Cita√ß√Ķes sobre Despotismo

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A Liberdade só Existe com Lei e Poder

Liberdade e lei (pela qual a liberdade √© limitada) s√£o os dois eixos em torno dos quais gira a legisla√ß√£o civil. Mas, a fim de que a lei seja eficaz, em vez de ser uma simples recomenda√ß√£o, deve ser acrescentado um meio-termo, o poder, que, ligado aos princ√≠pios da liberdade, garanta o sucesso dos da lei. √Č poss√≠vel conceber apenas quatro formas de combina√ß√£o desse √ļnico elemento com os dois primeiros:
A. Lei e liberdade sem poder (Anarquia).
B. Lei e poder sem liberdade (Despotismo).
C. Poder sem liberdade nem lei (Barb√°rie).
D. Poder com liberdade e lei (Rep√ļblica).

Marat

Foia a alma¬†cruel das barricadas!…
Misto de luz e lama!… se ele ria,
As p√ļrpuras gelavam-se e rangia
Mais de um trono, se dava gargalhadas!…

Fan√°tico da luz… por√©m seguia
Do crime as torvas, lívidas pisadas.
Armava, √† noite, aos cora√ß√Ķes ciladas,
Batia o despotismo à luz do dia.

No seu cérebro tremente negrejavam
Os planos mais cruéis e cintilavam
As idéias mais bravas e brilhantes.

H√° muito que um punhal gelou-lhe o seio.
Passou… deixou na hist√≥ria um rastro cheio
De l√°grimas e luzes ofuscantes.

A Preguiça como Obstáculo à Liberdade

A pregui√ßa e a cobardia s√£o as causas por que os homens em t√£o grande parte, ap√≥s a natureza os ter h√° muito libertado do controlo alheio, continuem, no entanto, de boa vontade menores durante toda a vida; e tamb√©m por que a outros se torna t√£o f√°cil assumirem-se como seus tutores. √Č t√£o c√≥modo ser menor.
Se eu tiver um livro que tem entendimento por mim, um director espiritual que tem em minha vez consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., então não preciso de eu próprio me esforçar. Não me é forçoso pensar, quando posso simplesmente pagar; outros empreenderão por mim essa tarefa aborrecida. Porque a imensa maioria dos homens (inclusive todo o belo sexo) considera a passagem à maioridade difícil e também muito perigosa é que os tutores de boa vontade tomaram a seu cargo a superintendência deles. Depois de, primeiro, terem embrutecido os seus animais domésticos e evitado cuidadosamente que estas criaturas pacíficas ousassem dar um passo para fora da carroça em que as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça, se tentarem andar sozinhas. Ora, este perigo não é assim tão grande, pois aprenderiam por fim muito bem a andar.

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Sanhudo, Inexor√°vel Despotismo

Sanhudo, inexor√°vel Despotismo
Monstro que em pranto, em sangue a f√ļria cevas,
Que em mil quadros horríficos te enlevas,
Obra da Iniquidade e do Ateísmo:

Assanhas o danado Fanatismo,
Porque te escore o trono onde te enlevas;
Por que o sol da Verdade envolva em trevas
E sepulte a Raz√£o num denso abismo.

Da sagrada Virtude o colo pisas,
E aos satélites vis da prepotência
De crimes infernais o plano gizas,

Mas, apesar da bárbara insolência,
Reinas s√≥ no ext’rior, n√£o tiranizas
Do livre coração a independência.

Um Dia Guttemberg

Um dia Guttemberg c’o a alma aos c√©us suspensa,
Pegou do escopro ingente e p√īs-se a trabalhar!
E fez do velho mundo um r√ļtilo alcan√ßar
Ao mágico clangor de sua idéia imensa!

Rolou por todo o globo a luz da sacra imprensa!
Ruiu o despotismo no p√≥, a esbravejar…
Uniram-se n’um lago, o c√©u, a terra, o mar…
Rasgou-se o manto atroz da horr√≠vel treva densa!…

Ergueram-se mil povos ao som das melopéias,
Das grandes cavatinas olímpicas da arte!
Raiou o novo sol das f√ļlgidas id√©ias!…

Porém, quem lance luz maior por toda a parte
√Čs tu, sublime atriz, √≥ misto de epop√©ias
Que sabes no tablado subir, endeusar-te!…

Despotismo pode governar sem f√©, mas liberdade n√£o pode. Religi√£o √© muito mais necess√°ria nas rep√ļblicas que se estabeleceram em cores brilhantes, que na monarquia que eles atacam, e √© mais necess√°ria nas rep√ļblicas democr√°ticas do que em qualquer outra. Como ser√° poss√≠vel aquela sociedade escapar da destrui√ß√£o, se o n√≥ moral n√£o √© fortalecido em propor√ß√£o ao quanto o n√≥ pol√≠tica √© relaxado? E o que pode ser feito com pessoas cujos pr√≥prios mestres s√£o, ou se eles n√£o s√£o, submissos √† Divindade?

Por meio de uma revolução poderá talvez levar-se a cabo a queda do despotismo pessoal e da opressão gananciosa ou dominadora, mas nunca uma verdadeira reforma do modo de pensar.

À Discórdia

Pouco importa amarrar com m√£o valente
A Discórdia infernal, com cem cadeias,
Que ela tem subtilezas, tem ideias
De saber desligar-se facilmente.

De que serve lançar limpa semente
Em ch√£o infecto, de ziz√Ęnias feias,
De ervilhacas, lericas, joio, aveias,
Sem os campos limpar primeiramente?

Ninguém, té gora, à ligadura górdia
O nó soube desdar, que o vil Egoísmo
Empata as vazas à geral Concórdia.

N√£o se pode extinguir o Despotismo,
Nem acabar c’o imp√©rio da Disc√≥rdia,
Sem cortar a raiz do Fanatismo.

A Crítica é Menos Eficaz do que o Exemplo

A cr√≠tica √© menos eficaz do que o exemplo. √Č de considerar se a grande sugest√£o para usar da cr√≠tica nos nossos tempos e que p√Ķe em causa todos os valores consagrados, n√£o √© o resultado duma anemia profunda do acto de vontade de toda uma sociedade. Todos temos consci√™ncia de como o exemplo se tornou interdito, como o indiv√≠duo, na sua excep√ß√£o perturbadora, √© causa de mal-estar. Dir-se-ia que a fraqueza, a breve virtude, a mediocridade, de interesses e de condi√ß√Ķes, t√™m prioridade sobre o modelo e a utopia. A par desta dimens√£o rasa do despotismo do dem√©rito, levanta-se uma rajada de viol√™ncia. √Č de crer que a viol√™ncia √© hoje a linguagem bastarda da desilus√£o e o reverso do exemplo; representa a frustra√ß√£o do exemplo.

Qualquer governo é melhor que a ausência de governo. O despotismo, por pior que seja, é preferível ao mal maior da Anarquia, da violência civil generalizada, e do medo permanente da morte violenta.

Todo o Grande Homem é Céptico

Todo o grande homem √©, necessariamente, c√©ptico, ainda que possa n√£o o mostrar: pelo menos se a grandeza dele consistir em querer uma coisa grande e grandes meios para realiz√°-la. A liberdade em rela√ß√£o a todas as convic√ß√Ķes faz parte da sua vontade: o que est√° em conformidade com o “despotismo esclarecido” que todas as grandes paix√Ķes exercem. Uma paix√£o dessa esp√©cie p√Ķe o intelecto ao seu servi√ßo e tem a coragem de fazer uso at√© de certos meios proibidos – dos quais se serve, mas aos quais n√£o se submete.
A necessidade de crer, a necessidade de um sim e de um não absolutos é sinal de fraqueza, e toda a fraqueza é uma fraqueza da vontade. O homem de fé, o crente é, necessariamente, de uma espécie inferior; disso resulta a liberdade de espírito, ou seja, a descrença instintiva: uma condição de grandeza.

A √ļnica hist√≥ria digna de aten√ß√£o √© a dos tempos livres; a dos povos escravizados pelo despotismo n√£o passa de uma colec√ß√£o de anedotas.

A democracia constitui necessariamente um despotismo, porquanto estabelece um poder executivo contrário à vontade geral. Sendo possível que todos decidam contra um cuja opinião possa diferir, a vontade de todos não é por tanto a de todos, o qual é contraditório e oposto à liberdade.

Adoptando-se o modelo de desenvolvimento capitalista sem institui√ß√Ķes democr√°ticas, sem liberdade pol√≠tica, caminharemos para um despotismo violento que nem por ser dourado por melhores condi√ß√Ķes econ√≥micas deixar√° de ser menos insuport√°vel.