Passagens sobre Piadas

28 resultados
Frases sobre piadas, poemas sobre piadas e outras passagens sobre piadas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Amor com Humor

O que faz falta a muitas rela√ß√Ķes n√£o √© amor; √© humor.
Humor verdadeiro, humor real. Humor transformador. O nosso humor. Somos amaristas ou humantes, uma qualquer mistura entre amante e humorista. Andamos pelas horas assim, a brincar ao equilíbrio. Ora dizemos uma piada sobre o beijo perfeito ora beijamos o beijo perfeito.
Temos de ser cómicos para nos amarmos bem.
H√° amores que n√£o sobrevivem sem humor. Todos.
O nosso faz stand-up a toda a hora. Levanta-se e faz-nos rir. Rimo-nos de nós. Sobretudo de nós. Também dos outros, claro. Por vezes somos mauzinhos, por vezes somos cruéis. Fazemos humor negro e nem assim nos deixamos cair no escuro.

Soneto 270 A Dercy Gonçalves

Recusa-se a morrer. N√£o morrer√°.
Talvez caricatura, a sua vida,
vestal, velha vedete travestida,
inverte o que o pariu pra puta v√°.

Vai ser a cibernética babá
de toda meninice reprimida.
Ninguém faz saturnal se não convida
a nossa sideral gueixa gag√°.

Mostrou a perereca da vizinha
apenas pra alegrar a garotada.
Com ela é pau no cu da carochinha.

P√īs cada palavr√£o numa piada.
Passou. N√£o passar√°. Brilha sozinha.
Estrela d’Alva, salva da alvorada.

Eu devia estar sorrindo e orgulho por ter finalmente vencido na vida, mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa…

As L√°grimas e o Amor

As l√°grimas das raparigas refrescam-me. Levantam-me o moral. √Äs vezes lambo-as dos cantos dos olhos. S√£o mini-margaridas, sem √°lcool, inteiramente naturais. Dizer ¬ęN√£o chores¬Ľ funciona sempre, porque s√≥ mencionar o verbo ¬ęchorar¬Ľ emociona-as e liberta-as, dando-lhe a carta branca para chorar ainda mais. S√≥ intervenho com piadas e palavras de esperan√ßa e de amor quando elas v√£o longe demais e come√ßam, por exemplo, a pingar do nariz.

As raparigas, depois de chorar, ficam com vontade de fazer amor. √Č como se tivessem apanhado uma carga de chuva. Ficam todas molhadas. N√≥s somos a toalha que est√° mais √† m√£o. O turco maluco com que se embrulham e enxutam. √Č horr√≠vel, n√£o √©? Mas s√≥ um santo n√£o se aproveitaria.

E as raparigas que choram depois de se virem? Estarão assim tão arrependidas? Comovidas? Simplesmente agradecidas? Gostaria de pensar que sim. As três coisas, pelo menos. Elas próprias não sabem. Riem-se logo de seguida. As piores são as que se riem logo ao princípio. Mas as piores também são muito queridas.

A vida dura enquanto alguém nos espera e o resto é já sobrevivência, embora sobreviver não deixe de ter também a sua piada e a sua beleza.

O humor √© um sentido como o olfacto. Assim como quase tudo tem um cheiro, quase tudo tem a sua gra√ßa. Mesmo as maiores desgra√ßas. Pode dizer-se que a gra√ßa que elas t√™m √© cruel ou de mau gosto ou ‚Äď pior ainda ‚Äď que n√£o t√™m piada nenhuma. Mas n√£o h√° desgra√ßa que n√£o tenha a sua gra√ßa.

À Noite Vou Cantar à Namorada

À noite vou cantar à namorada
can√ß√Ķes que a Lua canta na altura de namorar
ela acha ela acha muita piada
quando eu à noite as vou cantar

Can√ß√Ķes que a Lua canta na altura de namorar
à noite eu vou cantar à namorada
ela assoma ela assoma com a continuação era notada
quando eu à noite as vou as vou cantar

E ela acha ela acha a isso muita piada
e eu l√° as vou eu l√° as vou cantar
que ela à noite ela assoma com a continuação era notada
e a continuação era notada não é para desperdiçar

Assim quando alta noite a Lua é já luar
e ela aparece toda amarrotada
eu imagino-a nua a se deitar
a das can√ß√Ķes √† noite namorada.

Escrever um livro tem a mesma dose de ansiedade que contar uma anedota e ter que esperar v√°rios anos para saber se teve ou n√£o piada.

Eu não conheço piadas, eu apenas presto atenção no Governo e conto os fatos que vi

A Monstruosa Am√°lgama da Identidade Europeia

O mal do totalitarismo é ser uniformizador e impositivo. Há sempre um modelo de perfeição, que os povos mais atrasados terão de seguir e com o qual terão de se comparar. Há sempre uma identidade superior, uma ideologia acima da realidade, um futuro comum aos mais diversos interesses. O totalitarismo é o grande inimigo da diferença e a própria democracia liberal, ao impor e exigir certas igualdades menos naturais, tem aspectos totalitários.
√Č com horror que assisto √† constru√ß√£o da chamada ¬ęidentidade¬Ľ europeia, uma monstruosa am√°lgama beneluxiana que reduz todos os ingredientes nacionais a uma pasta amorfa de argamassa processada. Quando temo pela resist√™ncia da nossa diferen√ßa √† uniformiza√ß√£o europeia, n√£o temo a nossa domina√ß√£o de todas as nacionalidades ‚ÄĒ temo √© a domina√ß√£o de todas as nacionalidades por um euro-h√≠brido que n√£o seja escolhido ou amado por nenhuma delas. A verdade √© que a It√°lia est√° menos italiana, a Alemanha est√° menos alem√£, a Inglaterra est√° menos inglesa e Portugal est√° menos portugu√™s. E nem por isso est√£o mais parecidos com outra nacionalidade qualquer. O que perderam em car√°cter n√£o ganharam em mais nada. As na√ß√Ķes europeias est√£o cada vez mais iguais, mais incaracter√≠sticas, mais chatas. Qualquer dia deixa de ter piada viajar.

Continue lendo…

O Provincianismo Português (I)

Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civiliza√ß√£o sem tomar parte no desenvolvimento superior dela ‚ÄĒ em segui-la pois mimeticamente, com uma subordina√ß√£o inconsciente e feliz. O s√≠ndroma provinciano compreende, pelo menos, tr√™s sintomas flagrantes: o entusiasmo e admira√ß√£o pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admira√ß√£o pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se h√° caracter√≠stico que imediatamente distinga o provinciano, √© a admira√ß√£o pelos grandes meios. Um parisiense n√£o admira Paris; gosta de Paris. Como h√°-de admirar aquilo que √© parte dele? Ningu√©m se admira a si mesmo, salvo um paran√≥ico com o del√≠rio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do “Orpheu”, disse a M√°rio de S√°-Carneiro: “V. √© europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. √© v√≠tima da educa√ß√£o portuguesa. V. admira Paris,

Continue lendo…

Génio, Talento e Celebridade

Pode-se supor que a presen√ßa no mesmo homem de mais de um elemento intelectual facilitaria a sua imediata celebridade. At√© certo limite √© assim, mas o √© at√© um limite menor do que se poderia conjecturar na ociosidade da hip√≥tese. Um homem dotado ao mesmo tempo de grande g√©nio e de grande intelig√™ncia (como Shakespeare), ou de grande g√©nio e grande talento (como Milton), n√£o acumula na sua √©poca ou na seguinte os resultados do g√©nio e os resultados de outra qualidade. √Č que estes diferentes elementos intelectuais est√£o misturados por coexistirem no homem, e derrama-se na subst√Ęncia da intelig√™ncia ou do talento o sagrado veneno do g√©nio; a bebida √© amarga, embora retenha algo do seu gosto comum. Os antigos misturavam mel com vinho e achavam isso gostoso; mas o n√©ctar n√£o pode fazer qualquer vinho gostoso ao paladar da gente comum.
Um homem que pudesse ter em si pr√≥prio, em certo grau, g√©nio, talento e intelig√™ncia, estaria preparado para produzir impacto no seu tempo pela sua intelig√™ncia, na sua √©poca pelo seu talento e na generalidade dos futuros tempos e √©pocas pelo seu g√©nio. Mas como o seu g√©nio afectaria o seu talento e o seu talento e o seu g√©nio a sua intelig√™ncia –

Continue lendo…

Num ambiente de trabalho não trate os subalternos com piadas ou insolência. Seja profissional. Tenha conduta respeitosa. Assim sua moral será enaltecida e sua autoridade não será questionada.

Rimos francamente, se a piada vem de um tipo do nosso n√≠vel. Rimos com defer√™ncia, se de um n√≠vel superior. E s√≥ por condescend√™ncia sorrimos, se vem de um tipo de n√≠vel inferior. √Č que o riso √© uma concess√£o e n√≥s somos muito ciosos da nossa import√Ęncia.