Passagens sobre População

33 resultados
Frases sobre popula√ß√£o, poemas sobre popula√ß√£o e outras passagens sobre popula√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Nau

A Heitor Lima

S√īfrega, al√ßando o hirto espor√£o guerreiro,
Zarpa. A √≠ngreme cordoalha √ļmida fica. …
Lambe-lhe a quilha a esp√ļmea onda impudica
E √©brios trit√Ķes, babando, haurem-lhe o cheiro

Na glauca artéria equórea ou no estaleiro
Ergue a alta mastreação, que o éter indica,
E estende os braços de madeira rica
Para as popula√ß√Ķes do mundo inteiro!

Aguarda-a ampla reentr√Ęncia de angra horrenda
P√°ra e, a amarra agarrada √† √Ęncora, sonha!
M√°goas, se as tem, subjugue-as ou disfarce-as…

E n√£o haver uma alma que lhe entenda
A ang√ļstia transoce√Ęnica medonha
No rangido de todas as enx√°rcias!

A Desvantagem da Sabedoria

A sua inteligência estorvava-o. Que podia esperar da sabedoria e das suas cinco propriedades?
Primeiro, ele saberia como tratar os problemas dif√≠ceis ligados √† conduta humana e ao sentido da vida. Mas isso n√£o era priorit√°rio para ningu√©m, iam ach√°-lo desalmado e p√īr-lhe toda a esp√©cie de obst√°culos pela frente.
Segundo, a sabedoria exprime uma qualidade superior do conhecimento. Antecipa a avalia√ß√£o das situa√ß√Ķes, por tudo e nada reanima a aten√ß√£o dos outros com os seus conselhos. Depressa √© tratada como importuna e ter√° que recuar ao abrigo da frivolidade.
Terceiro, a sabedoria √© moderada e v√™ as coisas em profundidade. √Č, portanto, inimiga do ju√≠zo f√°cil e das paix√Ķes que s√£o requestadas para dar emo√ß√£o √†s exist√™ncias f√ļteis e cinzentas.
Quarto, a sabedoria é exercida tendo em vista o bem-estar da humanidade. Tem, por isso, mau nome em qualquer publicidade que faz vender produtos de grande lucro, como a guerra, o amor e as máquinas.
Quinto, finalmente: a sabedoria é reconhecida como valor estável pela maioria da população, o que é nocivo para o envolvimento dessa mesma população em qualquer campanha, seja de poder ou de ganho de negócios.
Enfim, ele teria que formar-se e esquecer os seus sonhos de grandeza,

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Reflex√Ķes sobre a Guerra

As vantagens do aumento da amplitude das unidades sociais s√£o principalmente evidentes em caso de guerra. De resto, a guerra foi em todos os tempos a causa principal desse crescimento, da transforma√ß√£o das fam√≠lias em tribos, das tribos em na√ß√Ķes e das na√ß√Ķes em coliga√ß√Ķes. Nas muito embora seja grande o interesse das na√ß√Ķes poderosas em triunfar, algumas come√ßam a compreender que h√° qualquer coisa prefer√≠vel √† pr√≥pria vit√≥ria, que √© evitar a guerra. No passado, a guerra era √†s vezes uma empresa proveitosa. A Guerra dos Sete Anos, por exemplo, proporcionou aos ingleses excelente rendimento em rela√ß√£o ao capital nela empregado, e os lucros conseguidos pelos vencedores nas guerras primitivas foram ainda mais evidentes. Mas o mesmo n√£o sucede nos conflitos modernos, por duas raz√Ķes principais: primeiro, porque os armamentos se tornaram extremamente caros; segundo, porque os grupos sociais envolvidos numa guerra moderna s√£o muito importantes.
√Č um erro pensar que a guerra moderna √© mais destruidora de vidas do que o foram os conflitos menos importantes de outrora. Antigamente, a percentagem das perdas em rela√ß√£o aos efectivos envolvidos na luta era por vezes t√£o elevada como hoje; e al√©m das perdas em combate, as mortes causadas pelas epidemias eram em geral numerosas.

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Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre.

Os Comunistas

… Passaram bastantes anos desde que ingressei no Partido… Estou contente… Os comunistas constituem uma boa fam√≠lia… T√™m a pele curtida e o cora√ß√£o valoroso… Por todo o lado recebem pauladas… Pauladas exclusivamente para eles… Vivam os espiritistas, os mon√°rquicos, os aberrantes, os criminosos de v√°rios graus… Viva a filosofia com fumo mas sem esqueletos… Viva o c√£o que ladra e que morde, vivam os astr√≥logos libidinosos, viva a pornografia, viva o cinismo, viva o camar√£o, viva toda a gente menos os comunistas… Vivam os cintos de castidade, vivam os conservadores que n√£o lavam os p√©s ideol√≥gicos h√° quinhentos anos… Vivam os piolhos das popula√ß√Ķes miser√°veis, viva a for√ßa comum gratuita, viva o anarco-capitalismo, viva Rilke, viva Andr√© Gide com o seu coribantismo, viva qualquer misticismo… Tudo est√° bem… Todos s√£o her√≥icos… Todos os jornais devem publicar-se… Todos devem publicar-se, menos os comunistas… Todos os pol√≠ticos devem entrar em S√£o Domingos sem algemas… Todos devem festejar a morte do sanguin√°rio Trujillo, menos os que mais duramente o combateram… Viva o Carnaval, os derradeiros dias do Carnaval… H√° disfarces para todos… Disfarces de idealistas crist√£os, disfarces de extrema-esquerda, disfarces de damas beneficentes e de matronas caritativas… Mas, cuidado, n√£o deixem entrar os comunistas…

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Os carros hoje s√£o quase equivalentes √†s grandes catedrais g√≥ticas: a suprema cria√ß√£o de uma era, concebida com paix√£o por artistas an√ēnimos e consumida – como imagem ou na pr√°tica – por toda uma popula√ß√£o que se apropria deles como objetos m√°gicos.

O Desejo de Discutir

Se as discuss√Ķes pol√≠ticas se tornam facilmente in√ļteis, √© porque quando se fala de um pa√≠s se pensa tanto no seu governo como na sua popula√ß√£o, tanto no Estado como na no√ß√£o de Estado enquanto tal. Pois o Estado como no√ß√£o √© uma coisa diferente da popula√ß√£o que o comp√Ķe, igualmente diferente do governo que o dirige. √Č qualquer coisa a meio caminho entre o f√≠sico e o metaf√≠sico, entre a realidade e a ideia.
√ą a esse g√©nero de estirilidade que est√£o geralmente condenadas, tal como acontece com as discuss√Ķes pol√≠ticas, as que incidem sobre a religi√£o, pois a religi√£o pode ser sin√≥nima de dogmas, ou de ritual, ou referir-se a posi√ß√Ķes pessoais do indiv√≠duo sobre quest√Ķes ditas eternas, o infinito e a eternidade, problemas do livre arb√≠trio e da responsabilidade ou, como se diz tamb√©m: Deus.
E o mesmo acontece com as discuss√Ķes que t√™m a ver com a maior parte dos assuntos abstractos, sobretudo a √©tica e os temas filos√≥ficos, mas tamb√©m com campos de an√°lise mais restritos, incidindo sobre os problemas mais imediatos, como por exemplo o socialismo, o capitalismo, a aristocracia, a democracia, etc…, em que as no√ß√Ķes s√£o tomadas tanto no sentido amplo como no restrito,

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O Medo do Aborrecimento

O género de aborrecimento de que sofre a população das cidades modernas está intimamente ligado à sua separação da vida da Terra. Essa separação torna o seu viver ardente, poeirento e ansioso, tal como uma peregrinação no deserto. Nos que são suficientemente ricos para escolher o seu género de vida, o estigma peculiar de insuportável aborrecimento que os distingue é devido, por muito paradoxal que isso possa parecer, ao seu medo do aborrecimento. Ao fugirem do aborrecimento que é fecundo, são vítimas de outro de natureza pior. Uma vida feliz deve ser, em grande medida, uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer.

Ser diferente √© uma qualidade s√≥ por si. S√≥ por ser diferente tem de ser defendido. Acontece, por√©m, que vivemos num tempo igualit√°rio, unificador e racionalista em que as diferen√ßas que ainda existem tendem a ser abolidas. Nota-se em tudo. Uniformiza-se, massifica-se, burocratiza-se como nunca antes. √Č muito ben√©fico, econ√≥mico e democr√°tico; traz muitas vantagens √†s popula√ß√Ķes e √© tamb√©m uma grand√≠ssima chatice.

Escuta, Amor

Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo. Se preferires uma imagem da terra, somos árvores velhas, os ramos a crescerem muito lentamente, a madeira viva, a seiva. Para as árvores, a terra faz todo o sentido. De certeza que as árvores acreditam que são feitas de terra.

Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos.

Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti,

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A educação produziu uma vasta população capaz de ler, mas incapaz de distinguir o que vale a pena ler.

O Tédio é a Raiz de Todo o Mal

Não admira, pois, que o mundo vá de mal a pior e que os males aumentem cada vez mais, à medida que aumenta o tédio, e o tédio é a raiz de todo o mal. A história deste pode acompanhar-se desde os primórdios do mundo. Os deuses estavam entediados, pelo que criaram o homem. Adão estava entediado por estar sozinho, e por isso foi criada Eva. Assim o tédio entrou no mundo e aumentou na proporção do aumento da população. Adão aborrecia-se sozinho, depois Adão e Eva aborreceram-se juntos, depois Adão e Eva e Caim e Abel aborreceram-se en famille; depois a população do mundo aumentou e os povos aborreceram-se en masse. Para se divertirem congeminaram a ideia de construir uma torre tão alta que chegasse ao céu. Esta ideia, por sua vez, é tão aborrecida como a torre era alta, e constitui uma prova terrível de como o tédio se tornou dominante.

Para cada mulher, a popula√ß√£o feminina √© um ex√©rcito de rivais. Os homens s√£o mais cobardes ‚Äď n√£o aguentam mais do que quatro ou cinco rivais. As mulheres podem com a terra toda.

A Cidade de Palaguin

Na cidade de Palaguin
o dinheiro corrente era olhos de crianças.
Em todas as ruas havia um bordel
e uma multid√£o de prostitutas
frequentava aos grupos casas de ch√°.
Havia dramas e histórias de era uma vez
havia hospitais repletos:
o pus escorria da porta para as valetas.
Havia janelas nunca abertas
e pris√Ķes descomunais sem portas.
Havia gente de bem a vagabundear
com a barba crescida.
Havia cães enormes e famélicos
a devorar mortos insepultos e voantes.
Havia três agências funerárias
em todos os locais de turismo da cidade.
Havia gente a beber sofregamente
a água dos esgotos e das poças.
Havia um corpo de bombeiros
que lançava nas chamas gasolina.

Na cidade de Palaguin
havia crianças sem braços e desnudas
brincando em parques de p√Ęntanos e abismos.
Havia ardinas a anunciar
a falência do jornal que vendiam;
havia cinemas: o preço de entrada
era o sexo dum adolescente
(as m√£es cortavam o sexo dos filhos
para verem cinema).
Havia um trust bem organizado
para a exploração do homossexualismo.

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Uma Civilização de Elevado Nível

√Č preciso termos presente que uma civiliza√ß√£o de elevado n√≠vel √© como uma planta delicada, cuja vida depende de condi√ß√Ķes complexas e que por vezes s√≥ consegue desenvolver-se em determinados s√≠tios. Para se desenvolver √© preciso, em primeiro lugar, um certo bem-estar que permita a determinada frac√ß√£o da popula√ß√£o dum pa√≠s trabalhar em coisas que n√£o sejam imediatamente necess√°rias √† manuten√ß√£o da vida quotidiana. √Č necess√°rio tamb√©m existir uma tradi√ß√£o moral de respeito pelos benef√≠cios e produtos da civiliza√ß√£o, em virtude da qual as camadas de popula√ß√£o que trabalham para satisfazer as necessidades imediatas da vida da comunidade, assegurem condi√ß√Ķes de vida ao sector que se consagra a actividades ligadas ao progresso da civiliza√ß√£o.

Um Século de Discursos sem Resultados

O eterno ¬ędeficit¬Ľ; o mist√©rio tenebroso das contas e da d√≠vida p√ļblica; o espectro da bancarrota; a quebra da moeda; o ¬ędeficit¬Ľ da balan√ßa comercial; a insufici√™ncia econ√≥mica; a mis√©ria agr√≠cola; a irriga√ß√£o do Alentejo; o repovoamento florestal; as estradas; os portos; o analfabetismo; o abandono das popula√ß√Ķes rurais; a pesca; a marinha mercante ; a administra√ß√£o colonial; a instru√ß√£o e rearmamento do Ex√©rcito; a reconstru√ß√£o da marinha de guerra; a viciosa educa√ß√£o da gente portuguesa; a emigra√ß√£o; o quadro das nossas rela√ß√Ķes internacionais; a quest√£o religiosa ‚ÄĒ tudo isto absorveu literalmente um s√©culo de discursos, toneladas de artigos e n√£o deu um passo, salvo sempre o respeito pelos esfor√ßos honestos e realiza√ß√Ķes parciais √ļteis, entre as quais se destacam o fomento das comunica√ß√Ķes e a ocupa√ß√£o colonial.

As mulheres s√£o uma popula√ß√£o escravizada ‚ÄĒ a safra que n√≥s colhemos s√£o crian√ßas, os campos em que n√≥s trabalhamos s√£o casas. As mulheres s√£o for√ßadas a se submeterem em atos sexuais com homens que violam a integridade porque a religi√£o universal ‚ÄĒ desprezo por mulheres ‚ÄĒ tem como seu primeiro mandamento que as mulheres existam puramente como forragem sexual para os homens.

O trabalho incessante, enorme, irrita e exagera o desejo das riquezas; aferventa o c√©rebro, sobreexcita a sensibilidade, a popula√ß√£o cresce, a concorr√™ncia √© √°spera, as necessidades descomedidas, infinitas as complica√ß√Ķes econ√≥micas, e a√≠ est√° sempre entre riscos a vida social. Entre riscos, porque vem a luta dos interesses, a guerra das classes, o assalto das propriedades e por fim as revolu√ß√Ķes pol√≠ticas.

Ser Português é Difícil

Os Portugueses t√™m algum medo de ser portugueses. Olhamos em nosso redor, para o nosso pa√≠s e para os outros e, como aquilo que vemos pode doer, temos medo, ou vergonha, ou ¬ęculpa de sermos portugueses¬Ľ. N√£o queremos ser primos desta pobreza, madrinhas desta mis√©ria, filhos desta fome, amigos desta amargura. Os Portugueses t√™m o defeito de querer pertencer ao maior e ao melhor pa√≠s do mundo. Se lhes perguntarmos ‚ÄúQual √© actualmente o melhor e o maior pa√≠s do mundo?‚ÄĚ, n√£o arranjam resposta. Nem dizem que √© a Uni√£o Sovi√©tica nem os Estados Unidos nem o Jap√£o nem a Fran√ßa nem o Reino Unido nem a Alemanha. Dizem s√≥, pesarosos como os kilogramas nos tempos em que tinham kapa: ¬ęPodia ter sido Portugal…¬Ľ E isto que vai salvando os Portugueses: t√™m vergonha, culpa, nojo, medo de serem portugueses mas ¬ętamb√©m n√£o v√£o ao ponto de quererem ser outra coisa¬Ľ.

Revela-se aqui o que n√≥s temos de mais insuport√°vel e de comovente: s√≥ nos custa sermos portugueses por n√£o sermos os melhores do mundo. E, se formos pensar, verificamos que o verdadeiro patriotismo n√£o √© aquele de quem diz ‚ÄúPortugal √© o melhor pa√≠s do mundo‚ÄĚ (esse √© simplesmente parvo ou parvamente simples),

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Alguém poderia pensar que seria ainda mais necessário limitar a população em vez da propriedade, e que o limite deve ser fixado por meio do cálculo das chances de mortalidade das crianças, e da esterilidade em pessoas casadas. A negligência deste assunto, que em estados existentes é tão comum, é uma causa que nunca falha da pobreza entre os cidadãos, e a pobreza é o pai da revolução e do crime.