Passagens sobre Divindade

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Frases sobre divindade, poemas sobre divindade e outras passagens sobre divindade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Dava a Vida para te Apertar Contra o Meu Peito

Nunca te vira tão linda e sedutora ao mesmo tempo como ontem à noite. Dava a vida para te apertar contra o meu peito. Diz-me, era o amor que eu te inspiro que te fazia assim tão bela? Seria a paixão que me abrasa que te tornava tão atraente a meus olhos? Bem viste: não podia deixar de olhar para ti, nem de beijar a candeiazinha de oiro. Quanto tu saíste tive vontade de me prosternar a teus pés e de te adorar como a uma divindade. Ah! Se tu me quisesses metade do que eu te quero! Deste volta à minha pobre cabeça; repara no mal que me fizeste querendo-me como me queres. Às oito, esperar-te-ei numa ansiedade.

O Terror como Base da Religi√£o

√Č verdade que tanto o medo como a esperan√ßa entram na religi√£o, porque estas duas paix√Ķes, em alturas diferentes, agitam a mente humana e cada uma delas forma uma esp√©cie de divindade que lhe √© adequada. Mas, quando um homem se sente bem, ele est√° inclinado para os neg√≥cios, para o conv√≠vio ou para qualquer esp√©cie de divertimento, e dedica-se naturalmente a essas actividades e n√£o pensa em religi√£o. Quando est√° melanc√≥lico e abatido, tudo o que para fazer √© meditar sobre os terrores do mundo invis√≠vel, e mergulhar mais profundamente ainda na afli√ß√£o. Pode realmente acontecer que, ap√≥s ter assim gravado profundamente as opini√Ķes religiosas no seu pensamento e imagina√ß√£o, ocorra uma altera√ß√£o da sa√ļde ou das circunst√Ęncias que restaure o seu bom humor e, ocasionando boas perspectivas de futuro, o fa√ßa cair no extremo oposto da alegria e triunfo. Mas, ainda assim deve reconhecer-se que, como o terror √© o princ√≠pio primordial da religi√£o, √© essa a paix√£o que predomina nela e que s√≥ admite pequenos intervalos de prazer.

A falsa ciência cria os ateus, a verdadeira, faz o homem prostrar-se diante da divindade.

Escreve!

Senta-te diante da folha de papel e escreve. Escrever o quê? Não perguntes. Os crentes têm as suas horas de orar, mesmo não estando inclinados para isso. Concentram-se, fazem um esforço de contensão beata e lá conseguem. Esperam a graça e às vezes ela vem. Escrever é orar sem um deus para a oração. Porque o poder da divindade não passa apenas pela crença e é aí apenas uma modalidade de a fazer existir. Ela existe para os que não crêem, como expressão do sagrado sem divindade que a preencha. Como é que outros escrevem em agnosticismo da sensibilidade? Decerto eles o fazem sendo crentes como os crentes pelo acto extremo de o manifestarem. Eles captarão assim o poder da transfiguração e do incognoscível na execução fria do acto em que isso deveria ser. Escreve e não perguntes. Escreve para te doeres disso, de não saberes. E já houve resposta bastante.

√öltima Deusa

Foram-se os deuses, foram-se, eu verdade;
Mas das deusas alguma existe, alguma
Que tem teu ar, a tua majestade,
Teu porte e aspecto, que és tu mesma, em suma.

Ao ver-te com esse andar de divindade,
Como cercada de invisível bruma,
A gente à crença antiga se acostuma
E do Olimpo se lembra com saudade.

De lá trouxeste o olhar sereno e garço,
O alvo colo onde, em quedas de ouro tinto,
R√ļtilo rola o teu cabelo esparto…

Pisas alheia terra… Essa tristeza
Que possuis é de estátua que ora extinto
Sente o culto da forma e da beleza.

O homem, em sua arrog√Ęncia, pensa de si mesmo como uma grande obra, merecedora da interven√ß√£o de uma divindade.

Só nos Pertence o Gesto que Fizemos

Só nos pertence o gesto que fizemos
não o fazê-lo como, iludida,
a divindade que em nós já trouxemos
sup√Ķe errada (e n√£o) por convencida.

Porque o traçado nosso em breve cessa,
para que outro o recomece e n√£o progrida;
que um gesto em ser gesto real se meça,
não está em nós fazê-lo, mas na Vida.

Assim o nada a sagra quando finda
porque o que é, só é o não ainda.

O Sentido da Vida Está em Cada um de Nós

‘Vejamos, que vem a ser isto que me perturba?’, perguntou Levine a si pr√≥prio, sentindo, no fundo da sua alma, a solu√ß√£o para as suas d√ļvidas, embora ainda n√£o soubesse qual fosse. ‘Sim, a √ļnica manifesta√ß√£o evidente e indiscut√≠vel da divindade est√° nas leis do bem, expostas ao mundo pela revela√ß√£o que sinto dentro de mim e me identifica, quer queira quer n√£o, com todos aqueles que como eu as reconhecem. √Č esta congrega√ß√£o de criaturas humanas comungando na mesma cren√ßa que se chama Igreja. Mas o judeus, os mu√ßulmanos, os budistas, os confuccionistas?’, disse para si mesmo, repisando o ponto delicado. ‘Estar√£o eles entre milh√Ķes de homens privados do maior de todos os benef√≠cios, do √ļnico que d√° sentido √† vida?… Ora vejamos’, continuou, ap√≥s alguns instantes de reflex√£o, ‘qual √© o problema que eu a mim mesmo estou a p√īr? O das rela√ß√Ķes das diversas cren√ßas da humanidade com a Divindade? √Č a revela√ß√£o de Deus no Universo, com os seus astros e as suas nebulosas, que eu pretendo sondar. E √© no momento em que me √© revelado um saber certo inacess√≠vel √† raz√£o que eu me obstino em recorrer √† l√≥gica!

‘Eu bem sei que as estrelas n√£o caminham’,

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As Restri√ß√Ķes dos Guardi√Ķes Morais

Parece-me a mim que o pressuposto em que se baseiam as ac√ß√Ķes restritivas dos nossos guardi√Ķes morais √© simplesmente o de que o acesso √† literatura proibida nos pode levar a comportar-se como animais. Mas pensar assim √© insultar o reino animal. E, ao mesmo tempo, transformar paix√£o, o maior atributo do homem, numa caricatura. A gama da paix√£o humana √© quase ilimitada, atingindo alturas e profundidades impens√°veis. Precisamente por abarcar tais extremos √© a paix√£o a aut√™ntica pedra de toque da nossa humanidade, e talvez tamb√©m da nossa divindade. De todas as criaturas da terra, o homem √© a √ļnica de comportamento imprevis√≠vel. H√° em n√≥s alguma coisa de toda a cria√ß√£o. Quando nos √© negada a menor parcela de liberdade, ficamos espiritualmente limitados e mutilados. √Č a plena consci√™ncia da nossa natureza m√ļltipla e a integra√ß√£o da mir√≠ade de elementos de que somos compostos que nos faz completos, que nos faz humanos. A religi√£o faz de n√≥s santos, ou apenas bons cidad√£os, mas o que faz de n√≥s homens, o que nos faz humanos at√© ao √Ęmago, √© a liberdade. √Č uma palavra terr√≠vel, a liberdade, para aqueles que viveram toda a vida mentalmente algemados.

Deus, Infinito Ser

Deus, Infinito ser, nunca criado,
Sem princípio, nem fim, na Majestade
Que no trono da Eterna Divindade
Tens o Mundo num dedo dependurado:

Tu estavas em Ti, n√£o foste nado,
O teu Ser era a tua Imensidade,
Tu tiveste por berço a Eternidade,
Tu, sem tempo, em Ti mesmo eras gerado!

Tu és um fogo que arde sem matéria,
Tu és perpétua luz, que não desmaia
Fulgindo, sem cessar, na sala etérea!

Tu és um mar de amor, que não tem praia,
Trovão assustador da esfera aérea,
Rei dum Reino Imortal, que n√£o tem raia!…

O Homem Deformado pela Sociedade

Formou Deus o homem, e o p√īs num para√≠so de del√≠cias; tornou a form√°-lo a sociedade, e o p√īs num inferno de tolices. O homem ‚ÄĒ n√£o o homem que Deus fez, mas o homem que a sociedade tem contrafeito, apertando e for√ßando em seus moldes de ferro aquela pasta de limo que no para√≠so terreal se afei√ßoara √† imagem da divindade ‚ÄĒ o homem assim aleijado como n√≥s o conhecemos, √© o animal mais absurdo, o mais disparatado e incongruente que habita na terra.

Rei nascido de todo o criado, perdeu a realeza: pr√≠ncipe deserdado e proscrito, hoje vaga foragido no meio de seus antigos estados, altivo ainda e soberbo com as recorda√ß√Ķes do passado, baixo, vil e miser√°vel pela desgra√ßa do presente.
Destas duas t√£o apostas actua√ß√Ķes constantes, que j√° per si s√≥s o tornariam rid√≠culo, formou a sociedade, em sua v√£ sabedoria, um sistema quim√©rico, desarrazoado e imposs√≠vel, complicado de regras a qual mais desvairada, encontrado de repugn√Ęncias a qual mais aposta. E vazado este perfeito modelo de sua arte pretensiosa, meteu dentro dele o homem, desfigurou-o, contorceu-o, f√™-lo o tal ente absurdo e disparatado, doente, fraco, raqu√≠tico; colocou-o no meio do √Čden fant√°stico de sua cria√ß√£o ‚ÄĒ verdadeiro inferno de tolices ‚ÄĒ e disse-lhe,

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O Homem e a Mulher

O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher, o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono; para a mulher fez um altar.
O trono exalta e o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher, o coração. O cérebro produz a luz; o coração produz amor. A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o génio; a mulher é o anjo. O génio é imensurável; o anjo é indefenível;
A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher é a virtude extrema; A glória promove a grandeza e a virtude, a divindade.
O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência. A supremacia significa a força; a preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pelas lágrimas.
A raz√£o convence e as l√°grimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios. O heroísmo enobrece e o martírio purifica.
O homem pensa e a mulher sonha. Pensar é ter uma larva no cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é a águia que voa;

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O Sábio Face à Vida

Existe acaso algu√©m a quem possas colocar acima do s√°bio? O s√°bio tem, sobre os deuses, opini√Ķes piedosas. N√£o teme a morte em momento nenhum, considera-a o fim normal da natureza, julga que o termo dos bens √© f√°cil de atingir e de possuir, sabe que os males t√™m uma dura√ß√£o e uma gravidade limitadas; sabe o que √© mister pensar da fatalidade, da qual se constuma fazer uma ama desp√≥tica. Sabe que os acontecimentos nascem, uns da fortuna, outros de n√≥s pr√≥prios, porque a fatalidade √© cega e a fortuna inconstante; que o que vem de n√≥s n√£o est√° submisso a nenhuma tirania, sujeito a reproche e a elogio.
Com efeito, melhor fora acreditar nas narrativas mitol√≥gicas sobre os deuses que tornar-se escravo da fatalidade dos f√≠sicos. A mitologia consente a esperan√ßa de que, honrando os deuses, poderemos disp√ī-los a nosso favor, enquanto a fatalidade √© inexor√°vel. O s√°bio n√£o cr√™, como o vulgo, que a fortuna seja uma divindade, pois um deus n√£o pode agir de maneira desordenada. Nem √©, para ele, uma causa, dada a sua instabilidade. N√£o a admite como causa do bem e do mal, ou da vida feliz; n√£o obstante, sabe que pode trazer grandes bens ou grandes males.

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Estamos Todos Ligados

Estamos todos ligados. Seja em que dimens√£o for, somos todos respons√°veis uns pelos outros e essa √© a primeira premissa para se descobrir a divindade que h√° em n√≥s. Temos todos o mesmo dever, ser felizes e inspirar atrav√©s dessa felicidade. Temos todos a mesma capacidade, mudar. Temos todos o mesmo poder, amar. E todas as nossas a√ß√Ķes, independentemente da energia com que s√£o feitas, v√£o gerar tomadas de consci√™ncia, v√£o semear a mudan√ßa e v√£o seguramente brotar de muitos cora√ß√Ķes aut√™nticas centelhas de compaix√£o e amor. Nada do que possamos fazer √© indiferente e tudo o que temos feito at√© hoje, queiramos ou n√£o, tem tido um enorme impacto em n√≥s, naqueles que nos rodeiam e no todo onde todos habitamos. Sejamos respons√°veis. Sejamos divinos.

E H√° Poetas que S√£o Artistas

E h√° poetas que s√£o artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas t√°buas! …
Que triste n√£o saber florir!
Ter que p√īr verso sobre verso, corno quem constr√≥i um
muro
E ver se est√° bem, e tirar se n√£o est√°! …
Quando a √ļnica casa art√≠stica √© a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
Penso nisto, n√£o como quem pensa, mas como quem
respira,
E olho para as flores e sorrio…
N√£o sei se elas me compreendem
Nem sei eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade est√° nelas e em mim
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao solo pelas Esta√ß√Ķes contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos
E n√£o termos sonhos no nosso sono.

LXI

Deixemo-nos, Algano, de porfia;
Que eu sei o que tu és, contra a verdade
Sempre h√°s de sustentar, que a divindade
Destes campos é Brites, não Maria!

Ora eu te mostrarei inda algum dia,
Em que est√° teu engano: a novidade,
Que agora te direi, é, que a cidade
Por melhor, do que todas a avalia.

H√° pouco, que encontrei l√° junto ao monte
Dous pastores, que estavam conversando,
Quando passaram ambas para a fonte;

Nem falaram em Brites: mas tomando
Para um cedro, que fica bem defronte,
O nome de Maria v√£o gravando.

Feliz Habitação da Minha Amada

Feliz habitação da minha Amada,
Ninho de Amor, albergue da Ternura,
Onde, outro tempo, a próspera Ventura
Dormia nos meus braços, descuidada.

Ent√£o, minha Alma terna, embriagada,
Gostava do prazer toda a doçura:
Hoje, contr√°ria minha, a Sorte dura
Do teu √Čden Amor, m’impede a entrada.

Com que m√°goa, de longe te diviso!…
Com que pena cruel!…
Com que saudade!
Ah! que n√£o sei como n√£o perco o sizo!…

B√°rbara Sorte! Ao menos por piedade,
Se me privas da entrada do Paraíso,
Deixa ver me, de Arm√Ęnia, a divindade!

O Caminho de um Criador

Creio que tem havido sempre na nossa terra uma descabida preocupação canónica à ilharga de cada artista. Interessa mais ao zelo nacional averiguar se um poeta morreu sacramentado, do que ler os seus versos. Ninguém quer saber se o caminho de um criador o leva à morada das musas e da beleza; espreita-se da janela, mas é para ver se ele vai à missa. Ora isto é de analfabetos, de pessoas que verdadeiramente não sabem nem querem saber do valor de um poema, do mundo de liberdade e de independência que ele encerra. E uma gente assim não me convém, nem tão-pouco o Deus intolerante que servem. Por isso me vou divertindo com as minhas divindades naturais, luciferinamente, certo de que o diabo é ainda uma grande companhia. Foi a ele que Jesus disse que o seu reino não era deste mundo. E o meu, precisamente, é.