Passagens sobre Círculos

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Frases sobre c√≠rculos, poemas sobre c√≠rculos e outras passagens sobre c√≠rculos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Extravio

Onde começo, onde acabo,
se o que est√° fora est√° dentro
como num círculo cuja
periferia é o centro?

Estou disperso nas coisas,
nas pessoas, nas gavetas:
de repente encontro ali
partes de mim: risos, vértebras.

Estou desfeito nas nuvens:
vejo do alto a cidade
e em cada esquina um menino,
que sou eu mesmo, a chamar-me.

Extraviei-me no tempo.
Onde estarão meus pedaços?
Muito se foi com os amigos
que j√° n√£o ouvem nem falam.

Estou disperso nos vivos,
em seu corpo, em seu olfato,
onde durmo feito aroma
ou voz que também não fala.

Ah, ser somente o presente:
esta manh√£, esta sala.

Como se te perdesse nos trens, nas esta√ß√Ķes Ou contornando um c√≠rculo de √°guas Removente ave, assim te somo a mim: De redes e de anseios inundada

A nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza.

Para resistir aos elogios e √†s reprova√ß√Ķes n√£o h√° receitas. Para que os elogios e as reprova√ß√Ķes tenham para n√≥s sentido, s√≥ formando um c√≠rculo, em que haja conhecimento dos nossos des√≠gnios e das nossas normas.

O paraíso é comparável a uma cena em que dezenas de belas garças voam fazendo um círculo no céu: há os que contemplam tal cena e admiram-na, mas há os que nem olham para ela, considerando-a sem graça.

Eu Como, Eu Bebo, Eu Durmo

Eu como, eu bebo, eu durmo e a vida passo
Ora bem, ora mal, como sucede:
Tomo tabaco, e ch√°; e se mo pede
O génio alguma vez, eu Nize abraço:

As vezes jogo, as vezes versos faço,
Que mais que a arte a natureza mede:
E talvez por saber como procede
Em se mover o Sol círculos traço.

Alguma vez me agrada a soledade,
Outras vezes a nobre companhia;
E desta sorte vou passando a idade:

E espero assim que venha a morte fria
Com o manto da eterna escuridade
Encobrir-me de todo a luz do dia.

Vivo a minha vida em círculos cada vez maiores
que se estendem sobre as coisas.
Talvez n√£o possa acabar o √ļltimo,
mas quero tentar.

Sou um Verdadeiro Solit√°rio

O meu sentido ardente de justi√ßa social e de dever social estiveram sempre em estranho desacordo com uma marcada car√™ncia de necessidade directa de liga√ß√£o com os homens e com as comunidades humanas. Sou um verdadeiro solit√°rio (¬ęEinsp√§nner¬Ľ), que nunca pertenceu inteiramente e de todo o cora√ß√£o ao Estado, √† P√°tria, ao c√≠rculo dos amigos ou at√© mesmo √† fam√≠lia mais chegada, mas antes pelo contr√°rio experimentou sempre, em rela√ß√£o a todas essas liga√ß√Ķes, um sentimento indom√°vel de estranheza e de √Ęnsia de isolamento, um sentimento que com a idade mais se intensifica. Apercebemo-nos nitidamente, mas sem o lamentarmos, que nos √© limitada a conviv√™ncia em sociedade com outros seres humanos. Um homem desta natureza perde, de certo modo, uma parte da sua maneira de ser inocente e despreocupada mas ganha em se sentir largamente independente das opini√Ķes, dos h√°bitos e ju√≠zos dos homens, e n√£o cai na tenta√ß√£o de estabelecer o seu equil√≠brio numa base t√£o pouco s√≥lida.

Tortura Eterna

Impotência cruel, ó vã tortura!
√ď For√ßa in√ļtil, ansiedade humana!
√ď c√≠rculos dantescos da loucura!
√ď luta, √ď luta secular, insana!

Que tu n√£o possas, Alma soberana,
Perpetuamente refulgir na Altura,
Na Aleluia da Luz, na clara Hosana
Do Sol, cantar, imortalmente pura.

Que tu n√£o posses, Sentimento ardente,
Viver, vibrar nos brilhos do ar fremente,
Por entre as chamas, os clar√Ķes supernos.

√ď Sons intraduz√≠veis, Formas, Cores!…
Ah! que eu n√£o possa eternizar as cores
Nos bronzes e nos m√°rmores eternos!

A Imóvel Jornada

Os rastros que deixei
no ch√£o petrificados
agora que tornei
est√£o em mim gravados.
Parti, por que n√£o sei
se tudo ao meu redor
comigo era levado:
os sonhos, a paisagem,
o corpo atormentado,
esquinas dos encontros
por gaze separados,
as chamas sobre os dedos,
o peito apunhalado.
No círculo da estrada
eu sigo e estou parado,
n√£o sei a quem procuro
(serei o procurado?).

N√£o H√° Dor Que Justifique a Fuga

A escuridão, as trevas desesperadas, é esse o círculo terrível da vida do dia-a-dia. Por que é que uma pessoa se levanta de manhã, come, bebe e se deita outra vez? A criança, o selvagem, o jovem saudável, o animal não padecem sob a rotina deste círculo de coisas e actividades indiferentes. Aquele a quem os pensamentos não atormentam, alegra-se com o levantar pela manhã e com o comer e o beber, acha que é o suficiente e não quer outra coisa.
Mas quem viu esta naturalidade perder-se, procura no decurso do dia, ansioso e desperto, os momentos da verdadeira vida cujas cintila√ß√Ķes o tornam feliz e que apagam a sensa√ß√£o de que o tempo re√ļne em si todos os pensamentos relativos ao sentido e ao objectivo de tudo. Podem chamar a esses momentos, momentos criadores, porque parece que trazem a sensa√ß√£o de uni√£o com o criador, porque se sente tudo como desejado, mesmo que seja obra do acaso. √Č aquilo a que os m√≠sticos chamam uni√£o com Deus. Talvez seja a luz muito clara desses momentos que faz parecer tudo t√£o escuro, talvez a libertadora e maravilhosa leveza desses momentos fa√ßa sentir o resto da vida t√£o pesada,

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A Ingaia Ciência

A madureza, essa terrível prenda
que alguém nos dá, raptando-nos, com ela,
todo sabor gratuito de oferenda
sob a glacialidade de uma estela,

a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o círculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte noma cela.

A madureza sabe o preço exato
dos amores, dos ócios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciência

e nem contra si mesma. O agudo olfato,
o agudo olhar, a m√£o, livre de encantos,
se destroem no sonho da existência.

Devemos expandir o círculo do nosso amor até que ele englobe todo o nosso bairro; do bairro, por sua vez, deve desdobrar-se para toda a cidade; da cidade para o estado, e assim sucessivamente até o objeto do nosso amor incluir todo o universo.

Leitor e Autor, num Mundo √° Parte

Ler um livro √© desinteressar-se a gente deste mundo comum e objectivo para viver noutro mundo. A janela iluminada noite adentro isola o leitor da realidade da rua, que √© o sumidouro da vida subjectiva. √Ārvores ramalham. De vez em quando passam passos. L√° no alto estrelas teimosas namoram inutilmente a janela iluminada. O homem, prisioneiro do c√≠rculo claro da l√£mpada, apenas ligado a este mundo pela fatalidade vegetativa do seu corpo, est√° suspenso no ponto ideal de uma outra dimens√£o, al√©m do tempo e do espa√ßo. No tapete voador s√≥ h√° lugar para dois passageiros: leitor e autor.

Praia presa…

Praia presa, adiantada
no mar, no longe, no círculo
de coral que o mar represa.
Praia futura invocada.
Timor ressurge das √°guas,
praia futura invocada.

A Palavra e o Espírito

Uma palavra que é proferida passa a fazer parte do círculo das restantes forças naturais necessariamente activas. Age com tanto mais vigor quanto, no limitado espaço em que a humanidade vai percorrendo o seu caminho, se colocam constantemente as mesmas necessidades e as mesmas exigências.
E contudo √© t√£o pouca a seguran√ßa que oferece a transmiss√£o das palavras ao longo do tempo! √Č costume dizer-se que nos devemos ater ao esp√≠rito e n√£o √† palavra. Mas o que acontece em geral √© que o esp√≠rito aniquila a palavra ou a transforma de tal modo que pouca coisa permanece da anterior significa√ß√£o e valor estil√≠stico.

A Monotonia

A monotonia é o que há de mais belo ou de mais terrível. De mais belo, se for um reflexo da eternidade. De mais terrível, se for indício de uma perenidade imutável. Tempo ultrapassado ou tempo esterilizado. O círculo é o símbolo da bela monotonia, a oscilação pendular da monotonia atroz.

Mater Dolorosa

Quando se fez ao largo a nave escura,
na praia essa mulher ficou chorando,
no doloroso aspecto figurando
a lacrimosa est√°tua da amargura.

Dos céus a curva era tranquila e pura;
Das gementes alcíones o bando
Via-se ao longe, em círculos, voando
Dos mares sobre a cérula planura.

Nas ondas se atufara o Sol radioso,
E Lua sucedera, astro mavioso,
De alvor banhando os alcantis das fragas…

E aquela pobre m√£e, n√£o dando conta
Que o sol morrera, e que o luar desponta,
A vista embebe na amplid√£o das vagas…