Textos sobre Virgens

11 resultados
Textos de virgens escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

O Pressuposto Indispens√°vel para se Ser um Grande-Escritor

O pressuposto indispens√°vel para se ser um grande-escritor √©, ent√£o, o de escrever livros e pe√ßas de teatro que sirvam para todos os n√≠veis, do mais alto ao mais baixo. Antes de produzir algum bom efeito, √© preciso primeiro produzir efeito: este princ√≠pio √© a base de toda a exist√™ncia como grande-escritor. √Č um princ√≠pio miraculoso, eficaz contra todas as tenta√ß√Ķes da solid√£o, por excel√™ncia o princ√≠pio goethiano do sucesso: se nos movermos apenas num mundo que nos √© prop√≠cio, tudo o resto vir√° por si. Pois quando um escritor come√ßa a ter sucesso d√°-se logo uma transforma√ß√£o significativa na sua vida. O seu editor p√°ra de se lamentar e de dizer que um comerciante que se torna editor se parece com um idealista tr√°gico, porque faria muito mais dinheiro negociando com tecidos ou papel virgem. A cr√≠tica descobre nele um objecto digno da sua actividade, porque os cr√≠ticos muitas vezes at√© nem s√£o m√°s pessoas, mas, dadas as circunst√Ęncias epocais pouco prop√≠cias, ex-poetas que precisam de um apoio do cora√ß√£o para poderem p√īr c√° fora os seus sentimentos;s√£o poetas do amor ou da guerra, consoante o capital interior que t√™m de aplicar com proveito, e por isso √© perfeitamente compreens√≠vel que escolham o livro de um grande-escritor e n√£o o de um comum escritor.

Continue lendo…

O Existencialista

Dostoievski escreveu: ¬ęSe Deus n√£o existisse, tudo seria permitido¬Ľ. A√≠ se situa o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo √© permitido se Deus n√£o existe , fica o homem, por conseguinte , abandonado, j√° que n√£o encontra em si, nem fora de si, uma possibilidade a que se apegue. Antes de mais nada, n√£o h√° desculpas para ele. Se, com efeito, a exist√™ncia precede a ess√™ncia, n√£o ser√° nunca poss√≠vel referir uma explica√ß√£o a uma natureza humana dada e imut√°vel; por outras palavras, n√£o h√° determinismo, o homem √© livre, o homem √© liberdade. Se, por outro lado, Deus n√£o existe, n√£o encontramos diante de n√≥s valores ou imposi√ß√Ķes que nos legitimem o comportamento. Assim, n√£o temos nem atr√°s de n√≥s, nem diante de n√≥s, no dom√≠nio luminoso dos valores, justifica√ß√Ķes ou desculpas. Estamos s√≥s e sem desculpas. √Č o que traduzirei dizendo que o homem est√° condenado a ser livre. Condenado, porque n√£o se criou a si pr√≥prio; e no entanto livre, porque uma vez lan√ßado ao mundo, √© respons√°vel por tudo quanto fizer. O existencialista n√£o cr√™ na for√ßa da paix√£o. N√£o pensar√° nunca que uma bela paix√£o √© uma torrente devastadora que conduz fatalmente o homem a certos actos e que por conseguinte,

Continue lendo…

Originalidade Verdadeira e Originalidade Falseada

Em Arte, √© vivo tudo o que √© original. √Č original tudo o que prov√©m da parte mais virgem, mais verdadeira e mais √≠ntima duma personalidade art√≠stica. A primeira condi√ß√£o duma obra viva √© pois ter uma personalidade e obedecer-lhe. Ora como o que personaliza um artista √©, ao menos superficialmente, o que o diferencia dos demais, (artistas ou n√£o) certa sinon√≠mia nasceu entre o adjectivo original e muitos outros, ao menos superficialmente aparentados; por exemplo: o adjectivo exc√™ntrico, estranho, extravagante, bizarro… Eis como √© falsa toda a originalidade calculada e astuciosa.
Eis como tamb√©m pertence √† literatura morta aquela em que um autor pretende ser original sem personalidade pr√≥pria. A excentricidade, a extravag√Ęncia e a bizarria podem ser poderosas – mas s√≥ quando naturais a um dado temperamento art√≠stico. Sobre outras qualidades, o produto desses temperamentos ter√° o encanto do raro e do imprevisto. Afectadas, semelhantes qualidades n√£o passar√£o dum truque liter√°rio.

O Criminoso e o que lhe é afim

O tipo do criminoso √© o tipo do homem forte colocado em condi√ß√Ķes desfavor√°veis, um homem forte posto enfermo. O que lhe falta √© a selva virgem, uma natureza e uma forma de existir mais livres e perigosas, nas quais seja leg√≠timo tudo o que no instinto do homem forte √© arma de ataque e de defesa. As suas virtudes foram proscritas pela sociedade: os seus instintos mais en√©rgicos, que lhe s√£o inatos, misturam-se imediatamente com os efeitos depressivos, com a suspeita, o medo, a desonra. Mas esta √© quase a f√≥rmula da degenera√ß√£o fisiol√≥gica. Quem tem de fazer √†s escondidas, com uma tens√£o, uma previs√£o, uma ang√ļstia prolongadas, aquilo que melhor pode fazer, o que mais gosta de fazer, torna-se for√ßosamente an√©mico; e como a √ļnica colheita que obt√©m dos seus instintos √© sempre perigo, persegui√ß√£o, calamidades, tamb√©m o seu sentimento se vira contra esses instintos ‚ÄĒ sente-os como uma fatalidade. √Č assim na nossa sociedade, na nossa domesticada, med√≠ocre, castrada sociedade onde um homem vindo da natureza, chegado das montanhas ou das aventuras do mar degenera necessariamente em criminoso.

Filosofia e Amor são completamente Antagónicos

Entre a filosofia e o amor não há possibilidade de convivência. A filosofia exila a mulher e a mulher exclui a filosofia. Os filósofos são todos cérebro sem coração nem testículos. Aqueles que tiveram mulheres e filhos são filósofos menores, em segunda mão. Os maiores são todos misóginos.
A filosofia tem relação com a castidade: quem se aproxima da mulher não pode alcançar o absoluto. Os filósofos foram eunucos, como Orígenes e Abelardo; ou virgens por eleição, como São Tomás e São Boaventura; ou eternos celibatários, como Platão, Espinosa, Kant, Schopenhauer, Nietzsche, como todos os maiores. Quem teve mulher, como Sócrates, considerou-a empecilho e tortura.
São antes sodomitas, como Séneca e Bacon, ou onanistas, como Rousseau, Kierkegaard e Leopardi Рem todos os casos, antifemininos. A mulher é a vida e a filosofia uma espécie de morte; a dona é o primado do sentimento e a filosofia quer ser racionalismo puro; a mulher é capricho e novidade e a filosofia ordem e sistema.
No entanto, a filosofia n√£o se pode vangloriar de vencer, com a sua for√ßa, a tenta√ß√£o de Eros – √© verdade, ao inv√©s, que a frigidez e a impot√™ncia predisp√Ķem para a filosofia. Se virem um fil√≥sofo marido e pai feliz,

Continue lendo…

A Morte e o Sexo

A vida d√°-nos indica√ß√Ķes sob v√°rias formas de que a morte n√£o deveria assustar-nos, pelo contr√°rio, que √© agrad√°vel. O sono √©-nos dado como um prot√≥tipo da morte, e lutamos por ele todas as noites, que nos d√° o maior esquecimento da vida. N√£o tememos o esquecimento; desejamo-lo porque nos d√° paz.
O sexo tamb√©m nos sugere como ser√° agrad√°vel a morte, mas n√£o prestamos aten√ß√£o. Se pud√©ssemos morrer duas vezes, ent√£o talvez n√£o rece√°ssemos a segunda vez. Tal como uma virgem receia a dor causada pela introdu√ß√£o do p√©nis, mas sente prazer da segunda vez e fica cheia de vontade de sexo e ansiosa por isso, n√£o prestando aten√ß√£o √† insignific√Ęncia da dor comparada com o prazer que recebe.
Por isso só temos uma morte, para que ao percebermos o seu encanto da primeira vez, não nos sentíssemos mais poderosamente atraídos por ela do que pela vida. Deus não seria capaz de nos manter vivos, como não foi capaz de nos manter na inocência, e estaríamos continuamente a lutar por nos sucidarmos.
O sexo √©-nos dado como uma substitui√ß√£o para a morte m√ļltipla. Depois de nos restabelecermos de uma morte doce, ficamos cheios de vontade de a experimentar outra vez.

Continue lendo…

A Morte Est√° atr√°s do Teu Beijo

A morte est√° atr√°s do teu beijo,
e n√£o me interessa nada que n√£o me possa matar.

N√£o quero trajectos sem calhaus, pessoas sem problemas, muito menos gl√≥rias sem l√°grimas. N√£o quero o t√©dio de s√≥ continuar, a obriga√ß√£o de suportar, andar na rotina s√≥ por andar. N√£o quero o vai-se andando, o √© a vida, o tem de ser, nada que n√£o me ponha a gemer. N√£o quero o prato sempre saud√°vel, a saladinha impoluta, a cama casta, o sexo virgem. N√£o quero o sol o dia todo, a recta sem a m√≠nima curva, n√£o quero o preto liso nem o branco imaculado, n√£o quero o poema perfeito nem a ortografia ilesa. N√£o quero aprender apenas com o professor, a palmadinha nas costas, o v√° l√° que isso passa, a microssatisfa√ß√£o, a min√ļscula euforia. N√£o quero os l√°bios sem l√≠ngua, a l√≠ngua sem prazer, fugir do que mete medo, e at√© acomodar-me ao que me faz doer. Quero o que n√£o cabe no regular, o que n√£o se entende nos manuais, o que n√£o acontece nos gui√Ķes. Quero a ruga esquisita, a m√£o descuidada, a estrada arriscada, a chuva, o vento, as unhas cravadas, o animal do instante.

Continue lendo…

A Educação da Fé

Sendo a f√© um dom, como pode ser motivo de educa√ß√£o? N√£o pode realmente ser ensinada, mas sim irradiada. Os que a possuem podem significar a estrela-guia, a perseveran√ßa num encontro dif√≠cil de suceder, mas cuja esperan√ßa comove todo o nosso ser. √Č poss√≠vel que a Igreja se volte para esse apostolado da f√© que foi extremamente importante no seu come√ßo. N√£o o velho sistema de grupos sect√°rios que s√£o o modelo dos processos pol√≠ticos e que, quando se afirma um movimento e este toma amplitude, se eliminam. N√£o √© isso. Trata-se de focos de comunica√ß√£o que dispensam a organiza√ß√£o premeditada e at√© a linguagem elaborada, o discurso piedoso e a erudi√ß√£o duma exegese. Um interessar a alma na f√© sem recorrer ao preconceito da santidade. Descobrir a imensa novidade da f√© num mundo em que o pr√≥prio crist√£o vive de maneira pag√£ e singularmente a coberto dos antigos textos que esqueceu ou que desconhece completamente.

A prova de que o cristão vive como um bárbaro é o sentido que tomou a arte religiosa. Não é raro encontrar nas salas de convívio burguesas, juntamente com a televisão, ou a mesa de jogo, ou a instalação estereofónica para o gira-disco,

Continue lendo…

A Inteligência não é o Fundo do nosso Ser

A intelig√™ncia n√£o √© o fundo do nosso ser. Pelo contr√°rio. √Č como uma pele sens√≠vel, tentacular que cobre o resto do nosso volume √≠ntimo, o qual por si √© sensu stricto ininteligente, irracional. Barr√®s dizia isto muito bem: L’intelligence, quelle petite chose √† la surface de nous. A√≠ est√° ela, estendida como um dintorno sobre o nosso ser mais interior, dando uma face √†s coisas, ao ser – porque o seu papel n√£o √© outro sen√£o pensar as coisas, pensar o ser, o seu papel n√£o √© ser o ser, mas reflecti-lo, espelh√°-lo. Tanto n√£o somos ela que a intelig√™ncia √© uma mesma em todos, embora uns dela tenham maior por√ß√£o que outros. Mas a que tiverem √© igual em todos: 2 e 2 s√£o para todos 4. Por isso Arist√≥teles e o averro√≠smo acreditaram que havia um √ļnico no√Ľs ou intelecto no Universo, que todos √©ramos, enquanto inteligentes, uma s√≥ intelig√™ncia. O que nos individualiza est√° por tr√°s dela.
Mas não vamos agora espicaçar uma tão difícil questão. Baste o que foi dito para sugerir que em vão pretenderá a inteligência lutar num match de convicção com as crenças irracionais, habituais. Quando um cientista sustém as suas ideias com uma fé semelhante à fé vital,

Continue lendo…

A Mulher Virgem e o Amor

A mulher virgem, em geral, n√£o ama o homem com quem casa, embora frequentemente de tal se persuada: gosta dele, e esse gostar, que √© uma amizade, provocada em geral pelo amor do homem por ela, somando-se ao instinto sexual insatisfeito, ou seja √† atrac√ß√£o sexual abstracta, forma um composto semi-emotivo que d√° a ilus√£o do amor, (…) as suas emo√ß√Ķes ‚ÄĒ aquela parte da sexualidade que n√£o √© s√≥ sexual ‚ÄĒ ficam insatisfeitas. Nuns casos o instinto maternal, exercendo-se no aparecimento dos filhos, ou satisfaz essas emo√ß√Ķes ou as esbate e acalma; noutros casos, a vida imaginativa consegue, em maior ou menor grau, satisfaz√™-las. H√° casos, por√©m, em que ficam insatisfeitas e ent√£o s√≥ o fundo moral seguro e a […] moral forte, ou o senso […] e medroso da respeitabilidade social, podem ‚ÄĒ quando podem, e isso depende muito do temperamento que est√° por tr√°s d’essas emo√ß√Ķes ‚ÄĒ resistir ao aparecimento, quando e se ele se der, do homem em quem essas emo√ß√Ķes se possam concentrar. Em todo o caso, e para bem moral dos resultados, o melhor √© o homem n√£o aparecer.

Só o maior dos sensos morais e da honestidade do dever pode evitar um desastre.

Continue lendo…

A Mentira é a Base da Civilização Moderna

√Č na faculdade de mentir, que caracteriza a maior parte dos homens actuais, que se baseia a civiliza√ß√£o moderna. Ela firma-se, como t√£o claramente demonstrou Nordau, na mentira religiosa, na mentira pol√≠tica, na mentira econ√≥mica, na mentira matrimonial, etc… A mentira formou este ser, √ļnico em todo o Universo: o homem antip√°tico.
Actualmente, a mentira chama-se utilitarismo, ordem social, senso prático; disfarçou-se nestes nomes, julgando assim passar incógnita. A máscara deu-lhe prestígio, tornando-a misteriosa, e portanto, respeitada. De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras.
A mentira reina sobre o mundo! Quase todos os homens s√£o s√ļbditos desta omnipotente Majestade. Derrub√°-la do trono; arrancar-lhe das m√£os o ceptro ensaguentado, √© a obra bendita que o Povo, virgem de corpo e alma, vai realizando dia a dia, sob a direc√ß√£o dos grandes mestres de obras, que se chamam Jesus, Buda, Pascal, Spartacus, Voltaire, Rousseau, Hugo, Zola, Tolstoi, Reclus, Bakounine, etc. etc. …
E os oper√°rios que t√™m trabalhado na obra da Justi√ßa e do Bem, foram os p√°rias da √ćndia, os escravos de Roma, os miser√°veis do bairro de Santo Ant√≥nio,

Continue lendo…