Cita√ß√Ķes sobre Merecimento

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O merecimento da esmola não consiste em que a comam aqueles para quem a dais, senão em que vós a deis para que eles a comam.

N√£o Alardear a Boa Sorte

Mais ofende ostentar a dignidade que a pessoa. Fazer-se de grande homem √© odioso: bastaria ser invejado. Quanto mais se busca estima menos se a consegue. Ela depende do respeito alheio, e, assim, n√£o pode ser tomada, mas merecida e aguardada. Os grandes cargos demandam autoridade ajustada ao seu exerc√≠cio, sem o que n√£o podem ser dignamente exercidos. Conserve a que merece para cumprir com o substancial das suas obriga√ß√Ķes: n√£o a esgote, ajude-a sim; e todos os que se fazem de aquinhoados no cargo d√£o ind√≠cio de que n√£o o mereciam, e que a dignidade a tudo se sobrep√Ķe. Quem quiser ter merecimentos, que seja antes pela emin√™ncia dos seus dotes que pelo seu advent√≠cio, pois at√© um rei h√°-de ser mais venerado pela sua pessoa que pela extr√≠nseca soberania.

Verdade, amor, raz√£o, merecimento
Qualquer alma far√£o segura e forte,
Porém, fortuna, caso, tempo e sorte
Têm do confuso mundo o regimento.

Num Tão Alto Lugar, De Tanto Preço

Num tão alto lugar, de tanto preço,
este meu pensamento posto vejo,
que desfalece nele inda o desejo,
vendo quanto por mim o desmereço.

Quando esta tal baixesa em mim conheço,
acho que cuidar nele é grão despejo,
e que morrer por ele me é sobejo
e mor bem para mim, do que mereço.

O mais que natural merecimento
de quem me causa um mal t√£o duro e forte,
o faz que v√° crecendo de hora em hora.

Mas eu n√£o deixarei meu pensamento,
porque inda que este mal me causa a morte,
Un bel morir tutta la vita onora.

O Pranto e o Riso

Se o Pranto e o Riso aparecessem neste grande teatro no traje da verdade (sempre nua), sem d√ļvida seria a vit√≥ria do Pranto. Mas vestido, ornado e armado de uma t√£o superior eloqu√™ncia, que o Riso se ria do Pranto, n√£o √© merecimento, foi sorte. De tudo quanto ri saiu vestido, ornado e armado o Riso: riem-se os prados e saiu vestido de flores: ri-se a Aurora, e saiu ornado de luzes; e se aos rel√Ęmpagos e raios chamou a Antiguidade Risus Vestae, et Vulcani, entre tantos rel√Ęmpagos, trov√Ķes e raios de eloqu√™ncia, quem n√£o julgar√° ao miser√°vel Pranto cego, at√≥nito e fulminado? Tal √© a fortuna, ou a natureza, destes dois contr√°rios. Por isso nasce o Riso na boca, como eloquente, e o Pranto nos olhos, como mudo.
(…) Dem√≥crito ria sempre: logo nunca ria. A consequ√™ncia parece dif√≠cil e √© evidente. O Riso, como dizem todos os Fil√≥sofos, nasce da novidade e da admira√ß√£o e cessando a novidade ou a admira√ß√£o, cessa tamb√©m o riso; e como Dem√≥crito se ria dos ordin√°rios desconcertos do mundo, e o que √© ordin√°rio e se v√™ sempre n√£o pode causar admira√ß√£o nem novidade; segue-se que nunca ria, rindo sempre, pois n√£o havia mat√©ria que motivasse o riso.

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Verdade, Amor, Raz√£o, Merecimento

Verdade, Amor, Raz√£o, Merecimento,
qualquer alma far√£o segura e forte;
porém, Fortuna, Caso, Tempo e Sorte,
têm do confuso mundo o regimento.

Efeitos mil revolve o pensamento
e n√£o sabe a que causa se reporte;
mas sabe que o que é mais que vida e morte,
que não o alcança humano entendimento.

Doctos var√Ķes dar√£o raz√Ķes subidas,
mas são experiências mais provadas,
e por isso é melhor ter muito visto.

Cousas h√° i que passam sem ser criadas
e cousas criadas h√° sem ser passadas,
mas o melhor de tudo é crer em Cristo.

A Boa e a M√° Fama

No mundo sempre correu igual risco a boa como a m√° opini√£o, e na opini√£o de muitos, mais arriscada foi sempre a boa que a m√° fama; porque as grandes prendas s√£o muito ruidosas, e muitas vezes foi reclamo para o perigo mais certo o mais estrondoso ru√≠do. O impertinente canto de uma cigarra nunca motivou aten√ß√Ķes ao curioso ca√ßador das aves. A melodia, sim, do rouxinol, que este sempre despertou o cuidado ao ca√ßador, para lhe aparelhar o la√ßo. A primeira cousa que se esconde dos ca√ßadores com instinto natural, suposta a hist√≥ria por verdadeira, que muitos t√™m por fabulosa, √© o carb√ļnculo, aquele diamante de luz, que lhe comunicou a natureza, como quem conhece que, em seu maior luzir, est√° o seu maior perigar. O ru√≠do que faz a grande fama tamb√©m faz com que o grande seja de todos ro√≠do, quando nas asas da fama se v√™ mais sublimado. Quem em as asas da fama voa tamb√©m padece; porque n√£o h√° asas sem penas, ainda que estas sejam as plumagens, com que o benem√©rito se adorna. S√≥ aos mortos costumamos dizer se fazem honras, e ser√° porque, a n√£o acabarem as honras com a morte, a ningu√©m consentiria aplausos o mundo,

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O Amor Vulgar

Pinta-se o Amor sempre menino, porque ainda que passe dos sete anos, como o de Jacob, nunca chega √† idade de uso de raz√£o. Usar de raz√£o, e amar, s√£o duas coisas que n√£o se juntam. A alma de um menino, que vem a ser? Uma vontade com afectos, e um entendimento sem uso. Tal √© o amor vulgar. Tudo conquista o amor, quando conquista uma alma; por√©m o primeiro rendido √© o entendimento. Ningu√©m teve a vontade febricitante, que n√£o tivesse o entendimento fren√©tico. O amor deixar√° de variar, se for firme, mas n√£o deixar√° de tresvariar, se √© amor. Nunca o fogo abrasou a vontade, que o fumo n√£o cegasse o entendimento. Nunca houve enfermidade no cora√ß√£o, que n√£o houvesse fraqueza no ju√≠zo. Por isso os mesmos Pintores do Amor lhe vendaram os olhos. E como o primeiro efeito, ou a √ļltima disposi√ß√£o do amor, √© cegar o entendimento, daqui vem, que isto que vulgarmente se chama amor, tem mais partes de ignor√Ęncia: e quantas partes tem de ignor√Ęncia, tantas lhe faltam de amor. Quem ama, porque conhece, √© amante; quem ama, porque ignora, √© n√©scio. Assim como a ignor√Ęncia na ofensa diminui o delito, assim no amor diminui o merecimento.

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A Fal√°cia do Sucesso

Abomin√°vel coisa √© o bom √™xito, seja dito de passagem. A sua falsa parecen√ßa com o merecimento ilude os homens. Para o vulgo, o bom sucesso equivale √† supremacia. A v√≠tima dos logros do triunfo, desse menecma da habilidade, √© a hist√≥ria. S√≥ T√°cito e Juvenal se lhe op√Ķem. Existe na √©poca e sente uma filosofia quase oficial, que envergou a libr√© do bom √™xito e lhe faz o servi√ßo da antec√Ęmara. Fazei por serdes bem sucedido, √© a teoria. Prosperidade sup√Ķe capacidade. Ganhai na lotaria, sereis um homem h√°bil. Quem triunfa √© venerado. Nascei bem-fadado, n√£o queirais mais nada. Tende fortuna, que o resto por si vir√°; sede feliz, julgar-vos-√£o grande. Se pusermos de parte as cinco ou seis excep√ß√Ķes imensas que fazem o esplendor de um s√©culo, a admira√ß√£o contempor√Ęnea √© apenas miopia. Duradora √© ouro. Pouco importa que n√£o sejais ningu√©m, contanto que consigais alguma coisa.
O vulgo √© um narciso velho, que se idolatra a si pr√≥prio e aplaude o vulgar. A faculdade sublime de ser Mois√©s, Esquilo, Dante, Miguel √āngelo ou Napole√£o, decreta-a a multid√£o indistintamente e por unanimidade a quem atinge o alvo que se prop√īs, seja no que for. Que um tabeli√£o se transforme em deputado;

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Soneto Ditado Na Agonia

J√° Bocage n√£o sou!… √Ä cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento…
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura;

Conheço agora já quão vã figura,
Em prosa e verso fez meu louco intento:
Musa!… Tivera algum merecimento
Se um raio da raz√£o seguisse pura.

Eu me arrependo; a língua quasi fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atr√°s do som fant√°stico corria:

Outro Aretino fui… a santidade
Manchei!… Oh! Se me creste, gente √≠mpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!.

No Mar em que de Novo Amor me Guia

No mar em que de novo amor me guia,
O mais seguro porto é dar à costa;
Aonde todos se perdem, aí está posta
Minha salvação, aí me salvaria.

Só fé me há-de salvar nesta porfia
Do vento, que contr√°rio vem de aposta;
E pois sua mor perda é dar à costa
Comigo, eu com Costa me queria.

Que vai j√° o querer, aonde a ventura
Criou t√£o desigual merecimento?
Valha-me pura fé, vontade pura!

Valha-me navegar meu pensamento
Com tal estrela, cuja formosura
Abranda o duro mar de meu tormento.

Ao Pecado Original

Se sendo, meu Senhor, por vós formado
Ad√£o, antes de ser o mal nascido,
Pecou, que far√° quem foi concebido
Nas entranhas, que j√° tinham pecado?

Comer de um fruito só lhe foi vedado,
Tudo o mais a seu gosto concedido,
E por uma só vez haver caido,
Por muitas ser n√£o posso levantado.

T√£o fraca ficou minha natureza,
Que levantar n√£o deixa o pensamento
Da terra, a que est√° atada e presa,

T√£o imiga do meu merecimento,
Que se morder n√£o pode na pureza,
Não deixa de ladrar um só momento.