Cita√ß√Ķes sobre Avidez

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Rebeca se levantou √† meia-noite e comeu punhados de terra no jardim, com avidez suicida, chorando de dor e f√ļria, mastigando minhocas macias e espeda√ßando os dentes nas cascas de carac√≥is.

O ci√ļme. Que irritante. Ele √© uma express√£o da avidez da propriedade. Ou da petul√Ęncia do dom√≠nio. Ou do gosto da escraviza√ß√£o.

O Meu Primeiro Poema

T√™m-me perguntado muitas vezes quando escrevi o primeiro poema, quando nasceu a minha poesia. Tentarei record√°-lo. Muito para tr√°s, na minha inf√Ęncia, mal sabendo ainda escrever, senti uma vez uma intensa como√ß√£o e rabisquei umas quantas palavras semi-rimadas, mas estranhas para mim, diferentes da linguagem quotidiana. Passei-as a limpo num papel, dominado por uma ansiedade profunda, um sentimento at√© ent√£o desconhecido, misto de ang√ļstia e de tristeza. Era um poema dedicado √† minha m√£e, ou seja, √†quela que conheci como tal, a ang√©lica madrasta cuja sombra suave me protegeu toda a inf√Ęncia. Completamente incapaz de julgar a minha primeira produ√ß√£o, levei-a aos meus pais. Eles estavam na sala de jantar, afundados numa daquelas conversas em voz baixa que dividem mais que um rio o mundo das crian√ßas e o dos adultos. Estendi-lhes o papel com as linhas, tremente ainda da primeira visita da inspira√ß√£o. O meu pai, distraidamente, tomou-o nas m√£os, leu-o distraidamente, devolveu-mo distraidamente, dizendo-me:
‚ÄĒ Donde o copiaste?

E continuou a falar em voz baixa com a minha mãe dos seus importantes e remotos assuntos. Julgo recordar que nasceu assim o meu primeiro poema e que assim tive a primeira amostra distraída de crítica literária.

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O Amor Limitado

Algum homem indigno de ser possuidor
De amor velho ou novo, sendo ele próprio falso ou fraco,
Pensou que a sua dor e vergonha seriam menores
Se a sua ira sobre as mulheres descarregasse.
E ent√£o uma lei nasceu:
Que cada uma um só homem conhecesse.
Mas s√£o assim as outras criaturas?

S√£o o sol, a lua, as estrelas proibidos por lei
De sorrir para onde lhes apetece, ou de esbanjar a sua luz?
Divorciam-se os p√°ssaros, ou s√£o censurados
Se abandonam o seu par, ou dormem fora uma noite?
Os animais n√£o perdem as suas pens√Ķes
Ainda que escolham novos amantes,
Mas nós fizémo-nos piores do que eles.

Quem j√° armou belos navios para ancorar nos portos,
Em vez de buscar novas terras, ou negociar com todos?
Ou construiu belas casas, plantou √°rvores e arbustos,
Apenas para as trancar, ou ent√£o deix√°-los cair?
O Bom não é bom, a não ser
Que mil coisas possua,
Mas arruína-se com a avidez.

Tradução de Helena Barbas

A Necessidade do Mal

Examinai a vida dos homens e dos povos melhores e mais fecundos, e perguntai se uma √°rvore que deve elevar-se altivamente nos ares pode dispensar o mau tempo e as tempestades; se a hostilidade do exterior, as resist√™ncias exteriores, todas as esp√©cies de √≥dio de inveja, de teimosia, de desconfian√ßa, de dureza, de avidez e de viol√™ncia n√£o fazem parte das circunst√Ęncias favor√°veis sem as quais nada, nem sequer a virtude, poderia crescer grandemente? O veneno que mata as naturezas fracas √© um fortificante para as fortes; … e por isso n√£o lhe chamam veneno.

A vontade √© impotente perante o que est√° para tr√°s dela. N√£o poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, √© a ang√ļstia mais solit√°ria da vontade.

Só Sente Ansiedade pelo Futuro aquele cujo Presente é Vazio

O principal defeito da vida √© ela estar sempre por completar, haver sempre algo a prolongar. Quem, todavia, quotidianamente der √† pr√≥pria vida “os √ļltimos retoques” nunca se queixar√° de falta de tempo; em contrapartida, √© da falta de tempo que prov√©m o temor e o desejo do futuro, o que s√≥ serve para corroer a alma. N√£o h√° mais miser√°vel situa√ß√£o do que vir a esta vida sem se saber qual o rumo a seguir nela; o esp√≠rito inquieto debate-se com o inelut√°vel receio de saber quanto e como ainda nos resta para viver. Qual o modo de escapar a uma tal ansiedade? H√° um apenas: que a nossa vida n√£o se projecte para o futuro, mas se concentre em si mesma. S√≥ sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente √© vazio. Quando eu tiver pago tudo quanto devo a mim mesmo, quando o meu esp√≠rito, em perfeito equil√≠brio, souber que me √© indiferente viver um dia ou viver um s√©culo, ent√£o poderei olhar sobranceiramente todos os dias, todos os acontecimentos que me sobrevierem e pensar sorridentemente na longa passagem do tempo! Que esp√©cie de perturba√ß√£o nos poder√° causar a variedade e instabilidade da vida humana se n√≥s estivermos firmes perante a instabilidade?

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Eu vivo à espera de inspiração com uma avidez que não dá descanso. Cheguei mesmo à conclusão de que escrever é a coisa que mais desejo no mundo, mesmo mais que amor.

Os Dois Horizontes

Dois horizontes fecham nossa vida:

Um horizonte, ‚ÄĒ a saudade
Do que n√£o h√° de voltar;
Outro horizonte, ‚ÄĒ a esperan√ßa
Dos tempos que h√£o de chegar;
No presente, ‚ÄĒ sempre escuro,‚ÄĒ
Vive a alma ambiciosa
Na ilus√£o voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da inf√Ęncia
Sob as asas maternais,
O v√īo das andorinhas,
A onda viva e os rosais;
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do c√©u, ‚ÄĒ tais s√£o
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? ‚Äď Perdido
No mar das recorda√ß√Ķes,

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Sêde de Amor

I

Vi-te uma vez e (novo
Extranho caso foi!)
Por entre tanto povo…
Tanta mulher… Supp√Ķe

Que m√£e estremecida
Via o seu filho andar
Sobre muralha erguida,
Onde o fizesse ir dar

Aquelle remoinho,
Aquella inquietação
D’um pobre innocentinho
Ainda sem raz√£o!

E ora estendendo os bra√ßos…
Ora apertando as m√£os…
Vendo-lhe o gesto, os passos,
Quantos esforços vãos,

O triste na cimalha
Faz por voltar atraz…
Sem vêr como lhe valha!
A vêr o que elle faz!

Pallida, exhausta, muda,
Os olhos uns ti√ß√Ķes,
Com que, a tremer, lhe estuda
As mesmas pulsa√ß√Ķes…

(Porque não é mais fundo
O mar no equador,
Nem é todo este mundo
Maior do que esse amor!

Mais vasto, largo e extenso
Todo esse céo tambem
Do que o amor immenso
D’um cora√ß√£o de m√£e!)

Assim, n’essa agonia…
N’essa intima avidez…
√Č que entre os mais te eu ia
Seguindo d’essa vez!

Porque te adoro!… a ponto,

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Só quando se suprimir a guerra, se conseguirá também realizar a educação da juventude no espírito de conciliação, de alegre afirmação da vida e de amor para com todos os seres vivos. Nem é de desejar que, precisamente os moços mais valorosos, sejam entregues à destruição, levada a cabo pela engrenagem, atrás da qual se erguem três potências formidáveis: a estupidez, o medo e a avidez.

√Č da ignor√Ęncia e da avidez que surge o mundo do erro, e as suas causas e condi√ß√Ķes existem apenas dentro da mente, em nenhum outro lugar mais.

O coração ingrato assemelha-se ao deserto que sorve com avidez a água do céu e não produz coisa alguma.

O Sagrado e o Alcançável

Sem uma palavra a escrever, Martim no entanto n√£o resistiu √† tenta√ß√£o de imaginar o que lhe aconteceria se o seu poder fosse mais forte que a prud√™ncia. ¬ęE se de repente eu pudesse?¬Ľ, indagou-se ele. E ent√£o n√£o conseguiu se enganar: o que quer que conseguisse escrever seria apenas por n√£o conseguir escrever ¬ęa outra coisa¬Ľ. Mesmo dentro do poder, o que dissesse seria apenas por impossibilidade de transmitir uma outra coisa. A Proibi√ß√£o era muito mais funda…, surpreendeu-se Martim.
Como se vê, aquele homem terminara por cair na profundeza que ele sempre sensatamente evitara.
E a escolha tornou-se ainda mais funda: ou ficar com a zona sagrada intacta e viver dela Рou traí-la pelo que ele certamente terminaria conseguindo e que seria apenas isso: o alcançável.
Como quem n√£o conseguisse beber a √°gua do rio sen√£o enchendo o c√īncavo das pr√≥prias m√£os – mas j√° n√£o seria a silenciosa √°gua do rio, n√£o seria o seu movimento fr√≠gido, nem a delicada avidez com que a √°gua tortura pedras, n√£o seria aquilo que √© um homem de tarde junto do rio depois de ter tido uma mulher. Seria o c√īncavo das pr√≥prias m√£os. Preferia ent√£o o sil√™ncio intacto.

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O Seu Nome

I

Ella n√£o sabe a luz suave e pura
Que derrama n’uma alma acostumada
A não vêr nunca a luz da madrugada
Vir raiando sen√£o com amargura!

N√£o sabe a avidez com que a procura
Ver esta vista, de chorar cançada,
A ella… unica nuvem prateada,
Unica estrella d’esta noite escura!

E mil annos que leve a Providencia
A dar-me este degredo por cumprido,
Por acabada j√° t√£o longa ausencia,

Ainda n’esse instante appetecido
Ser√° meu pensamento essa existencia…
E o seu nome, o meu ultimo gemido

II

Oh! o seu nome
Como eu o digo
E me consola!
Nem uma esmola
Dada ao mendigo
Morto de fome!

N’um mar de d√īres
A m√£e que afaga
Fiel retrato
De amante ingrato,
Unica paga
Dos seus amores…

Que rota e nua,
Tremulos passos,
Só mostra á gente
A innocente
Que traz nos braços
De rua em rua;

Visto que o laço
Que a prende √° vida
E só aquella
Candida estrella
Que achou cahida
No seu regaço;

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Um Sentido Para a Vida

Valeu-me a pena viver? Fui feliz, fui feliz no meu canto, longe da papelada ign√≥bil. Muitas vezes desejei, confesso-o, a agita√ß√£o dos traficantes e os seus autom√≥veis, dos pol√≠ticos e a sua balb√ļrdia – mas logo me refugiava no meu buraco a sonhar. Agora vou morrer – e eles v√£o morrer.
A diferença é que eles levam um caixão mais rico, mas eu talvez me aproxime mais de Deus. O que invejei Рo que invejo profundamente são os que podem ainda trabalhar por muitos anos; são os que começam agora uma longa obra e têm diante de si muito tempo para a concluir. Invejo os que se deitam cismando nos seus livros e se levantam pensando com obstinação nos seus livros. Não é o gozo que eu invejo (não dou um passo para o gozo) Рé o pedreiro que passa por aqui logo de manhã com o pico às costas, assobiando baixinho, e já absorto no trabalho da pedra.
Se vale a pena viver a vida espl√™ndida – esta fantasmagoria de cores, de grotesco, esta mescla de estrelas e de sonho? … S√≥ a luz! s√≥ a luz vale a vida! A luz interior ou a luz exterior.

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Os Homens são como as Crianças

A atitude que nós temos para com as crianças é a atitude que o sábio tem para com todos os homens, que são pueris mesmo após a idade madura e os cabelos brancos. O que terão progredido estes homens, cujos males da sua alma apenas se tornaram em maiores males, que em forma e grandeza corporais tanto diferem das crianças, mas que em tudo o resto não são menos ligeiros e inconstantes, correndo atrás dos desejos sem reflectirem, agitados e que quando se aquietam é por medo, não por engenho seu?
Diria que aquilo que distingue as crian√ßas dos homens √© que a avidez das crian√ßas √© por dados, nozes e pequenas moedas de ouro, enquanto que a dos homens √© pelo ouro e pela prata das cidades; uns imaginam magistrados entre eles mesmos e imitam a toga, o facho e o tribunal, os outros jogam os mesmos jogos, mas a s√©rio, no Campo de Marte, no F√≥rum e na C√ļria; uns, amontoando areia √† beira-mar, constroem simulacros de casas, os outros, como quem executa uma grande obra, trabalhando a pedra na constru√ß√£o de paredes e tectos, fazem aquilo que os devia abrigar um verdadeiro perigo. Por isso, entre crian√ßas e homens-feitos o erro √© igual,

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A Loucura do Dinheiro

O dinheiro suscita a maior parte das vocifera√ß√Ķes que ouvimos: √© o dinheiro que fatiga os tribunais, √© ele que coloca pais e filhos em desaven√ßa, √© ele que derrama venenos, √© ele que p√Ķe a espada nas m√£os dos assassinos e das legi√Ķes; ele est√° manchado de sangue nosso; √© por causa dele que as discuss√Ķes de marido e mulher ressoam na noite, √© por causa dele que a turba aflui aos tribunais; por causa dele, os reis massacram, saqueiam e arrasam cidades que demoraram s√©culos a construir, para procurarem ouro e prata entre as cinzas. V√™s os cofres arrumados a um canto? √Č por causa deles que se grita at√© os olhos sa√≠rem das suas √≥rbitas e que os brados ressoam nos tribunais; √© por causa deles que ju√≠zes vindo de regi√Ķes long√≠nquas se re√ļnem para decidir qual √© a avidez mais justa.
E quando, n√£o por um cofre, mas por um punhado de ouro ou por um den√°rio que se dispensaria a um escravo, se perfura o est√īmago de um velho que ia morrer sem herdeiros? E quando, possuindo v√°rios milhares, um usur√°rio de p√©s e m√£os deformados, incapaz sequer de mexer no dinheiro, reclama, furioso,

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O Desejo de Ser Diferente

O desejo de se ser diferente daquilo que se √©, √© a maior trag√©dia com que o destino pode castigar o homem. O desejo de ser outro, diferente daquilo que somos: n√£o pode arder um desejo mais doloroso no cora√ß√£o humano. Porque n√£o √© poss√≠vel suportar a vida de outra maneira, apenas sabendo que nos conformamos com aquilo que significamos para n√≥s pr√≥prios e para o mundo. Temos de nos conformar com aquilo que somos e de ter consci√™ncia, quando nos conformamos, de que em troca dessa sabedoria, n√£o recebemos elogios da vida, n√£o nos p√Ķem no peito nenhuma condecora√ß√£o por sabermos e aceitarmos que somos vaidosos ou ego√≠stas, carecas e barrigudos – n√£o, temos de saber que por nada disso recebemos recompensas, nem louvores. Temos de suportar, o segredo √© isso. Temos de suportar o nosso car√°cter, o nosso temperamento, j√° que os seus defeitos, ego√≠smos e avidez, n√£o os mudam nem a experi√™ncia, nem a compreens√£o. Temos de suportar que os nossos desejos n√£o tenham plena repercuss√£o no mundo. Temos de suportar que as pessoas que amamos, n√£o nos amem, ou que n√£o nos amem como gostar√≠amos. Temos de suportar a trai√ß√£o e a infidelidade, e o que √© mais dif√≠cil entre todas as tarefas humanas,

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