Passagens sobre Conceção

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Frases sobre conce√ß√£o, poemas sobre conce√ß√£o e outras passagens sobre conce√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O altru√≠smo √© a mais atroz forma de ego√≠smo que a humanidade conseguiu conceber. (…) O altru√≠sta √© aquele gajo que pensa que quando est√° a fazer os outros felizes est√° a esquecer-se de pensar em si. Mas n√£o: o altru√≠sta √©, na realidade, aquele gajo que ajuda todos ‚Äď para se ajudar a si mesmo.

A Melhor Máquina fica aquém do Homem mais Embrutecido

Pode-se de facto conceber que uma m√°quina seja feita de tal forma que profira palavras e at√© que profira algumas a respeito das ac√ß√Ķes corporais que provocar√£o alguma mudan√ßa nos seus √≥rg√£os; de tal forma que, se for tocada nalgum lugar, ela pergunte o que lhe querem dizer, se tocada noutro, ela grite que a est√£o a magoar e coisas semelhantes; mas n√£o conseguir√° organiz√°-las diversamente para corresponder ao sentido de tudo o que for dito na sua presen√ßa, como os homens mais embrutecidos podem fazer.

O Desejo de Criar

Diotima: Qual √©, S√≥crates, na sua opini√£o, a causa deste amor, deste desejo? Voc√™ j√° observou em que estranha crise se encontram todos os animais, os que voam e os que marcham, quando s√£o tomados pelo desejo de procriar? Como ficam doentes e possu√≠dos de desejo, primeiro no momento de se ligarem, depois, quando se torna necess√°rio alimentar os filhos? (… ) Tanto no caso dos humanos como no dos animais, a natureza mortal busca, na medida do poss√≠vel, perpetuar-se e imortalizar-se. Apenas desse modo, por meio da procria√ß√£o, a natureza mortal √© capaz da imortalidade, deixando sempre um jovem no lugar do velho. [… ] Pois saiba, S√≥crates, que o mesmo vale para a ambi√ß√£o dos homens. Voc√™ ficar√° assombrado com a sua misteriosa irracionalidade, a n√£o ser que compreenda o que eu disse, e reflicta sobre o que se passa com eles quando s√£o tomados pela ambi√ß√£o e pelo desejo de gl√≥ria eterna. √Č pela fama, mais ainda que pelos seus filhos, que eles se disp√Ķem a encarar todos os riscos, suportar fadigas, esbanjar fortunas e at√© mesmo sacrificar as suas vidas. [… ] Aqueles cujo instinto criador √© f√≠sico recorrem de prefer√™ncia √†s mulheres e revelam o seu amor dessa maneira,

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Uma id√©ia que lampeja na mente, dependendo de sua natureza, pode nos conduzir ao √™xito ou ao fracasso. O importante √© sabermos como conceber, num lampejo, uma id√©ia genial ‚Äď uma inspira√ß√£o divina.

A Ilusão da Consistência da Obra do Escritor

O homem n√£o √© permanentemente igual a si mesmo. A velha concep√ß√£o dos car√°cteres rectil√≠neos e das mentalidades cristalizadas em sistemas imut√°veis abriu fal√™ncia. Tudo muda, no espa√ßo e no tempo. Para um organismo vivo, existir – mesmo no ponto de vista som√°tico – √© transformar-se. Quando come√ßamos cedo e envelhecemos na actividade das letras, n√£o h√° um n√≥s apenas um escritor; h√°, ou houve, escritores sucessivos, m√ļltiplos e diversos, representando estados de evolu√ß√£o da mesma mentalidade incessantemente renovada. Ao chegar a altura da vida em que a estabiliza√ß√£o se opera, olhamos para tr√°s, e muitas das nossas pr√≥prias obras parecem-nos escritas por um estranho, t√£o longe se encontram j√°, n√£o apenas dos nossos processos liter√°rios, mas do nosso esp√≠rito, das nossas tend√™ncias, da nossa orienta√ß√£o, dos nossos pontos de vista √©ticos e est√©ticos.
Nesse exame retrospectivo, por vezes doloroso, se de algumas coisas temos de louvar-nos Рobras a que a nossa mocidade comunicou a chama viva do entusiasmo e da paixão -, de outras somos forçados a reconhecer a pobreza da concepção, os vícios da linguagem, as carências da técnica, e tantas vezes (poenitet me!) as audácias, as incoerências, as injustiças, as demasias, a licença de certas pinturas de costumes e o erro de certas atitudes morais.

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Nesta sociedade, a norma da masculinidade é agressão fálica. Sexualidade masculina é, por definição, intensamente e rigidamente fálica. A identidade de um homem é situada na sua concepção de si mesmo como o possuidor de um falo; o valor de um homem é localizado no orgulho dele em identidade fálica. A característica principal da identidade fálica é que o valor é inteiramente contingente na posse de um falo. Já que os homens não têm nenhum outro critério de valor, nenhuma outra noção de identidade, aquelas que não possuem falos não são reconhecidas como completamente humanas.

A Crença só se Mantém pela Ritualização

Uma verdade racional √© impessoal e os factos que a sustentam ficam estabelecidos para sempre. Sendo, ao contr√°rio, pessoais e baseadas em concep√ß√Ķes sentimentais ou m√≠sticas, as cren√ßas s√£o submetidas a todos os factores suscept√≠veis de impressionar a sensibilidade. Deveriam, portanto, ao que parece, modificar-se incessantemente.
As suas partes essenciais mantêm-se, contudo, mas cumpre que sejam constantemente alentadas. Qualquer que seja a sua força no momento do seu triunfo, uma crença que não é continuamente defendida logo se desagrega. A história está repleta de destroços de crenças que, por essa razão, tiveram apenas uma existência efémera. A codificação das crenças em dogmas constitui um elemento de duração que não poderia bastar. A escrita unicamente modera a acção destruidora do tempo.
Uma cren√ßa qualquer, religiosa, pol√≠tica, moral ou social mant√©m-se sobretudo pelo cont√°gio mental e por sugest√Ķes repetidas. Imagens, est√°tuas, rel√≠quias, peregrina√ß√Ķes, cerim√īnias, cantos, m√ļsica, pr√©dicas, etc., s√£o os elementos necess√°rios desse cont√°gio e dessas sugest√Ķes.
Confinado num deserto, privado de qualquer símbolo, o crente mais convicto veria rapidamente a sua fé declinar. Se, entretanto, anacoretas e missionários a conservam, é porque incessantemente relêem os seus livros religiosos e, sobretudo, se sujeitam a uma multidão de ritos e de preces.

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A Obra Nunca Está Concluída

Considera-se, muitas vezes, a obra de um criador como uma sequ√™ncia de testemunhos isolados. Confunde-se ent√£o artista e literato. Um pensamento profundo est√° em perp√©tua forma√ß√£o, esgota a experi√™ncia de uma vida e nela se modela. Do mesmo modo, a cria√ß√£o √ļnica de um homem fortifica-se nos seus rostos sucessivos e m√ļltiplos, que s√£o as obras. Umas completam as outras, corrigem-as ou alcan√ßam-as, contradizem-as tamb√©m. Se alguma coisa termina a cria√ß√£o, n√£o √© o grito vitorioso e ilus√≥rio do artista, ofuscado: ¬ęDisse tudo¬Ľ, mas a morte do criador que fecha a sua experi√™ncia e o livro do seu g√©nio.
Esse esfor√ßo, esta consci√™ncia sobre-humana, n√£o aparece for√ßosamente ao leitor. N√£o h√° mist√©rio na cria√ß√£o humana. √Č a vontade que faz esse milagre. Em todo o caso, n√£o h√° verdadeira cria√ß√£o sem segredo. Sem d√ļvida, uma sequ√™ncia de obras pode n√£o passar de uma s√©rie de aproxima√ß√Ķes do mesmo pensamento. Mas podemos conceber outra esp√©cie de criadores que procederiam por justaposi√ß√£o. As suas obras podem parecer sem rela√ß√£o entre si. Em certa medida, s√£o contradit√≥rias. Mas, colocadas de novo no seu conjunto, denunciam uma ordem. √Č, pois, da morte que recebem o seu sentido definitivo. Aceitam a sua luz mais clara da pr√≥pria vida do seu autor.

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Crueldade e Sofrimento

A crueldade √© constitutiva do universo, √© o pre√ßo a pagar pela grande solidariedade da biosfera, √© inelimin√°vel da vida humana. Nascemos na crueldade do mundo e da vida, a que acrescent√°mos a crueldade do ser humano e a crueldade da sociedade humana. Os rec√©m-nascidos nascem com gritos de dor. Os animais dotados de sistemas nervosos sofrem, talvez os vegetais tamb√©m, mas foram os humanos que adquiriram as maiores aptid√Ķes para o sofrimento ao adquirirem as maiores aptid√Ķes para a frui√ß√£o. A crueldade do mundo √© sentida mais vivamente e mais violentamente pelas criaturas de carne, alma e esp√≠rito, que podem sofrer ao mesmo tempo com o sofrimento carnal, com o sofrimento da alma e com o sofrimento do esp√≠rito, e que, pelo esp√≠rito, podem conceber a crueldade do mundo e horrorizar-se com ela.
A crueldade entre homens, indiv√≠duos, grupos, etnias, religi√Ķes, ra√ßas √© aterradora. O ser humano cont√©m em si um ru√≠do de monstros que liberta em todas as ocasi√Ķes favor√°veis. O √≥dio desencadeia-se por um pequeno nada, por um esquecimento, pela sorte de outrem, por um favor que se julga perdido. O √≥dio abstracto por uma ideia ou uma religi√£o transforma-se em √≥dio concreto por um indiv√≠duo ou um grupo;

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Aureliano o reconheceu, perseguiu os caminhos ocultos da sua descend√™ncia e encontrou o instante da sua pr√≥pria concep√ß√£o entre os escorpi√Ķes e as borboletas amarelas de um banheiro crepuscular, onde um oper√°rio saciava a sua lux√ļria com uma mulher que se entregava a ele por rebeldia.

A Essência das Coisas

Nunca me conformei com um conceito puramente científico da Existência, ou aritmético-geométrico, quantitativo-extensivo. A existência não cabe numa balança ou entre os ponteiros dum compasso. Pesar e medir é muito pouco; e esse pouco é ainda uma ilusão. O pesado é feito de imponderáveis, e a extensão de pontos inextensos, como a vida é feita de mortes.
A realidade n√£o est√° nas apar√™ncias transit√≥rias, reflexos palpitantes, simulacros luminosos, um aflorar de quimeras materiais. Nem √© s√≥lida, nem l√≠quida, nem gasosa, nem electromagn√©tica, palavras com o mesmo significado nulo. Foge a todos os c√°lculos e a todos os olhos de vidro, por mais longe que eles vejam, ou se trate dum n√ļcleo at√≥mico perdido no infinitamente pequeno, ou da nebulosa Andr√≥meda, a seiscentos mil anos de luz da minha aldeia!
A essência das coisas, essa verdade oculta na mentira, é de natureza poética e não científica. Aparece ao luar da inspiração e não à claridade fria da razão. Esta apenas descobre um simples jogo de forças repetido ou modificado lentamente, gestos insubstanciais, formas ocas, a casca de um fruto proibido.
Mas o miolo é do poeta. Só ele saboreia a vida até ao mais íntimo do seu gosto amargoso,

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Disposição Aleatória

Não posso conceber uma vida sem trabalho como verdadeiramente aprazível; para mim, viver através da imaginação e trabalhar significam a mesma coisa; nada mais me contenta. Seria a receita da felicidade, se não fosse o pensamento horrível de que a produtividade depende por completo de uma disposição aleatória; que poderemos, com efeito, empreender no decurso de um dia ou de um período em que as ideias se recusam e as palavras não querem alinhar-se?

(…) Todo o trabalho sistem√°tico √© incompat√≠vel com os meus dons e as minhas tend√™ncias. Todos os meus est√≠mulos resultam das impress√Ķes que recebo em contacto com os meus doentes.

Se nunca nasceste de ti mesmo, dolorosamente, na concep√ß√£o de um poema… est√°s enganado: Para os poetas n√£o existe parto sem dor.

A Indiferença ou a Paixão pelos Outros

O que √© mais proveitoso ‚ÄĒ perguntava eu ‚ÄĒ representar o mundo como pequeno ou como grande? Vejamos como eu resolvia o assunto: os homens eminentes, os capit√£es famosos, os estadistas competentes, em suma, todos os conquistadores e todos os chefes que se elevam pela viol√™ncia acima dos outros homens, devem ser feitos de tal maneira que o Mundo lhes deve parecer como um tabuleiro de damas. Se assim n√£o fosse, eles n√£o teriam a rudeza e a impassibilidade necess√°rias para subordinarem audaciosamente aos seus imprevis√≠veis planos a felicidade e os sofrimentos dos indiv√≠duos isolados, sem se importarem nada com isso. Em contrapartida, uma t√£o limitada concep√ß√£o pode levar os homens a n√£o realizarem coisa alguma, porque todo aquele que considera a humanidade como uma coisa sem import√Ęncia acabar√° por a achar insignificante e por so√ßobrar na indiferen√ßa e na passividade. Desdenhoso de tudo, preferir√° a in√©rcia √† ac√ß√£o sobre os esp√≠ritos, sem contar que a sua insensibilidade, a sua aus√™ncia de simpatia e a sua letargia chocar√£o toda a gente, ofendendo constantemente um mundo imbu√≠do do seu pr√≥prio valor. Assim se lhe fechar√£o todas as vias de um sucesso imprevisto. Ser√° mais razo√°vel ‚ÄĒ perguntava eu, ent√£o ‚ÄĒ ver na humanidade qualquer coisa de grande,

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A Má Consciência

РLevanta-se sempre muito cedo, sr. Spinell Рdisse a mulher do sr. Kloterjahn. Por acaso, já o vi sair duas ou três vezes de casa às sete e meia da manhã.
РMuito cedo? Oh, é preciso distinguir! Se me levanto cedo é porque, no fundo, gosto de dormir até tarde.
РExplique-nos como é isso, sr. Spinell
A senhora conselheira Spatz também desejava ser elucidada.
– Ora… se algu√©m tem o costume de se levantar cedo, parece-me, em todo o caso, que n√£o precisa de ser t√£o matinal. A consic√™ncia, minha senhora, que coisa p√©ssima que √© a consci√™ncia! Eu e os meus semelhantes andamos toda a vida √†s turras com ela, e temos um trabalh√£o para a enganarmos de vez em quando e procurar-lhe umas satisfa√ß√Ķezinhas estultas. Somos criaturas in√ļteis, eu e os meus semelhantes; fora algumas breves horas satisfat√≥rias, arrastamo-nos na certeza da nossa inutilidade, at√© ficarmos a sangrar e doentes. Odiamos o que √© √ļtil, sabendo-o vulgar e feio, e defendemos esta verdade como se defendem as verdades absolutamente necess√°rias. E, contudo, estamos t√£o corro√≠dos pela nossa m√° consci√™ncia que n√£o achamos em n√≥s um ponto s√£o.
Além disso, a maneira como vivemos interiormente,

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Pois mesmo na torrente, tempestade, eu diria até no torvelinho da paixão, é preciso conceber e exprimir sobriedade Рo que engrandece a ação.

O Desejo como Consequência do Prazer e da Dor

O prazer e a dor suscitam o desejo. Desejo de alcançar o prazer e de evitar a dor. O desejo é o móbil principal da nossa vontade e, portanto, dos nossos atos. Do pólipo aos homens, todos os seres são movidos pelo desejo. Inspira a vontade, que não pode existir sem ele, e depende da sua intensidade. O desejo fraco suscita, naturalmente, uma vontade fraca.
Cumpre, no entanto, não confundir vontade e desejo, como fizeram muitos filósofos, tais como Condillac e Schopenhauer. Tudo quanto é querido é, evidentemente, desejado; mas desejamos muitas coisas que, sabemos, não podíamos querer. A vontade traduz deliberação, determinação e execução, estados de consciência que não se observam no desejo.
O desejo estabelece a escala dos nossos valores, variável, aliás, com o tempo e as raças. O ideal de cada povo é a fórmula do seu desejo.
Um desejo que invade todo o entendimento, transforma a nossa concep√ß√£o das coisas, as nossas opini√Ķes e as nossas cren√ßas. Spinoza muito bem disse julgamos uma coisa boa, n√£o por julgamento, mas porque a desejamos.

Não existindo em si mesmo o valor das coisas, ele é apenas determinado pelo desejo e proporcionalmente à intensidade desse desejo.A variável apreciação dos objetos de arte fornece desse fato uma prova diária.

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Chegamos assim a uma concep√ß√£o de rela√ß√£o entre ci√™ncia e religi√£o muito diferente da usual… Sustento que o sentimento religioso c√≥smico √© a mais forte motiva√ß√£o da pesquisa cient√≠fica.