Passagens sobre Armas

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Frases sobre armas, poemas sobre armas e outras passagens sobre armas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

As Facas

Quatro letras nos matam quatro facas
que no corpo me gravam o teu nome.
Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.

Este amor é de guerra. (De arma branca).
Amando ataco amando contra-atacas
este amor é de sangue que não estanca.
Quatro letras nos matam quatro facas.

Armado estou de amor. E desarmado.
Morro assaltando morro se me assaltas.
E em cada assalto sou assassinado.

Quatro letras amor com que me matas.
E as facas ferem mais quando me faltas.
Quatro letras nos matam quatro facas.

À Variedade do Mundo

Este nasce, outro morre, acol√° soa
Um ribeiro que corre, aqui suave,
Um rouxinol se queixa brando e grave,
Um le√£o c’o rugido o monte atroa.

Aqui corre uma fera, acol√° voa
C’o gr√£ozinho na boca ao ninho √ľa ave,
Um demba o edifício, outro ergue a trave,
Um caça, outro pesca, outro enferoa.

Um nas armas se alista, outro as pendura
An soberbo Ministro aquele adora,
Outro segue do Paço a sombra amada,

Este muda de amor, aquele atura.
Do bem, de que um se alegra, o outro chora…
Oh mundo, oh sombra, oh zombaria, oh nada!

Quem se recusa o prazer, quem se faz de monge, em qualquer sentido, √© porque tem uma capacidade enorme para o prazer, uma capacidade perigosa ‚Äď da√≠ um temor maior ainda. S√≥ quem guarda as armas √† chave √© quem receia atirar sobre todos.

Reflex√Ķes sobre a Guerra

As vantagens do aumento da amplitude das unidades sociais s√£o principalmente evidentes em caso de guerra. De resto, a guerra foi em todos os tempos a causa principal desse crescimento, da transforma√ß√£o das fam√≠lias em tribos, das tribos em na√ß√Ķes e das na√ß√Ķes em coliga√ß√Ķes. Nas muito embora seja grande o interesse das na√ß√Ķes poderosas em triunfar, algumas come√ßam a compreender que h√° qualquer coisa prefer√≠vel √† pr√≥pria vit√≥ria, que √© evitar a guerra. No passado, a guerra era √†s vezes uma empresa proveitosa. A Guerra dos Sete Anos, por exemplo, proporcionou aos ingleses excelente rendimento em rela√ß√£o ao capital nela empregado, e os lucros conseguidos pelos vencedores nas guerras primitivas foram ainda mais evidentes. Mas o mesmo n√£o sucede nos conflitos modernos, por duas raz√Ķes principais: primeiro, porque os armamentos se tornaram extremamente caros; segundo, porque os grupos sociais envolvidos numa guerra moderna s√£o muito importantes.
√Č um erro pensar que a guerra moderna √© mais destruidora de vidas do que o foram os conflitos menos importantes de outrora. Antigamente, a percentagem das perdas em rela√ß√£o aos efectivos envolvidos na luta era por vezes t√£o elevada como hoje; e al√©m das perdas em combate, as mortes causadas pelas epidemias eram em geral numerosas.

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N√£o Posso Adiar o Amor

Não posso adiar o amor para outro século
n√£o posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

N√£o posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o rneu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

Palavra de Homem

Um pouco de amargura n√£o resolve.
Um pouco de amargura
se dissolve,
se nesta cidade
n√£o conheces o outro
que est√° perto e pouco.

A palavra de homem em tua boca
espera a palavra e o nome
de peso e cobre.
Espera a voz do outro
que acusa a palavra pouca
e explode a armadura
dessa amargura rouca.

Falar n√£o salva o homem.
– Est√°s na outra
palavra do outro
perto e solto.
Falar n√£o abre a porta
n√£o abre a cela
n√£o salva o foco
de tuas chagas.
Falar só salva, salvo
se o outro
do outro lado
fale por tua boca:
– a fala pouca
que te dissolve
a arma pura
desta amargura
que n√£o resolve.

A Realidade é Mais Poderosa que Qualquer Literatura

Eu costumava pensar que podia compreender tudo e exprimir tudo. Ou quase tudo. Eu lembro-me que quando estava a escrever o meu livro sobre a guerra no Afeganist√£o, Zinky Boys, que fui ao Afeganist√£o e eles mostraram-me algumas das armas estrangeiras que tinham sido capturadas aos combatentes afeg√£os. Fiquei espantada com a perfei√ß√£o das suas formas, e quanto perfeitamente um pensamento humano poderia ser expresso. Havia um oficial ao meu lado que disse: “Se algu√©m pisar esta mina italiana que voc√™ diz que √© t√£o bonita que parece uma decora√ß√£o de Natal, n√£o restaria mais nada deles al√©m de um balde de carne. Voc√™ teria que rasp√°-los do ch√£o com uma colher. ” Quando me sentei para escrever isto, foi a primeira vez que eu pensei, “Isto √© algo que devo dizer?” Eu tinha sido educada na grande literatura russa, pensei que poderia ir muito muito longe, e ent√£o escrevi sobre aquela carne. Mas a Zona – √© um mundo √† parte, um mundo dentro do resto do mundo – e √© mais poderoso do que qualquer coisa que a literatura tenha a dizer.

Política de Interesse

Em Portugal n√£o h√° ci√™ncia de governar nem h√° ci√™ncia de organizar oposi√ß√£o. Falta igualmente a aptid√£o, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento pol√≠tico das na√ß√Ķes.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A pol√≠tica √© uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contradit√≥rias; ali dominam as m√°s paix√Ķes; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali h√° a posterga√ß√£o dos princ√≠pios e o desprezo dos sentimentos; ali h√° a abdica√ß√£o de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores √°speros; h√° a tristeza e a mis√©ria; dentro h√° a corrup√ß√£o, o patrono, o privil√©gio. A refrega √© dura; combate-se, atrai√ßoa-se, brada-se, foge-se, destr√≥i-se, corrompe-se. Todos os desperd√≠cios, todas as viol√™ncias, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
√Ä escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (…) todos querem penetrar na arena,

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A Brevidade da Vida

MANIFESTA-SE A PR√ďPRIA BREVIDADE DA VIDA, SEM PENSAR E COM PADECER, ASSALTADA PELA MORTE

Foi sonho ontem: ser√° amanh√£ terra;
pouco antes, nada; pouco depois, fumo;
e destino ambi√ß√Ķes, at√© presumo
nem um momento o cerco que me encerra.

Breve combate de importuna guerra,
p’ra defender-me, sou perigo sumo;
quando com minhas armas me consumo,
menos me hospeda o corpo, que me enterra.

Foi-se o ontem; amanhã é esperado;
hoie passa, e é, e foi com movimento
que me conduz à morte despenhado.

Enxadas s√£o a hora e o momento;
pagas por minha pena e meu cuidado,
cavam em meu viver meu monumento.

Tradução de José Bento

N√£o Julgues Segundo a Soma

N√£o h√°s-de julgar segundo a soma. Vens-me dizer que n√£o h√° nada a esperar daqueles acol√°. S√£o grosseria, gosto do lucro, ego√≠smo, aus√™ncia de coragem, fealdade. Mas se me podes falar assim das pedras, as quais s√£o rudeza, peso morno e espessura, j√° o n√£o podes daquilo que tiras das pedras: est√°tua ou templo. Quase nunca vi o ser comportar-se como o teriam feito prever as suas partes. Se pegares em vizinhos √† parte, vir√°s a concluir que cada um deles odeia a guerra e n√£o est√° disposto a abandonar o lar, porque ama os filhos e a esposa e as refei√ß√Ķes de anivers√°rio; nem a derramar o sangue, porque √© bom, d√° de comer ao c√£o e faz car√≠cias ao burro, nem a roubar outrem, pois tu bem v√™s que ele apenas preza a sua pr√≥pria casa e puxa o lustro √†s suas madeiras e manda pintar as paredes e perfuma o jardim de flores.
E dir-me-√°s: ¬ęEles representam no mundo o amor √† paz…¬Ľ No entanto, o imp√©rio deles n√£o passa de uma grande terrina onde se vai cozendo a guerra. E a bondade deles e a do√ßura deles pelo animal ferido e a emo√ß√£o deles √† vista de flores n√£o passam de ingrediente de uma magia que prepara o tilintar das armas,

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A Dialéctica é o Último Recurso

A dial√©ctica s√≥ se adopta quando n√£o se pode utilizar nenhum outro meio. Sabe-se que com ela se inspira desconfian√ßa, que ela persuade pouco. Nada √© mais f√°cil de suprimir que o efeito de um dial√©ctico: a experi√™ncia de toda a reuni√£o em que haja discursos prova-o. A dial√©ctica s√≥ pode ser um recurso coagido, nas m√£os dos que n√£o t√™m j√° outras armas. √Č preciso que se tenha de conseguir pela for√ßa os pr√≥prios direitos: antes n√£o se faz nenhum uso dela.

Quem Aprendeu a Morrer Desaprendeu de Servir

Os homens v√£o, v√™m, andam, dan√ßam, e nenhuma not√≠cia de morte. Tudo isso √© muito bonito. Mas, tamb√©m quando ela chega, ou para eles, ou para as suas mulheres, filhos e amigos, surpreendendo-os imprevistamente e sem defesa, que tormentos, que gritos, que dor e que desespero os abatem! J√° vistes algum dia algo t√£o rebaixado, t√£o mudado, t√£o confuso? √Č preciso preparar-se mais cedo para ela; e essa despreocupa√ß√£o de animal, caso pudesse instalar-se na cabe√ßa de um homem inteligente, o que considero inteiramente imposs√≠vel, vende-nos caro demais a sua mercadoria. Se fosse um inimigo que pud√©ssemos evitar, eu aconselharia a adoptar as armas da cobardia. Mas, como isso n√£o √© poss√≠vel, como ele vos alcan√ßa fugitivo e poltr√£o tanto quanto corajoso, De facto ele persegue o cobarde que lhe foge, e n√£o poupa os jarretes e o dorso poltr√£o de uma juventude sem coragem (Hor√°cio), e que nenhuma ilus√£o de coura√ßa vos encobre, In√ļtil esconder-se prudentemente sob o ferro e o bronze: a morte saber√° fazer-se exp√īr √† cabe√ßa que se esconde (Prop√©rcio), aprendamos a enfrent√°-lo de p√© firme e a combat√™-lo. E, para come√ßar a roubar-lhe a sua maior vantagem contra n√≥s, tomemos um caminho totalmente contr√°rio ao habitual.

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A Suprema Vantagem do Homem sobre todos os Seres

Foi para o ser capaz de adquirir o maior n√ļmero de artes que a natureza deu a ferramenta que √©, de longe, a mais √ļtil: a m√£o. E os que pretendem que o homem, longe de ser bem constitu√≠do, √© o mais mal munido dos animais – dizem, na verdade, que ele nada tem nos p√©s, que √© nu e n√£o possui armas para a luta – est√£o errados: ou outros, de facto, disp√Ķem de um √ļnico recurso que n√£o podem trocar por um outro, e precisam, por assim dizer, de permanecer cal√ßados para dormir ou para fazer tudo, jamais podem tirar a armadura que t√™m ao redor do corpo e jamais conseguem trocar a arma de que foram dotados pelo destino; o homem, pelo contr√°rio, disp√Ķe de m√ļltiplos meios de defesa e tem sempre a possibilidade de troc√°-los, assim como pode possuir a arma que deseja e no momento que deseja. A m√£o, de facto, torna-se garras, presas ou chifres, e tamb√©m pega na lan√ßa, na espada, ou e qualquer outra arma ou ferramenta, e ela √© tudo isso porque pode pegar e segurar tudo.

Sempre se admitiu que a poesia participava do divino porque eleva e arma o espírito submetendo a aparência das coisas aos desejos da alma, enquanto a razão constrange e submete o espírito à natureza das coisas.

O Destino Desconhece a Linha Recta

O destino, isso a que damos o nome de destino, como todas as coisas deste mundo, n√£o conhece a linha recta. O nosso grande engano, devido ao costume que temos de tudo explicar retrospectivamente em fun√ß√£o de um resultado final, portanto conhecido, √© imaginar o destino como uma flecha apontada directamente a um alvo que, por assim dizer, a estivesse esperando desde o princ√≠pio, sem se mover. Ora, pelo contr√°rio, o destino hesita muit√≠ssimo, tem d√ļvidas, leva tempo a decidir-se. Tanto assim que antes de converter Rimbaud em traficante de armas e marfim em Africa, o obrigou a ser poeta em Paris.

A não-violência e a covardia não combinam. Posso imaginar um homem armado até os dentes que no fundo é um covarde. A posse de armas insinua um elemento de medo, se não mesmo de covardia. Mas a verdadeira não-violência é uma impossibilidade sem a posse de um destemor inflexível.