Cita√ß√Ķes sobre Nebulosas

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Frases sobre nebulosas, poemas sobre nebulosas e outras cita√ß√Ķes sobre nebulosas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

San Gabriel II

Vem conduzir as naus, as caravelas,
Outra vez, pela noite, na ardentia,
Avivada das quilhas. Dir-se-ia
Irmos arando em um mont√£o de estrelas.

Outra vez vamos! C√īncavas as velas,
Cuja brancura, r√ļtila de dia,
O luar dulcifica. Feeria
Do luar não mais deixes de envolvê-las!

Vem guiar-nos, Arcanjo, à nebulosa
Que do além mar vapora, luminosa,
E à noite lactescendo, onde, quietas,

Fulgem as velhas almas namoradas…
– Almas tristes, severas, resignadas,
De guerreiros, de santos, de poetas.

Noites Amadas

√ď noites claras de lua cheia!
Em vosso seio, noites chorosas,
Minh’alma canta como a sereia,
Vive cantando n’um mar de rosas;

Noites queridas que Deus prateia
Com a luz dos sonhos das nebulosas,
√ď noites claras de lua cheia,
Como eu vos amo, noites formosas!

Vós sois um rio de luz sagrada
Onde, sonhando, passa embalada
Minha Esperan√ßa de m√°goas nua…

√ď noites claras de lua plena
Que encheis a terra de paz serena,
Como eu vos amo, noites de lua!

Ecos D’alma

Oh! madrugada de ilus√Ķes, sant√≠ssima,
Sombra perdida l√° do meu Passado,
Vinde entornar a cl√Ęmide pur√≠ssima
Da luz que fulge no ideal sagrado!

Longe das tristes noutes tumulares
Quem me dera viver entre quimeras,
Por entre o resplandor das Primaveras
Oh! madrugada azul dos meus sonhares;

Mas quando vibrar a √ļltima balada
Da tarde e se calar a passarada
Na bruma sepulcral que o céu embaça,

Quem me dera morrer ent√£o risonho,
Fitando a nebulosa do meu Sonho
E a Via-L√°ctea da Ilus√£o que passa!

O Artista é Maior que Deus

Como √© bom escrever ao apelo incerto do que nos faz sinais. Como √© fascinante escrever para saber o que √©. Indeciso apelo, motivo que o n√£o √©, at√© se saber o que √©. Traz√™-lo √† vida da sua nebulosa, capt√°-la na err√Ęncia de uma inquieta procura. Obedecer ao impulso que sobe em n√≥s em energia e movimenta√ß√£o, na necessidade de o realizar e ele coalhar em escrita, no irreal da sua realiza√ß√£o. Estremecer ao aviso, persegui-lo at√© onde n√£o sabemos o seu tudo, depois da surpresa do que l√° estava.
Escrever é não saber para saber. Mas o que se sabe é frágil e há que procurá-lo até à eternidade. Porque o que se encontra é ainda a procura, o além de todo o aquém. E é porque nunca se encontra, que a arte continua. Assim o artista é maior do que Deus. Porque ele já tinha criado, antes de criar, e assim não teve surpresas. E quem escreve só no infinito realiza a sua criação e só aí as não terá.

Voz Fugitiva

√Äs vezes na tu’alma que adormece
Tanto e t√£o fundo, alguma voz escuto
De timbre emocional, claro, impoluto
Que uma voz bem amiga me parece.

E fico mudo a ouvi-la como a prece
De um meigo coração que está de luto
E livre, j√°, de todo o mal corruto,
Mesmo as afrontas mais cruéis esquece.

Mas outras vezes, sempre em v√£o, procuro
Dessa voz singular o timbre puro,
As essências do céu maravilhosas.

Procuro ansioso, inquieto, alvoroçado,
Mas tudo na tu’alma est√° calado,
No silêncio fatal das nebulosas.

Aurora Morta, Foge! Eu Busco A Virgem Loura

Aurora morta, foge! Eu busco a virgem loura
Que fugiu-me do peito ao teu clar√£o de morte
E Ela era a minha estrela, o meu √ļnico Norte,
O grande Sol de afeto – o Sol que as almas doura!

Fugiu… e em si a Luz consoladora
Do amor – esse clar√£o eterno d’alma forte –
Astro da minha Paz, Sírius da minha Sorte
E da Noute da vida a Vênus Redentora.

Agora, oh! Minha M√°goa, agita as tuas asas,
Vem! Rasga deste peito as nebulosas gazas
E, num P√°lio auroral de Luz deslumbradora,

Ascende à Claridade. Adeus oh! Dia escuro,
Dia do meu Passado! Irrompe, meu Futuro;
Aurora morta, foge – eu busco a virgem loura!

Sem este objetivo firme e permanente [de conhecer o interior in√≥spito], a Amaz√īnia, mais cedo ou mais tarde, se destacar√° do Brasil, naturalmente e irresistivelmente, como se despega um mundo de uma nebulosa ‚ÄĒ pela expans√£o centr√≠fuga do seu pr√≥prio movimento.

Mais depressa o bronco pastor da serra surpreende, na poeira rutilante das nebulosas, um novo astro, do que o psicólogo de mais aguda sagacidade penetra a intenção de um olhar ou de um sorriso de mulher.

Vision√°rios

Armam batalhas pelo mundo adiante
Os que vagam no mundos vision√°rios,
Abrindo as √°ureas portas de sacr√°rios
Do Mistério soturno e palpitante.

O coração flameja a cada instante
Com brilho estranho, com fervores v√°rios,
Sente a febre dos bons mission√°rios
Da ardente catequese fecundante.

Os vision√°rios v√£o buscar frescura
De √°gua celeste na cisterna pura
Da Esperan√ßa, por horas nebulosas…

Buscam frescura, um outro novo encanto…
E livres, belos através do pranto,
Falam baixo com as almas misteriosas!

Disseste ou escreveste milh√Ķes ou muitos milhares de palavras. E deve haver nessa nebulosa uma estrela que seja a tua. N√£o a saber√°s nunca.

Neste Dia Meu Amor

Neste dia meu amor
os meus dedos s√£o o candelabro que te ilumina
o √ļnico existente.

E o homem
sua esfera perdida em m√£os alheias
é o objecto de malabarismo
o insecto
voltejando cega a luz que lhe irradiam
o límpido cristal corrompido
o defunto.

E este patíbulo onde o próprio carrasco se enforcará
eu o digo
será erguido como símbolo de todos os homens.

Aqui a hora vai sendo longínqua meu amor e solene.
O caminho é grande o tempo tão pouco
tenhamos muita esperança e muito ódio
e vítreas flores a ornar o teu cabelo
porque serei o homem para as transportar
e tu a √ļltima mulher que as aceitar√°.

E enquanto assim for
erguer-se-√° a nuvem de m√ļltiplas estrelas
a nebulosa
que dizem estar a milh√Ķes de anos-luz
mas n√£o acreditemos bem o sabes
porque em verdade a temos em nossas próprias mãos
oculta para a contemplarmos agora.

A Idéia

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegra√ß√Ķes maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
T√≠sica, t√™nue, m√≠nima, raqu√≠tica …

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica

Metafísica

1

N√£o tenta nada de que se tivesse j√° esquecido;
o seu objectivo, agora, é organizar o presente.

2

Com as m√£os, procura avaliar a qualidade da terra:
se as folhas lhe dão a consistência do ser vivo,
ou se a pedra que est√° por baixo, com os restos
fósseis da origem, rompe a sua unidade, e impede
o caminho às raízes.

3

Os olhos n√£o sabem, ainda, que a vis√£o profunda
os dispensa. Por dentro, o olhar implica a noite;
e √© da fus√£o das formas no negro √ļltimo do c√©u,
para além da superfície das estrelas e das nebulosas
que essa verdade brilha com a sua exacta eternidade.

O Construtor

O construtor, antes de levantar a primeira pedra do dia, contempla e considera as suas feridas que enfraquecem a vontade de construir, com a sua pr√≥pria subst√Ęncia de cinzas e sangue petrificado, a habita√ß√£o em que a f√©nix poder√° renascer com todo o esplendor original de um astro. Nada mais lhe resta do que lan√ßar-se a um trabalho para o qual a disposi√ß√£o ainda n√£o surgiu, mas que poder√° despertar os impulsos da constru√ß√£o solar e abrir o horizonte luminoso e tranquilo de um rio em torno da morada. A constru√ß√£o est√° envolta numa espessa bruma e n√£o h√° nela sinais de figuras ou formas, porque essa n√©voa √© o pr√≥prio nada da confus√£o inicial e do fim de toda a constru√ß√£o como possibilidade de vida e de renovo. √Č do obscuro fundo da retina que surge um t√©nue raio cintilante que penetra na massa nebulosa da constru√ß√£o e a faz palpitar e estremecer. O construtor poder√° ent√£o discernir algumas linhas de for√ßa, algumas estruturas e bases numa crescente e sincopada clarifica√ß√£o. Haver√° um momento em que ele sentir√° que o edif√≠cio dan√ßa porque tudo se duplica e se reflecte e se anima. De algum modo, √© j√° a f√©nix que resplandece no fulgor da edifica√ß√£o e na plenitude do ser e do olhar na sua m√ļtua cria√ß√£o.

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N√£o h√° Nada que Resista ao Tempo

N√£o h√° nada que resista ao tempo. Como uma grande duna que se vai formando gr√£o a gr√£o, o esquecimento cobre tudo. Ainda h√° dias pensava nisto a prop√≥sito de n√£o sei que afecto. Nisto de duas pessoas julgarem que se amam tresloucadamente, de n√£o terem mutuamente no corpo e no pensamento sen√£o a imagem do outro, e da√≠ a meia d√ļzia de anos n√£o se lembrarem sequer de que tal amor existiu, cruzarem-se numa rua sem qualquer estremecimento, como dois desconhecidos.
Essa certeza, hoje ent√£o, radicou-se ainda mais em mim.
Fui ver a casa onde passei um dos anos cruciais da minha vida de menino. E nem as portas, nem as janelas, nem o panorama em frente me disseram nada. Tinha c√° dentro, √© certo, uma nebulosa sentimental de tudo aquilo. Mas o concreto, o real, o n√ļmero de degraus da escada, a cara da senhoria, a significa√ß√£o terrena de tudo aquilo, desaparecera.

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Gazel da Paciente Espera

Para Regina Célia Colónia

Quanto te esperei
nas portas do dia
e te esperei
quando a terra nascia:
o espírito metáfora
boiava.

E te esperava
mas nenhuma nebulosa
te envolvia e nenhum
peixe era tu e nenhuma
circular √°gua apascentava
esta maternidade.

Te esperava
e o dia voltava
e vinha
e nas portas
o relógio de sinais
rangia.

E te esperava,
ave lua
ovelha de tuas m√£os
a noite.
Te esperava
porque as palavras
as palavras
batem à porta
e se abrem.

E   te   esperarei
a   vida   repleta
e a morte.

Depois na eternidade
recomeço.

As Montanhas

I

Das nebulosas em que te emaranhas
Levanta-te, alma, e dize-me, afinal,
Qual é, na natureza espiritual,
A significação dessas montanhas!

Quem não vê nas graníticas entranhas
A subjetividade ascensional
Paralisada e estrangulada, mal
Quis erguer-se a cumíadas tamanhas?!

Ah! Nesse anelo tr√°gico de altura
N√£o ser√£o as montanhas, porventura,
Estacionadas, íngremes, assim,

Por um abortamento de mec√Ęnica,
A representa√ß√£o ainda inorg√Ęnica
De tudo aquilo que parou em mim?!

M√ļsica Da Morte

A musica da Morte, a nebulosa,
Estranha, imensa musica sombria,
Passa a tremer pela minh’alma e fria
Gela, fica a tremer, maravilhosa…

Onda nervosa e atroz, onda nervosa,
Letes sinistro e torvo da agonia,
Recresce a lancinante sinfonia,
Sobe, numa vol√ļpia dolorosa…

Sobe, recresce, tumultuando e amarga,
Tremenda, absurda, imponderada e larga,
De pavores e trevas alucina…

E alucinando e em trevas delirando,
Como um √ďpio letal, vertiginando,
Os meus nervos, let√°rgica, fascina…

A Essência das Coisas

Nunca me conformei com um conceito puramente científico da Existência, ou aritmético-geométrico, quantitativo-extensivo. A existência não cabe numa balança ou entre os ponteiros dum compasso. Pesar e medir é muito pouco; e esse pouco é ainda uma ilusão. O pesado é feito de imponderáveis, e a extensão de pontos inextensos, como a vida é feita de mortes.
A realidade n√£o est√° nas apar√™ncias transit√≥rias, reflexos palpitantes, simulacros luminosos, um aflorar de quimeras materiais. Nem √© s√≥lida, nem l√≠quida, nem gasosa, nem electromagn√©tica, palavras com o mesmo significado nulo. Foge a todos os c√°lculos e a todos os olhos de vidro, por mais longe que eles vejam, ou se trate dum n√ļcleo at√≥mico perdido no infinitamente pequeno, ou da nebulosa Andr√≥meda, a seiscentos mil anos de luz da minha aldeia!
A essência das coisas, essa verdade oculta na mentira, é de natureza poética e não científica. Aparece ao luar da inspiração e não à claridade fria da razão. Esta apenas descobre um simples jogo de forças repetido ou modificado lentamente, gestos insubstanciais, formas ocas, a casca de um fruto proibido.
Mas o miolo é do poeta. Só ele saboreia a vida até ao mais íntimo do seu gosto amargoso,

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