Textos sobre Perseverança

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Textos de perseverança escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

O Princípio da Simpatia e Antipatia

O princípio da simpatia e antipatia tende ao máximo a pecar por severidade excessiva. Tende ele a aplicar castigo em muitos casos em que é injusto fazê-lo, e, em casos em que se justifica uma punição, a aplicar severidade maior do que a merecida. Não existe acto algum imaginável, por mais trivial e por menos censurável que seja, que o princípio da simpatia e antipatia não encontre algum motivo para punir. Quer se trate de diferenças de gosto, quer se trate de diferenças de opinião, sempre se encontra motivo para punir. Não existe nenhum desacordo, por mais trivial que seja, que a perseverança não consiga transformar num incidente sério. Cada qual se torna, aos olhos do seu semelhante, um inimigo e, se a lei o permitir, um criminoso. Este é um dos aspectos sob os quais a espécie humana se distingue Рpara seu desabono Рdos animais.
Por princ√≠pio de simpatia e antipatia entendo o princ√≠pio que aprova ou desaprova certas ac√ß√Ķes, n√£o na medida em que estas tendem a aumentar ou a diminuir a felicidade da parte interessada, mas simplesmente pelo facto de que algu√©m se sente disposto a aprov√°-las ou reprov√°-las.Os partid√°rios deste princ√≠pio mant√™m que a aprova√ß√£o ou a reprova√ß√£o constituem uma raz√£o suficiente em si mesma,

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√Č preciso que a perseveran√ßa produza uma obra perfeita a fim de serdes homens perfeitos e

√Č preciso que a perseveran√ßa produza uma obra perfeita a fim de serdes homens perfeitos e √≠ntegros sem nenhuma defici√™ncia.

A Felicidade é Modesta e não Ambiciosa

Aqui tens o que posso dizer-te constantemente, a mat√©ria que poderei estar sempre a debater, pois ambos vemos √† nossa roda in√ļmeros milhares de pessoas inquietas que, a fim de obterem algo de altamente nocivo, andam com perseveran√ßa a praticar o mal, sempre √† procura de coisas que logo a seguir deixam de lhes interessar, ou mesmo as enchem de repulsa! J√° viste algu√©m contentar-se com uma coisa que, antes de a obter, lhe parecia mais que suficiente? A felicidade, ao contr√°rio da opini√£o corrente, n√£o √© ambiciosa, mas sim modesta, e por isso mesmo nunca sacia ningu√©m. Tu pensas que aquilo que satisfaz o vulgo √© elevado porque ainda est√°s longe da perfei√ß√£o est√≥ica; para quem a alcan√ßou, tudo isso √© absolutamente rasteiro! Minto: para quem come√ßou a subir at√© esse n√≠vel, pois o ponto que tu pensas ser j√° o mais alto n√£o passa de um degrau. Toda a gente √© infelizmente confundida pela ignor√Ęncia da verdade. Enganada pela opini√£o vulgar, procura como se fossem bens certas coisas que, depois de muito penar para as conseguir, verifica serem nocivas, in√ļteis ou inferiores ao que esperava. A maior parte das pessoas sente admira√ß√£o por coisas que s√≥ ao fim de algum tempo se revelam ilus√≥rias;

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A Boa Vontade

De todas as coisas que podemos conceber neste mundo ou mesmo, de uma maneira geral, fora dele, n√£o h√° nenhuma que possa ser considerada como boa sem restri√ß√£o, salvo uma boa vontade. O entendimento, o esp√≠rito, o ju√≠zo e os outros talentos do esp√≠rito, seja qual for o nome que lhes dermos, a coragem, a decis√£o, a perseveran√ßa nos prop√≥sitos, como qualidades do temperamento, s√£o, indubit√°velmente, sob muitos aspectos, coisas boas e desej√°veis; contudo, tamb√©m podem chegar a ser extrordin√°riamente m√°s e daninhas se a vontade que h√°-de usar destes bens naturais, e cuja constitui√ß√£o se chama por isso car√°cter, n√£o √© uma boa vontade. O mesmo se pode dizer dos dons da fortuna. O poder, a riqueza, a considera√ß√£o, a pr√≥pria sa√ļde e tudo o que constitui o bem-estar e contentamento com a pr√≥pria sorte, numa palavra, tudo o que se denomina felicidade, geram uma confian√ßa que muitas vezes se torna arrog√Ęncia, se n√£o existir uma boa vontade que modere a influ√™ncia que a felicidade pode exercer sobre a sensibilidade e que corrija o princ√≠pio da nossa actividade, tornando-o √ļtil ao bem geral; acrescentemos que num espectador imparcial e dotado de raz√£o, testemunha da felicidade ininterrupta de uma pessoa que n√£o ostente o menor tra√ßo de uma vontade pura e boa,

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A Felicidade na Perseverança

Meu bem-amado Luc√≠lio, conjuro-te a tomar o √ļnico partido que pode garantir a felicidade. Dispersa e pisoteia os esplendores de fora, as suas promessas, os seus lucros; volta o olhar para o vero bem; s√™ feliz merc√™ do teu pr√≥prio cabedal. Qual √© esse cabedal? Tu mesmo, e a melhor parte de ti. Este pobre corpo esfor√ßa-se por ser nosso colaborador indispens√°vel; considera-o antes um objecto necess√°rio do que importante. Ele procura os prazeres v√£os, breves, seguidos de descontentamento e destinados, se uma grande modera√ß√£o n√£o os tempera, a passarem para o estado oposto. Sim, sim, o prazer est√° √† beira de um declive: inclina-se para o sofrimento quando deixa de observar o justo limite. Ora, observar tal limite √© dif√≠cil em rela√ß√£o √†quilo que se acreditou fosse um bem. O √°vido desejo do verdadeiro bem n√£o oferece risco algum.
Em que consiste o verdadeiro bem Рquereis saber Рe qual é a fonte de onde emana?

Eu to direi: √© a boa consci√™ncia, as inten√ß√Ķes virtuosas, as rectas ac√ß√Ķes, o desprezo pelos eventos fortuitos, o desenvolvimento tranquilo e regular de uma exist√™ncia que anda por um s√≥ caminho. Quanto a esses homens que v√£o de desejo em desejo,

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A Felicidade de uma Raz√£o Perfeita

Creio que estaremos de acordo em que é para proveito do corpo que procuramos os bens exteriores; em que apenas cuidamos do corpo para benefício da alma, e em que na alma há uma parte meramente auxiliar Рa que nos assegura a locomoção e a alimentação Рda qual dispomos tão somente para serviço do elemento essencial. No elemento essencial da alma há uma parte irracional e outra racional; a primeira está ao serviço da segunda; esta não tem qualquer ponto de referência além de si própria, pelo contrário, serve ela de ponto de referência a tudo. Também a razão divina governa tudo quanto existe sem a nada estar sujeita; o mesmo se passa com a nossa razão, que, aliás, provém daquela.
Se estamos de acordo nesse ponto, estaremos necessariamente tamb√©m de acordo em que a nossa felicidade depende exclusivamente de termos em n√≥s uma raz√£o perfeita, pois apenas esta impede em n√≥s o abatimento e resiste √† fortuna; seja qual for a sua situa√ß√£o, ela manter-se-√° imperturb√°vel. O √ļnico bem aut√™ntico √© aquele que nunca se deteriora.
O homem feliz, insisto, √© aquele que nenhuma circunst√Ęncia inferioriza; que permanece no cume sem outro apoio al√©m de si mesmo,

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Se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o aguardamos

Se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o aguardamos.

A Perseverança

Se h√° pessoas que n√£o estudam ou que, se estudam, n√£o aproveitam, elas que n√£o se desencorajem e n√£o desistam; se h√° pessoas que n√£o interrogam os homens instru√≠dos para esclarecer as suas d√ļvidas ou o que ignoram, ou que, mesmo interrogando-os, n√£o conseguem ficar mais instru√≠das, elas que n√£o se desencorajem e n√£o desistam; se h√° pessoas que n√£o meditam ou que, mesmo que meditem, n√£o conseguem adquirir um conhecimento claro do princ√≠pio do bem, elas que n√£o se desencorajem e n√£o desistam; se h√° pessoas que n√£o distinguem o bem do mal ou que, mesmo que distingam, n√£o t√™m uma percep√ß√£o clara e n√≠tida, elas que n√£o se desencorajem e n√£o desistam; se h√° pessoas que n√£o praticam o bem ou que, mesmo que o pratiquem, n√£o podem aplicar nisso todas as suas for√ßas, elas que n√£o se desencorajem e n√£o desistam; o que outros fariam numa s√≥ vez, elas o far√£o em dez, o que outros fariam em cem vezes, elas o far√£o em mil, porque aquele que seguir verdadeiramente esta regra da perseveran√ßa, por mais ignorante que seja, tornar-se-√° uma pessoa esclarecida, por mais fraco que seja, tornar-se-√° necessariamente forte.

A Educação da Fé

Sendo a f√© um dom, como pode ser motivo de educa√ß√£o? N√£o pode realmente ser ensinada, mas sim irradiada. Os que a possuem podem significar a estrela-guia, a perseveran√ßa num encontro dif√≠cil de suceder, mas cuja esperan√ßa comove todo o nosso ser. √Č poss√≠vel que a Igreja se volte para esse apostolado da f√© que foi extremamente importante no seu come√ßo. N√£o o velho sistema de grupos sect√°rios que s√£o o modelo dos processos pol√≠ticos e que, quando se afirma um movimento e este toma amplitude, se eliminam. N√£o √© isso. Trata-se de focos de comunica√ß√£o que dispensam a organiza√ß√£o premeditada e at√© a linguagem elaborada, o discurso piedoso e a erudi√ß√£o duma exegese. Um interessar a alma na f√© sem recorrer ao preconceito da santidade. Descobrir a imensa novidade da f√© num mundo em que o pr√≥prio crist√£o vive de maneira pag√£ e singularmente a coberto dos antigos textos que esqueceu ou que desconhece completamente.

A prova de que o cristão vive como um bárbaro é o sentido que tomou a arte religiosa. Não é raro encontrar nas salas de convívio burguesas, juntamente com a televisão, ou a mesa de jogo, ou a instalação estereofónica para o gira-disco,

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Cultivar a Felicidade

Desde os prim√≥rdios da humanidade, que o ser humano procura a felicidade como a terra seca clama pela √°gua. √Č f√°cil conquist√°-la? Nem sempre! Os poetas homenagearam-na, os romancistas descreveram-na, os fil√≥sofos contemplaram-na, mas grande parte deles saudaram-na apenas de longe.
Os reis tentaram dominá-la, mas ela não se submeteu ao poder deles. Os ricos tentaram comprá-la, mas ela não se deixou vender. Os intelectuais tentaram compreendê-la, mas ela confundiu-os. Os famosos tentaram fasciná-la, mas ela contou-lhes que preferia o anonimato. Os jovens disseram que ela lhes pertencia, mas ela disse-lhes que não se encontrava no prazer imediato, nem se deixava encontrar pelos que não pensavam nas consequências dos seus atos.
Alguns acreditaram que poderiam cultivá-la em laboratório. Isolaram-se do mundo e dos problemas da vida, mas a felicidade enviou um claro recado a dizer que ela apreciava o cheiro das pessoas e crescia no meio das dificuldades.
Outros tentaram cultivá-la com os avanços da ciência e da tecnologia, mas eis que a ciência e a tecnologia se multiplicaram e a tristeza e as mazelas da alma se expandiram.

Desesperados, muitos tentaram encontrar a felicidade em todos os cantos do mundo. Mas no espaço ela não estava,

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Alimentar o Amor

Come√ßar √© f√°cil. Acabar √© mais f√°cil ainda. Chega-se sempre √† primeira frase, ao primeiro n√ļmero da revista, ao primeiro m√™s de amor. Cada come√ßo √© uma mudan√ßa e o cora√ß√£o humano vicia-se em mudar. Vicia-se na novidade do arranque, do in√≠cio, da inaugura√ß√£o, da primeira linha na p√°gina branca, da luz e do barulho das portas a abrir.
Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Por isso respeito cada vez menos estas actividades. Aprendi que o mais natural é criar e o mais difícil de tudo é continuar. A actividade que eu mais amo e respeito é a actividade de manter.
Em Portugal quase tudo se resume a come√ßos e a encerramentos. Arranca-se com qualquer coisa, de qualquer maneira, com todo o aparato. √Ä m√≠nima comich√£o aparece uma ¬ęiniciativa¬Ľ, que depois n√£o tem prosseguimento ou perseveran√ßa e cai no esquecimento. Nem damos pela morte.
√Č por isso que eu hoje respeito mais os continuadores que os criadores. Criadores n√£o nos faltam. Chefes n√£o nos faltam. Faltam-nos continuadores. Faltam-nos tenentes. Her√≥is n√£o nos faltam. Faltam-nos guardi√Ķes.

√Č como no amor. A manuten√ß√£o do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas √© preciso paci√™ncia para fazer perdurar uma paix√£o.

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Inspiração e Perseverança no Homem que Pensa

N√£o h√° nada de mais dif√≠cil em literatura do que descrever um homem a pensar. Um grande inventor respondeu um dia a quem lhe perguntava como fazia para ter tantas ideias novas: ¬ępensando ininterruptamente nelas¬Ľ. E de facto bem pode dizer-se que as ideias inesperadas nos v√™m porque est√°vamos √† espera delas. S√£o, em grande parte, o resultado conseguido de um car√°cter, de certas inclina√ß√Ķes constantes, de uma ambi√ß√£o tenaz, de uma incessante ocupa√ß√£o com elas. Que t√©dio, uma perseveran√ßa assim! Mas, vista de outro √Ęngulo, a solu√ß√£o de um problema intelectual n√£o acontece de modo muito diferente, como um c√£o que traz um pau na boca e quer passar por uma porta estreita; vira a cabe√ßa para a esquerda e para a direita tantas vezes at√© que consegue passar com o pau; o mesmo acontece connosco, apenas com a diferen√ßa de que n√£o fazemos tantas tentativas ao acaso, mas sabemos j√°, por experi√™ncia, mais ou menos como fazer as coisas. E se uma cabe√ßa inteligente, como √© √≥bvio, revela muito mais habilidade e experi√™ncia nas voltas que d√° do que uma cabe√ßa est√ļpida, o momento em que consegue passar n√£o √© para ela menos surpreendente; de repente estamos do outro lado,

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