Cita√ß√Ķes sobre Abelhas

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Frases sobre abelhas, poemas sobre abelhas e outras cita√ß√Ķes sobre abelhas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Como a abelha trabalha na escuridão, o pensamento trabalha no silêncio e a virtude no segredo.

Flores Velhas

Fui ontem visitar o jardinzinho agreste,
Aonde tanta vez a lua nos beijou,
E em tudo vi sorrir o amor que tu me deste,
Soberba como um sol, serena como um v√īo.

Em tudo cintilava o límpido poema
Com ósculos rimado às luzes dos planetas:
A abelha inda zumbia em torno da alfazema;
E ondulava o matiz das leves borboletas.

Em tudo eu pude ver ainda a tua imagem,
A imagem que inspirava os castos madrigais;
E as vibra√ß√Ķes, o rio, os astros, a paisagem,
Traziam-me à memória idílios imortais.

E nosso bom romance escrito num desterro,
Com beijos sem ruído em noites sem luar,
Fizeram-mo reler, mais tristes que um enterro,
Os goivos, a baunilha e as rosas-de-toucar.

Mas tu agora nunca, ah! Nunca mais te sentas
Nos bancos de tijolo em musgo atapetados,
E eu não te beijarei, às horas sonolentas,
Os dedos de marfim, polidos e delgados…

Eu, por n√£o ter sabido amar os movimentos
Da estrofe mais ideal das harmonias mudas,
Eu sinto as decep√ß√Ķes e os grandes desalentos
E tenho um riso meu como o sorrir de Judas.

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Ninho Abandonado

À distinta família Simas, pela morte de seu chefe,
o Ilmo. Sr. Jo√£o da Silva Simas.

O vosso lar harm√īnico e tranq√ľilo
Era um ninho de luz e de esperanças
Que como abelhas iriadas, mansas,
Nos vossos cora√ß√Ķes tinham asilo.

Havia lá por dentro tanta crença
E tanto amor puríssimo, cantando,
Que parecia um largo sol faiscando
Por majestosa catedral imensa.

Agora o ninho est√° desamparado!
Sumiu-se dele o p√°ssaro adorado,
O mais ideal dos p√°ssaros do ninho.

N√£o se ouve mais a m√ļsica sonora
Da sua voz — dentro do ninho, agora,
Paira a saudade como um bom carinho.

As Tuas L√°grimas

As tuas lágrimas respiram e florescem, o lugar onde te sentas é o rio que corre em sobressalto por dentro de uma árvore, seiva renovada que transporta palavras até às folhas felizes de~um amor demorado e ainda puro. E essa ávore fala através das tuas palavras, demora-se em conversas com as abelhas, com os gaios, com o vento.
As tuas l√°grimas iluminam as p√°ginas alucinadas dos livros de poesia, e as mesas claras t√£o cheias de frutos que se assemelham a fogueiras ruivas, alimento privilegiado de um imenso e intenso drag√£o que me aquece o sangue.
As tuas lágrimas transbordam os grandes lagos dos meus olhos e eu choro contigo os grandes peixes da ternura, esses mesmos peixes que são os arquitectos perturbados de uma relação sem tempo mas alimentada por primaveras que de tão altas são inquestionáveis.
As tuas l√°grimas fertilizam as searas celestes, arrefecem o movimento dos vulc√Ķes, absorvem toda a beleza do arco-√≠ris, embebedam-se com a do√ßura das estrelas. E s√£o oferendas √† m√£e terra, o reconhecimento final do princ√≠pio do nosso pequeno mundo. As tuas l√°grimas s√£o minhas amigas. S√£o as minhas l√°grimas. A forma de chorar-te cheio de alegria, ferido por esta felicidade de amar-te muito,

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Aqui Mereço-te

O sabor do p√£o e da terra
e uma luva de orvalho na m√£o ligeira.
A flor fresca que respiro é branca.
E corto o ar como um p√£o enquanto caminho entre searas.
Pertenço em cada movimento a esta terra.
O meu suor tem o gosto das ervas e das pedras.
Sorvo o silêncio visivel entre as árvores.
√Č aqui e agora o dilatado abra√ßo das ra√≠zes claras do sono.
Sob as p√°lpebras transparentes deste dia
o ar é o suspiro dos próprios lábios.
Amar aqui é amar no mar,
mas com a resistência das paredes da terra.

A m√£o flui liberta t√£o livre como o olhar.
Aqui posso estar seguro e leve no silêncio
entre calmas formas, matérias densas, raízes lentas,
ao fogo esparso que alastra ao horizonte.
No meu corpo acende-se uma pequena l√Ęmpada.
Tudo o que eu disser s√£o os l√°bios da terra,
o leve martelar das línguas de água,
as feridas da seiva, o estalar das crostas,
o murm√ļrio do ar e do fogo sobre a terra,
o incessante alimento que percorre o meu corpo.

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Uma abelha que não fizesse nem mel nem cera, uma andorinha que não construísse o ninho, uma galinha que nunca pusesse, romperiam a sua lei natural, que é o instinto. Os homens insociáveis corrompem o instinto da natureza humana.

Destino

Quem disse à estrela o caminho
Que ela há-de seguir no céu?
A fabricar o seu ninho
Como é que a ave aprendeu?
Quem diz √† planta ¬ęFlorece!¬Ľ
E ao mudo verme que tece
Sua mortalha de seda
Os fios quem lhos enreda?

Ensinou alguém à abelha
Que no prado anda a zumbir
Se à flor branca ou à vermelha
O seu mel h√°-de ir pedir?
Que eras tu meu ser, querida,
Teus olhos a minha vida,
Teu amor todo o meu bem…
Ai!, não mo disse ninguém.

Como a abelha corre ao prado,
Como no céu gira a estrela,
Como a todo o ente o seu fado
Por instinto se revela,
Eu no teu seio divino .
Vim cumprir o meu destino…
Vim, que em ti só sei viver,
Só por ti posso morrer.

Do Meu Tempo

Quando eu era menino e tinha cheia
A alma de sonhos bons e, fugidio,
Como a abelha que voa da colmeia,
Andava a errar do canavial bravio;

Quando em noites de junho o luar macio
Punha um lençol de rendas sobre a areia,
Tiritava de medo ouvindo o pio
Da coruja mais l√ļgubre da aldeia.

Feliz! Bendita essa primeira idade!
Andava como quem anda sonhando
De olhos abertos, com a felicidade.

Dormia tarde e enquanto eu n√£o dormia,
Mam√£e rezava o padre-nosso e quando
Me mandava rezar, eu n√£o sabia.

Contra a Esperança

√Č preciso esperar contra a esperan√ßa.
Esperar, amar, criar
contra a esperança
e depois desesperar a esperança
mas esperar,
enquanto um fio de √°gua, um remo,
peixes
existem e sobrevivem
no meio dos litígios;
enquanto bater a m√°quina de coser
e o dia dali sair
como um colete novo.

√Č preciso esperar
por um pouco de vento,
um toque de manh√£s.
E n√£o se espera muito.
Só um curto-circuito
na lembrança. Os cabelos,
ninhos de andorinhas
e chuvas. A esperança,
cachorro
a correr sobre o campo
e uma pequena lebre
que a noite em v√£o esconde.

O universo é um telhado
com sua calha t√£o baixo
e as estrelas, enxame
de abelhas na ponta.

√Č preciso esperar contra a esperan√ßa
e ser a m√£o pousada
no leme de sua lança.

E o peito da esperança
é não chegar;
seu rosto é sempre mais.
√Č preciso desesperar
a esperança
como um balde no mar.

Um balde a mais
na esperança.

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Rosa sem Espinhos

Para todos tens carinhos,
A ninguém mostras rigor!
Que rosa és tu sem espinhos?
Ai, que n√£o te entendo, flor!

Se a borboleta vaidosa
A desdém te vai beijar,
O mais que lhe fazes, rosa,
√Č sorrir e √© corar.

E quando a sonsa da abelha,
T√£o modesta em seu zumbir,
Te diz: ¬ę√ď rosa vermelha,
¬Ľ Bem me podes acudir:

¬Ľ Deixa do c√°lix divino
¬Ľ Uma gota s√≥ libar…
¬Ľ Deixa, √© n√©ctar peregrino,
¬Ľ Mel que eu n√£o sei fabricar …¬Ľ

Tu de l√°stima rendida,
De maldita compaix√£o,
Tu √† s√ļplica atrevida
Sabes tu dizer que n√£o?

Tanta l√°stima e carinhos,
Tanto dó, nenhum rigor!
√Čs rosa e n√£o tens espinhos!
Ai !, que n√£o te entendo, flor.

O Homem Corrige Deus

N√≥s encontramos o soldado em v√°rias esp√©cies inferiores. A formiga tem ex√©rcitos e creio que pol√≠cia civil. Qualquer obscuro passarinho √© um aut√™ntico Bleriot. N√£o h√° industrial alem√£o que se aproxime da abelha. O canto do galo e os versos da Il√≠ada. Jo√£o de Deus e o rouxinol, o castor e o arquitecto, a sub-marinha e os tubar√Ķes, representam cousas e criaturas que se confundem…
Mas o Fil√≥sofo revela-se apenas no homem. A Filosofia √© o sinal luminoso que o destaca da mesquinha escuridade ambiente… S√≥ o homem √© suscept√≠vel de magicar, de refazer a Cria√ß√£o √† sua imagem… O homem corrige Deus.

Para As Raparigas de Coimbra

1

√ď choupo magro e velhinho,
Corcundinha, todo aos nós:
√Čs tal qual meu av√īzinho,
Falta-te apenas a voz.

2

Minha capa vos acoite
Que √© p’ra vos agazalhar:
Se por fóra é cor da noite,
Por dentro √© cor do luar…

3

√ď sinos de Santa Clara,
Por quem dobraes, quem morreu?
Ah, foi-se a mais linda cara
Que houve debaixo do céu!

4

A sereia é muito arisca,
Pescador, que est√°s ao sol:
N√£o cae, tolinho, a essa isca…
Só pondo uma flor no anzol!

5

A lua é a hostia branquinha,
Onde est√° Nosso Senhor:
√Č d’uma certa farinha
Que n√£o apanha bolor!

6

Vou a encher a bilha e trago-a
Vazia como a levei!
Mondego, qu’√© da tua agoa?
Qu’√© dos prantos que eu chorei?

7

A cabra da velha Torre,
Meu amor, chama por mim:
Quando um estudante morre,
Os sinos chamam, assim.

8

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