Cita√ß√Ķes sobre Alvo

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Frases sobre alvo, poemas sobre alvo e outras cita√ß√Ķes sobre alvo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Sabedoria e a Alegria

Vou ensinar-te agora o modo de entenderes que n√£o √©s ainda um s√°bio. O s√°bio aut√™ntico vive em plena alegria, contente, tranquilo, imperturb√°vel; vive em p√© de igualdade com os deuses. Analisa-te ent√£o a ti pr√≥prio: se nunca te sentes triste, se nenhuma esperan√ßa te aflige o √Ęnimo na expectativa do futuro, se dia e noite a tua alma se mant√©m igual a si mesma, isto √©, plena de eleva√ß√£o e contente de si pr√≥pria, ent√£o conseguiste atingir o m√°ximo bem poss√≠vel ao homem! Mas se, em toda a parte e sob todas as formas, n√£o buscas sen√£o o prazer, fica sabendo que t√£o longe est√°s da sabedoria como da alegria verdadeira. Pretendes obter a alegria, mas falhar√°s o alvo se pensas vir a alcan√ß√°-la por meio das riquezas ou das honras, pois isso ser√° o mesmo que tentar encontrar a alegria no meio da ang√ļstia; riquezas e honras, que buscas como se fossem fontes de satisfa√ß√£o e prazer, s√£o apenas motivos para futuras dores.
Toda a gente, repito, tende para um objectivo: a alegria, mas ignora o meio de conseguir uma alegria duradoura e profunda. Uns procuram-na nos banquetes, na libertinagem; outros, na satisfa√ß√£o das ambi√ß√Ķes, na multid√£o ass√≠dua dos clientes;

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Ode à Amizade

Se depois do infort√ļnio de nascermos
Escravos da Doença e dos Pesares
Alvos de Invejas, alvos de Cal√ļnias
Mostrando-nos a campa
A cada passo aberta o Mar e a Terra;
Um raio despedido, fuzilando
Terror e morte, no rasgar das nuvens
O tenebroso seio
A Divina Amizade n√£o viera
Com piedosa m√£o limpar o pranto,
Embotar com dulcíssono conforto
As lanças da Amargura;
O Sábio espedaçara os nós da vida
Mal que a Razão no espelho da Experiência
Lhe apontasse apinhados inimigos
C’o as cruas m√£os armadas;
Terna Amizade, em teu altar tranquilo
Ponho ‚ÄĒ por que hoje, e sempre arda perene
O vago coração, ludíbrio e jogo
Do zombador Tirano.
Amor me deu a vida: a vida enjeito,
Se a Amizade a n√£o doura, a n√£o afaga;
Se com mais fortes nós, que a Natureza,
Lhe n√£o ata os instantes.
Que só ditosos são na aberta liça
Dois mortais, que nos braços da Amizade,
Estreitos se unem, bebem de teu seio
Nect√°rea valentia.
Tu cerceias o mal, o bem dilatas,
E as almas que cultivas cuidadosa,

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Os Malefícios da Rivalidade na Escola

Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar.
A mesquinhez de uma vida em que os outros n√£o aparecem como colaboradores, mas como inimigos, n√£o pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma vis√£o mais ampla do mundo; esfor√ßo de vencer, temor de ser vencido; √© j√° todo o temperamento de ¬ęstruggle¬Ľ que se afina na escola e lan√ßar√° amanh√£ sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam.
Quem n√£o sabe combater ou n√£o tem interesse pela luta ficar√° para tr√°s, entre os piores; e √© certamente esta predomin√Ęncia dada ao esp√≠rito de batalha um dos grandes malef√≠cios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos;

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Primeiro Round

Caminho o transit√≥rio bem tranq√ľilo
por que me soube, desde muito cedo,
flecha veloz, arco e alvo, num estilo
de quem despe o taxímetro do enredo

numa velocidade sem sigilo.
Nunca o subterf√ļgio. Nunca o medo.
Pelo menos aquele com vacilo
de transgredir. N√£o. Nem me sei rochedo.

Meu corpo alberga o fr√°gil nesse asilo
em que só vencedores têm lugar.
Sou campe√£o de perdas. Foi cochilo,

creio, me ter um sócio do bazar
de Fernando Pessoa. Sim, pugilo
pelos ringues, no entanto, sem ganhar.

Bailados do Luar

Pétalas de rosas
tombam lentamente, silenciosas…
E de vagar
vem entrando
a far√Ęndola r√≠tmica
e silente
dos g√≥ticos bailados do luar!…

Sobre as dobras macias
e assediantes
da seda do meu leito desmanchado,
esguias sombras
adelgaçando afagos,
poisam no meu peito desvestido…
E a boca hipnótica e algente
do meu luarento amante,
vai esculpindo o meu corpo
p√°lido e vencido!…

No espaço azul e vago,
esvoaça subtiltmente
a cálida lembrança
da tua voz!

Busco a verdade viva do teu beijo
e encontro apenas
esta estranha heresia,
crispando o alvo recorte
do meu corpo magoado!…

Estilhaçam-se, vibrando
numa √Ęnsia doentia,
os meus nervos nost√°lgicos,
irreverentes
empalidecendo
em dolências inocentes
o rubor do meu desejo
insaciado…

As rosas v√£o tombando lentamente,
devagar,
sobre a carícia dormente
e embruxada…
dos esp√°smicos beijos do luar…
Oiço a tua voz
em toda a parte!

E perco-me dentro dos meus próprios braços,
tumultuosos e exigentes,

a procurar-te!

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Foi Contigo que Aprendi a Amar

Foi contigo que aprendi a cidade,
sílaba a sílaba,
pedra, aço e lascas de cristal.

A cidade dos p√°ssaros interditos
na ocasionalidade
de um galho por acaso.

A cidade das buganvílias
viol√°ceas de medo,
excrescentes de lirismo.

A cidade dos p√£es calcetados
e dos meninos que, de
fome, os apetecem.

A cidade das culatras
inevit√°veis
para o alvo que lhes sobra.

A cidade protestada a prazo
de um dia
de nunca mais.

A cidade geometrizada
na infalibilidade
dos seus labirintos.

Foi contigo, foi.
Foi contigo que aprendi a amar
desordenadamente.

Moças na Praia

Nem sombra de mangas penugem
sol talvez a asa de uma andorinha

(a ferir guitarra). Brilhando

no meio dos peixes as pernas folhas
que a noite aconchegou. A dist√Ęncia

(ao vivo) entre a humidade e o

desejo inapreensível. Os seios
(o alvo) rumor de bebidas no parque

à espera do conhecimento hora e corpo

(os corpos) a crescerem maduros
contra a morte.

Sinto de vez em quando uma infelicidade que quase me deslumbra, e ao mesmo tempo estou convencido da sua necessidade e da existência de um alvo em direcção ao qual nos encaminhamos ao suportar toda a espécie de infelicidade.

Ser Marginal

Ser marginal. N√£o ser fora-da-lei por desprezo da norma comum. Por amoralidade, miserabilismo, ou abjec√ß√£o. Ser apenas do lado da vida em que n√£o passa muita gente, se √© quase an√≥nimo, fora do alvo que √© visado pela notoriedade, curiosidade p√ļblica, grande reputa√ß√£o. Ser em humildade, na discri√ß√£o de n√≥s, na curta dimens√£o de n√≥s. N√£o √© por comodismo, orgulhosa mod√©stia, ressentimento. N√£o por nada disso ou outras coisas disso, mas s√≥ para nos n√£o perdermos de n√≥s, n√£o nos esbanjarmos na invas√£o da dissipa√ß√£o alheia. N√£o por nada disso mas s√≥ pela economia do pouco que nos pertence e mal d√° para abastecer uma vida. Ser marginal – s√™ marginal. Afecta a ti pr√≥prio o espa√ßo que √© para ti e para ti te foi dado. Na intimidade de ti, na reserva de ti, na pobreza de ti. O mais que viesse e te invadisse o teu espa√ßo, que √© que te dava? A amplia√ß√£o do teu rumor na amplifica√ß√£o alheia dele, seria alheio e n√£o teu. A tua voz √© breve, n√£o a amplies ao que n√£o √©. E o teu pensar, o teu sentir, o teu ser. N√£o os sejas mais do que √©s. E ent√£o verdadeiramente ser√°s.

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O Professor como Mestre

N√£o me basta o professor honesto e cumpridor dos seus deveres; a sua norma √© burocr√°tica e vejo-o como pouco mais fazendo do que exercer a sua profiss√£o; estou pronto a conceder-lhe todas as qualidades, uma relativa intelig√™ncia e aquele saber que lhe assegura superioridade ante a classe; acho-o digno dos louvores oficiais e das aten√ß√Ķes das pessoas mais s√©rias; creio mesmo que tal distin√ß√£o foi expressamente criada para ele e seus pares. De resto, √© sempre poss√≠vel a compara√ß√£o com tipos inferiores de humanidade; e ante eles o professor exemplar aparece cheio de m√©rito. Simplesmente, notaremos que o ser mestre n√£o √© de modo algum um emprego e que a sua actividade se n√£o pode aferir pelos m√©todos correntes; ganhar a vida √© no professor um acr√©scimo e n√£o o alvo; e o que importa, no seu ju√≠zo final, n√£o √© a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente h√°-de pesar na balan√ßa √© a pedra que lan√ßou para os alicerces do futuro.
A sua contribuição terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama;

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O jornalista atribui a si mesmo uma missão, e essa missão tem notáveis semelhanças com uma operação de guerra: trata-se de conquistar audiências, bombardear com notícias num tempo precioso e milimetricamente calculado. O jornalista está em cima do acontecimento como se o evento fosse um alvo preciso. O acontecimento é a presa dessa aranha que é o repórter, nessa teia noticiosa que dá a volta ao planeta.

Suporte Real para a Emoção

Um fidalgo dos nossos, extremamente sujeito √† gota, sendo pressionado pelos m√©dicos a abandonar totalmente o uso das carnes salgadas, acostumara-se a responder muito espirituosamente que desejava ter o que culpar pelos ataques e tormentos do mal e que vituperando e maldizendo ora o salsich√£o, ora a l√≠ngua de boi e o presunto, sentia-se proporcionalmente aliviado. Mas, seriamente, assim como o bra√ßo que √© erguido para bater nos d√≥i se o golpe falhar e ele for ao vento; e assim como para tornar agrad√°vel uma vista √© preciso que ela n√£o esteja perdida e isolada no vazio do ar, mas tenha uma proemin√™ncia para apoi√°-la a razo√°vel dist√Ęncia,

Assim como o vento, se espessas florestas n√£o lhe op√Ķem resist√™ncia, perde as for√ßas e se dissipa no espa√ßo vazio… (Lucano)

Da mesma forma parece que a alma estimulada e posta em movimento se perde em si mesma se não lhe dermos uma presa: é preciso sempre fornecer-lhe um objecto sobre o qual ela se lance e actue.
Diz Plutarco, a prop√≥sito dos que se afei√ßoam a macacos e cachorrinhos, que a parte amorosa que existe em n√≥s, na falta de um alvo leg√≠timo, em vez de ficar in√ļtil forja assim para si um alvo falso e f√ļtil.

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√Āfrica

Na partilha das s√°faras conquistas
Desta Líbia de mouros rancorosos,
O Deserto foi dado aos Poderosos
E o Oásis, florido e mínimo, aos Artistas.

E os felizes, quais s√£o? Os mil sofistas
Da Ventura, a pedir, de olhos gulosos,
Terra e mais terra? Ou o que limita os gozos
E em sete palmos acomoda as vistas?

Certo, não sereis vós, ó Donatários
Do alvo Deserto, que velais, em guerra,
A √°urea carga dos vossos dromed√°rios.

Mas, tu, ó Poeta, que, por onde fores,
Teus sete palmos h√°s de achar na terra
Abrindo em trigo, rebentado em flores!

Dev√≠amos morrer de desespero, quando descobrimos que o que t√≠nhamos tomado por alvo dos nossos pensamentos, dos nossos desejos, dos nossos sonhos, n√£o existe, ou n√£o √© mais do que um nevoeiro a que a dist√Ęncia empresta formas fant√°sticas.

A gente tem que mirar no alvo e atirar, pronto, foi. A flecha n√£o volta. Se acertamos ou erramos, n√£o tem volta. Foi assim que levei a vida.

2A Sombra – B√°rbara

Erguendo o c√°lix que o Xerez perfuma.
Loura a trança alastrando-lhe os joelhos,
Dentes níveos em lábios tão vermelhos,
Como boiando em purpurina escuma;

Um dorso de Valqu√≠ria… alvo de bruma,
Pequenos pés sob infantis artelhos,
Olhos vivos, t√£o vivos, como espelhos,
Mas como eles também sem chama alguma;

Garganta de um palor alabastrino,
Que harmonias e m√ļsicas respira…
No l√°bio – um beijo… no beijar – um hino;

Harpa eólia a esperar que o vento a fira,
– Um peda√ßo de m√°rmore divino…
– √Č o retrato de B√°rbara – a Hetaira.