Passagens sobre Clima

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Frases sobre clima, poemas sobre clima e outras passagens sobre clima para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Amo-te, Portugal

Portugal,

Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.

Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.

Eu n√£o queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.

Teria preferido chegar √† conclus√£o que te amava por uma lenta acumula√ß√£o de raz√Ķes, emo√ß√Ķes e vantagens. Mas foi ao contr√°rio. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer esp√©cie de aviso, e desde esse dia, que rem√©dio, l√° fui acumulando, lentamente, as raz√Ķes por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras raz√Ķes, para n√£o te amar, ou n√£o querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti.

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As ideias são como as plantas: têm o seu clima e a sua terra. Por mais que se diga, o eucalipto será sempre exótico na paisagem portuguesa.

Douto, Prudente, Nobre, Humano, Af√°vel

Ao desembargador Belchior da Cunha Brochado, casado com uma filha de Sebastião Barbosa, Capitão de infantaria do III da Praça da Bahia.

Douto, prudente, nobre, humano, af√°vel.
Reto, ciente, benigno e aprazível.
Único, singular, raro, inflexível.
Magnífico, preclaro, incomparável.

Do mundo grave juiz. Inimit√°vel.
Admirado, gozais aplauso incrível,
Pois a trabalho tanto e tão terrível,
Dais pronto execução sempre incansável.

Vossa fama, senhor, seja notória
L√° no clima onde nunca chega o dia.
Onde do Erebo só se tem memória

Para que garbo tal, tanta energia!
Pois de toda esta terra é gentil glória,
Da mais remota seja uma alegria.

O Medo de Viver

Como contacto praticamente permanente com a lógica surgiu-me um sentimento que nunca antes eu experimentara: o medo de viver, o medo de respirar. Com urgência preciso lutar porque esse medo me amarra mais do que o medo da morte, é um crime contra mim mesmo. Estou com saudade de meu anterior clima de aventura e minha estimulante inquietação. Acho que ainda não caí na monotonia de viver.

O Prolongamento da Adolescência

No dia a seguir ao casamento os noivos est√£o mais velhos cinco anos. Biol√≥gicamente, a idade madura come√ßa com o casamento, porque o descuidoso brincar de at√© ali substitui-se pelo trabalho e pela responsabilidade, a paix√£o cede diante das limita√ß√Ķes da ordem social – a poesia passa a prosa. Esta mudan√ßa varia com os costumes e o clima; o casamento vem mui tardiamente nas cidades modernas, facto que prolonga a adolesc√™ncia; mas entre os povos do Sul e do Oriente realiza-se em idade bem verde. Os rapazes orientais, diz Stanley Hall, come√ßam a exercer as fun√ß√Ķes de marido aos treze anos, e aos trinta, j√° gastos, recorrem a afrodis√≠acos… Aos trinta anos as mulheres dos climas quentes j√° est√£o velhas. Est√° verificado que o dilatar da adolesc√™ncia prolonga a vida. Se pud√©ssemos retardar a nossa maturidade sexual de modo a coincidir com a nossa maturidade econ√≥mica, prolongando assim a adolesc√™ncia e a fase educativa, erguer√≠amos a civiliza√ß√£o a n√≠vel jamais alcan√ßado.

A Nossa Avidez Infinita

Todos n√≥s sofremos de uma avidez infinita. As nossas vidas s√£o-nos preciosas, estamos sempre alerta contra os desperd√≠cios. Ou talvez fosse melhor chamar a isso Sentido de Destino Pessoal. Sim. Creio que √© melhor do que avidez. Dever√° a minha vida perder um mil√©simo de polegada da sua plenitude? √Č uma coisa diferente avaliar-se a si pr√≥prio ou vangloriar-se loucamente. E h√° ent√£o os nossos planos, os nossos ideais. Tamb√©m eles s√£o perigosos. Podem consumir-nos como parasitas, comer-nos, sorver-nos e deixar-nos exangues e prostrados. E no entanto estamos constantemente a convidar os parasitas, como se estiv√©ssemos ansiosos por sermos sorvidos e comidos. Isto porque nos ensinaram que n√£o h√° limites para o que um homem pode ser.

Há seiscentos anos um homem era o que o seu nascimento demarcava para ele. Satanás e a Igreja, representante de Deus, lutavam por ele. Ele, pela sua escolha, decidia em parte qual seria o resultado. Mas quer fosse, depois da morte, para o céu ou para o inferno, o seu lugar entre os vivos estava marcado. Não podia ser contestado. Desde então o palco foi novamente arranjado e os seres humanos apenas passeiam nele e, sob este novo ponto de vista,

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Manh√£ de Inverno

Coroada de névoas, surge a aurora
Por detr√°s das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fant√°stica indolente.

Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, l√°grimas mais puras.

A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.

Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras √ļmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o ch√£o recebe o pranto da vi√ļva.

Gelo n√£o cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trêmulas a neve;
Galhardo moço, o inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.

Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
V√£o subindo as que encheram todo o vale;
J√° se v√£o descobrindo os horizontes.

Sobe de todo o pano; eis aparece
Da natureza o esplêndido cenário;

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Tempo: o clima do momento. Um t√≥pico de conversa permanente entre pessoas a quem isso n√£o interessa, mas que herdaram essa tend√™ncia de antepassados que andavam nus e para os quais o assunto era de extrema import√Ęncia.

A Imagem Divina

Compaix√£o, Pena, Paz & Amor,
Todos lhes rezam no seu sofrimento;
E a estas virtudes de tanto fulgor
Entregam o seu agradecimento.

Compaix√£o, Pena, Paz & Amor
√Č Deus, nosso pai adorado,
Compaix√£o, Pena, Paz & Amor
√Č o Homem, seu filho amado.

Tem Compaixão humano coração,
E tem a Pena uma face humana,
Amor, a forma divina de eleição
E a Paz, o traje que irmana.

Todo o homem, em todo o clima,
Que, com dor, reza como é capaz,
Reza à forma humana divina,
Amor, Compaix√£o, Pena & Paz.

A humana forma amar é um dever,
Para os ateus, os turcos, os judeus;
Compaix√£o, Amor & Pena, haja onde houver,
Também é lá que encontrareis Deus.

Tradução de Hélio Osvaldo Alves

Só será possível sanear a vida económica num clima de disciplina da vida política. Sem isso não haverá o incremento de investimentos, que é a primeira das medidas que nos permitirá debelar a crise.

O Preço da Vaidade

Se o que se deseja é apenas dar sustento à natureza, bastam três libras esterlinas por ano, segundo a estimativa de William Petty; mas, como os tempos andam muito alterados, vamos supor seis libras. Essa quantia permitirá encher a pança, obter proteção contra as intempéries do clima, e até mesmo a compra de um casaco resistente, desde que feito de um bom couro de boi. Agora, tudo o que vá além disso é artificial e será desejado com vista a obter um maior grau de respeito dos nossos concidadãos. E, se seiscentas libras por ano proporcionam a um homem mais distinção social e, é claro, mais felicidade do que seis libras por ano, a mesma proporção vai-se manter para seis mil, e assim por diante, até onde se possa levar a opulência. Talvez o dono de uma grande fortuna possa não ser tão feliz como alguém que tem menos; mas isso decorrerá de outras causas que não a posse da grande fortuna.

XXXII

Como quisesse livre ser, deixando
As paragens natais, espaço em fora,
A ave, ao bafejo tépido da aurora,
Abriu as asas e partiu cantando.

Estranhos climas, longes céus, cortando
Nuvens e nuvens, percorreu: e, agora
Que morre o sol, suspende o v√īo, e chora,
E chora, a vida antiga recordando …

E logo, o olhar volvendo compungido
Atr√°s, volta saudosa do carinho,
Do calor da primeira habita√ß√£o…

Assim por largo tempo andei perdido:
– Ali! que alegria ver de novo o ninho,
Ver-te, e beijar-te a pequenina m√£o!

Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os √°cidos, os gumes
E os √Ęngulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulm√Ķes doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve a conta na botica!
Mal ganha para sopas…

O obst√°culo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, h√° dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopéia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais duma redação, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa
Vale um desdém solene.

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Na Europa h√° um mito hist√≥rico e religioso. A Uni√£o Europeia tende para isso: um s√≥ comando gen√©rico e uma s√≥ f√© que √© posta na democracia. Tira-se a religi√£o um pouco para o lado e estabelece-se uma democracia generalizada, a uni√£o da Europa com um mesmo fim: um s√≥ rei e um s√≥ papa. √Č o mito que se est√° a tornar uma realidade actualmente com Bruxelas no centro da Uni√£o Europeia. Acho que √© √≥ptimo mas √© muito dif√≠cil porque h√° diferentes climas nas regi√Ķes, h√° diferentes idiossincrasias, diferentes l√≠nguas. √Č sempre muito dif√≠cil tornar uma coisa acess√≠vel a toda essa diversidade.

Este clima liberal √©, mais propriamente, um clima ‚Äúsafado‚ÄĚ. As pessoas, ou se safam ou n√£o se safam. Os que se safam aparecem todos contentes a proclamarem-se safados. Os que n√£o se safam n√£o t√™m direito a nada.

O Efeito do Tempo e a Mutabilidade das Coisas

Dever√≠amos ter sempre diante dos olhos o efeito do tempo e a mutabilidade das coisas, por conseguinte, em tudo o que acontece no momento presente, imaginar de imediato o contr√°rio, portanto, evocar vivamente a infelicidade na felicidade, a inimizade na amizade, o clima ruim no bom, o √≥dio no amor, a trai√ß√£o e o arrependimento na confian√ßa e na franqueza e vice-versa. Isso seria uma fonte inesgot√°vel de verdadeira prud√™ncia para o mundo, na medida em que permanecer√≠amos sempre precavidos e n√£o ser√≠amos enganados t√£o facilmente. Na maioria das vezes, ter√≠amos apenas antecipado a ac√ß√£o do tempo. Talvez para nenhum tipo de conhecimento a experi√™ncia seja t√£o imprescind√≠vel quanto na avalia√ß√£o justa da inconst√Ęncia e mudan√ßa das coisas. Ora, como cada estado, pelo tempo da sua dura√ß√£o, existe necessariamente e, portanto, com pleno direito, cada ano, cada m√™s, cada dia parecem querer conservar o direito de existir por toda a eternidade. Mas nada conserva esse direito, e s√≥ a mudan√ßa √© permanente.
Prudente é quem não é enganado pela estabilidade aparente das coisas e, ainda, antevê a direcção que a mudança tomará. Por outro lado, o que via de regra faz os homens tomarem o estado provisório das coisas ou a direcção do seu curso como permamente é o facto de terem os efeitos diante dos olhos,

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