a vida j√° n√£o √© a espera do momento em que a nossa ess√™ncia ser√° alterada. O que h√° sempre de incoactivo, de incompleto e de constrangedor no presente n√£o √© j√° um sinal de menor realidade.
Mas ent√£o a verdade de um ser j√° n√£o √© aquilo em que se tornou no fim ou a sua ess√™ncia, mas o seu devir activo ou a sua exist√™ncia. E se, como Lavelle dizia em tempos, nos julgamos mais perto dos mortos que am√°mos do que dos vivos, √© porque j√° nos n√£o p√Ķem em d√ļvida e daqui para o futuro podemos sonh√°-los a nosso gosto. Esta piedade √© quase √≠mpia. A √ļnica recorda√ß√£o que lhes diz respeito √© a que se refere ao uso que faziam de si pr√≥prios e do seu mundo,

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A Profundidade do Ser

E de vez em quando descer √† gravidade de mim, √† profundidade do meu ser. E verificar ent√£o que tudo se transfigura. Que √© que significa este garatujar quase gratuito, este riso superficial, todo este modo de ser menor? A melancolia profunda, t√£o de dentro que ela se iguala √† alegria sem medida. Espa√ßo rarefeito de n√≥s, √© o lugar da grandeza do homem, do que √© nele fundamental, o lugar do aparecimento de Deus. Mas Deus n√£o me aparece – aparece apenas a inunda√ß√£o que me vem da infinita beatitude, da grandeza e do assombro. N√≥s vivemos habitualmente √† superf√≠cie de n√≥s, ligados ao que √© da vida imediata, enredados nas mil futilidades com que se nos enchem os dias. Mas de vez em quando, o abismo da natureza, um livro ou uma m√ļsica que dos abismos vem, abre-nos aos p√©s um precip√≠cio hiante e tudo se dilui num sentir que est√° antes e abaixo e mais longe que esse tudo. H√° uma harmonia que em n√≥s espera por um som, um acorde, uma palavra, para imediatamente se organizar e envolver-nos. E a√≠ somos verdade para a infinidade dos s√©culos.

O Homem n√£o Foge da Dor

Não é verdade que o homem procure o prazer e fuja da dor. São de tomar em conta os preconceitos contra os quais invisto. O prazer e a dor são consequências, fenómenos concomitantes. O que o homem quer, o que a menor partícula de um organismo vivo quer, é o aumento de poder: é em consequência do esforço em consegui-lo que o prazer e a dor se efectivam; é por causa dessa mesma vontade que a resistência a ela é procurada, o que indica a busca de alguma coisa que manifeste oposição.
A dor, sendo entrave √† vontade de poder do homem, √© portanto um acontecimento normal – a componente normal de qualquer fen√≥meno org√Ęnico. E o homem n√£o procura evit√°-la, pois tem necessidade dela, j√° que qualquer vit√≥ria implica uma resist√™ncia vencida.
Tome-se como exemplo o mais simples dos casos, o da nutrição de um organismo primário; quando o protoplasma estende os pseudópodes para encontrar resistências, não é impulsionado pela fome, mas pela vontade de poder; acima de tudo, ele intenta vencer, apropriar-se do vencido, incorporá-lo a si. O que se designa por nutrição é pois um fenómeno consecutivo, uma aplicação da vontade original de devir mais forte.

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A Liberdade não Existe sem Coerção

Que n√£o haja oposi√ß√£o entre a coer√ß√£o e a liberdade; que, ao contr√°rio, elas se auxiliem – toda a liberdade exerce-se para contornar ou superar uma coer√ß√£o, e toda a coer√ß√£o apresenta fissuras ou pontos de menor resist√™ncia que s√£o incita√ß√Ķes √† cria√ß√£o -, nada, sem d√ļvida, consegue dissipar melhor a ilus√£o contempor√Ęnea de que a liberdade n√£o suporta entraves e de que a educa√ß√£o, a vida social, a arte requerem para desabrochar um acto de f√© na omnipot√™ncia da espontaneidade: ilus√£o que certamente n√£o √© a causa, mas na qual √© poss√≠vel ver um aspecto significativo da crise que o Ocidente atravessa hoje.

Virtude Representa Muito Mais que Bondade

Parece-me que a virtude √© coisa diferente e mais nobre do que as inclina√ß√Ķes para a bondade que nascem em n√≥s. As almas bem ajustadas por si mesmas e bem nascidas seguem o mesmo andamento e apresentam nas suas a√ß√Ķes a mesma apar√™ncia que as virtuosas. Por√©m a virtude significa n√£o sei qu√™ de maior e mais activo do que, por uma √≠ndole favorecida, deixar-se conduzir docemente e tranquilamente na esteira da raz√£o. Aquele que com uma do√ßura e complac√™ncia naturais menosprezasse as ofensas recebidas faria coisa mui bela e digna de louvor; mas aquele que, espica√ßado e ultrajado at√© o √Ęmago por uma ofensa, se armasse com as armas da raz√£o contra o furio¬≠so apetite de vingan√ßa e ap√≥s um grande conflito finalmen¬≠te o dominasse, sem a menor d√ļvida seria muito mais. Aquele agiria bem, e este virtuosamente: uma ac√ß√£o poder-¬≠se-ia dizer bondade; a outra, virtude, pois parece que o nome de virtude pressup√Ķe dificuldade e oposi√ß√£o, e que ela n√£o pode se exercer sem combate. Talvez seja por isso que chamamos Deus de bom, forte e liberal, e justo; mas n√£o O chamamos de virtuoso: Os Seus actos s√£o todos natu¬≠rais e sem esfor√ßo.
Metelo, o √ļnico de todos os senadores romanos a se ter proposto,

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A Liberdade Nunca é Real

Se examinarmos um indiv√≠duo isolado sem o relacionarmos com o que o rodeia, todos os seus actos nos parecem livres. Mas se virmos a m√≠nima rela√ß√£o entre esse homem e quanto o rodeia, as suas rela√ß√Ķes com o homem que lhe fala, com o livro que l√™, com o trabalho que est√° fazendo, inclusivamente com o ar que respira ou com a luz que banha os objectos √† sua roda, verificamos que cada uma dessas circunst√Ęncias exerce influ√™ncia sobre ele e guia, pelo menos, uma parte da sua actividade. E quantas mais influ√™ncias destas observamos mais diminui a ideia que fazemos da sua liberdade, aumentando a ideia que fazemos da necessidade a que est√° submetido.
(…) A grada√ß√£o da liberdade e da necessidade maiores ou menores depende do lapso de tempo maior ou menor desde a realiza√ß√£o do acto at√© √† aprecia√ß√£o desse mesmo acto. Se examino um acto que pratiquei h√° um minuto em condi√ß√Ķes quase as mesmas em que me encontro actualmente, esse acto parece-me absolutamente livre. Mas se aprecio um acto realizado h√° um m√™s, ao encontrar-me em circunst√Ęncias diferentes, a meu pesar, se n√£o tivesse realizado esse acto, n√£o existiriam muitas coisas in√ļteis, agrad√°veis e necess√°rias que derivam dele.

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O Amor-Próprio como Fonte de Todos os Males

√Č preciso n√£o confundir o amor-pr√≥prio e o amor de si mesmo, duas paix√Ķes muito diferentes pela sua natureza e pelos seus efeitos. O amor de si mesmo √© um sentimento natural que leva todo o animal a velar pela sua pr√≥pria conserva√ß√£o, e que, dirigido no homem pela raz√£o e modificado pela piedade, produz a humanidade e a virtude. O amor-pr√≥prio √© apenas um sentimento relativo, fact√≠cio e nascido na sociedade, que leva cada indiv√≠duo a fazer mais caso de si do que de qualquer outro, que inspira aos homens todos os males que se fazem mutuamente, e que √© a verdadeira fonte da honra.
Bem entendido isso, repito que, no nosso estado primitivo, no verdadeiro estado de natureza, o amor-pr√≥prio n√£o existe; porque, cada homem em particular olhando a si mesmo como o √ļnico espectador que o observa, como o √ļnico ser no universo que toma interesse por ele, como o √ļnico juiz do seu pr√≥prio m√©rito, n√£o √© poss√≠vel que um sentimento que teve origem em compara√ß√Ķes que ele n√£o √© capaz de fazer possa germinar na sua alma.
Pela mesma raz√£o, esse homem n√£o poderia ter √≥dio nem desejo de vingan√ßa, paix√Ķes que s√≥ podem nascer da opini√£o de alguma ofensa recebida.

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Todo o Conhecimento Degenera em Probabilidade

A nossa raz√£o deve ser considerada como uma esp√©cie de causa cujo efeito natural √© a verdade; mas um efeito tal que pode ser facilmente evitado pela intrus√£o de outras causas e pela inconst√Ęncia das nossas faculdades mentais. Dessa maneira, todo o conhecimento degenera em probabilidade; essa probabilidade √© maior ou menor segundo a nossa experi√™ncia da veracidade ou da falsidade do nosso entendimento e segundo a simplicidade ou a complexidade da quest√£o.

Censura Amiga

A amizade penetra nos menores detalhes da nossa vida, o que torna frequentes as ocasi√Ķes de ofensas e melindres: o s√°bio deve evit√°-las, destru√≠-las ou suport√°-las quando necess√°rio for. A √ļnica ocasi√£o em que n√£o devemos deixar de ofender um amigo, √© quando se trata de lhe dizer a verdade e de lhe provar assim a nossa fidelidade. Porque n√£o devemos deixar de sobreavisar os nossos amigos, ainda quando se trate de os repreender. E n√≥s mesmos devemos levar isto em boa vontade, quando tais repreens√Ķes s√£o ditadas pelo bem querer.
Todavia, sou for√ßado a confess√°-lo, como disse o nosso Ter√™ncio no seu Adriana: ¬ęA benevol√™ncia gera a amizade; a verdade, o √≥dio¬Ľ. Sem d√ļvida a verdade √© molesta se produz o √≥dio, este veneno da amizade. Mas a magnanimidade √©-o ainda mais, porque para a indulg√™ncia culp√°vel, pelas faltas de um amigo, ela deixa-o precipitar-se nas suas ru√≠nas. Mas a falta mais grave √© a que despreza a verdade e se deixa conduzir ao mal pela adula√ß√£o. Este ponto reclama toda a nossa vigil√Ęncia e aten√ß√£o. Afastemos o √°cido das nossas advert√™ncias, a inj√ļria dos nossos reproches; que a nossa complac√™ncia (sirvo-me volunt√°rio da express√£o de Ter√™ncio) seja farta de urbanidade;

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Nós Homens nos Façamos Unidos pelos Deuses

N√£o a Ti, Cristo, odeio ou menosprezo
Que aos outros deuses que te precederam
Na memória dos homens.
Nem mais nem menos és, mas outro deus.

No Pante√£o faltavas. Pois que vieste
No Pante√£o o teu lugar ocupa,
Mas cuida n√£o procures
Usurpar o que aos outros é devido.

Teu vulto triste e comovido sobre
A ‘steril dor da humanidade antiga
Sim, nova pulcritude
Trouxe ao antigo Pante√£o incerto.

Mas que os teus crentes te n√£o ergam sobre
Outros, antigos deuses que dataram
Por filhos de Saturno
De mais perto da origem igual das coisas.

E melhores memórias recolheram
Do primitivo caos e da Noite
Onde os deuses n√£o s√£o
Mais que as estrelas s√ļbditas do Fado.

Tu não és mais que um deus a mais no eterno
N√£o a ti, mas aos teus, odeio, Cristo.
Pante√£o que preside
À nossa vida incerta.

Nem maior nem menor que os novos deuses,
Tua sombria forma dolorida
Trouxe algo que faltava
Ao n√ļmero dos divos.

Por isso reina a par de outros no Olimpo,

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Todas as esquisitices das pessoas que vivem na solidão pareciam tomar conta do seu espírito. A menor coisa fora do lugar a irritava.

O √ďdio liga mais os Indiv√≠duos que a Amizade

O √≥dio, a inveja e o desejo de vingan√ßa ligam muitas vezes mais dois indiv√≠duos um ao outro do que o podem fazer o amor e a amizade. Pois est√° em causa a comunidade de interesses interiores ou exteriores e a alegria que se sente nessa comunidade – onde √© muitas vezes determinada a ess√™ncia das rela√ß√Ķes positivas entre os indiv√≠duos: o amor e a amizade – √© sempre relativa e n√£o √© em nenhum caso um estado de alma permanente; mas as rela√ß√Ķes negativas, essas s√£o, a maior parte das vezes, absolutas e constantes. O √≥dio, a inveja e o desejo de vingan√ßa t√™m, poder-se-ia dizer, o sono mais ligeiro do que o amor. O menor sopro os desperta, enquanto que o amor e a amizade continuam tranquilamente a dormir, mesmo sob o trov√£o e os rel√Ęmpagos.