Cita√ß√Ķes sobre Conce√ß√£o

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Frases sobre conce√ß√£o, poemas sobre conce√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre conce√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Verdadeiro Rosto da História

O verdadeiro rosto da hist√≥ria afasta-se veloz. S√≥ podemos reter o passado como uma imagem que no instante em que se deixa reconhecer lan√ßa um clar√£o que n√£o voltar√° a ver-se. ¬ęA verdade n√£o nos escapar√°¬Ľ – esta palavra de Gottfried Keller caracteriza com exactid√£o, na concep√ß√£o da hist√≥ria que t√™m os historicistas, o ponto em que o materialismo hist√≥rico realiza o seu avan√ßo atrav√©s dessa imagem. Irrecuper√°vel √©, com efeito, toda a imagem do passado que corre o risco de desaparecer com cada instante presente que nela n√£o se reconheceu. (A feliz not√≠cia trazida pelo ofegante histori√≥grafo do passado sai de uma boca que, talvez no pr√≥prio instante em que se abre, fala j√° no vazio.)

Quem definirá um dia essa Maldade obscura e misteriosa das coisas, que inspirou aos gregos a concepção indecisa da Fatalidade?

A Lanterna

O sabio antigo andou pelas ruas d’Athenas,
Com a lanterna accesa, errante, à luz do dia,
Buscando o var√£o forte e justo da Utopia,
Privado de paix√Ķes e d’emo√ß√Ķes terrenas.

Eu tambem que aborreço as cousas vãs, pequenas
E que mais alto puz a s√£ Philosophia,
Ha muito busco em v√£o–ha muito, quem diria!
O mais cruel ideal das concep√ß√Ķes serenas.

Tenho buscado em balde, e em v√£o por todo o mundo;
Esconde-se o ideal no sitio mais profundo,
No mar, no inferno, em tudo, aonde existe a d√īr!…

De sorte que hoje emfim, descrente, resignado,
Concentrei-me em mim s√≥, n’um tedio indignado,
E apaguei a lanterna – √Č s√≥ um sonho o Amor!

O Professor como Mestre

N√£o me basta o professor honesto e cumpridor dos seus deveres; a sua norma √© burocr√°tica e vejo-o como pouco mais fazendo do que exercer a sua profiss√£o; estou pronto a conceder-lhe todas as qualidades, uma relativa intelig√™ncia e aquele saber que lhe assegura superioridade ante a classe; acho-o digno dos louvores oficiais e das aten√ß√Ķes das pessoas mais s√©rias; creio mesmo que tal distin√ß√£o foi expressamente criada para ele e seus pares. De resto, √© sempre poss√≠vel a compara√ß√£o com tipos inferiores de humanidade; e ante eles o professor exemplar aparece cheio de m√©rito. Simplesmente, notaremos que o ser mestre n√£o √© de modo algum um emprego e que a sua actividade se n√£o pode aferir pelos m√©todos correntes; ganhar a vida √© no professor um acr√©scimo e n√£o o alvo; e o que importa, no seu ju√≠zo final, n√£o √© a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente h√°-de pesar na balan√ßa √© a pedra que lan√ßou para os alicerces do futuro.
A sua contribuição terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama;

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A (Má-)Emoção Controlada Pela Razão

H√° a ideia de que quando se concede √† raz√£o inteira liberdade ela destr√≥i todas as emo√ß√Ķes profundas. Esta opini√£o parece-me devida a uma concep√ß√£o inteiramente errada da fun√ß√£o da raz√£o na vida humana. N√£o √© objectivo da raz√£o gerar emo√ß√Ķes, embora possa ser parte da sua fun√ß√£o descobrir os meios de impedir que tais emo√ß√Ķes sejam um obst√°culo ao bem-estar. Descobrir os meios de dminuir o √≥dio e a inveja √© sem d√ļvida parte da fun√ß√£o da psicologia racional. Mas √© um erro supor que diminuindo essas paix√Ķes, diminuiremos ao mesmo tempo a intensidade das paix√Ķes que a raz√£o n√£o condena.
No amor apaixonado, na afei√ß√£o dos pais, na amizade, na benevol√™ncia, na devo√ß√£o √†s ci√™ncias ou √†s artes, nada h√° que a raz√£o deseje diminuir. O homem racional, quando sente essas emo√ß√Ķes, ficar√° contente por as sentir e nada deve fazer para diminuir a sua intensidade, pois todas elas fazem parte da verdadeira vida, isto √©, da vida cujo objectivo √© a felicidade, a pr√≥pria e a dos outros. Nada h√° de irracional nas paix√Ķes como paix√Ķes e muitas pessoas irracionais sentem s√≥mente as paix√Ķes mais triviais. Ningu√©m deve recear que ao optar pela raz√£o torne triste a vida.

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Do Livre Arbítrio

A ideia de livre arb√≠trio, na minha opini√£o, tem o seu princ√≠pio na aplica√ß√£o ao mundo moral da ideia primitiva e natural de liberdade f√≠sica. Esta aplica√ß√£o, esta analogia √© inconsciente; e √© tamb√©m falsa. √Č, repito, um daqueles erros inconscientes que n√≥s cometemos; um daqueles falsos racioc√≠nios nos quais tantas vezes e t√£o naturalmente ca√≠mos. Schopenhauer mostrou que a primitiva no√ß√£o de liberdade √© a “aus√™ncia de obst√°culos”, uma no√ß√£o puramente f√≠sica. E na nossa concep√ß√£o humana de liberdade a no√ß√£o persiste. Ningu√©m toma um idiota, ou louco por respons√°vel. Porqu√™? Porque ele concebe uma coisa no c√©rebro como um obst√°culo a um verdadeiro ju√≠zo.
A ideia de liberdade é uma ideia puramente metafísica.
A ideia prim√°ria √© a ideia de responsabilidade que √© somente a aplica√ß√£o da ideia de causa, pela refer√™ncia de um efeito √† sua Causa. “Uma pessoa bate-me; eu bato √†quela em defesa.” A primeira atingiu a segunda e matou-a. Eu vi tudo. Essa pessoa √© a Causa da morte da outra.” Tudo isto √© inteiramente verdade.
Assim se vê que a ideia de livre arbítrio não é de modo algum primitiva; essa responsabilidade, fundada numa legítima mas ignorante aplicação do princípio de Causalidade é a ideia realmente primitiva.

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Prazer com Virtude

Que dizer do facto de tanto os homens bons como os maus terem prazer, e de os homens infames terem tanto gosto em cometer actos vergonhosos como os homens honestos t√™m nas suas ac√ß√Ķes excelentes? √Č por isso que os antigos prescreveram que se procurasse a vida melhor, n√£o a mais agrad√°vel, de forma a que o prazer fosse, n√£o o guia, mas um companheiro da vontade recta e boa. Na verdade, a natureza deve ser o nosso guia: a raz√£o observa-a e consulta-a. Por isso, viver feliz √© o mesmo que viver de acordo com a natureza. Passo a explicar o que quer isto dizer: se conservarmos os nossos dons corporais e as nossas aptid√Ķes naturais com dilig√™ncia, mas tamb√©m com impavidez, tomando-os como bens ef√©meros e fugazes; se n√£o nos tornarmos servos deles, nem nos submetermos a coisas exteriores; se as coisas que s√£o circunstanciais e agrad√°veis ao corpo forem para n√≥s como auxiliares e tropas ligeiras num castro (que obedecem, n√£o comandam); nesta medida, todas estas coisas ser√£o √ļteis √† mente.
N√£o se deixe o homem corromper pelas coisas externas e inalcan√ß√°veis, e admire-se apenas a si pr√≥prio, confiando no seu √Ęnimo e mantendo-se preparado para tudo,

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A Diferença entre Ficção e Crença

Não há nada mais livre do que a imaginação humana; embora não possa ultrapassar o stock primitivo de ideias fornecidas pelos sentidos externos e internos, ela tem poder ilimitado para misturar, combinar, separar e dividir estas ideias em todas as variedades da ficção e da fantasia imaginativa e novelesca. Ela pode inventar uma série de eventos com toda a aparência de realidade, pode atribuir-lhes um tempo e um lugar particulares, concebê-los como existentes e des­crevê-los com todos os pormenores que correspondem a um facto histórico, no qual ela acredita com a máxima certeza. Em que consiste, pois, a diferença entre tal ficção e a crença?
Ela não se localiza sim­plesmente numa ideia particular anexada a uma concepção que obtém o nosso assentimento, e que não se encontra em nenhuma ficção conhecida. Pois, como o espírito tem autoridade sobre todas as suas ideias, poderia voluntariamente anexar esta ideia particular a uma ficção e, por conseguinte, seria capaz de acreditar no que lhe agradasse, embora se opondo a tudo que encontramos na experiência diária. Po­demos, quando pensamos, juntar a cabeça de um homem ao corpo de um cavalo, mas não está em nosso poder acreditar que semelhante animal tenha alguma vez existido.

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Toda a Acção é Egoísta

N√£o pode haver ac√ß√Ķes que n√£o sejam ego√≠stas. Palavras como ¬ęinstinto altru√≠sta¬Ľ soam aos meus ouvidos como machadadas. Bem gostaria eu que algu√©m tentasse demonstrar a possibilidade de actos desses! O povo e quem se lhe assemelha √© que acredita que eles existem. Tamb√©m h√° quem creia que o amor maternal e o amor carnal s√£o sentimentos altru√≠stas!
√Č um erro hist√≥rico supor que os povos sempre equipararam o sentido de ego√≠smo e de altru√≠smo ao de bem e de mal. Bem mais antiga √© a concep√ß√£o de l√≠cito e il√≠cito, respectivamente como bem e mal, em conformidade com o cumprimento ou falta de cumprimento dos costumes.

O Liberalismo

O regime liberal é aquele em que os direitos da pessoa são apenas considerados inalienáveis aos interesses da comunidade. Por isso, nele se procura assegurar nas leis e na prática o respeito da pessoa mediante o efetivo exercício daqueles direitos, mas não a destruição dela pela anarquia totalitária ou libertária.

(…) Se se entende por liberal todo aquele que acha indispens√°vel que qualquer solu√ß√£o pol√≠tica respeite as liberdades e os direitos fundamentais da pessoa humana, sou efetivamente liberal. Se, por outro lado, se limita a conce√ß√£o de liberalismo ao campo exclusivamente econ√≥mico e se tem como liberal aquele que preconiza a absten√ß√£o do poder pol√≠tico em rela√ß√£o ao campo econ√≥mico e ao campo social, nesse sentido n√£o sou liberal.

O Dilema do Conhecimento

Como todos sabemos, aprender pouco é algo perigoso. Mas o excesso de aprendizado altamente especializado também é uma coisa perigosa, e por vezes pode ser ainda mais perigoso do que aprender só um pouco. Um dos principais problemas da educação superior agora é conciliar as exigências da muita aprendizagem, que é essencialmente uma aprendizagem especializada, com as exigências da pouca aprendizagem, que é a abordagem mais ampla, mas menos profunda, dos problemas humanos em geral.
(…) O que precisamos fazer √© arranjar casamentos, ou melhor, trazer de volta ao seu estado original de casados os diversos departamentos do conhecimento e das emo√ß√Ķes, que foram arbitrariamente separados e levados a viver em isolamento nas suas celas mon√°sticas. Podemos parodiar a B√≠blia e dizer: “Que o homem n√£o separe o que a natureza juntou”; n√£o permitamos que a arbitr√°ria divis√£o acad√©mica em disciplinas rompa a teia densa da realidade, transformando-a em absurdo.
Mas aqui deparamo-nos com um problema muito grave: qualquer forma de conhecimento superior exige especializa√ß√£o. Precisamos de nos especializar para entrar mais profundamente em certos aspectos separados da realidade. Mas se a especializa√ß√£o √© absolutamente necess√°ria, pode ser absolutamente fatal, se levada longe demais. Por isso, precisamos de descobrir algum meio de tirar o maior proveito de ambos os mundos –

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Tédio

Ando às vezes boçal e sinto-me incapaz
De encontrar uma rima ou produzir um verso;
Fazendo de mim mesmo a ideia de um perverso
Capaz de apunhalar à luz do gás.

Incomoda-me a Cor, o sangue do Poente
РWaterloo rubro de que o sol é Bonaparte -;
N√£o compreendo, Mulher, como inda posso amar-te
Se tenho raiva, muita raiva a toda a gente.

‚ÄėT√© onde a vista alcan√ßa alargo o meu olhar,
E creio quanto existe uma nódoa escura
Que as l√°grimas do Choro h√£o de jamais lavar…

Estranha concepção! Abranjo o mundo todo
E em cada estrela vejo a mesma lama impura,
E em cada boca rubra o mesmo impuro lodo!

O estilo nem por sombra corresponde a um simples culto da forma, mas, muito longe disso, a uma particular concepção da arte e, mais em geral, a uma particular concepção da vida.

A Cobardia como Pilar da Civilização

Costuma-se jogar na cara dos marxistas, com a sua concep√ß√£o materialista da Hist√≥ria, que eles subestimam certas qualidades espirituais do homem que n√£o dependem de quanto ele ganhe ou deixe de ganhar. O argumento √© o de que essas qualidades colorem as aspira√ß√Ķes e actividades do homem civilizado tanto quanto s√£o coloridas pela sua condi√ß√£o material, tornando assim imposs√≠vel simplesmente
reduzir o homem a uma m√°quina econ√≥mica. Como exemplos, os antimarxistas citam o patriotismo, a piedade, o senso est√©tico e a vontade de conhecer Deus. Infelizmente, os exemplos s√£o mal escolhidos. Milh√Ķes de homens n√£o ligam para o patriotismo, a piedade ou o senso est√©tico, n√£o t√™m o menor interesse activo em conhecer Deus. Por que √© que os antimarxistas n√£o citam uma qualidade espiritual que seja verdadeiramente universal? Pois aqui vai uma. Refiro-me √† cobardia. De uma forma ou de outra, ela √© vis√≠vel em todo o ser humano; serve tamb√©m para separar o homem de todos os outros animais superiores. A cobardia, acredito, est√° na base de todo o sistema de castas e na forma√ß√£o de todas as sociedades organizadas, inclusive as mais democr√°ticas. Para escapar de ir √† guerra ele pr√≥prio, o campon√™s deva de m√£o beijada certos privil√©gios aos guerreiros ‚Äď e destes privil√©gios brotou toda a estrutura da civiliza√ß√£o.

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Uma Nação Sem Ideal Desaparece Rapidamente da História

Qualquer que seja a ra√ßa ou o tempo considerado, o objectivo constante da atividade humana foi sempre a pesquisa da felicidade, a qual consiste, em √ļltima an√°lise, ainda o repito, em procurar o prazer e evitar a dor. Sobre essa concep√ß√£o fundamental os homens estiveram constantemente de acordo; as suas diverg√™ncias aplicam-se somente √† id√©ia que se concebe da felicidade e aos meios de a conquistar.
As suas formas s√£o diversas, mas o termo que se tem em mira √© id√™ntico. Sonhos de amor, de riqueza, de ambi√ß√£o ou de f√© s√£o os possantes factores de ilus√Ķes que a natureza emprega para conduzir-nos aos seus fins. Realiza√ß√£o de um desejo presente ou simples esperan√ßa, a felicidade √© sempre um fen√≥meno subjectivo. Desde que os contornos do sonho se implantam um pouco no esp√≠rito, com ardor n√≥s tentamos obt√™-lo.
Mudar a concepção da felicidade de um indivíduo ou de um povo, isto é, o seu ideal, é mudar, ao mesmo tempo, a sua concepção da vida e, por conseguinte, o seu destino. A história não é mais do que a narração dos esforços empregues pelo homem para edificar um ideal e destruí-lo em seguida, quando, tendo-o atingido, descobre a sua fragilidade.

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Só a nossa concepção de tempo nos faz nomear o Juízo Final com essas palavras; na realidade é um tribunal permanente.

Hino à Solidão

Diz-se que a solid√£o torna a vida um deserto;
Mas quem sabe viver com a sua alma nunca
Se encontra só; a Alma é um mundo, um mundo
[aberto
Cujo átrio, a nossos pés, de pétalas se junca.

Mundo vasto que mil existências povoam:
Imagens, concep√ß√Ķes, formas do sentimento,
‚ÄĒ Sonhos puros que nele em beleza revoam
E ficam a brilhar, sóis do seu firmamento.

Dia a dia, hora a hora, o Pensamento lavra
Esse fecundo ch√£o onde se esconde e medra
A semente que vai germinar na Palavra,
Cantar no Som, flores na Cor, sorrir na Pedra!

Basta que certa luz de seus raios aqueça
A semente que jaz na sua leiva escondida,
Para que ela, a sorrir, desabroche e floresça,
De perfumes enchendo as estradas da Vida.

Sei que embora essa luz nem para todos tenha
O mesmo brilho, o mesmo impulso criador,
Da Glória, sempre vã, todo o asceta desdenha,
Vivendo como um deus no seu mundo interior.

E que mundo sublime, esse em que ele se agita!
Mundo que de si mesmo e em si mesmo criou,

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O Homem é um Animal Afectivo ou Sentimental, não Racional

Na maior parte das hist√≥rias da filosofia que conhe√ßo, os sistemas s√£o-nos apresentados, como tendo origem uns nos outros, e os seus autores, os fil√≥sofos, aparecem apenas como meros pretextos. A biografia √≠ntima dos fil√≥sofos, e dos homens que filosofaram, ocupa um lugar secund√°rio. E, sem d√ļvida, √© ela, essa biografia √≠ntima a que mais coisas nos explica.
Cumpre-nos dizer, antes de mais, que a filosofia se inclina mais para a poesia do que para a ciência. Quantos sistemas filosóficos se forjaram, como suprema harmonização dos resultados finais das ciências particulares, num período qualquer, tendo tido muito menos consistência e menos vida do que aqueles outros que representavam o anseio integral do espírito do seu autor.
(…) A filosofia corresponde √† necessidade de formarmos uma concep√ß√£o unit√°ria e total do mundo e da vida e, como consequ√™ncia desse conceito, um sentimento que gere uma atitude √≠ntima, e at√© uma ac√ß√£o. Mas resulta que esse sentimento, em vez de ser consequ√™ncia daquele conceito, √© a sua causa. A nossa filosofia, isto √©, a nossa maneira de compreender ou de n√£o compreender o mundo e a vida, brota do nosso sentimento respeitante √† pr√≥pria vida. E esta, como tudo o que √© afectivo,

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A Insegurança do Escritor

√Č certo que tudo o que concebi antecipadamente, mesmo quando estava com boa disposi√ß√£o, quer com todo o pormenor, quer casualmente, mas em palavras espec√≠ficas, aparece seco, errado, inflex√≠vel, embara√ßado para todos os que me rodeiam, t√≠mido, mas acima de tudo incompleto, quando tento escrever tudo isso √† minha secret√°ria, embora eu n√£o tenha esquecido nada da concep√ß√£o original. Isto est√° naturalmente relacionado em grande parte com o facto de eu conceber uma coisa boa longe do papel durante apenas um momento de exalta√ß√£o mais temido do que desejado, embora eu muito o deseje; mas ent√£o a plenitude √© tal que eu tenho de ceder. √Äs cegas e arbitrariamente agarro peda√ßos da corrente, de modo que, quando escrevo calmamente, a minha aquisi√ß√£o n√£o √© nada comparada com a plenitude em que viveu, √© incapaz de restaurar essa plenitude, e assim √© m√° e perturbadora, por ser uma in√ļtil tenta√ß√£o.

Se a exist√™ncia de Deus, se a imortalidade da alma n√£o fossem sen√£o sonhos, ainda assim seriam a mais bela de todas as concep√ß√Ķes do esp√≠rito humano.