Passagens sobre Correcção

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Frases sobre correc√ß√£o, poemas sobre correc√ß√£o e outras passagens sobre correc√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Toler√Ęncia √© Com as Pessoas, N√£o Com os Actos

Grande arte √© saber corrigir a tempo, oportunamente, abrindo uma porta; sem esmagar a pessoa mas ajudando a superar o erro. Quem sabe fazer esta distin√ß√£o n√£o deve ter medo de ter opini√£o nem cai na ratoeira de se calar dizendo que √© tolerante. A toler√Ęncia √© com as pessoas, n√£o com os actos.

Darcy: РEm criança ensinaram-me o que era certo,mas não me ensinaram a corrigir meu gênio.

As pessoas nascem sempre sob o signo errado, e estar no mundo de forma digna significa corrigir dia a dia o próprio horóscopo.

Conquistar longevidade numa rela√ß√£o a dois, significa relevar pequenos defeitos e ajudar a corrigir defeitos maiores. O resultado √© a sinergia m√ļtua e a constru√ß√£o de uma fam√≠lia coesa e feliz.

Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha √Ęnsia de acertar. Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. Sou uma culpada inocente.

A Vantagem de Ter Pouca Memória

Não há outro homem a quem aventurar-se a falar de memória assente tão mal. Pois praticamente não reconheço em mim vestígio dela, e não creio que haja no mundo uma outra tão prodigiosa em insuficiência. Tenho banais e comuns todas as minhas outras qualidades. Mas nesta creio ser singular e muito raro, e digno de por ela ganhar nome e fama.
(…) Em certa medida, consolo-me. Em primeiro lugar porque esse √© um mal pelo qual encontrei principalmente o meio de corrigir um mal pior que poderia facilmente ter surgido em mim, ou seja, a ambi√ß√£o, pois √© uma falta (a falta de mem√≥ria) inadmiss√≠vel para quem se envolve nos neg√≥cios do mundo; e porque, como mostram v√°rios exemplos semelhantes do andamento da natureza, esta de bom grado fortaleceu em mim outras faculdades na medida em que aquela se enfraqueceu, e facilmente eu iria deitando e enlaguescendo o meu esp√≠rito e o meu discernimento sobre os rastros de outrem, como faz o mundo, sem exercer as suas pr√≥prias for√ßas, se as ideias e opini√Ķes alheias estivessem presentes em mim pelo benef√≠cio da mem√≥ria.
E porque as minhas falas são mais curtas, pois o armazém da memória costuma ser mais bem provido de matéria do que o da invenção;

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A Ordem das Coisas

Natura deficit, fortuna mutatur, deus omnia cernit. A natureza trai-nos, a sorte muda, um deus v√™ do alto todas estas coisas. Apertava ao dedo a mesa de um anel onde, num dia de amargura, mandava gravar estas palavras tristes; ia mais longe no desengano, talvez na blasf√©mia; acabava por achar natural, sen√£o justo, que dev√≠amos perecer. As nossas letras esgotam-se; as nossas artes adormecem; P√Ęncrates n√£o √© Homero; Arriano n√£o √© Xenofonte; quando tentei imortalizar na pedra a forma de Ant√≠noo n√£o encontrei Prax√≠teles. Depois de Arist√≥teles e de Arquimedes, as nossas ci√™ncias n√£o progridem; os nossos progressos t√©cnicos n√£o resistiriam ao desgaste de uma longa guerra; mesmo os nossos voluptuosos desgostam-se da felicidade. O abrandamento dos costumes, o avan√ßo das ideias no decorrer do √ļltimo s√©culo √© obra de uma infima minoria de bons esp√≠ritos; a massa continua ignara, feroz, quando pode, de qualquer forma ego√≠sta e limitada, e h√° raz√Ķes para apostar que ficar√° sempre assim. Procuradores a mais, publicanos √°vidos, demasiados senadores desconfiados, demasiados centuri√Ķes brutais comprometeram adiantadamente a nossa obra; e os imp√©rios, como os homens, j√° n√£o t√™m tempo para se instru√≠rem √† custa das suas faltas. Onde quer que um tecel√£o remendar o seu pano,

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Coloque a lealdade e a confiança acima de qualquer coisa; não te alies aos moralmente inferiores; não receies corrigir teus erros.

A Felicidade de uma Raz√£o Perfeita

Creio que estaremos de acordo em que é para proveito do corpo que procuramos os bens exteriores; em que apenas cuidamos do corpo para benefício da alma, e em que na alma há uma parte meramente auxiliar Рa que nos assegura a locomoção e a alimentação Рda qual dispomos tão somente para serviço do elemento essencial. No elemento essencial da alma há uma parte irracional e outra racional; a primeira está ao serviço da segunda; esta não tem qualquer ponto de referência além de si própria, pelo contrário, serve ela de ponto de referência a tudo. Também a razão divina governa tudo quanto existe sem a nada estar sujeita; o mesmo se passa com a nossa razão, que, aliás, provém daquela.
Se estamos de acordo nesse ponto, estaremos necessariamente tamb√©m de acordo em que a nossa felicidade depende exclusivamente de termos em n√≥s uma raz√£o perfeita, pois apenas esta impede em n√≥s o abatimento e resiste √† fortuna; seja qual for a sua situa√ß√£o, ela manter-se-√° imperturb√°vel. O √ļnico bem aut√™ntico √© aquele que nunca se deteriora.
O homem feliz, insisto, √© aquele que nenhuma circunst√Ęncia inferioriza; que permanece no cume sem outro apoio al√©m de si mesmo,

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Julgar sem Ira

Não há paixão que tanto abale a integridade dos julgamentos quanto a cólera. Ninguém hesitaria em punir de morte o juiz que, por cólera, houvesse condenado o seu criminoso; por que será mais permitido aos pais e aos professores açoitar as crianças e castigá-las estando encolerizados? Isso já não é correcção: é vingança. O castigo faz papel de remédio para as crianças; e toleraríamos um médico que estivesse animado e encolerizado contra o seu paciente?
N√≥s mesmos, para agir bem, n√£o dever√≠amos p√īr a m√£o nos nossos servi√ßais enquanto nos perdurar a c√≥lera. Enquanto o pulso nos bater e sentirmos emo√ß√£o, adiemos o acerto; as coisas na verdade v√£o parecer-nos diferentes quando estivermos calmos e arrefecidos: agora √© a paix√£o que comanda, √© a paix√£o que fala, n√£o somos n√≥s. Atrav√©s dela as faltas parecem-nos maiores, como os corpos no meio do nevoeiro. Quem tiver fome fa√ßa uso de alimento; mas quem quiser fazer uso do castigo n√£o deve sentir fome nem sede dele. E, al√©m disso, as puni√ß√Ķes que se fazem com pondera√ß√£o e discernimento s√£o muito mais bem aceites e com melhor proveito por quem as recebe. De outra forma, ele n√£o considera que foi condenado justamente,

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Sobre o Falso

Somos falsos de maneiras diferentes. Há homens falsos que querem parecer sempre o que não são. Outros há de melhor fé, que nasceram falsos, se enganam a si próprios o nunca vêem as coisas tal como são. Há alguns cujo espírito é estreito e o gosto falso. Outros têm o espírito falso, mas alguma correcção no gosto. E ainda há outros que não têm nada de falso, nem no gosto nem no espírito. Estes são muito raros, já que, em geral, não há quase ninguém que não tenha alguma falsidade algures, no espírito ou no gosto.
O que torna essa falsidade t√£o universal, √© que as nossas qualidades s√£o incertas e confusas e a nossa vis√£o tamb√©m: n√£o vemos as coisas tal como s√£o, avaliamo-las aqu√©m ou al√©m do que elas valem e n√£o as relacionamos connosco da forma que lhes conv√©m e que conv√©m ao nosso estado e √†s nossas qualidades. Esse erro de c√°lculo traz consigo um n√ļmero infinito de falsidades no gosto e no esp√≠rito: o nosso amor-pr√≥prio lisonjeia-se como tudo que se nos apresenta sob a apar√™ncia de bem; mas como h√° v√°rias formas de bem que sensibilizam a nossa vaidade ou o nosso temperamento,

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Os Pseudo-S√°bios

Os verdadeiros s√°bios perguntam como se comporta dada coisa em si mesma e na sua rela√ß√£o com outras coisas, sem se preocuparem com a utilidade, ou seja, com a aplica√ß√£o no dom√≠nio do j√° conhecido ou no dom√≠nio daquilo que √© necess√°rio √† vida. H√° outros esp√≠ritos, gente bastante diferente, que, sendo mais agudos, mais virados para a vida, mais experimentados e familiarizados com a t√©cnica, tratam imediatamente de encontrar as aplica√ß√Ķes.
Os pseudo-s√°bios procuram apenas retirar t√£o depressa quanto poss√≠vel algum proveito pessoal das novas descobertas, tratando de obter uma gl√≥ria v√£, seja pela tentativa de dar continuidade ou alargamento √† descoberta em causa, seja pela introdu√ß√£o de correc√ß√Ķes, ou at√© por uma simples anexa√ß√£o pessoal, por exemplo, afectando grandes preocupa√ß√Ķes em rela√ß√£o ao assunto. O car√°cter sempre prematuro desses comportamentos prejudica a verdadeira ci√™ncia, traz-lhe maior incerteza e confus√£o, e atrofia-lhe manifestamente aquilo que ela pode produzir de mais belo, isto √©, o seu florescimento pr√°tico.

A Cozinha do Escritor

Aquilo que eu mais amo na escrita √© o devaneio que a precede. A escrita em si, n√£o, n√£o √© muito agrad√°vel. Deve-se materializar o sonho na p√°gina, assim que se saia do devaneio. √Äs vezes penso, como √© que os outros fazem? Como esses outros autores que, como Flaubert o fazia no s√©culo XIX, escrevem e reescrevem, reformulam, reconstruem, e v√£o condensando a partir da primeira vers√£o at√© que n√£o reste finalmente quase nada na vers√£o final do livro? Isso soa-me muito assustador. Pessoalmente, contento-me em fazer as correc√ß√Ķes num primeiro esbo√ßo que se assemelha a um desenho que foi feito de uma vez s√≥. Estas correc√ß√Ķes s√£o numerosas e ligeiras, como uma acumula√ß√£o de actos de microcirurgia. Sim, √© preciso medidas dr√°sticas como faz um cirurgi√£o, ser frio o suficiente com o seu pr√≥prio texto de uma ponta √† outra, corrigindo, suprimindo, enfatizando. √Äs vezes basta riscar algumas palavras numa p√°gina para que tudo mude. Mas √© essa a cozinha do escritor, que √© suficientemente chato para os outros.