Cita√ß√Ķes sobre Tigres

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Frases sobre tigres, poemas sobre tigres e outras cita√ß√Ķes sobre tigres para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Peso do Mundo

A poesia não é, nunca foi
uma enumeração ou composto
de exuber√Ęncia, bondade,
altitude, nem arado
ou d√°diva sobre ch√£o
prenhe de mortos.

Nem o arrependimento
de Deus por ter criado o homem
com o rosto da sua memória,
ao lado dos seus vermes.

T√£o-pouco f√īlego dos que amam
abrindo a porta límpida
do corpo e chovendo sobre a terra,
ou carregam como tartarugas
o peso do mundo.

Nem reverência por um tigre,
pela leveza maligna de todas as patas,
pela sonolência junto à estirpe
aprisionada também
na dureza de ser tigre.

√Č o milagre de uma arma
total, de uma só palavra
reduzindo o átomo à completa inocência.

Psicologia Humana

A Santos Lostada

Por tr√°s de uns vidros d’√≥culos opacos
Muita vez um le√£o e um tigre rugem,
E como um surdo temporal estrugem
Os ódios dos covardes e dos fracos.

Partir pudesses, ó poeta, em cacos,
Vidros que ocultam almas de ferrugem,
Que espumam de ira, tenebrosas mugem,
Mugem como de dentro de uns buracos.

Que essas sombrias, d√ļbias almas foscas
Que parecem, no entanto, como moscas,
Inofensivas, babam como as lesmas.

Mas tu, em v√£o, tais vidros partirias,
Pois que no mundo, eternamente, as frias
Almas humanas ser√£o sempre as mesmas!

O progresso marca-o a dist√Ęncia do salto do tigre, que √© de dez metros, ao curso da bala, que √© de vinte quil√≥metros. A fera, a dez passos, perturba-nos; o homem √© a fera dilatada.

Quando um homem quer matar um tigre, chama a isso desporto; quando é o tigre que quer matá-lo, chama a isso ferocidade. A distinção entre crime e justiça não é muito grande.

O homem que sabe quão melhor é estar em paz

O homem que sabe qu√£o melhor √© estar em paz, nunca enfrentar√° o tigre ou o b√ļfalo que podem feri-lo.

A √ļnica diferen√ßa entre um tigre e um ser humano √© que o primeiro mata e estra√ßalha por fome e instinto, enquanto que o segundo mata por par√°grafos.

Um Ser Humano não é Grande Coisa

N√£o tenhamos ilus√Ķes: um ser humano n√£o √© grande coisa. De facto, h√° tantos que os governos n√£o sabem o que fazer com eles. Seis mil milh√Ķes de humanos √† face da Terra e apenas seis ou sete mil tigres de Bengala – ora digam l√° qual das esp√©cies necessita de mais prote√ß√£o, de cuidados especiais. Sim, escolham voc√™s mesmos. Um negro, um chin√™s, um escoc√™s, ou um belo tigre que cai v√≠tima de um ca√ßador. Um tigre, com a sua pelagem listrada de cores incompar√°veis e os seus olhos coruscantes, √© bastante mais belo do que um velhote cheio de varizes como eu. Que diferen√ßa de porte. Comparem a agilidade de um com a in√©pcia do outro. Vejam como se movem. Metam-nos em jaulas do jardim zool√≥gico, lado a lado. Diante da jaula do velho concentram-se as crian√ßas que riem ao v√™-lo catar-se e p√īr-se de c√≥coras para defecar; diante da do tigre, arregalam os olhos de admira√ß√£o. Acabou essa ilus√£o segundo a qual o homem √© o centro do universo. √Č verdade que no animal humano distinguimos os gestos, os rostos e as vozes, o que estimula a nossa empatia, mas tamb√©m distinguimos caracter√≠sticas particulares, que associamos a sentimentos,

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O Homem Congrega Todas as Espécies de Animais

H√° t√£o diversas esp√©cies de homens como h√° diversas esp√©cies de animais, e os homens s√£o, em rela√ß√£o aos outros homens, o que as diferentes esp√©cies de animais s√£o entre si e em rela√ß√£o umas √†s outras. Quantos homens n√£o vivem do sangue e da vida dos inocentes, uns como tigres, sempre ferozes e sempre cru√©is, outros como le√Ķes, mantendo alguma apar√™ncia de generosidade, outros como ursos grosseiros e √°vidos, outros como lobos arrebatadores e impiedosos, outros ainda como raposas, que vivem de habilidades e cujo of√≠cio √© enganar!
Quantos homens n√£o se parecem com os c√£es! Destroem a sua esp√©cie; ca√ßam para o prazer de quem os alimenta; uns andam sempre atr√°s do dono; outros guardam-lhes a casa. H√° lebr√©us de trela que vivem do seu m√©rito, que se destinam √† guerra e possuem uma coragem cheia de nobreza, mas h√° tamb√©m dogues irasc√≠veis, cuja √ļnica qualidade √© a f√ļria; h√° c√£es mais ou menos in√ļteis, que ladram frequentemente e por vezes mordem, e h√° at√© c√£es de jardineiro. H√° macacos e macacas que agradam pelas suas maneiras, que t√™m esp√≠rito e que fazem sempre mal. H√° pav√Ķes que s√≥ t√™m beleza, que desagradam pelo seu canto e que destroem os lugares que habitam.

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Ang√ļstia

Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!

E n√£o se quer pensar! … e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de n√≥s …
Querer apagar no c√©u ‚Äď √≥ sonho atroz! ‚Äď
O brilho duma estrela, com o vento! …

E n√£o se apaga, n√£o … nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga …
Vem sempre perguntando: ‚ÄúO que te resta? …‚ÄĚ

Ah! n√£o ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!

O Poeta Pede a Seu Amor que lhe Escreva

Meu entranhado amor, morte que é vida,
tua palavra escrita em v√£o espero
e penso, com a flor que se emurchece
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem a sombra conhece nem a evita.
Coração interior não necessita
do mel gelado que a lua derrama.

Porém eu te suportei. Rasguei-me as veias,
sobre a tua cintura, tigre e pomba,
em duelo de mordidas e açucenas.

Enche minha loucura de palavras
ou deixa-me viver na minha calma
e para sempre escura noite d’alma.

Tradução de Oscar Mendes

Retrato Ardente

Entre os teus l√°bios
é que a loucura acode
desce à garganta,
invade a √°gua.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre l√°bios e l√°bios
toda a m√ļsica √© minha.

Guerra

Tanto é o sangue
que os rios desistem de seu ritmo,
e o oceano delira
e rejeita as espumas vermelhas.

Tanto é o sangue
que até a lua se levanta horrível,
e erra nos lugares serenos,
son√Ęmbula de aur√©olas rubras,
com o fogo do inferno em suas madeixas.

Tanta é a morte
que nem os rostos se conhecem, lado a lado,
e os pedaços de corpo estão por ali como tábuas sem uso.

Oh, os dedos com alian√ßas perdidos na lama…
Os olhos que j√° n√£o pestanejam com a poeira…
As bocas de recados perdidos…
O cora√ß√£o dado aos vermes, dentro dos densos uniformes…

Tanta é a morte
que só as almas formariam colunas,
as almas desprendidas… ‚ÄĒ e alcan√ßariam as estrelas.

E as m√°quinas de entranhas abertas,
e os cad√°veres ainda armados,
e a terra com suas flores ardendo,
e os rios espavoridos como tigres, com suas m√°culas,
e este mar desvairado de incêndios e náufragos,
e a lua alucinada de seu testemunho,
e nós e vós, imunes,
chorando,

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Oh Mil Vezes Feliz

Oh mil vezes feliz o que encerrado
Entre baixas paredes
O tormentoso Inverno alegre passa;
Que de um pequeno campo,
Que ele mesmo cultiva, se alimenta
Apascentando as vacas,
Que da m√£o paternal somente herdou
C’os dourados novilhos.
Enquanto sobre a terra se reclina
Dormindo descansado
Ao som das frescas √°guas de um regato,
Horrorosos cuidados
O n√£o vem perturbar no brando sono;
A sórdida cobiça
Lhe n√£o faz conceber vastos projectos;
N√£o pensa, n√£o intenta
Atravessar o Cabo tormentoso,
Sofrer chuvas e ventos,
Ouvir roncar as denegridas ondas,
E ver na feia noite
Entre nuvens a Lua ir escondendo
O macilento rosto,
Por ir comerciar cos pardos índios
E Chinas engenhosos.
A sede insaci√°vel de riquezas
N√£o faz que exponha a vida
Nos desertos sert√Ķes √†s verdes cobras,
E aos remendados tigres.
Ah ilustre Soeiro, doce Amigo,
O ouro de que serve,
Se os anos v√£o correndo t√£o velozes!
Se a morte n√£o consente,
Que a enrugada e p√°lida velhice
Com passos vagarosos
Nos venha coroar de níveas cãs?

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Cromo

andamos pelo mundo
experimentando a morte
dos brancos cabelos das palavras
atravessamos a vida com o nome do medo
e o consolo dalgum vinho que nos sustém
a urgência de escrever
n√£o se sabe para quem

o fogo a seiva das plantas eivada de astros
a vida policopiada e distribuída assim
atrav√©s da l√≠ngua… gratuitamente
o amargo sabor deste país contaminado
as manchas de tinta na boca ferida dos tigres de papel

enquanto durmo à velocidade dos pipelines
esboço cromos para uma colecção de sonhos lunares
e ao acordar… a incoerente cidade odeia
quem deveria amar

o tempo escoa-se na m√ļsica silente deste mar
ah meu amigo… como invejo essa tarde de fogo
em que apetecia morrer e voltar

Se quiseres dar um pontapé no rabo de um tigre, é melhor teres um plano para lidar com os seus dentes.

A bomba atómica é um tigre de papel que os reaccionários americanos usam para assustar as pessoas.

IV

Como a floresta secular, sombria,
Virgem do passo humano e do machado,
Onde apenas, horrendo, ecoa o brado
Do tigre, e cuja agreste ramaria

N√£o atravessa nunca a luz do dia,
Assim também, da luz do amor privado,
Tinhas o coração ermo e fechado,
Como a floresta secular, sombria…

Hoje, entre os ramos, a canção sonora
Soltam festivamente os passarinhos.
Tinge o cimo das √°rvores a aurora…

Palpitam flores, estremecem ninhos, . .
E o sol do amor, que n√£o entrava outrora,
Entra dourando a areia dos caminhos.

Esplêndida

Ei-la! Como vai bela! Os esplendores
Do l√ļbrico Versailles do Rei-Sol!
Aumenta-os com retoques sedutores.
√Č como o refulgir dum arrebol
Em sedas multicores.

Deita-se com langor no azul celeste
Do seu landau forrado de cetim;
E os seus negros corcéis que a espuma veste,
Sobem a trote a rua do Alecrim,
Velozes como a peste.

√Č fidalga e soberba. As incensadas
Dubarry, Montespan e Maintenon
Se a vissem ficariam ofuscadas
Tem a altivez magnética e o bem-tom
Das cortes depravadas.

√Č clara como os p√≥s √† marechala,
E as m√£os, que o Jock Club embalsamou,
Entre peles de tigres as regala;
De tigres que por ela apunhalou,
Um amante, em Bengala.

√Č ducalmente espl√™ndida! A carruagem
Vai agora subindo devagar;
Ela, no brilhantismo da equipagem,
Ela, de olhos cerrados, a cismar
Atrai como a voragem!

Os lacaios v√£o firmes na almofada;
E a doce brisa dá-lhes de través
Nas capas de borracha esbranquiçada,
Nos chapéus com reseta, e nas librés
De forma aprimorada.

E eu vou acompanhando-a,

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