Cita√ß√Ķes sobre Cinquenta

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Frases sobre cinquenta, poemas sobre cinquenta e outras cita√ß√Ķes sobre cinquenta para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Tempo e o Espírito

O tempo, embora faça desabrochar e definhar animais e plantas com assombrosa pontualidade, não tem sobre a alma do homem efeitos tão simples. A alma do homem, aliás, age de forma igualmente estranha sobre o corpo do tempo. Uma hora, alojada no bizarro elemento do espírito humano, pode valer cinquenta ou cem vezes mais que a sua duração medida pelo relógio; em contrapartida, uma hora pode ser fielmente representada no mostrador do espírito por um segundo.

O Enigma do Ser Humano

Encontramos uma pessoa que achamos interessante. Tentamos, como se costuma dizer, ¬ęsitu√°-la¬Ľ. (Tenho o h√°bito de fazer isso at√© com os senhores e as senhoras que l√™em as not√≠cias na televis√£o.) Nas nossas recorda√ß√Ķes, procuramos rostos parecidos com o que temos agora diante de n√≥s. O movimento lento das p√°lpebras faz lembrar um orador na Associa√ß√£o de Biologia, as comissuras dos l√°bios s√£o iguais √†s de um docente de Qu√≠mica em Uppsala nos anos cinquenta. Em suma, uma entoa√ß√£o que conhecemos ali, uma express√£o do rosto que recordamos de outro lado, e imaginamos que fic√°mos a compreender. Reconstitu√≠mos o desconhecido com o aux√≠lio do que conhecemos.
O psicanalista no seu consult√≥rio (nem sei se √© assim que se diz, nunca fui a nenhum) faz, em princ√≠pio, o mesmo: associa experi√™ncias, recorda√ß√Ķes, para encontrar as chaves do novo, do desconhecido, com que se confronta.
Mas as pe√ßas que vamos buscar, os factos a que recorremos, esse molho de chaves que s√£o os rostos antes encontrados e que fazemos tilintar na nossa m√£o, √©, tamb√©m ele, o desconhecido. Explicamos um enigma com outro enigma. √Č a mesma coisa que comprar um novo exemplar do mesmo jornal para confirmar uma not√≠cia em que n√£o acreditamos.

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O Amor por Matilde e os Versos do Capit√£o

E vou contar-lhes agora a hist√≥ria deste livro, um dos mais controvertidos daqueles que escrevi. Foi durante muito tempo um segredo, durante muito tempo n√£o ostentou o meu nome na capa, como se o renegasse ou o pr√≥prio livro n√£o soubesse quem era o pai. Tal como os filhos naturais, filhos do amor natural, ¬ęLos versos del capit√°n¬Ľ eram, tamb√©m, um ¬ęlibro natural¬Ľ.

Os poemas que cont√©m foram escritos aqui e ali, ao longo do meu desterro na Europa. Foram publicados anonimamente em N√°poles, em 1952. O amor por Matilde, a nostalgia do Chile, as paix√Ķes c√≠vicas, recheiam as p√°ginas desse livro, que teve muitas edi√ß√Ķes sem trazer o nome do autor.

Para a 1¬™ edi√ß√£o, o pintor Paolo Ricci conseguiu um papel admir√°vel e antigos tipos de imprensa ¬ębodonianos¬Ľ, bem como gravuras extra√≠das dos vasos de Pompeia. Com fraternal fervor, Paolo elaborou tamb√©m a lista dos assinantes. Em breve apareceu o belo volume, com tiragem limitada a cinquenta exemplares. Festej√°mos largamente o acontecimento, com mesa florida, ¬ęfrutti di mare¬Ľ, vinho transparente como √°gua, filho √ļnico das vinhas de Capri. E com a alegria dos amigos que amaram o nosso amor.
Alguns críticos suspicazes atribuíram a motivos políticos a publicação anónima do livro.

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Retrato das Mulheres em Todas as Idades

Mulher, de quinze a vinte é fresca rosa;
De vinte, a vinte e cinco √© de exp’rimenta.
De vinte cinco a trinta, a graça aumenta:
Ditoso nesta idade quem a goza!

De trinta a trinta e cinco é mal gostosa
Porém, pode passar, com sal, pimenta,
Mas j√° dos trinta e cinco aos quarenta
Vai-se tornando assaz fastidiosa.

De quarenta e cinco ela é bachareleira,
Fala fanhoso e é já de pouco gabo.
De cinquenta cerrados é santeira!

Aos sessenta este seu retrato acabo:
Menina, moça, velha benzedeira,
Bruxa gogosa, ent√£o, leve-a o diabo!

O Preço da Riqueza

N√£o invejemos a certa esp√©cie de gente as suas grandes riquezas: eles as t√™m √† custa de um √≥nus que n√£o nos daria bom c√≥modo. Estragaram o seu repouso, a sua sa√ļde, a sua felicidade e a sua consci√™ncia, para as conseguir: isso √© caro demais, e n√£o h√° nada a ganhar por esse pre√ßo.
Quando se √© novo, muitas vezes √©-se pobre: ou ainda n√£o se fez aquisi√ß√Ķes, ou as heran√ßas ainda n√£o vieram. A gente torna-se rico e velho ao mesmo tempo; t√£o raro √© poderem os homens reunir todas as vantagens!
E se isso acontece a alguns, n√£o h√° que invej√°-los: eles t√™m a perder com a morte o bastante para serem lamentados. √Č preciso trinta anos para pensar na fortuna; aos cinquenta est√° feita; contr√≥i-se na velhice e morre-se quando ainda se est√° √†s voltas com pintores e vidraceiros. Qual o fruto de uma grande fortuna, se n√£o gozar a vaidade, ind√ļstria, trabalho e esfor√ßo dos que vieram antes de n√≥s, e trabalharmos n√≥s mesmos, plantando, construindo, adquirindo, para a posteridade?
Em todas as condi√ß√Ķes, o pobre est√° mais pr√≥ximo do homem de bem, e o opulento n√£o est√° longe da ladroeira. A capacidade e a habilidade n√£o levam a grandes riquezas.

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Deixar de fumar é a coisa mais fácil do mundo. Sei muito bem do que se trata, já o fiz cinquenta vezes.

Ideias de Esquerda

Nunca disse que a esquerda era definitivamente est√ļpida, disse, sim, que agora mesmo n√£o vejo nada mais est√ļpido que a esquerda. Porqu√™? Porque h√° mais de cinquenta anos que n√£o produz uma √ļnica ideia que se diga de esquerda, porque, at√© quando parecia t√™-las, n√£o estava a fazer mais que remastigar ideias do passado sem se dar ao trabalho elementar de as fazer viver sob a luz da actualidade e das suas transforma√ß√Ķes. A esquerda tamb√©m √© est√ļpida porque √© incapaz de resistir √† tenta√ß√£o m√≥rbida que a leva a dividir-se e a subdividir–se sem parar.

Existem, hoje, cinquenta mil patifes que dizem o que lhes apetece a dezoito milh√Ķes de imbecis.

Respeite a Você Mais do que aos Outros

N√£o pense que a pessoa tem tanta for√ßa assim a ponto de levar qualquer esp√©cie de vida e continuar a mesma. (…) Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer √© que a gente √© muito preciosa, e que √© somente at√© um certo ponto que a gente pode desistir de si pr√≥pria e se dar aos outros e √†s circunst√Ęncias. (…) Pretendia apenas lhe contar o meu novo car√°cter, ou falta de car√°cter. (…) Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Voc√™ j√° viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu… em que pese a dura compara√ß√£o… Para me adaptar ao que era inadapt√°vel, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilh√Ķes – cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei tamb√©m minha for√ßa. Espero que voc√™ nunca me veja assim resignada, porque √© quase repugnante. (…) Uma amiga, um dia desses, encheu-se de coragem, como ela disse, e me perguntou: voc√™ era muito diferente, n√£o era? Ela disse que me achava ardente e vibrante,

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Corrupção Intemporal

N√£o existe rep√ļblica, qualquer que seja a maneira como √© governada, onde haja mais de quarenta a cinquenta cidad√£os que chegam a postos de comando. Ora, como √© um n√ļmero muito pequeno, √© f√°cil mant√™-los sob controle, seja tomando a decis√£o de suprimi-los, seja dando a cada um a parcela de honras e empregos que lhes conv√©m.

Quantas Loucuras h√° num Homem!

H√° tantos amores na vida de um homem! Aos quatro anos, ama-se os cavalos, o sol, as flores, as armas que brilham, os uniformes de soldado; aos dez, ama-se a menina que brinca connosco.; aos treze, ama-se uma mulher de colo t√ļrgido, porque me lembro de que o que os adolescentes amam loucamente √© um colo de mulher, branco e mate, e como diz Marot:

Tetin refaict plus blanc qu’un oeuf
Tetin de satin blanc tout neuf.

Quase me senti mal quando vi pela primeira vez os seis desnudados de uma mulher. Por fim, aos catorze ou quinze anos, ama-se uma jovem que vem a nossa casa, e que √© um pouco mais que uma irm√£, menos que uma amante; depois, aos dezasseis anos, ama-se uma outra mulher, at√© aos vinte e cinco; depois, talvez se ame a mulher com quem casamos. Cinco anos mais tarde, ama-se a dan√ßarina que faz saltar o seu vestido sobre as suas coxas carnudas; por fim, aos trinta e seis, ama-se a deputa√ß√£o, a especula√ß√£o, as honrarias; aos cinquenta, ama-se o jantar do ministro ou do presidente da c√Ęmara; aos sessenta, ama-se a prostituta que nos chama atrav√©s dos vidros e a quem se lan√ßa um olhar de impot√™ncia,

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O Vício de Ler

O v√≠cio de ler tudo o que me ca√≠sse nas m√£os ocupava o meu tempo livre e quase todo o das aulas. Podia recitar poemas completos do repert√≥rio popular que nessa altura eram de uso corrente na Col√īmbia, e os mais belos do S√©culo de Ouro e do romantismo espanh√≥is, muitos deles aprendidos nos pr√≥prios textos do col√©gio. Estes conhecimentos extempor√Ęneos na minha idade exasperavam os professores, pois cada vez que me faziam na aula qualquer pergunta dif√≠cil, respondia-lhes com uma cita√ß√£o liter√°ria ou com alguma ideia livresca que eles n√£o estavam em condi√ß√Ķes de avaliar. O padre Mejia disse: ¬ę√Č um garoto afectado¬Ľ, para n√£o dizer insuport√°vel. Nunca tive que for√ßar a mem√≥ria, pois os poemas e alguns trechos de boa prosa cl√°ssica ficavam-me gravados em tr√™s ou quatro releituras. Ganhei do padre prefeito a primeira caneta de tinta permanente que tive porque lhe recitei sem erros as cinquenta e sete d√©cimas de ¬ęA vertigem¬Ľ, de Gaspar N√ļnez de Arce.

Lia nas aulas, com o livro aberto em cima dos joelhos e com tal descaramento que a minha impunidade s√≥ parecia poss√≠vel devido √† cumplicidade dos professores. A √ļnica coisa que n√£o consegui com as minhas ast√ļcias bem rimadas foi que me perdoassem a missa di√°ria √†s sete da manh√£.

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Plano de Vida

Um plano geral para a vida deve implicar, antes de mais, alcan√ßar-se qualquer forma de estabilidade financeira. Marquei como limite para essa coisa humilde a que chamo estabilidade financeira cerca de sessenta d√≥lares‚ÄĒquarenta para o necess√°rio, e vinte para as coisas sup√©rfluas da vida. A forma de o alcan√ßar √© adicionar aos trinta e um d√≥lares dos dois escrit√≥rios (P & FF) vinte e nove d√≥lares de proveni√™ncia a determinar. Em rigor, para viver apenas, cinquenta d√≥lares bastariam, pois, tomando trinta e cinco como base necess√°ria, quinze j√° davam para o resto.

A coisa essencial que vem logo a seguir √© residir numa casa com bastante espa√ßo, espa√ßo quanto a divis√Ķes e divis√Ķes com os requisitos necess√°rios, para arrumar todos os meus pap√©is e livros na devida ordem; e tudo isto sem grande possibilidade de me mudar dentro de pouco tempo. Parece que o mais f√°cil seria alugar eu pr√≥prio uma casa ‚ÄĒ √† base de, suponhamos, oito ou, quando muito, nove d√≥lares ‚ÄĒ e viver l√° √† vontade, combinando que me levassem o jantar (e o pequeno-almo√ßo) todos os dias, ou coisa parecida. Mas seria este sistema absolutamente conveniente?

Substituir, no tocante à ordem dos papéis,

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Em Todas as Sociedades Existe um Impulso Para a Conformidade

A imposi√ß√£o de padr√Ķes pelas sociedades aos seus extremamente diversificados indiv√≠duos tem variado muito em diferentes per√≠odos hist√≥ricos e diferentes n√≠veis de cultura. Nas culturas mais primitivas, onde as sociedades eram pequenas e ligadas a tradi√ß√Ķes muito estreitas, a press√£o para o conformismo era naturalmente muito intensa. Quem ler literatura de antropologia ficar√° espantado com a natureza fant√°stica de algumas das tradi√ß√Ķes √†s quais os homens tiveram de se adaptar. A vantagem de uma sociedade grande e complexa como a nossa √© permitir √† variedade de seres humanos expressar-se de muitas maneiras; n√£o precisa de haver uma adapta√ß√£o intensa, como a que encontramos em pequenas sociedades primitivas. Mesmo assim, em toda a sociedade h√° sempre um impulso para a conformidade, imposto de fora pela lei e pela tradi√ß√£o, e que os indiv√≠duos imp√Ķem sobre si mesmos, tentando imitar o que a sociedade considera o tipo ideal.
A esse respeito, recomendo um livro muito importante do fil√≥sofo franc√™s Jules de Gaultier, publicado h√° cerca de cinquenta anos, chamado “Bovarismo”. O nome vem da hero√≠na do romance de Gustave Flaubert, Madame Bovary, no qual essa jovem mulher infeliz sempre tentava ser o que n√£o era. Gaultier generaliza isso e diz que todos temos tend√™ncia a tentar ser o que n√£o somos,

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Actividade Exterior Por N√£o Existir Actividade Interior

As pessoas necessitam de actividade exterior porque n√£o t√™m actividade interior. Quando, pelo contr√°rio, esta √ļltima existe, √© prov√°vel que a primeira seja um aborrecimento muito inc√≥modo, mesmo execr√°vel, e um impedimento. Este facto tamb√©m explica a inquieta√ß√£o daqueles que nada t√™m para fazer, e as suas viagens sem objectivo. O que os impele de pa√≠s em pa√≠s √© o mesmo t√©dio que no seu pa√≠s os congrega em t√£o grandes grupos que chegam a tornar-se divertidos.

Recebi certa vez uma excelente confirma√ß√£o desta verdade atrav√©s de um cavalheiro de cinquenta anos que n√£o conhecia, e que me falou de uma viagem de recreio de dois anos que havia feito a terras distantes e a estranhas regi√Ķes da Terra. Quando observei que por certo tivera de enfrentar muitas dificuldades e perigos, respondeu-me muito ingenuamente, sem hesita√ß√£o nem pre√Ęmbulo, mas como se enunciasse simplesmente a conclus√£o de um silogismo: ¬ęN√£o tive um instante de aborrecimento¬Ľ.