Textos sobre Ganho

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Textos de ganho escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

O Amor n√£o Acontece. Decide-se.

H√° quem julgue que o amor √© alheio √† vontade humana, algo superior que elege, embala e conduz‚Ķ e que quase nada se pode fazer perante tamanha for√ßa. Isso √© uma mera paix√£o no seu sentido menos nobre. E, nesse caso, sim, o amor acontece… Ao contr√°rio, amar √© estar acima das paix√Ķes e dos apetites. Mesmo quando o amor nasce de uma espontaneidade, resulta de um claro discernimento.

O amor decorre de uma decisão. De um compromisso. Constrói-se de forma consciente. Através do heroísmo de alguém livre que decide ser o que poucos ousam. Escolhe para fim de si mesmo ser o meio para a felicidade daquele a quem ama. Sim, decide-se amar e, sim, decide-se a quem amar.

O amor aut√™ntico √© raro e extraordin√°rio, embora o seu nome sirva para quase tudo… a maior parte das vezes designa ego√≠smos entrela√ßados, cada vez mais comuns. S√£o poucos os que se aventuram, os que arriscam tudo, os que se disp√Ķem a amar mesmo quando sabem que poucos sequer perceber√£o o que fazem, o seu porqu√™ e o para qu√™.
O amor n√£o sup√Ķe reciprocidade. Amar √© dar-se por completo e aceitar tudo… n√£o se contabilizam ganhos e perdas,

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O Lucro de Um é Prejuízo de Outro

O ateniense Dêmades condenou um homem da sua cidade que tinha por ofício vender as coisas necessárias para os enterros, sob a alegação de que exigia um lucro excessivo e esse lucro não lhe podia vir sem a morte de muitas pessoas. Tal julgamento parece estar mal pronunciado, na medida em que não se obtém benefício algum a não ser com prejuízo de outrem, e que dessa maneira seria preciso condenar toda a espécie de ganho.
O mercador s√≥ faz bem os seus neg√≥cios por causa da devassid√£o dos jovens; o lavrador, pela carestia dos cereais; o arquitecto, pela ru√≠na das casas; os oficiais de justi√ßa, pelos processos e contendas dos homens; mesmo as honras e a actividade dos ministros da religi√£o prov√™m da nossa morte e dos nossos v√≠cios. Nenhum m√©dico se alegra com a sa√ļde mesmo dos seus amigos, diz o antigo c√≥mico grego, nem o soldado com a paz da sua cidade; e assim sucessivamente. E o que √© pior: cada um sonde dentro de si mesmo, e descobrir√° que a maioria dos nossos desejos √≠ntimos nascem e alimentam-se √†s expensas de outrem.
Considerando isso, veio-me à mente que nisso a natureza não contradiz a sua organização geral,

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O Espírito Desfaz a Ordem das Coisas

O esp√≠rito aprendeu que a beleza nos faz bons, maus, est√ļpidos ou sedutores. Disseca uma ovelha e um penitente e encontra em ambos humildade e paci√™ncia. Analisa uma subst√Ęncia e descobre que, tomada em grandes quantidades, pode ser um veneno, e em pequenas doses, um excitante. Sabe que a mucosa dos l√°bios tem afinidades com a do intestino, mas tamb√©m sabe que a humildade desses l√°bios tem afinidades com a humildade de tudo o que √© sagrado. O esp√≠rito desfaz a ordem das coisas, dissolve-as e volta a recomp√ī-las de forma diferente. O bem e o mal, o que est√° em cima e o que est√° em baixo n√£o s√£o para ele no√ß√Ķes de um relativismo c√©ptico, mas termos de uma fun√ß√£o, valores que dependem do contexto em que se encontram. Os s√©culos ensinaram-lhe que os v√≠cios se podem transformar em virtudes e as virtudes em v√≠cios, e conclui que, no essencial, s√≥ por in√©pcia se n√£o consegue fazer de um criminoso um homem √ļtil no tempo de uma vida. N√£o reconhece nada como l√≠cito ou il√≠cito, porque tudo pode ter uma qualidade gra√ßas √† qual um dia participar√° de um novo e grande sistema. Odeia secretamente como a morte tudo aquilo que se apresenta como se fosse definitivo,

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Os √önicos Casamentos Felizes

√Č evidente que os √ļnicos casamentos felizes s√£o os de conveni√™ncia, funcionam √†s mil maravilhas, sem conflitos, porque cada um sabe que a realiza√ß√£o das suas ambi√ß√Ķes depende da alian√ßa com o outro. D√° gosto ver como trabalham em equipa os casais que entenderam essa ideia (casamento = sociedade limitada). Desenvolvem-se como uma empresa, apoiando-se um ao outro sem hesitar, cada um deles especializado numa determinada atividade para obterem o m√°ximo rendimento do seu investimento, pois sabem que os ganhos de um beneficiar√£o os dois. As discuss√Ķes em p√ļblico, as desaven√ßas, os an√ļncios de separa√ß√£o fazem cair as a√ß√Ķes da bolsa social e prejudicam a economia dom√©stica, h√° que evitar toda essa merda que os jovens e alguns imbecis publicitam aos quatro ventos, sem se darem conta de que est√£o a desvalorizar-se. Acreditam no amor e no desamor, na trai√ß√£o e no ci√ļme, sem entenderem que, quando se mete de permeio isso a que os romances e as revistas cor-de-rosa chamam amor, est√° tudo fodido. √Č o fim da paz. Quando algu√©m te diz que te amar√° para sempre, a hist√≥ria j√° come√ßou a meter √°gua. O montanhista n√£o pode ficar eternamente parado no cume que conquistou. J√° alcan√ßou o topo.

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A Desvantagem da Sabedoria

A sua inteligência estorvava-o. Que podia esperar da sabedoria e das suas cinco propriedades?
Primeiro, ele saberia como tratar os problemas dif√≠ceis ligados √† conduta humana e ao sentido da vida. Mas isso n√£o era priorit√°rio para ningu√©m, iam ach√°-lo desalmado e p√īr-lhe toda a esp√©cie de obst√°culos pela frente.
Segundo, a sabedoria exprime uma qualidade superior do conhecimento. Antecipa a avalia√ß√£o das situa√ß√Ķes, por tudo e nada reanima a aten√ß√£o dos outros com os seus conselhos. Depressa √© tratada como importuna e ter√° que recuar ao abrigo da frivolidade.
Terceiro, a sabedoria √© moderada e v√™ as coisas em profundidade. √Č, portanto, inimiga do ju√≠zo f√°cil e das paix√Ķes que s√£o requestadas para dar emo√ß√£o √†s exist√™ncias f√ļteis e cinzentas.
Quarto, a sabedoria é exercida tendo em vista o bem-estar da humanidade. Tem, por isso, mau nome em qualquer publicidade que faz vender produtos de grande lucro, como a guerra, o amor e as máquinas.
Quinto, finalmente: a sabedoria é reconhecida como valor estável pela maioria da população, o que é nocivo para o envolvimento dessa mesma população em qualquer campanha, seja de poder ou de ganho de negócios.
Enfim, ele teria que formar-se e esquecer os seus sonhos de grandeza,

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Pela meditação se ganha a sabedoria; pela falta de meditação se perde a sabedoria. Se o homem conhece este duplo caminho de ganho e perda, coloque-se naquele em que a sabedoria aumenta.

Depois das Elei√ß√Ķes

Depois de uma campanha eleitoral animada, a grande vantagem de qualquer elei√ß√£o democr√°tica √© a de o povo sair, finalmente, da sala de estar dos pol√≠ticos. √Č uma sensa√ß√£o de al√≠vio que alguns eleitos descrevem como semelhante ao momento em que uma dor intensa, por qualquer raz√£o obscura, termina.
(…) Depois de qualquer elei√ß√£o a sensa√ß√£o dos pol√≠ticos – quer tenham perdido quer tenham ganho – √© a de que o povo mais profundo acaba de entrar todo num comboio, dirigindo-se, compactamente, para uma terra distante. Esse povo voltar√° apenas, no mesmo comboio, nas semanas que antecedem a elei√ß√£o seguinte.
Esse intervalo temporal é indispensável para que o político tenha tempo para transformar, delicadamente, o ódio ou a indiferença em nova paixão genuína.

Gonçalo M.

Política de Interesse

Em Portugal n√£o h√° ci√™ncia de governar nem h√° ci√™ncia de organizar oposi√ß√£o. Falta igualmente a aptid√£o, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento pol√≠tico das na√ß√Ķes.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A pol√≠tica √© uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contradit√≥rias; ali dominam as m√°s paix√Ķes; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali h√° a posterga√ß√£o dos princ√≠pios e o desprezo dos sentimentos; ali h√° a abdica√ß√£o de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores √°speros; h√° a tristeza e a mis√©ria; dentro h√° a corrup√ß√£o, o patrono, o privil√©gio. A refrega √© dura; combate-se, atrai√ßoa-se, brada-se, foge-se, destr√≥i-se, corrompe-se. Todos os desperd√≠cios, todas as viol√™ncias, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
√Ä escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (…) todos querem penetrar na arena,

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Saber Estar em Sociedade

O homem que n√£o tem mais do que o pr√≥prio valor necessita de ser excelente em grande n√ļmero de virtudes, tal como a pedra que n√£o √© preciosa necessita de ser revestida de metal; mas comummente acontece com a reputa√ß√£o o mesmo que com o lucro, se √© verdadeiro o prov√©rbio que diz: que com leves ganhos se fazem pesadas bolsas, porque estes s√£o frequentes, enquanto os grandes s√≥ chegam de vez em quando; assim, tamb√©m √© verdade que pequenas coisas ganham grande recomenda√ß√£o, porque s√£o de uso e de observa√ß√£o corrente, enquanto a ocasi√£o de manifestar grandes virtudes s√≥ √© dada nos dias-santos. Para adquirir boas maneiras basta apenas n√£o as desdenhar, porque, habituando-nos a observ√°-las nos outros, deixamos confiadamente operar em n√≥s a imita√ß√£o; pois se cuidarmos de as exprimir, perdem logo a sua gra√ßa, a qual √© serem naturais e desafectadas. O comportamento de cada homem deve ser como um verso, no qual todas as s√≠labas s√£o medidas. Como pode um homem ocupar-se de grandes assuntos, se quebra demasiado o seu esp√≠rito com mesquinhas observa√ß√Ķes? N√£o usar completamente de cerim√≥nias √© ensinar aos outros que n√£o as usem tamb√©m, e assim diminuir o respeito pr√≥prio; especialmente, n√£o devem ser omitidas perante estrangeiros e pessoas desconhecidas.

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O Futuro é dos Virtuosos e dos Capazes

√Č preciso confessar, o presente √© dos ricos, e o futuro √© dos virtuosos e dos capazes. Homero ainda vive, e viver√° sempre; os recebedores de direitos, os publicanos, n√£o existem mais: existiram algum dia? A sua p√°tria, os seus nomes, s√£o conhecidos? Houve arrecadores de impostos na Gr√©cia? Que fim levaram essas personagens que desprezavam Homero, que s√≥ pensavam, na rua, em evit√°-lo, n√£o correspondiam √† sua sauda√ß√£o, ou o saudavam pelo nome, desdenhavam associ√°-lo √† sua mesa, olhavam-no como um home que n√£o era rico e fazia um livro?
O mesmo orgulho que faz elevar-se altivamente acima dos seus inferiores, faz rastejar vilmente diante dos que est√£o acima de si. √Č pr√≥prio deste v√≠cio, que n√£o se funda sobre o m√©rito pessoal nem sobre a virtude, e sim sobre as riquezas, cargos, cr√©dito, e sobre ci√™ncias v√£s, levar-nos igualmente a desprezar os que t√™m menos essa esp√©cie de bens do que n√≥s e a apreciar demais aqueles que t√™m uma medida que excede a nossa.

H√° almas sujas, amassadas com lama e sujidade, tomadas pelo desejo de ganho e interesse, como as belas almas o s√£o pelo da gl√≥ria e da virtude: capazes de uma √ļnica vol√ļpia,

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O Mal só nos Afecta na Medida em que o Deixarmos

Os homens (diz uma antiga máxima grega) são atormentados pelas ideias que têm das coisas, e não pelas próprias coisas. Haveria um grande ponto ganho para o alívio da nossa miserável condição humana se pudéssemos estabelecer essa asserção como totalmente verdadeira. Pois, se os males só entraram em nós pelo nosso julgamento, parece que está em nosso poder desprezá-los ou transformá-los em bem. Se as coisas se entregam à nossa mercê, por que não dispomos delas ou não as moldarmos para vantagem nossa? Se o que denominamos mal e tormento não é nem mal nem tormento por si mesmo, mas somente porque a nossa imaginação lhe dá essa qualidade, está em nós mudá-la. E, tendo essa escolha, se nada nos força, somos extraordinariamente loucos de bandear para o partido que nos é o mais penoso e dar às doenças, à indigência e ao desvalor um gosto acre e mau, se lhes podemos dar um gosto bom e se, a fortuna fornecendo simplesmente a matéria, cabe a nós dar-lhe a forma.
Porém vejamos se é possível sustentar que aquilo que denominamos por mal não o é em si mesmo, ou pelo menos que, seja ele qual for, depende de nós dar-lhe outro sabor e outro aspecto,

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Alegria é Felicidade Imediata

Quem é alegre tem sempre razão de sê-lo, ou seja, justamente esta, a de ser alegre. Nada pode substituir tão perfeitamente qualquer outro bem quanto esta qualidade, enquanto ela mesma não é substituível por nada. Se alguém é jovem, belo, rico e estimado, então perguntemos, caso queiramos julgar a sua felicidade, se é também jovial. Se, pelo contrário, ele for jovial, então é indiferente se é jovem ou velho, erecto ou corcunda, pobre ou rico; é feliz.
Na primeira juventude, abri certa vez um livro velho e l√° estava escrito: ¬ęQuem muito ri √© feliz, e quem muito chora √© infeliz¬Ľ – uma observa√ß√£o bastante ing√©nua, mas que n√£o pude esquecer devido √† sua verdade singela, por mais que fosse o superlativo de uma verdade evidente. Por esse motivo, devemos abrir portas e janelas √† jovialidade, sempre que ela aparecer, pois ela nunca chega em m√° hora, em vez de hesitar, como muitas vezes o fazemos, em permitir a sua entrada, s√≥ porque queremos saber primeiro, em todos os sentidos, se temos raz√£o para estar contentes. Ou ainda, porque tememos que ela nos perturbe nas nossas pondera√ß√Ķes s√©rias e preocupa√ß√Ķes importantes. Todavia, √© muito incerto que elas melhorem a nossa condi√ß√£o;

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O Presente Suport√°vel

Todos n√≥s nascemos na Arc√°dia, todos viemos ao mundo cheios de pretens√Ķes de felicidade e prazer, e conservamos a insensata esperan√ßa de faz√™-las valer, at√© ao momento em que o destino nos aferra bruscamente e nos mostra que nada √© nosso, mas tudo √© dele, uma vez que ele det√©m um direito incontest√°vel n√£o apenas sobre as nossas posses e os nossos ganhos, mas tamb√©m sobre os nossos bra√ßos e as nossas pernas, os nossos olhos e os nossos ouvidos, e at√© mesmo sobre o nosso nariz no centro do rosto.
A experi√™ncia vem em seguida e ensina-nos que a felicidade e o prazer n√£o passam de uma quimera, mostrada √† dist√Ęncia por uma ilus√£o, enquanto que o sofrimento e a dor s√£o reais e manifestam-se directamente por si s√≥, sem a necessidade da ilus√£o e da espera. Se o seu ensinamento se mostra frut√≠fero, deixamos de procurar a felicidade e o prazer e passamos a preocupar-nos apenas em fugir ao m√°ximo do sofrimento e da dor.

Reconhecemos que o melhor que o mundo nos pode oferecer é um presente suportável, tranquilo e sem dor; se isso nos é dado, sabemos apreciá-lo e cuidamos bem para não o estragar ansiando sem trégua alegrias imaginárias ou preocupando-nos temerosos com um futuro sempre incerto que,

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A Grande Vantagem da Vida

– A grande vantagem da vida √© ensinar-nos outra vez a chorar. A vida infantiliza. Fica-se maior no que nos faz ser mais pequenos. Cresce-se fora o que se vai perdendo por dentro. Passamos a inf√Ęncia a querer crescer, a adolesc√™ncia a querer crescer. E depois percebemos que s√≥ quer crescer quem ainda se sente pequeno. Um adulto sente-se pequeno mas pensa ao contr√°rio. Sente-se pequeno e quer ficar mais pequeno. Voltar ao tempo em que havia sonhos.
‚Äď Onde se perdem os sonhos?
‚Äď Todos os sonhos se perdem. Mesmo aqueles que vais ganhar, e vais ganhar muitos, se v√£o perder. Porque j√° deixaram de ser sonhos. Sonhaste aquilo, tiveste aquilo. E acabou. L√° se foi o sonho. O segredo √© conseguir gerar novos sonhos. Sonhos que consigam ocupar o espa√ßo em branco deixado pelo sonho perdido.
‚Äď Mesmo que tenha sido ganho.
‚Äď Mesmo que tenha sido ganho.
‚Äď Queria ser como tu.
‚Äď E eu queria ser como tu. Queria olhar para a frente e ver que o caminho n√£o acaba, o caminho a perder de vista.
‚Äď O teu n√£o se perde de vista?
‚Äď O meu faz-me perder a vista.

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Vale Mais Ser Amado ou Temido?

Vale mais ser amado ou temido (na chefia)? O ideal √© ser as duas coisas, mas como √© dif√≠cil reunir as duas coisas, √© muito mais seguro – quando uma delas tiver que faltar – ser temido do que amado. Porque, dos homens em geral, se pode dizer o seguinte: que s√£o ingratos, vol√ļveis, fingidos e dissimulados, fugidios ao perigo, √°vidos do ganho. E enquanto lhes fazeis bem, s√£o todos vossos e oferecem-vos a fam√≠lia, os bens pessoais, a vida, os descendentes, desde que a necessidade esteja bem longe. Mas quando ela se avizinha, contra v√≥s se revoltam. E aquele pr√≠ncipe que tiver confiado naquelas promessas, como fundamento do ser poder, encontrando-se desprovido de outras precau√ß√Ķes, est√° perdido. √Č que as amizades que se adquirem atrav√©s das riquezas, e n√£o com grandeza e nobreza de car√°cter, compram-se, mas n√£o se pode contar com elas nos momentos de adversidade. Os homens sentem menos inibi√ß√£o em ofender algu√©m que se fa√ßa amar do que outro que se fa√ßa temer, porque a amizade implica um v√≠nculo de obriga√ß√Ķes, o qual, devido √† maldade dos homens, em qualquer altura se rompe, conforme as conveni√™ncias. O temor, por seu turno, implica o medo de uma puni√ß√£o,

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Se Pudesses Estar Comigo Vinte e Quatro horas do Dia

Se pudesses estar comigo durante as vinte e quatro horas do dia, observar cada gesto meu, dormir comigo, comer comigo, trabalhar comigo, tudo isto n√£o poderia ter lugar. Quando me vejo afastado de ti, penso em ti constantemente e isso d√° cor a tudo o que eu diga ou fa√ßa. Se soubesses o qu√£o fiel te sou! N√£o apenas fisicamente, mas mentalmente, moralmente, espiritualmente. Aqui n√£o h√° qualquer tenta√ß√£o para mim, absolutamente nenhuma. Estou imune a Nova Iorque, aos meus velhos amigos, ao passado, a tudo. Pela primeira vez na minha vida, estou completamente centrado em outro ser… Em ti. Sinto-me capaz de dar tudo, sem ter medo de ficar exaurido ou de me ver perdido. Quando ontem escrevi no meu artigo que ¬ęse eu nunca tivesse ido para a Europa…¬Ľ, n√£o era a Europa que tinha em mente, mas sim tu.

Mas n√£o posso dizer isso ao mundo num artigo. Tu √©s a Europa. Pegaste em mim, um homem despeda√ßado, e tornaste-me completo. E n√£o hei-de desintegrar-me ‚ÄĒ n√£o existe o menor perigo disso. Mas agora vejo-me mais sens√≠vel, mais receptivo a qualquer sinal de perigo. Se te persigo loucamente, se te imploro para ouvires, se fico √† tua porta e espero por ti,

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