Cita√ß√Ķes sobre Met√°foras

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Frases sobre met√°foras, poemas sobre met√°foras e outras cita√ß√Ķes sobre met√°foras para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Escolher a metáfora óbvia é uma forma retorcida de originalidade. Aceitar a primeira escolha é o contrário do meu instinto e, hoje, acredito que os meus instintos têm pouca razão.

O Estilo é um Reflexo da Vida

Qual a causa que provoca, em certas √©pocas, a decad√™ncia geral do estilo ? De que modo sucede que uma certa tend√™ncia se forma nos esp√≠ritos e os leva √† pr√°tica de determinados defeitos, umas vezes uma verborreia desmesurada, outras uma linguagem sincopada quase √† maneira de can√ß√£o? Porque √© que umas vezes est√° na moda uma literatura altamente fantasiosa para l√° de toda a verosimilhan√ßa, e outras a escrita em frases abruptas e com segundo sentido em que temos de subentender mais do que elas dizem? Porque √© que nesta ou naquela √©poca se abusa sem restri√ß√Ķes do direito √† met√°fora? Eis o rol dos problemas que me p√Ķes. A raz√£o de tudo isto √© t√£o bem conhecida que os Gregos at√© fizeram dela um prov√©rbio: o estilo √© um reflexo da vida! De facto, assim como o modo de agir de cada pessoa se reflecte no modo como fala, tamb√©m sucede que o estilo liter√°rio imita os costumes da sociedade sempre que a moral p√ļblica √© contestada e a sociedade se entrega a sofisticados prazeres. A corrup√ß√£o do estilo demonstra plenamente o estado de dissolu√ß√£o social, caso, evidentemente, tal estilo n√£o seja apenas a pr√°tica de um ou outro autor,

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Improviso

Nem só de chuva
se tece a nuvem
nem só de evento
se inventa o vento.

Nem só de fala
se engendra o grito
nem só de fome
prospera o trigo.

Nem só de raiva
arde a met√°fora
nem só de enigmas
se enfeita o nada.

Nem só de parca
o céu nos singra
nem só de pão
se morre à míngua

Nem só de pégaso
escapa o seio
para essa concha
partida ao meio.

L√†-bas, Je Ne Sais O√Ļ…

V√©spera de viagem, campainha…
N√£o me sobreavisem estridentemente!
Quero gozar o repouso da gare da alma que tenho
Antes de ver avançar para mim a chegada de ferro
Do comboio definitivo,
Antes de sentir a partida verdadeira nas goelas do est√īmago,
Antes de p√īr no estribo um p√©
Que nunca aprendeu a não ter emoção sempre que teve que partir.
Quero, neste momento, fumando no apeadeiro de hoje,
Estar ainda um bocado agarrado à velha vida.
Vida in√ļtil, que era melhor deixar, que √© uma cela?
Que importa?
Todo o Universo é uma cela, e o estar preso não tem que ver com o tamanho da cela.

Sabe-me a n√°usea pr√≥xima o cigarro. O comboio j√° partiu da outra esta√ß√£o…
Adeus, adeus, adeus, toda a gente que n√£o veio despedir-se de mim,
Minha fam√≠lia abstrata e imposs√≠vel…
Adeus dia de hoje, adeus apeadeiro de hoje, adeus vida, adeus vida!
Ficar como um volume rotulado esquecido,
Ao canto do resguardo de passageiros do outro lado da linha.
Ser encontrado pelo guarda casual depois da partida ‚ÄĒ
“E esta? Ent√£o n√£o houve um tipo que deixou isto aqui?”

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Fosse Eu Apenas, N√£o Sei Onde Ou Como

Fosse eu apenas, n√£o sei onde ou como,
Uma coisa existente sem viver,
Noite de Vida sem amanhecer
Entre as sirtes do meu dourado assomo….

Fada maliciosa ou incerto gnomo
Fadado houvesse de n√£o pertencer
Meu intuito gloríola com Ter
A √°rvore do meu uso o √ļnico pomo…

Fosse eu uma met√°fora somente
Escrita nalgum livro insubsistente
Dum poeta antigo, de alma em outras gamas,

Mas doente, e , num crep√ļsculo de espadas,
Morrendo entre bandeiras desfraldadas
Na √ļltima tarde de um imp√©rio em chamas…

Alimentar o Ego

Para quem faz do sonho a vida, e da cultura em estufa das suas sensa√ß√Ķes uma religi√£o e uma pol√≠tica, para esse primeiro passo, o que acusa na alma que ele deu o primeiro passo, √© o sentir as coisas m√≠nimas extraordin√°ria ‚ÄĒ e desmedidamente. Este √© o primeiro passo, e o passo simplesmente primeiro n√£o √© mais do que isto. Saber p√īr no saborear duma ch√°vena de ch√° a vol√ļpia extrema que o homem normal s√≥ pode encontrar nas grandes alegrias que v√™m da ambi√ß√£o subitamente satisfeita toda ou das saudades de repente desaparecidas, ou ent√£o nos actos finais e carnais do amor; poder encontrar na vis√£o dum poente ou na contempla√ß√£o dum detalhe decorativo aquela exaspera√ß√£o de senti-los que geralmente s√≥ pode dar, n√£o o que se v√™ ou o que se ouve, mas o que se cheira ou se gosta ‚ÄĒ essa proximidade do objecto da sensa√ß√£o que s√≥ as sensa√ß√Ķes carnais ‚ÄĒ o tacto, o gosto, o olfacto – esculpem de encontro √† consci√™ncia; poder tornar a vis√£o interior, o ouvido do sonho ‚ÄĒ todos os sentidos supostos e do suposto ‚ÄĒ recebedores e tang√≠veis como sentidos virados para o externo: escolho estas, e as an√°logas suponham-se,

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Soneto 529 Extra-Expresso

Mandou aquele abraço para o Rio.
De Sampa enalteceu a Freguesia.
Levou compasso e régua da Bahia.
Em Londres troca o Trópico por frio.

Com Jorge, Rita e Marley antevi-o.
Com Berry, Cliff ou Wonder bem veria.
Com ele fez escola a ecologia
e a escola fez o samba em que folio.

Veado ou pica-pau, ele os compacta;
met√°fora, se abstrata, ele a concreta;
com síntese a internet ele retrata.

√Č √°gil, presto, esperto, pois poeta;
agílimo, da raça expressa a nata;
agudo, mas dulcíssimo: ultra-esteta!

O quê? Valho Mais que uma Flor

O quê? Valho mais que uma flor
Porque ela n√£o sabe que tem cor e eu sei,
Porque ela n√£o sabe que tem perfume e eu sei,
Porque ela não tem consciência de mim e eu tenho consciência dela?
Mas o que tem uma coisa com a outra
Para que seja superior ou inferior a ela?
Sim tenho consciência da planta e ela não a tem de mim.
Mas se a forma da consciência é ter consciência, que há nisso?
A planta, se falasse, podia dizer-me: E o teu perfume?
Podia dizer-me: Tu tens consciência porque ter consciência é uma qualidade humana
E só não tenho uma porque sou flor senão seria homem.
Tenho perfume e tu n√£o tens, porque sou flor…

Mas para que me comparo com uma flor, se eu sou eu
E a flor é a flor?

Ah, n√£o comparemos coisa nenhuma, olhemos.
Deixemos análises, metáforas, símiles.
Comparar uma coisa com outra é esquecer essa coisa.
Nenhuma coisa lembra outra se repararmos para ela.
Cada coisa só lembra o que é
E só é o que nada mais é.

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O Nascimento de um Poema

Escreve-se um poema devido √† suspeita de que enquanto o escrevemos algo vai acontecer, uma coisa formid√°vel, algo que nos transformar√°, que transformar√° tudo. Como na inf√Ęncia, quando se fica √† porta de um quarto obscuro e vazio. Fica-se durante um minuto uma brisa levanta-se nos confins da obscuridade: um redemoinho no ar, uma luz, uma ilumina√ß√£o talvez? Estamos prontos para o assentimento. Outro minuto, cinco, dez, ali, diante do an√ļncio suspenso e amea√ßador: n√£o acontece nada. Poder-se-ia esperar um dia inteiro, dias seguidos. As vezes p√°ra-se no meio de um jardim ou de um parque ou de uma avenida deserta. S√£o variantes do quarto. Acontece o mesmo, quero dizer: n√£o acontece na¬¨da. A suspeita apenas de que nos aguarda uma esp√©cie de gra√ßa reticente, um dom reticente. Ou contempla-se um rosto, algu√©m que se ama, um ser imediato; ou ent√£o um rosto desconhecido, defendido. Pensamos: √© uma vida nova, uma for√ßa nova e profunda, √© uma paisagem misteriosa, profunda e nova que se relaciona intimamente connosco: vai revelar-se. E a outra pessoa olha para n√≥s perdida nas perspectivas inquietas da nossa contempla√ß√£o. E recome√ßa-se. O mesmo, sempre. Nada. Por isso surpreendeu-me a, diga¬¨mos, coer√™ncia vertical do volume, e o seu comprimento de onda,

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Nunca acreditei na tradicional met√°fora que compara a vida com um rio que nos leva, antes me parece que se o tempo nos empurra o faz enquanto nos trespassa, nos desgasta, nos transforma de cima a baixo.

Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Retórica da Paisagem

O que se pede da poesia? Que nos entretenha os olhos
com as rendas sulfurosas de um doentio crep√ļsculo?
Com efeito, no poema, as palavras n√£o nos servem
de cestos em que se recolham – dilatados, quase
a cair das √°rvores – os frutos. E contudo, continuamos
a confundir os caminhos do poema com os do mundo
quando eles, na natureza, apenas nos apontam
a incerteza do destino. As palavras repetem-se –
frutos atirados sobre a mesa – e a morte,
para quem não acredita no poder de transfiguração
das met√°foras, esgota da vida todo o sentido.
Diz-se: os ramos n√£o crescem no quadro,
os p√°ssaros deixam de assolar a paisagem –
e o pensamento, ao reflectir-se, deixa a tela
pejada dos restos em que se perdeu pelo
horizonte. Mas todo o conhecimento
acaba no ponto em que o voo se
confunde com a linha acidentada da planície.

Tal a Vida

Em declive trepamos pela nuvem
dos dias ‚ÄĒ em declive circundamos
obscuros cristais
transportados no sangue‚ÄĒ e somos e
levantamos
as cores primitivas da fonte a luz
que resvala corpo a corpo
a semente sazonada de quem roubou
o fogo ‚ÄĒ em declive canto
a ternura diluída a luz reflectida
neste muro onde vejo
a secreção da fala onde ouço
um caminho de met√°foras: tal
a vida ‚ÄĒ

C√Ęmara Escura

A meu pai

3

A biografia. Revejo-a em tecidos
fibrosos, retraindo-se. √Č j√° vis√≠vel
a anquilose o vento austero
disperso pelos gestos, mais lentos

e difíceis. A migração das aves
inicia-se. Junto à costa
atl√Ęntica, falava-me do tempo, a vira√ß√£o
nefasta, o nevoeiro

poroso, sobre os ossos. Era o período
de estado: rajadas cubitais, golpes
de vento, as migra√ß√Ķes da dor, articulares…
As metáforas clínicas. Procura,

apesar disso, algum sossego. Invoca ainda
o elemento natal, o livro prematuro
do inverno. E a dureza da neve,
os domínios do gelo, imprevisíveis.

Com as chuvas de abril, a migração
atinge órgãos vitais. A violência
perdida pelos móveis, nas janelas
transl√ļcidas, no rumo vagaroso

da voz. Vigia os gestos, os indícios de
p√Ęnico, a previs√≠vel eclos√£o
da crise. Deforma√ß√Ķes, desvio dos
dedos no lado cubital, arthritis

– o peso das no√ß√Ķes.
Endurecem os sons, as linhas vistas
até ao declínio, o vento imóvel
semeado nos campos. Todo o regresso

persiste na matéria: os vários
motores de frio,

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A Educação da Fé

Sendo a f√© um dom, como pode ser motivo de educa√ß√£o? N√£o pode realmente ser ensinada, mas sim irradiada. Os que a possuem podem significar a estrela-guia, a perseveran√ßa num encontro dif√≠cil de suceder, mas cuja esperan√ßa comove todo o nosso ser. √Č poss√≠vel que a Igreja se volte para esse apostolado da f√© que foi extremamente importante no seu come√ßo. N√£o o velho sistema de grupos sect√°rios que s√£o o modelo dos processos pol√≠ticos e que, quando se afirma um movimento e este toma amplitude, se eliminam. N√£o √© isso. Trata-se de focos de comunica√ß√£o que dispensam a organiza√ß√£o premeditada e at√© a linguagem elaborada, o discurso piedoso e a erudi√ß√£o duma exegese. Um interessar a alma na f√© sem recorrer ao preconceito da santidade. Descobrir a imensa novidade da f√© num mundo em que o pr√≥prio crist√£o vive de maneira pag√£ e singularmente a coberto dos antigos textos que esqueceu ou que desconhece completamente.

A prova de que o cristão vive como um bárbaro é o sentido que tomou a arte religiosa. Não é raro encontrar nas salas de convívio burguesas, juntamente com a televisão, ou a mesa de jogo, ou a instalação estereofónica para o gira-disco,

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O homem invisível é uma metáfora de todas as coisas impossíveis com que sonhamos: a felicidade, o amor, o saber que nos escapa. Entre o próximo e o longínquo está o prazer que se experimenta num instante supremo mas essa plenitude está fora do nosso campo visual.

O Sentido Tr√°gico do Amor

Todo o homem tende naturalmente para o amor. Acontece que o conceito comum de amor corresponde de forma quase universal a uma ideia genérica, ambivalente e, tantas vezes, errada, porque tão irreal.

Amar √© dar-se. Entregar a pr√≥pria ess√™ncia a um outro, lutando em favor dele. De forma pura e gratuita, sem esperar outra recompensa sen√£o a de saber que se conseguir√° ser o que se √©. Amar, ao contr√°rio do que julgam muitos, n√£o √© uma fonte de satisfa√ß√£o… Amar √© algo s√©rio, arrebatador e tremendamente desagrad√°vel. Quem ama sabe que isso mais se parece com uma esp√©cie de maldi√ß√£o do que com narrativas infantis de final invariavelmente feliz…

Cavaleiros valentes e princesas encantadas são, no entanto, excelentes metáforas que pretendem passar a ideia da coragem e da nobreza de carácter essenciais a quem ama. Ama-se quando se é capaz de se ser quem é, verdadeiramente.
Esta luta heróica pelo valor da essência do outro não está ao alcance de todos. A maior parte das pessoas são egocêntricas, alegram-se a entrançar os seus egoísmos em figuras improvisadas de resultado sempre disforme a que teimam chamar amor. Talvez porque assim consigam disfarçar o vazio que é a prova de quão frustrante,

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