Passagens sobre Abelhas

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Frases sobre abelhas, poemas sobre abelhas e outras passagens sobre abelhas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Devo-te

Devo-te tanto como um p√°ssaro
deve o seu voo à lavada
planície do céu.

Devo-te a forma
novíssima de olhar
teu corpo onde às vezes
desce o pudor o silêncio
de uma p√°lpebra mais nada.

Devo-te o ritmo
de peixe na palavra,
a genesíaca, doce
violência dos sentidos;
esta tinta de sol
sobre o papel de silêncio
das coisas – estes versos
doces, curtos, de abelhas
transportando o pólen
levíssimo do dia;
estas formigas na sombra
da própria pressa e entrando
todas em fila no tempo:
com uma pergunta fr√°gil
nas antenas, um recado invisível, o peso
que as deixa ser e esquece;
e a tua voz que compunha
uma casa, uma rosa
a toda a volta Рó meu amor vieste
rasgar um sol das minhas m√£os!

N√£o sou como a abelha saqueadora que vai sugar o mel de uma flor, e depois de outra flor. Sou como o negro escaravelho que se enclausura no seio de uma √ļnica rosa e vive nela at√© que ela feche as p√©talas sobre ele; e abafado neste aperto supremo, morre entre os bra√ßos da flor que elegeu.

A Elvira

(Lamartine)

Quando, contigo a sós, as mãos unidas,
Tu, pensativa e muda; e eu, namorado,
√Äs vol√ļpias do amor a alma entregando,
Deixo correr as horas fugidias;
Ou quando ‚Äėas solid√Ķes de umbrosa selva
Comigo te arrebato; ou quando escuto
‚ÄĒT√£o s√≥ eu, ‚ÄĒ teus tern√≠ssimos suspiros;
E de meus l√°bios solto
Eternas juras de const√Ęncia eterna;
Ou quando, enfim, tua adorada fronte
Nos meus joelhos trêmulos descansa,
E eu suspendo meus olhos em teus olhos,
Como às folhas da rosa ávida abelha;
Ai, quanta vez ent√£o dentro em meu peito
Vago terror penetra, como um raio!
Empalideço, tremo;
E no seio da glória em que me exalto,
L√°grimas verto que a minha alma assombram!
Tu, carinhosa e trêmula,
Nos teus bra√ßos me cinges, ‚ÄĒ e assustada,
Interrogando em v√£o, comigo choras!
‚ÄúQue dor secreta o cora√ß√£o te oprime?‚ÄĚ
Dizes tu, ‚ÄúVem, confia os teus pesares…
Fala! eu abrandarei as penas tuas!
Fala! Eu consolarei tua alma aflita.‚ÄĚ

Vida do meu viver, n√£o me interrogues!
Quando enlaçado nos teus níveos braços*
A confissão de amor te ouço,

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Língua Portuguesa

Da avena dos pastores, da harmonia
Que o vento imprime às palmas das palmeiras,
Do bramido do mar e das cachoeiras,
Da voz que impreca à voz que balbucia;

Do sol que fala quando nasce o dia,
Do luar que enche de unção as cordilheiras,
Vem este claro idioma, que é poesia
E alma das gentes luso-brasileiras.

Rumor de asas de abelha, um ru√≠do apenas…
Doce afago de arminhos e de penas,
Perd√£o, queixume, l√°grima, reclamo,

Ou grito estuante de alma incompreendida,
Do desgra√ßado: “Eu te condeno, √≥ vida!”
Do poeta que sofreu: “√ď vida, eu te amo!”

Sábado é a Rosa da Semana

Acho que s√°bado √© a rosa da semana; s√°bado de tarde a casa √© feita de cortinas ao vento, e algu√©m despeja um balde de √°gua no terra√ßo; s√°bado ao vento √© a rosa da semana; s√°bado de manh√£, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilh√£o em mim perdido: outras abelhas farejar√£o e no outro s√°bado de manh√£ vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas. No s√°bado √© que as formigas subiam pela pedra. Foi num s√°bado que vi um homem sentado na sombra da cal√ßada comendo de uma cuia de carne-seca e pir√£o; n√≥s j√° t√≠nhamos tomado banho. De tarde a campainha inaugurava ao vento a matin√™ de cinema: ao vento s√°bado era a rosa de nossa semana. Se chovia s√≥ eu sabia que era s√°bado; uma rosa molhada, n√£o √©? No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esfor√ßo met√°lico a semana se abre em rosa: o carro freia de s√ļbito e, antes do vento espantado poder recome√ßar, vejo que √© s√°bado de tarde. Tem sido s√°bado, mas j√° n√£o me perguntam mais. Mas j√° peguei as minhas coisas e fui para domingo de manh√£.

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V√īo como uma borboleta,pico como uma abelha, voc√™ n√£o pode bater no que n√£o pode ver!

Pode considerar-se o homem como um animal de espécie superior, que produz filosofias e poemas pouco mais ou menos como os bichos-da-seda fazem os casulos e como as abelhas fazem as colmeias.

A Escola Portuguesa

Eis as crianças vermelhas
Na sua hedionda pris√£o:
Doirado enxame de abelhas!
O mestre-escola é o zangão.

Em duros bancos de pinho
Senta-se a turba sonora
Dos corpos feitos de arminho,
Das almas feitas d’aurora.

Soletram versos e prosas
Horríveis; contudo, ao lê-las
Daquelas bocas de rosas
Saem murm√ļrios de estrela.

Contemplam de quando em quando,
E com inveja, Senhor!
As andorinhas passando
Do azul no livre esplendor.

Oh, que existência doirada
Lá cima, no azul, na glória,
Sem cartilhas, sem tabuada,
Sem mestre e sem palmatória!

E como os dias s√£o longos
Nestas pris√Ķes sepulcrais!
Abrem a boca os ditongos,
E as cifras tristes d√£o ais!

Desgraçadas toutinegras,
Que insuportáveis martírios!
Jo√£o F√©lix co’as unhas negras,
Mostrando as vogais aos lírios!

Como querem que despontem
Os frutos na escola alde√£,
Se o nome do mestre √© ‚ÄĒ Ontem
E o do disc√≠p’lo ‚ÄĒ Amanh√£!

Como é que há-de na campina
Surgir o trigal maduro,
Se é o Passado quem ensina
O b a ba ao Futuro!

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A Memória da Leitura

N√£o h√° talvez dias da nossa inf√Ęncia que tenhamos t√£o intensamente vivido como aqueles que julg√°mos passar sem t√™-los vivido, aqueles que pass√°mos com um livro preferido. Tudo quanto, ao que parecia, os enchia para os outros, e que afast√°vamos como um obst√°culo vulgar a um prazer divino: a brincadeira para a qual um amigo nos vinha buscar na passagem mais interessante, a abelha ou o raio de sol incomodativos que nos obrigavam a erguer os olhos da p√°gina ou a mudar de lugar, as provis√Ķes para o lanche que nos obrigavam a levar e que deix√°vamos ao nosso lado no banco, sem lhes tocar, enquanto, sobre a nossa cabe√ßa, o sol diminu√≠a de intensidade no c√©u azul, o jantar que motivara o regresso a casa e durante o qual s√≥ pens√°vamos em nos levantarmos da mesa para acabar, imediatamente a seguir, o cap√≠tulo interrompido, tudo isto, que a leitura nos devia ter impedido de perceber como algo mais do que a falta de oportunidade, ela pelo contr√°rio gravava em n√≥s uma recorda√ß√£o de tal modo doce (de tal modo mais preciosa no nosso entendimento actual do que o que l√≠amos ent√£o com amor) que, se ainda hoje nos acontece folhear esses livros de outrora,

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Czardas Para Serrotes Com Arcos De Violino E Berimbau De Lata

Esta anábase é de hora aberta desnudada
t√£o desmedida como foi a minha vida
de nada me arrependo apenas me perd√īo
por que meu v√īo nem sequer se iniciou

E dessas nuvens que me espaçam esgarçadas
trapos e cordas dissonantes dessa lira
s√£o acidentes de percurso em que recorro
como um Zen√£o o parafuso desse v√īo

Assim nessa colméia em ziper me percorro
como um zang√£o no zigue-zague nos hex√°gonos
ando à procura de uma abelha desvairada

que me acompanhe na aventura pelos p√Ęntanos
exorcizando a desrazão desses escorços
essa n√£o-ave desgarrada do meu nada

Vanda

Vanda! Vanda do amor, formosa Vanda,
Maku√Ęma gentil, de aspecto triste,
Deixe que o coração que tu poluíste
Um dia, se abra e revivesça e expanda.

Nesse teu l√°bio sem calor onde anda
A sombra v√£ de amores que sentiste
Outrora, acende risos que n√£o viste
Nunca e as tristezas para longe manda.

Esquece a dor, a l√ļbrica serpente
Que, embora esmaguem-lhe a cabeça ardente,
Agita sempre a cauda venenosa.

Deixa pousar na seara dos teus dias
A caravana irial das alegrias
Como as abelhas pousam numa rosa.

Mortalmente Compramos Ter Mais Vida que a Vida

A abelha que, voando, freme sobre
A colorida flor, e pousa, quase
Sem diferença dela
À vista que não olha,

Não mudou desde Cecrops. Só quem vive
Uma vida com ser que se conhece
Envelhece, distinto
Da espécie de que vive.

Ela é a mesma que outra que não ela.
S√≥ n√≥s ‚ÄĒ √≥ tempo, √≥ alma, √≥ vida, √≥ morte! ‚ÄĒ
Mortalmente compramos
Ter mais vida que a vida.

Rosa P√°lida

Rosa p√°lida, em meu seio
Vem, querida, sem receio
Esconder a aflita cor.
Ai!, a minha pobre rosa!
Cuida que é menos formosa
Porque desbotou de amor.

Pois sim… quando livre, ao vento,
Solta de alma e pensamento,
Forte de tua isenção,
Tinhas na folha incendida
O sangue, o calor e a vida
Que ora tens no coração.

Mas n√£o eras, n√£o, mais bela,
Coitada, coitada dela,
A minha rosa gentil!
Coravam-na ent√£o desejos,
Desmaiam-na agora os beijos…
Vales mais mil vezes, mil.

Inveja das outras flores!
Inveja de quê, amores?
Tu, que vieste dos Céus,
Comparar tua beleza
Às filhas da natureza!
Rosa, n√£o tentes a Deus.

E vergonha!… de qu√™, vida?
Vergonha de ser querida,
Vergonha de ser feliz!
Porqu√™?… porqu√™ em teu semblante
A p√°lida cor da amante
A minha ventura diz?

Pois, quando eras t√£o vermelha
N√£o vinha z√Ęng√£o e abelha
Em torno de ti zumbir?
N√£o ouvias entre as flores
Histórias dos mil amores
Que n√£o tinhas,

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