Cita√ß√Ķes sobre Propriet√°rios

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Frases sobre propriet√°rios, poemas sobre propriet√°rios e outras cita√ß√Ķes sobre propriet√°rios para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Palavras Gastas pelo Mau Uso

Diz-me se essa palavra a√≠ n√£o est√° singularmente vestida e poder√°s ver todas as minhas nuas antes das coisas que medito as terem coberto com uma libr√©. √Č uma vergonha que a maior parte das nossas palavras sejam instrumentos de que se fez, outrora, mau uso e que, muitas vezes, conservem o cheiro da imund√≠cie em que as emporcalharam os anteriores propriet√°rios. Quero trabalhar com palavras novas ou ent√£o – tenho necessidade para isso de menor ar do que uma ave exala nos seus cantos – nunca mais falar, a n√£o ser de mim para mim, por toda a eternidade.

Idiotia e Felicidade

Como pode ser-se idiota e, ao mesmo tempo, feliz, pergunta-me um leitor? Pois explico j√°. A idiotia e a felicidade s√£o ideias muito vagas, dif√≠ceis de cingir em conceitos de circula√ß√£o universal, digamos. Mas, pensando melhor, acho que certa idiotia √© suscept√≠vel de conferir ao idiota seu propriet√°rio (ou seu prisioneiro) uma esp√©cie de seguran√ßa em si pr√≥prio que o levar√°, em determinados momentos, julgo eu, a uma beatitude muito pr√≥xima do que se pode chamar estado de felicidade.Assim sendo, n√£o vejo incompatibilidade entre o ser-se idiota e o ser-se feliz. Bem sei que h√° v√°rias maneiras de se chegar a idiota. Uma delas foi experimentada comigo. Uma parente minha queria por for√ßa reconverter-me ao Catolicismo e, deste modo, passava a vida a dizer-me: ¬ęAlexandre, n√£o penses. Se come√ßas a pensar estragas tudo. A cren√ßa em Deus, se, em vez de pensares, reaprenderes a rezar, vem por si. √Č uma gra√ßa, sabias? V√°, reza comigo.¬Ľ E ensinava-me ora√ß√Ķes que eu, muitas vezes de m√£os postas, repetia aplicadamente. Acabei por n√£o me casar com ela.
Não quero dizer, com isto, que não acredite na chamada (creio eu) revelação. Se revelação não existisse, como poderia um poeta do tomo de Paul Claudel entrar um dia em Notre-Dame e sentir-se,

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Todos os Homens S√£o Propriet√°rios

Todos os homens s√£o propriet√°rios, mas na realidade nenhum possui. N√£o s√£o propriet√°rios apenas porque at√© o √ļltimo dos pedintes tem sempre alguma coisa al√©m do que traz em cima, mas porque cada um de n√≥s √©, a seu modo, um capitalista.
Al√©m dos propriet√°rios de terras, de mercadorias, de m√°quinas e de dinheiro, existem, ainda mais numerosos, os propriet√°rios de capitais pessoais, que se podem alugar, vender ou fazer frutificar como os outros. S√£o os propriet√°rios e locadores de for√ßa f√≠sica – camponeses, oper√°rios, soldados – e propriet√°rios e prestadores de for√ßas intelectuais – m√©dicos, engenheiros, professores, escritores, burocratas, artistas, cientistas. Quem aluga os seus m√ļsculos, o seu saber ou o seu engenho obt√©m um rendimento, que pressup√Ķe um patrim√≥nio.
Um demagogo ou um dirigente de partido pode viver pobremente, mas se milh√Ķes de homens est√£o dispostos a obedecer a uma palavra sua, √©, na realidade, um capitalista, que, em vez de possuir milh√Ķes de liras, possui milh√Ķes de vontades. O talento visual de um pintor, a eloqu√™ncia de um advogado, o esp√≠rito inventivo de um mec√Ęnico s√£o verdadeiros capitais e medem-se pelo pre√ßo que deve pagar, para obter os seus produtos, quem n√£o os possui e carece deles.

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De muitos homens se diz que n√£o conhecem a pr√≥pria fraqueza. De alguns poderia dizer-se ainda que menos conhecem as pr√≥prias for√ßas, precisamente como os propriet√°rios de certos terrenos que desconhecem existirem neles fil√Ķes de ouro.

Sociedade de Indivíduos Normalizados

O apagamento da personalidade acompanha as condi√ß√Ķes da exist√™ncia concretamente submetida √†s normas espectaculares da sociedade de consumo, e tamb√©m cada vez mais separada das possibilidades de conhecer experi√™ncias que sejam aut√™nticas e, atrav√©s delas, descobrir as suas prefer√™ncias individuais.
O indiv√≠duo, paradoxalmente, dever√° negar-se permanentemente se pretende ser um pouco considerado nesta sociedade. Esta exist√™ncia postula com efeito uma fidelidade sempre vari√°vel, uma s√©rie de ades√Ķes constantemente enganosas a produtos falaciosos. Trata-se de correr rapidamente atr√°s da inflac√ß√£o dos sinais depreciados da vida.
Em todas as esp√©cies de assuntos desta sociedade, onde a distribui√ß√£o dos bens est√° de tal maneira centralizada que se tornou propriet√°ria, de uma forma simultaneamente not√≥ria e secreta, da pr√≥pria defini√ß√£o do que poder√° ser o bem, acontece atribuir-se a certas pessoas qualidades, ou conhecimentos ou, por vezes, mesmo v√≠cios, perfeitamente imagin√°rios, para explicar atrav√©s de tais causas o desenvolvimento satisfat√≥rio de certas empresas; e isto com o √ļnico fim de esconder, ou pelo menos dissimular tanto quanto poss√≠vel, a fun√ß√£o de diversos acordos que decidem sobre tudo.

Escrever é Triste

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, puré de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
O que voc√™ perde em viver, escrevinhando sobre a vida. N√£o apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem voc√™, porque com voc√™ n√£o √© poss√≠vel contar. Voc√™ esperando que os outros vivam, para depois coment√°-los com a maior cara-de-pau (“com isen√ß√£o de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divaga√ß√£o descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei propriet√°rio do universo, que escolhe para o seu jantar de not√≠cias um terremoto, uma revolu√ß√£o, um adult√©rio grego ‚ÄĒ √†s vezes nem isso, porque no painel imenso voc√™ escolhe s√≥ um besouro em campanha para verrumar a madeira.

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Diabo: o autor de todos os nossos infort√ļnios e propriet√°rio de todas as coisas boas deste mundo.

A Causa das Guerras

Causa das guerras: cada homem, cada grupo humano sente-se, com todo o direito, mestre legítimo e possuidor do universo. Mas esta posse é mal entendida, por desconhecimento de que o acesso Рtanto quanto é possível ao homem sobre a terra Рpassa, em cada um, pelo seu próprio corpo.
Alexandre está para um camponês proprietário como Don Juan para um marido feliz.

Dificuldade de Governar

1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler n√£o fosse t√£o inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar gr√°vida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autoriza√ß√£o do F√ľhrer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2.
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma f√°brica. Sem o patr√£o
As paredes cairiam e as m√°quinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o propriet√°rio rural?
N√£o h√° d√ļvida nenhuma que se semearia centeio onde j√° havia batatas.

3.
Se governar fosse f√°cil
N√£o havia necessidade de esp√≠ritos t√£o esclarecidos como o do F√ľhrer.

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Devemos sempre criticar as ideias dos outros, mas nunca viol√°-las, pois n√£o somos propriet√°rios da verdade n√£o somos deuses.

A primeira coisa que um proprietário aprende, e isto é doloroso, é: a confiança é uma coisa boa, mas o controle é ainda melhor.

A Idade da Derrota Aceite

Tenho sessenta anos. N√£o te iludas: n√£o estou ainda bastante fraco para ceder √†s imagina√ß√Ķes do medo, quase t√£o absurdas como as da esperan√ßa e seguramente muito mais penosas. Se fosse preciso enganar-me a mim mesmo, preferia que fosse no sentido da confian√ßa; n√£o perderia mais com isso e sofreria menos. Este fim t√£o pr√≥ximo n√£o √© necessariamente imediato; deito-me ainda, todas as noites, com a esperan√ßa de chegar √† manh√£ seguinte. Adentro dos limites intranspon√≠veis de que te falei h√° pouco, posso defender a minha posi√ß√£o passo a passo e recuperar mesmo algumas polegadas do terreno perdido. N√£o deixo por isso de ter chegado √† idade em que a vida se torna, para cada homem, uma derrota aceite. Dizer que os meus dias est√£o contados n√£o significa nada; sempre assim foi; √© assim para todos n√≥s. Mas a incerteza do lugar, do tempo e do modo, que nos impede de distinguir bem o fim para o qual avan√ßamos sem cessar, diminui para mim √† medida que a minha doen√ßa mortal progride. Qualquer pessoa pode morrer de um momento para o outro, mas o doente sabe que passados dez anos j√° n√£o ser√° vivo.
A minha margem de hesitação já não se alonga em anos,

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Casar por Amor

Quando eu pensava que n√£o podia ser mais feliz, manh√£ ap√≥s manh√£ era mais, mas s√≥ um bocadinho mais do que o m√°ximo humanamente poss√≠vel; pensava eu ser absolutamente imposs√≠vel que eu fosse, de repente, muito mais feliz, do que a pr√≥pria felicidade at√©. Mas, de repente, fui. Muito mais. Casei com o meu amor e o meu amor tornou-se a minha mulher, minha em tudo, para tudo, para sempre. E eu, finalmente, consegui divorciar-me de mim e deixar de ser t√£o triste e aborrecidamente meu, trocando-me, no melhor neg√≥cio do s√©culo, por ela. Ela ficou minha. Eu fiquei dela. √Č ou n√£o √© estranho e lindo e bem pensado por Deus Nosso Senhor que ambos pensemos que nos livr√°mos de boa e fic√°mos a ganhar? √Č.

√Č sim. A minha mulher √© mais minha do que eu alguma vez fui meu ‚ÄĒ e eu antes n√£o podia ter sido mais para mim, felizmente. Por ter tudo agora para lhe dar. Que al√≠vio. Nunca mais me quero ver na vida.
A n√£o ser aos olhos dela, onde sou muito bem visto ‚ÄĒ talvez o maior homem que j√° viveu, logo a seguir ao pai dela, claro. √Č um milagre como melhorei tanto.

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O Antagonismo Racial

O elemento puramente instintivo n√£o constitui sen√£o uma pequena parte do √≥dio racial e n√£o √© dif√≠cil de vencer. O medo do que √© estrangeiro, que √© a sua principal ess√™ncia, desaparece com a familiaridade. Se nenhum outro elemento o formasse, toda a perturba√ß√£o desapareceria logo que pessoas de ra√ßas diferentes se habituassem umas √†s outras. Mas h√° sempre pretextos para se odiarem os grupos estrangeiros. Os seus h√°bitos s√£o diferentes dos nossos e portanto (em nossa opini√£o) piores. Se triunfam, √© porque nos roubam as oportunidades; se n√£o triunfam, √© porque s√£o miser√°veis vagabundos. A actual popula√ß√£o do mundo descende dos sobreviventes de longos s√©culos de guerras e por instinto est√° √† espreita de ocasi√Ķes de hostilidade colectiva.

O desejo de ter um inimigo fixa-se no cora√ß√£o desse instinto racista e constr√≥i √† sua volta um edif√≠cio monstruoso de crueldade e de loucura. Tais conflitos representam hoje uma cat√°strofe universal e n√£o j√° somente, como outrora, um desastre para os vencidos: da√≠ as inquieta√ß√Ķes do nosso tempo. √Č por isso que √© mais importante do que nunca conseguir um certo grau de dom√≠nio racional sobre os nossos sentimentos destruidores.

Em geral o ódio racial tem duas origens,

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Os Actos Valem mais que as Palavras

Nenhuma explica√ß√£o verbal poder√° alguma vez substituir a contempla√ß√£o. A unidade do Ser n√£o √© transmiss√≠vel pelas palavras. Se eu quisesse ensinar a homens, cuja civiliza√ß√£o o desconhecesse, o que √© o amor a uma p√°tria ou a uma quinta, n√£o disporia de argumento algum para os convencer. S√£o os campos, as pastagens e o gado que constituem uma quinta. Todos e cada um deles t√™m como miss√£o produzir riqueza. No entanto, h√° alguma coisa na quinta que escapa √† an√°lise dos seus componentes, pois existem propriet√°rios que, por amor √† sua quinta, se arruinariam para a salvar. Pelo contr√°rio, √© essa ¬ęalguma coisa¬Ľ que enriquece com uma qualidade particular os componentes. Estes tornam-se gado de uma quinta, prados de uma quinta, campos de uma quinta…
Assim se passa a ser homem de uma pátria, de um ofício, de uma civilização, de uma religião. Mas, para que alguém se reclame de tais Seres, convém, antes de mais, fundá-los em si próprio. E, se não existir o sentimento da pátria, nenhuma linguagem o transmitirá. O Ser de que nos reinvindicamos não o fundamos em nós senão por actos. Um Ser não pertence ao domínio da linguagem, mas dos actos. O nosso Humanismo desprezou os actos.

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