Cita√ß√Ķes sobre Perturbadores

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Frases sobre perturbadores, poemas sobre perturbadores e outras cita√ß√Ķes sobre perturbadores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Concordar mas Sempre em Desacordo

A maioria das pessoas só se convencem de ter razão depois que outras pessoas concordam com elas. Mas alguns de nós não achamos nada mais perturbador do que as nossas próprias palavras ditas por outros.

O Que Sou e o Que Faço Neste Mundo

Involuntariamente, inconscientemente, nas leituras, nas conversas e at√© junto das pessoas que o rodeavam, procurava uma rela√ß√£o qualquer com o problema que o preocupava. Um ponto o preocupava acima de tudo: por que √© que os homens da sua idade e do seu meio, os quais exactamente como ele, pela sua maior parte, haviam substitu√≠do a f√© pela ci√™ncia, n√£o sofriam por isso mesmo moralmente? N√£o seriam sinceros? Ou compreendiam melhor do que ele as respostas que a ci√™ncia proporciona a essas quest√Ķes perturbadoras? E punha-se ent√£o a estudar, quer os homens, quer os livros, que poderiam proporcionar-lhe as solu√ß√Ķes t√£o desejadas.
(…) Atormentado constantemente por estes pensamentos, lia e meditava, mas o objectivo perseguido cada vez se afastava mais dele. Convencido de que os materialistas nenhuma resposta lhe dariam, relera, nos √ļltimos tempos da sua estada em Moscovo, e depois do seu regresso √† aldeia, Plat√£o e Espinosa, Kant e Schelling, Hegel e Schopenhauer. Estes fil√≥sofos satisfaziam-no enquanto se contentavam em refutar as doutrinas materialistas e ele pr√≥prio encontrava ent√£o argumentos novos contra elas; mas, assim que abordava – quer atrav√©s das leituras das suas obras, quer atrav√©s dos racioc√≠nios que estas lhe inspiravam – a solu√ß√£o do famoso problema,

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Sinceridade Proscrita

A verdade permanece sepultada sob as m√°ximas de uma falsa delicadeza. Chama-se saber viver √† arte de viver com baixeza. N√£o se p√Ķe diferen√ßa entre conhecer o mundo e engan√°-lo; e a cerim√≥nia, que deveria ater-se inteiramente ao exterior, introduz-se nos nossos costumes mesmos.
A ingenuidade deixa-se aos esp√≠ritos pequenos, como uma marca da sua imbecilidade. A franqueza √© olhada como um v√≠cio na educa√ß√£o. Nada de pedir que o cora√ß√£o saiba manter o seu lugar; basta que fa√ßamos como os outros. √Č como nos retratos, aos quais n√£o se exige mais do que parecen√ßa. Cr√™-se ter achado o meio de tornar a vida deliciosa, atrav√©s da do√ßura da adula√ß√£o.
Um homem simples que n√£o tem sen√£o a verdade a dizer √© olhado como o perturbador do prazer p√ļblico. Evitam-no, porque n√£o agrada; evita-se a verdade que anuncia, porque √© amarga; evita-se a sinceridade que professa porque n√£o d√° frutos sen√£o selvagens; temem-na porque humilha, porque revolta o orgulho que √© a mais cara das paix√Ķes, porque √© um pintor fiel, que faz com que nos vejamos t√£o disformes como somos.
Não há por que nos espantarmos, se ela é rara: é expulsa, proscrita por toda a parte.

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A Insegurança do Escritor

√Č certo que tudo o que concebi antecipadamente, mesmo quando estava com boa disposi√ß√£o, quer com todo o pormenor, quer casualmente, mas em palavras espec√≠ficas, aparece seco, errado, inflex√≠vel, embara√ßado para todos os que me rodeiam, t√≠mido, mas acima de tudo incompleto, quando tento escrever tudo isso √† minha secret√°ria, embora eu n√£o tenha esquecido nada da concep√ß√£o original. Isto est√° naturalmente relacionado em grande parte com o facto de eu conceber uma coisa boa longe do papel durante apenas um momento de exalta√ß√£o mais temido do que desejado, embora eu muito o deseje; mas ent√£o a plenitude √© tal que eu tenho de ceder. √Äs cegas e arbitrariamente agarro peda√ßos da corrente, de modo que, quando escrevo calmamente, a minha aquisi√ß√£o n√£o √© nada comparada com a plenitude em que viveu, √© incapaz de restaurar essa plenitude, e assim √© m√° e perturbadora, por ser uma in√ļtil tenta√ß√£o.

Dois Excertos de Odes

(Fins de duas odes, naturalmente)

I

Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas r√°pidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as v√°rias √°rvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as √°rvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na dist√Ęncia imprecisa e vagamente perturbadora,
Na dist√Ęncia subitamente imposs√≠vel de percorrer.

Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que v√™m ter conosco ao crep√ļsculo, √† janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das m√ļsicas e das vozes longe e perto,

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Basta umas Palavrinhas

Sentir-se amada, inclu√≠da, admirada, reconhecida, lembrada, toca as ra√≠zes da emo√ß√£o tanto de uma intelectual como de um iletrado, tanto de uma rainha como de um s√ļbdito. Nem mesmo um psiquiatra ou um paciente mutilado por uma psicose e controlado por pensamentos perturbadores escapa a essas necessidades vitais.

Basta umas palavrinhas para nos emocionarmos ou nos magoarmos. Um simples olhar √© o suficiente para ficarmos encantados ou dececionados. Um beijo pode ter mais impacto do que um grande pr√©mio. Um abra√ßo pode ser mais lembrado do que um aumento de ordenado. ¬ęEu aposto em ti! N√£o desistas, conta comigo!¬Ľ, ¬ęPodes superar-te!¬Ľ, pequenas frases como estas ditas em tempos dif√≠ceis tornam-se inesquec√≠veis, mudam rotas, renovam √Ęnimos. As nossas rea√ß√Ķes podem ser mais penetrantes do que um proj√©til.

A Crença é Baseada no Desejo

A influ√™ncia dos nossos desejos sobre as nossas cren√ßas √© do conhecimento e da observa√ß√£o de todos, mas a natureza dessa influ√™ncia √©, em geral, muito mal interpretada. √Č costume supor que a massa das nossas cren√ßas prov√©m de alguma base racional e que o desejo √© apenas uma for√ßa perturbadora ocasional. Exactamente o oposto se aproximaria mais da verdade: a grande massa de cren√ßas pela qual somos amparados na nossa vida di√°ria √© apenas projec√ß√£o do desejo, corrigida aqui e ali, em pontos isolados, pelo rude choque dos factos.

A Crítica é Menos Eficaz do que o Exemplo

A cr√≠tica √© menos eficaz do que o exemplo. √Č de considerar se a grande sugest√£o para usar da cr√≠tica nos nossos tempos e que p√Ķe em causa todos os valores consagrados, n√£o √© o resultado duma anemia profunda do acto de vontade de toda uma sociedade. Todos temos consci√™ncia de como o exemplo se tornou interdito, como o indiv√≠duo, na sua excep√ß√£o perturbadora, √© causa de mal-estar. Dir-se-ia que a fraqueza, a breve virtude, a mediocridade, de interesses e de condi√ß√Ķes, t√™m prioridade sobre o modelo e a utopia. A par desta dimens√£o rasa do despotismo do dem√©rito, levanta-se uma rajada de viol√™ncia. √Č de crer que a viol√™ncia √© hoje a linguagem bastarda da desilus√£o e o reverso do exemplo; representa a frustra√ß√£o do exemplo.

Amizade Sem Sinceridade

Acredita-se ter encontrado um meio de tornar a vida deliciosa atrav√©s da bajula√ß√£o. Um homem simples que apenas diz a verdade √© visto como o perturbador do prazer p√ļblico. Foge-se dele porque n√£o agrada a ningu√©m; foge-se da verdade que ele enuncia, porque √© amarga; foge-se da sinceridade que proclama porque apenas traz frutos selvagens; tem-se receio dela porque humilha, porque revolta o orgulho que √© a mais estimada das paix√Ķes, porque √© um pintor fiel que nos faz ver qu√£o disformes somos.
N√£o admira que seja t√£o rara: em toda a parte (a sinceridade) √© perseguida e proscrita. Coisa maravilhosa, ela encontra a custo um ref√ļgio no seio da amizade.
Sempre seduzidos pelo mesmo erro, só fazemos amigos para ter pessoas particularmente destinadas a nos agradarem: a nossa estima resume-se à sua complacência; o fim dos consentimentos acarreta o fim da amizade. E quais são esses consentimentos? O que é que mais nos agrada nos amigos? São os contínuos elogios que lhes cobramos como tributos.
A que se deve que j√° n√£o haja verdadeira amizade entre os homens? Que esse nome n√£o seja mais do que uma armadilha que empregam com vileza para seduzir? ¬ę√Č, diz um poeta (Ov√≠dio),

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A Doença da Disciplina

Das fei√ß√Ķes de alma que caracterizam o povo portugu√™s, a mais irritante √©, sem d√ļvida, o seu excesso de disciplina. Somos o povo disciplinado por excel√™ncia. Levamos a disciplina social √†quele ponto de excesso em que cousa nenhuma, por boa que seja ‚ÄĒ e eu n√£o creio que a disciplina seja boa ‚ÄĒ por for√ßa que h√°-de ser prejudicial.
Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército de que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo. E quando, por um milagre de desnacionalização temporária, pratica a traição à Pátria de ter um gesto, um pensamento, ou um sentimento independente, a sua audácia nunca é completa, porque não tira os olhos dos outros, nem a sua atenção da sua crítica.
Parecemo-nos muito com os alem√£es. Como eles, agimos sempre em grupo, e cada um do grupo porque os outros agem.
Por isso aqui, como na Alemanha, nunca é possível determinar responsabilidades; elas são sempre da sexta pessoa num caso onde só agiram cinco.

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Treinar a Emoção

A emo√ß√£o √© bela, mas ing√©nua. N√£o seja passivo diante das suas dores, determine o que quer sentir. N√£o pe√ßa licen√ßa para ser feliz, determine ser feliz. Determine ser tranquilo, sereno, alegre. O campo de energia emocional precisa de se submeter √† autoridade do ¬ęeu¬Ľ.

A emo√ß√£o aprecia uma ordem, mas domina pessoas passivas. N√£o √© poss√≠vel nem desej√°vel controlar completamente as emo√ß√Ķes. Elas d√£o sentido √† vida porque s√£o uma energia incontrol√°vel. Mas n√£o as deixe serem muito ing√©nuas, d√™-lhes um choque de lucidez. Outro erro educacional grave √© que nunca nos ensinaram que as nossas emo√ß√Ķes n√£o s√£o obrigadas a viver o conte√ļdo dos pensamentos negativos e das fantasias destrutivas. √Č preciso treinar a emo√ß√£o para sermos seguros e l√ļcidos.

Deixe a emo√ß√£o solta para que voc√™ possa amar, ser tolerante e tranquilo, mas n√£o a deixe solta para dirigir a sua raz√£o. A maioria dos crimes, dos conflitos sociais, das ofensas nunca resolvidas e dos traumas sociais nunca apagados foram produzidos porque a emo√ß√£o governou a raz√£o. Determine n√£o submeter a sua emo√ß√£o ao conte√ļdo dos pensamentos perturbadores. Jamais se esque√ßa de que h√° uma for√ßa dentro de si que est√° desativada ou mal usada.

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Confrontem-se com um cadáver pelo menos uma vez. A ausência absoluta de vida é o confronto mais perturbador e desafiante que alguma vez irão ter.

A Vida Reparte-se por Ciclos

A vida reparte-se por ciclos, cujas fronteiras s√£o por vezes de uma perturbadora nitidez. O √ļltimo talvez seja este: o que delimita a fase em que nos resta administrar acauteladamente (em alguns casos, avaramente) uma sabedoria amealhada, ou em que nos preparamos para a desbaratar numa esp√©cie de furiosa imola√ß√£o.
Parece, no entanto, ilus√≥rio que nos caiba escolher. Talvez a op√ß√£o tenha sido feita desde o princ√≠pio, isto √©: talvez haja uma ordem √≠ntima que deva ser cumprida atrav√©s de uma dessas manifesta√ß√Ķes, mesmo quando a escolhida se nos afigura incoerente.

Que contraste perturbador existe entre a inteligência radiante de uma criança e a frágil mentalidade de um adulto mediano.

A Cultura não se Enquadra na Totalidade Política

A cultura nunca poder√° ser um factor estrat√©gico de mudan√ßa. Se √© estrat√©gia, n√£o √© cultura. Faz-se apelo √† cultura como estrat√©gia de mudan√ßa, tentando resolver a condi√ß√£o perturbadora do homem culto, munido de culpabilidade inconsciente, ou simplesmente isento da culpabilidade pelo sofrimento. Isso n√£o √© poss√≠vel. A cultura n√£o se enquadra na totalidade pol√≠tica. H√° um grave mal-entendido quanto a isso. A cultura n√£o significa o conforto da neutralidade, a ir√≥nica gradua√ß√£o da expectativa, a gin√°stica do n√£o-compomisso. Significa um enraizamento em si mesmo, que conserva no homem a faculdade de julgar. N√£o √© contr√°ria √† ac√ß√£o, mas √© condi√ß√£o necess√°ria para que a ac√ß√£o seja serena e √ļtil, e n√£o impaciente e desordenada. N√£o se trata de racismo espiritual; n√£o se trata da pretens√£o de existir √† parte da hist√≥ria pol√≠tica do mundo. √Č a inten√ß√£o absolutamente necess√°ria de ser livre, face aos acontecimentos, qualquer que seja a l√≥gica que os liga. A cultura √© o que identifica um povo com a sua finalidade.