Cita√ß√Ķes sobre Correc√ß√£o

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Frases sobre correc√ß√£o, poemas sobre correc√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre correc√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Felicidade de uma Raz√£o Perfeita

Creio que estaremos de acordo em que é para proveito do corpo que procuramos os bens exteriores; em que apenas cuidamos do corpo para benefício da alma, e em que na alma há uma parte meramente auxiliar Рa que nos assegura a locomoção e a alimentação Рda qual dispomos tão somente para serviço do elemento essencial. No elemento essencial da alma há uma parte irracional e outra racional; a primeira está ao serviço da segunda; esta não tem qualquer ponto de referência além de si própria, pelo contrário, serve ela de ponto de referência a tudo. Também a razão divina governa tudo quanto existe sem a nada estar sujeita; o mesmo se passa com a nossa razão, que, aliás, provém daquela.
Se estamos de acordo nesse ponto, estaremos necessariamente tamb√©m de acordo em que a nossa felicidade depende exclusivamente de termos em n√≥s uma raz√£o perfeita, pois apenas esta impede em n√≥s o abatimento e resiste √† fortuna; seja qual for a sua situa√ß√£o, ela manter-se-√° imperturb√°vel. O √ļnico bem aut√™ntico √© aquele que nunca se deteriora.
O homem feliz, insisto, √© aquele que nenhuma circunst√Ęncia inferioriza; que permanece no cume sem outro apoio al√©m de si mesmo,

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Julgar sem Ira

Não há paixão que tanto abale a integridade dos julgamentos quanto a cólera. Ninguém hesitaria em punir de morte o juiz que, por cólera, houvesse condenado o seu criminoso; por que será mais permitido aos pais e aos professores açoitar as crianças e castigá-las estando encolerizados? Isso já não é correcção: é vingança. O castigo faz papel de remédio para as crianças; e toleraríamos um médico que estivesse animado e encolerizado contra o seu paciente?
N√≥s mesmos, para agir bem, n√£o dever√≠amos p√īr a m√£o nos nossos servi√ßais enquanto nos perdurar a c√≥lera. Enquanto o pulso nos bater e sentirmos emo√ß√£o, adiemos o acerto; as coisas na verdade v√£o parecer-nos diferentes quando estivermos calmos e arrefecidos: agora √© a paix√£o que comanda, √© a paix√£o que fala, n√£o somos n√≥s. Atrav√©s dela as faltas parecem-nos maiores, como os corpos no meio do nevoeiro. Quem tiver fome fa√ßa uso de alimento; mas quem quiser fazer uso do castigo n√£o deve sentir fome nem sede dele. E, al√©m disso, as puni√ß√Ķes que se fazem com pondera√ß√£o e discernimento s√£o muito mais bem aceites e com melhor proveito por quem as recebe. De outra forma, ele n√£o considera que foi condenado justamente,

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Sobre o Falso

Somos falsos de maneiras diferentes. Há homens falsos que querem parecer sempre o que não são. Outros há de melhor fé, que nasceram falsos, se enganam a si próprios o nunca vêem as coisas tal como são. Há alguns cujo espírito é estreito e o gosto falso. Outros têm o espírito falso, mas alguma correcção no gosto. E ainda há outros que não têm nada de falso, nem no gosto nem no espírito. Estes são muito raros, já que, em geral, não há quase ninguém que não tenha alguma falsidade algures, no espírito ou no gosto.
O que torna essa falsidade t√£o universal, √© que as nossas qualidades s√£o incertas e confusas e a nossa vis√£o tamb√©m: n√£o vemos as coisas tal como s√£o, avaliamo-las aqu√©m ou al√©m do que elas valem e n√£o as relacionamos connosco da forma que lhes conv√©m e que conv√©m ao nosso estado e √†s nossas qualidades. Esse erro de c√°lculo traz consigo um n√ļmero infinito de falsidades no gosto e no esp√≠rito: o nosso amor-pr√≥prio lisonjeia-se como tudo que se nos apresenta sob a apar√™ncia de bem; mas como h√° v√°rias formas de bem que sensibilizam a nossa vaidade ou o nosso temperamento,

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Os Pseudo-S√°bios

Os verdadeiros s√°bios perguntam como se comporta dada coisa em si mesma e na sua rela√ß√£o com outras coisas, sem se preocuparem com a utilidade, ou seja, com a aplica√ß√£o no dom√≠nio do j√° conhecido ou no dom√≠nio daquilo que √© necess√°rio √† vida. H√° outros esp√≠ritos, gente bastante diferente, que, sendo mais agudos, mais virados para a vida, mais experimentados e familiarizados com a t√©cnica, tratam imediatamente de encontrar as aplica√ß√Ķes.
Os pseudo-s√°bios procuram apenas retirar t√£o depressa quanto poss√≠vel algum proveito pessoal das novas descobertas, tratando de obter uma gl√≥ria v√£, seja pela tentativa de dar continuidade ou alargamento √† descoberta em causa, seja pela introdu√ß√£o de correc√ß√Ķes, ou at√© por uma simples anexa√ß√£o pessoal, por exemplo, afectando grandes preocupa√ß√Ķes em rela√ß√£o ao assunto. O car√°cter sempre prematuro desses comportamentos prejudica a verdadeira ci√™ncia, traz-lhe maior incerteza e confus√£o, e atrofia-lhe manifestamente aquilo que ela pode produzir de mais belo, isto √©, o seu florescimento pr√°tico.

A Cozinha do Escritor

Aquilo que eu mais amo na escrita √© o devaneio que a precede. A escrita em si, n√£o, n√£o √© muito agrad√°vel. Deve-se materializar o sonho na p√°gina, assim que se saia do devaneio. √Äs vezes penso, como √© que os outros fazem? Como esses outros autores que, como Flaubert o fazia no s√©culo XIX, escrevem e reescrevem, reformulam, reconstruem, e v√£o condensando a partir da primeira vers√£o at√© que n√£o reste finalmente quase nada na vers√£o final do livro? Isso soa-me muito assustador. Pessoalmente, contento-me em fazer as correc√ß√Ķes num primeiro esbo√ßo que se assemelha a um desenho que foi feito de uma vez s√≥. Estas correc√ß√Ķes s√£o numerosas e ligeiras, como uma acumula√ß√£o de actos de microcirurgia. Sim, √© preciso medidas dr√°sticas como faz um cirurgi√£o, ser frio o suficiente com o seu pr√≥prio texto de uma ponta √† outra, corrigindo, suprimindo, enfatizando. √Äs vezes basta riscar algumas palavras numa p√°gina para que tudo mude. Mas √© essa a cozinha do escritor, que √© suficientemente chato para os outros.

D√™em-me erros frut√≠feros, cheios de sementes, rebentando com as suas pr√≥prias correc√ß√Ķes. Podem guardar a vossa verdade est√©ril para v√≥s mesmos.

A Inquietação Moderna

Em direc√ß√£o a oeste, a movimenta√ß√£o moderna torna-se cada vez maior, de modo que, para os Americanos, os habitantes da Europa na sua totalidade se apresentam como seres que gostam do sossego e dele usufruem, quando estes mesmos, no entanto, voam em confus√£o como abelhas e vespas. Esta movimenta√ß√£o torna-se t√£o grande que a cultura superior j√° n√£o pode madurar os seus frutos; √© como se as esta√ß√Ķes do ano se seguissem umas √†s outras demasiado depressa. Por falta de sossego, a nossa civiliza√ß√£o vai dar a uma nova barb√°rie. Em nenhuma √©poca, os activos, ou seja, os irrequietos, foram t√£o considerados. Refor√ßar em grande medida o elemento contemplativo faz parte, por conseguinte, das necess√°rias correc√ß√Ķes que se tem de efectuar no car√°cter da humanidade. No entanto, desde j√°, cada indiv√≠duo, que seja calmo e constante de cora√ß√£o e de cabe√ßa, tem o direito de crer que possui n√£o s√≥ um bom temperamento, mas tamb√©m uma virtude de utilidade geral e que, ao conservar essa atitude, at√© cumpre uma miss√£o superior.