Cita√ß√Ķes sobre Subtileza

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Frases sobre subtileza, poemas sobre subtileza e outras cita√ß√Ķes sobre subtileza para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Como Manipular um P√ļblico

Segundo uma lei conhecida, os homens, considerados colectivamente, s√£o mais est√ļpidos do que tomados individualmente. Numa conversa a dois, conv√©m que respeitemos o parceiro, mas essa regra de conduta j√° n√£o √© t√£o indispens√°vel num debate p√ļblico em que se trata de dispor as massas a nosso favor.

H√° uns anos, um pol√≠tico pagou a figurantes para o aplaudirem numa concentra√ß√£o. Como bom profissional, compreendera que uma claque, embora n√£o melhore o discurso, predisp√Ķe melhor os espectadores a descobrirem os seus m√©ritos. O mimetismo √© a mola principal para mover as massas no sentido do entusiasmo, do respeito ou do √≥dio. Mesmo perante um pequeno p√ļblico de trinta pessoas, h√° sempre algo de religioso que prov√©m da coagula√ß√£o dos sentimentos individuais em express√£o colectiva. No meio de um grupo, √© necess√°ria uma certa energia para pensar contra a maioria e coragem para exprimir abertamente essa opini√£o.
Os manipuladores de opinião ou, para utilizar uma palavra mais delicada, os comunicadores, sabem que, para conduzir mentalmente uma assembleia numa determinada direcção, é necessário começar por agir sobre os seus líderes. A primeira tarefa consiste em determinar quem são, apesar de eles próprios não o saberem. Um manipulador não tarda a distinguir o punhado de indivíduos em que pode apoiar-se para influenciar os outros.

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Barrow-On-Furness V

H√° quanto tempo, Portugal, h√° quanto
Vivemos separados! Ah, mas a alma,
Esta alma incerta, nunca forte ou calma,
N√£o se distrai de ti, nem bem nem tanto.

Sonho, hist√©rico oculto, um v√£o recanto…
O rio Furness, que é o que aqui banha,
Só ironicamente me acompanha,
Que estou parado e ele correndo tanto …

Tanto? Sim, tanto relativamente…
Arre, acabemos com as distin√ß√Ķes,
As subtilezas, o interstício, o entre,
A metaf√≠sica das sensa√ß√Ķes –

Acabemos com isto e tudo mais …
Ah, que √Ęnsia humana de ser rio ou cais!

Subtilezas Enganadoras

Há subtilezas frívolas por meio das quais, algumas vezes, os homens procuram alcançar reputação: é o caso dos poetas que fazem inteiras obras começando cada verso por uma letra. Similarmente vemos ovos, bolas, asas e machados formados por poetas gregos da Antiguidade com a medida dos seus versos, ora alongados ora encurtados de maneira a virem a representar esta ou aquela figura.
(…) √Č um maravilhoso testemunho da fraqueza do nosso ju√≠zo que ele d√™ pre√ßo √†s coisas pela raridade ou pela novidade, ou ainda pela dificuldade, quando a estas n√£o se juntam a bondade e a utilidade.

A subtileza ainda não é inteligência. Às vezes os tolos e os loucos também são extraordinariamente subtis.

Vantagens e Desvantagens dos H√°bitos

Os pensamentos dos homens s√£o muito concordantes com as suas inclina√ß√Ķes; as suas palavras e os seus discursos concordam com as suas opini√Ķes infusas ou apreendidas; mas as suas ac√ß√Ķes resultam daquilo a que est√£o acostumados. Eis porque, como Maquiavel muito bem notou (ainda que num exemplo mal inspirado), ningu√©m deve confiar na for√ßa da natureza, nem na jact√Ęncia das palavras, se n√£o estiverem corroboradas pelo h√°bito. O exemplo que ele apresenta √© que, na execu√ß√£o de uma conspira√ß√£o ousada, ningu√©m se deve fiar na ferocidade aparente ou nas promessas resolutas de qualquer pessoa, e que o empreendimento deve ser confiado a quem tiver j√° alguma vez manchado as suas m√£os com sangue.
(…) A predomin√Ęncia do costume √© por toda a parte vis√≠vel; de tal maneira que ficar√≠amos admirados de ouvir os homens declarar, protestar, prometer, fazer solenes juramentos, e depois v√™-los proceder como tinham feito antes: como se fossem imagens mortas ou engenhos movidos apenas pelas rodas do costume. Vemos tamb√©m o que √© o reino ou a tirania do costume.
(…) J√° que o costume √© o principal magistrado da vida humana, deve o homem por todos os meios prover √† obten√ß√£o de bons costumes.

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Delicadeza

Essa delicadeza, cada vez mais difícil, pela qual se perde
a vida, como a entendo,
pratico.
Essa subtileza de pesadelo branco, como a sinto
extrema sempre,
às vezes.
Ingénua Рum animal discreto; sem dono
e sem direitos.
Por ela arrisco um aceitar alguém
que nunca foi
criança.
Um ler que me não prende mais a atenção, um ser gentil
para com uma pessoa ingrata
– um cultivar uma paix√£o isenta
“dos cardos do contacto”.
Um n√£o precisar esclarecer seja o que for,
pois tudo na vida é afinal
bem mais sério
do que parece.
√Č por essa gentileza
que se um grito me chega ao ouvido
prefiro escutar nele o cheiro de um corpo que se perdeu
do meu
e ainda assim dizer
Deus seja louvado,
oxal√° ele consiga agora ficar
silencioso qual rasto de leitura sem palavra.
Sim, é por essa gentileza, mulher poeta ou homem sensível
– n√£o me distingo nem de um nem do outro -,
que muito embora as minhas esperanças
se tenham desfeito h√° muito
me permito,

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A Nossa Sensibilidade

Sofremos mais hoje que as gera√ß√Ķes passadas porque o est√≠mulo da maquinaria, da multid√£o, da coisa impressa e do barulho desgastou os tecidos protectores dos nossos nervos. H√° compensa√ß√Ķes: esta sensibilidade em carne viva ergue-nos a uma subtileza de percep√ß√£o e de coordena√ß√£o nervosa e muscular que somos capazes de fazer coisas absolutamente imposs√≠veis aos homens primitivos e mesmo aos medievais. Ficamos na situa√ß√£o dos m√ļsicos, cujos “ouvidos educados” os fazem sofrer com todos os sons que n√£o sejam harm√≥nicos: esses m√ļsicos pagam o crime da sensibilidade excessiva e possuem os defeitos das suas virtudes. Mas pensam l√° eles em perder tais dons em troca de se livrarem dos sofrimentos consequentes? N√£o h√° homem moderno que queira desistir de uma sensibilidade que, se puplica o sofrimento, tamb√©m multiplica os prazeres.

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
N√£o disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensa√ß√Ķes in√ļteis,
As paix√Ķes violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas –
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

H√° sem d√ļvida quem ame o infinito,
H√° sem d√ļvida quem deseje o imposs√≠vel,
H√° sem d√ļvida quem n√£o queira nada –
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou at√© se n√£o puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a m√©dia entre tudo e nada, isto √©, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
√ćssimo,

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O Substrato Afectivo Eterno

A familiaridade com um autor é a adesão ao mundo por ele criado. Podemos esquecer Рe esquecemos Рas subtilezas de estilo, o virtuosismo da composição, mas perdura por anos e anos, e às vezes para sempre, uma certa personagem, um certo lance, uma frase que nos faz estremecer, pois é predominantemente a este nível que um texto revela a sua comunicabilidade essencial. Isto é: a estima por um autor resulta sobretudo de ingredientes que nos impressionaram a sensibilidade, o que equivale a dizer: o privilégio de durar na memória dos homens tem, em regra, um substrato afectivo.

Barrow-on-Furness

I

Sou vil, sou reles, como toda a gente
Não tenho ideais, mas não os tem ninguém.
Quem diz que os tem é como eu, mas mente.
Quem diz que busca é porque não os tem.

√Č com a imagina√ß√£o que eu amo o bem.
Meu baixo ser porém não mo consente.
Passo, fantasma do meu ser presente,
√Čbrio, por intervalos, de um Al√©m.

Como todos n√£o creio no que creio.
Talvez possa morrer por esse ideal.
Mas, enquanto n√£o morro, falo e leio.

Justificar-me? Sou quem todos s√£o…
Modificar-me? Para meu igual?…
‚ÄĒ Acaba j√° com isso, √≥ cora√ß√£o!

II

Deuses, forças, almas de ciência ou fé,
Eh! Tanta explicação que nada explica!
Estou sentado no cais, numa barrica,
E não compreendo mais do que de pé.

Por que o havia de compreender?
Pois sim, mas também por que o não havia?
√Āgua do rio, correndo suja e fria,
Eu passo como tu, sem mais valer…

√ď universo, novelo emaranhado,
Que paciência de dedos de quem pensa
Em outras cousa te p√Ķe separado?

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Escusar Vitórias Sobre o Patrão

Toda a vit√≥ria √© odiosa; sobre o dono, insana ou fatal. A superioridade sempre foi detestada, muito mais pela pr√≥pria superioridade. O atento s√≥i dissimular vantagens vulgares, como desmentir a beleza com o desalinho. √Č f√°cil achar quem queira ceder na ventura ou no g√©nio, mas no engenho ningu√©m, muito menos um soberano: esse √© o rei dos atributos, e, assim, qualquer crime contra ele √© de lesa-majestade. S√£o soberanos e querem s√™-lo no que √© mais. Os pr√≠ncipes gostam de ser ajudados, mas n√£o excedidos, e que o aviso tenha mais viso de lembran√ßa do que foi esquecido do que de luz do que n√£o foi entendido. Bem nos ensinam essa subtileza os astros, que, ainda que filhos e brilhantes, nunca se atrevem a luzir como o sol.

O Extremo Poder dos Símbolos

O extremo poder dos s√≠mbolos reside em que eles, al√©m de concentrarem maior energia que o espect√°culo difuso do acontecimento real, possuem a for√ßa expansiva suficiente para captar t√£o vasto espa√ßo da realidade que a significa√ß√£o a extrair deles ganha a riqueza m√ļltipla e multiplicadora da ambiguidade. Mover-se nos terrenos dos s√≠mbolos, com a devida aten√ß√£o √† subtileza e a certo rigor que pertence √† imagina√ß√£o de qualidade alta, √© o que distingue o grande int√©rprete do pequeno movimentador de correntes de ar.

À Discórdia

Pouco importa amarrar com m√£o valente
A Discórdia infernal, com cem cadeias,
Que ela tem subtilezas, tem ideias
De saber desligar-se facilmente.

De que serve lançar limpa semente
Em ch√£o infecto, de ziz√Ęnias feias,
De ervilhacas, lericas, joio, aveias,
Sem os campos limpar primeiramente?

Ninguém, té gora, à ligadura górdia
O nó soube desdar, que o vil Egoísmo
Empata as vazas à geral Concórdia.

N√£o se pode extinguir o Despotismo,
Nem acabar c’o imp√©rio da Disc√≥rdia,
Sem cortar a raiz do Fanatismo.

Cansaço

O que h√° em mim √© sobretudo cansa√ßo ‚ÄĒ
N√£o disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensa√ß√Ķes in√ļteis,
As paix√Ķes violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas ‚ÄĒ
Essas e o que falta nelas eternamente ‚ÄĒ;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

H√° sem d√ļvida quem ame o infinito,
H√° sem d√ļvida quem deseje o imposs√≠vel,
H√° sem d√ļvida quem n√£o queira nada ‚ÄĒ
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou at√© se n√£o puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a m√©dia entre tudo e nada, isto √©, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
√ćssimno,

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O √Ęmago cerebral antigo encarregar-se-ia da regula√ß√£o biol√≥gica b√°sica, na cave, enquanto nos andares de cima o neocortex deliberaria com sensatez e subtileza. Em cima, no c√≥rtex, encontrar-se-ia a raz√£o e a for√ßa de vontade, enquanto em baixo, no subcortex, se encontraria a emo√ß√£o e todas aquelas coisas fracas e carnais.

A subtileza do pensamento consiste em descobrir a semelhança das coisas diferentes e a diferença das coisas semelhantes.

A Mulher

Se é clara a luz desta vermelha margem
é porque dela se ergue uma figura nua
e o silêncio é recente e todavia antigo
enquanto se penteia na sombra da folhagem.
Que longe é ver tão perto o centro da frescura

e as linhas calmas e as brisas sossegadas!
O que ela pensa é só vagar, um ser só espaço
que no umbigo principia e fulge em transparência.
Numa deriva imóvel, o seu hálito é o tempo
que em espiral circula ao ritmo da origem.

Ela é a amante que concebe o ser no seu ouvido, na corola
do vento. Osmose branca, embriaguez vertiginosa.
O seu sorriso √© a dist√Ęncia fluida, a subtileza do ar.
Quase dorme no suave clamor e se dissipa
e nasce do esquecimento como um sopro indivisível.

O Dom de Deixar Ir

√Č preciso aprender a viver. A qualidade da nossa exist√™ncia depende de um equil√≠brio fundamental na nossa rela√ß√£o com o mundo: apego e desapego. Nesta vida, a pondera√ß√£o, a propor√ß√£o e a subtileza s√£o sempre melhores que qualquer arrebatamento. Mas o essencial √© aprender que a exist√™ncia √© feita de d√°divas e perdas.

Eis porque quem reza deve pedir e agradecer: tudo √©, na verdade, um dom. Tudo passa… importa pois prepararmo-nos para a perda, ainda que tantas vezes n√£o seja sen√£o tempor√°ria… Alegrias e dores. S√≥ h√° felicidade num cora√ß√£o onde habita a sabedoria e paci√™ncia dos tempos e dos momentos, a paz de quem sabe que s√£o muitos os porqu√™s e para qu√™s que ultrapassam a capacidade humana de compreender.

Na vida, tudo se recebe e tudo se perde.
Amar é um apego natural mas também obriga a que deixemos o outro ser quem é, abrindo mão e permitindo-lhe que parta, ou que fique, sem desejar outra coisa senão que seja radicalmente livre. Aprendendo que há muito mais valor no ato de quem decide ficar do que naquele de quem só está por não poder partir.

Nada verdadeiramente nos pertence. O sublime do amor está aí,

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