Passagens sobre Evidência

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Frases sobre evid√™ncia, poemas sobre evid√™ncia e outras passagens sobre evid√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Ilus√£o Pol√≠tica das Grandes Manifesta√ß√Ķes Populares

Nisto de manifesta√ß√Ķes populares, o mais dif√≠cil √© interpret√°-las. Em geral, quem a elas assiste ou sabe delas ingenuamente as interpreta pelos factos como se deram. Ora, nada se pode interpretar pelos factos como se deram. Nada √© como se d√°. Temos que alterar os factos, tais como se deram, para poder perceber o que realmente se deu. √Č costume dizer-se que contra factos n√£o h√° argumentos. Ora s√≥ contra factos √© que h√° argumentos. Os argumentos s√£o, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A l√≥gica √© o nosso crit√©rio de verdade, e √© nos argumentos, e n√£o nos factos, que pode haver l√≥gica.
Nisto de manifesta√ß√Ķes ‚ÄĒ ia eu dizendo ‚ÄĒ o dif√≠cil √© interpret√°-las. Porque, por exemplo, uma manifesta√ß√£o conservadora √© sempre feita por mais gente do que toma parte nela. Com as manifesta√ß√Ķes liberais sucede o contr√°rio. A raz√£o √© simples. O temperamento conservador √© naturalmente avesso a manifestar-se, a associar-se com grande facilidade; por isso, a uma manifesta√ß√£o conservadora vai s√≥ um reduzido n√ļmero da gente que poderia, ou mesmo quereria, ir. O feitio ps√≠quico dos liberais √©, ao contr√°rio, expansivo e associador; as manifesta√ß√Ķes dos “avan√ßados” englobam, por isso, os pr√≥prios indiferentes de sa√ļde,

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√Č tamb√©m uma li√ß√£o da hist√≥ria e uma evid√™ncia da actual situa√ß√£o internacional que as for√ßas agressivas do imperialismo se apoiam sempre, al√©m fronteiras, nos regimes e nas for√ßas mais reaccion√°rias, apoiando estes por sua vez.

Viver pela Evidência

Creio que já falei disto. Mas de que é que diabo se não falou já? Se não falámos nós, falaram os outros, que também são gente. E no entanto, de cada vez se fala pela primeira vez, porque o que importa não é o que se sabe mas o que se vê. E ver é ver sempre de outra maneira para aquele que vê. Quantas vezes se falou da morte e da vida e do amor e de mil outras coisas sisudas? Mas volta-se sempre à mesma, porque o saber pela evidência é saber pela primeira vez; e uma dor que nos dói ou uma alegria que nos alegra não doeu nem alegrou senão a nós. De modo que de novo me intriga a extraordinária desproporção entre o complexo de uma vida e a coisa chilra que dela resulta.
Mesmo os grandes homens, que s√£o maiores do que n√≥s, que √© que nos deixaram em testamento? Um livro, uma ideia, uma f√≥rmula. E os que nada nos deixaram? Mas uma vida √© fant√°stica pelo que nela aconteceu. H√° assim um desperd√≠cio extraordin√°rio, uma pura perda do que se amealhou. Rela√ß√Ķes, sentimentos, projectos, ac√ß√Ķes correntes que foram desencadear mil efeitos maus ou √ļteis.

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A Crise da Democracia

√Č natural que a crise da democracia, imposs√≠vel de negar, se revele sob o aspecto de sucessivas crises pol√≠ticas. Mas para qu√™ jogar com as palavras? Quando a m√°quina se desarranja, frequentemente, por melhor eco e por mais vistosas engrenagens que possua, torna-se urgente p√ī-la de lado como in√ļtil, aproveitando-lhe, √© claro, as inova√ß√Ķes, tudo o que for suscept√≠vel de aplicar a outra m√°quina…
(…) N√£o √© poss√≠vel negar certas verdades e conquistas da democracia que s√£o hoje indispens√°veis √† vida de todos os regimes. Mas os sistemas propriamente ditos, na sua inteireza, nascem, vivem e morrem como os homens. As escolas pol√≠ticas e sociais s√£o como as escolas liter√°rias. Esgotada a sua capacidade criadora, a sua flama, perdem a for√ßa, extinguem-se, depois de terem deixado a sua marca, o tra√ßo profundo da sua influ√™ncia. Os pr√≥prios defensores da democracia procuram transigir com o esp√≠rito do seu tempo, confessando e admitindo a necessidade de modificar o sistema das suas ideias, de renovar os √≥rg√£os da democracia. Mas que prop√Ķem eles, afinal, para que se efective essa renova√ß√£o? Medidas rid√≠culas que n√£o se adaptam ao pr√≥prio sistema: ligeiras altera√ß√Ķes no regulamento interno das C√Ęmaras, limita√ß√Ķes no tempo dos discursos, restri√ß√Ķes no uso da palavra,

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Os Meios de Comunicação Têm Sempre Razão

A domina√ß√£o intelectual √© dif√≠cil se n√£o dispomos de uma tribuna medi√°tica. Em vez de perdermos longos anos a reflectir sobre o sentido da vida, as rela√ß√Ķes entre homens e mulheres, a influ√™ncia da alimenta√ß√£o transg√©nica na produ√ß√£o leiteira das vacas normandas (conhe√ßo um investigador que passou quarenta anos a estudar as t√©rmitas; admite n√£o ter conseguido desvendar-lhes o segredo que, no seu entender, existe!) ou qualquer assunto mais ou menos relacionado com o destino da Humanidade, mais vale come√ßarmos por arranjar meios de aceder √† redac√ß√£o de um jornal ou, melhor, de um canal televisivo. Com efeito, √© a import√Ęncia do meio de comunica√ß√£o em termos de audi√™ncia que determina a supremacia de uma opini√£o. Qualquer tolice cat√≥dica emitida entre as 20 e as 20:30 horas √© mais cred√≠vel que a conclus√£o amadurecida de um col√≥quio de especialistas. Porqu√™ mais cred√≠vel? Porque mais acreditada.
O p√ļblico aprecia a confirma√ß√£o de que √© verdade aquilo que sente como verdadeiro (por exemplo, que os pol√≠ticos s√£o podres ou que a Madonna √© a mulher mais sensual do mundo). Este g√©nero de opini√£o, no entanto, s√≥ passa a ser uma evid√™ncia depois de ter sido santificado por um meio de comunica√ß√£o.

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S√≥ confie numa testemunha quando ela fala de quest√Ķes em que n√£o se acham envolvidos nem o seu interesse pr√≥prio, nem as suas paix√Ķes, nem os seus preconceitos, nem o amor pelo maravilhoso. No caso de haver esse envolvimento, requeira evid√™ncia corroborativa em propor√ß√£o exata √† viola√ß√£o da probabilidade evocada pelo seu testemunho.

Nada é menos digno de honra do que um homem idoso que não tenha outra evidência de ter vivido muito exceto a sua idade.

A Realidade em Coro

A realidade sempre me atraiu como um √≠man, torturando-me e hipnotizando-me, e eu queria captur√°-la no papel. Comecei ent√£o a apropriar-me imediatamente deste g√©nero de vozes humanas e confiss√Ķes, de evid√™ncias de testemunhas e documentos. Isto √© como eu vejo e ou√ßo o mundo – como um coro de vozes individuais e uma colagem de detalhes quotidianos. Desta forma, todo o meu potencial mental e emocional √© realizado em pleno. Desta forma eu posso ser, simultaneamente, uma escritora, uma jornalista, uma soci√≥loga, uma psic√≥loga e uma pregadora.

Existem muitas hip√≥teses na ci√™ncia que s√£o erradas. Isso √© perfeitamente correto; elas s√£o a abertura para descobrir o que √© certo. A ci√™ncia √© um processo auto-corretivo. Para serem aceitas, novas id√©ias devem sobreviver aos mais rigorosos padr√Ķes de evid√™ncia e escrut√≠nio.

O Orgulho e a Vaidade

O orgulho √© a consci√™ncia (certa ou errada) do nosso pr√≥prio m√©rito, a vaidade, a consci√™ncia (certa ou errada) da evid√™ncia do nosso pr√≥prio m√©rito para os outros. Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser ‚ÄĒ pois tal √© a natureza humana ‚ÄĒ vaidoso sem ser orgulhoso. √Č dif√≠cil √† primeira vista compreender como podemos ter consci√™ncia da evid√™ncia do nosso m√©rito para os outros, sem a consci√™ncia do nosso pr√≥prio m√©rito. Se a natureza humana fosse racional, n√£o haveria explica√ß√£o alguma. Contudo, o homem vive a princ√≠pio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a no√ß√£o de efeito precede, na evolu√ß√£o da mente, a no√ß√£o de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que n√£o √©, a ser tido em menor conta por aquilo que √©. √Č a vaidade em ac√ß√£o.

O Homem-Massa

Numa boa ordena√ß√£o das coisas p√ļblicas, a massa √© o que n√£o actua por si mesma. Tal √© a sua miss√£o. Veio ao mundo para ser dirigida, influ√≠da, representada, organizada ‚Äď at√© para deixar de ser massa, ou, pelo menos, aspirar a isso. Mas n√£o veio ao mundo para fazer tudo isso por si. Necessita referir a sua vida √† inst√Ęncia superior, constitu√≠da pelas minorias excelentes. Discuta-se quanto se queira quem s√£o os homens excelentes; mas que sem eles ‚Äď sejam uns ou outros ‚Äď a humanidade n√£o existiria no que tem de mais essencial, √© coisa sobre a qual conv√©m que n√£o haja d√ļvida alguma, embora leve a Europa todo um s√©culo a meter a cabe√ßa debaixo da asa, ao modo dos estr√ļcios para ver se consegue n√£o ver t√£o radiante evid√™ncia. Porque n√£o se trata de uma opini√£o fundada em factos mais ou menos frequentes e prov√°veis, mas numa lei da ¬ęf√≠sica¬Ľ social, muito mais incomov√≠vel que as leis da f√≠sica de Newton. No dia em que volte a imperar na Europa uma aut√™ntica filosofia ‚Äď √ļnica coisa que pode salv√°-la ‚Äď, compreender-se-√° que o homem √©, tenha ou n√£o vontade disso, um ser constitutivamente for√ßado a procurar uma inst√Ęncia superior.

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Lucidez sem Ignor√Ęncia nem Sobranceria

Possivelmente n√£o √© sem raz√£o que atribu√≠mos √† ingenuidade e ignor√Ęncia a facilidade de crer e de se deixar persuadir: pois parece-me haver aprendido outrora que a cren√ßa era como uma impress√£o que se fazia na nossa alma; e, na medida em que esta se encontrava mais mole e com menor resist√™ncia, era mais f√°cil imprimir-lhe algo. Assim como, necessariamente, os pesos que nele colocamos fazem pender o prato da balan√ßa, assim a evid√™ncia arrasta a mente (C√≠cero). Quanto mais vazia e sem contrapeso est√° a alma, mais facilmente ela cede sob a carga da primeira persuas√£o. Eis porque as crian√ßas, o vulgo, (…) e os doentes est√£o mais sujeitos a ser conduzidos pelas orelhas (ou seja, pelo que ouvem). Mas tamb√©m, por outro lado, √© uma tola presun√ß√£o ir desdenhando e condenando como falso o que n√£o nos parece veross√≠mil; esse √© um v√≠cio habitual nos que pensam ter algum discernimento al√©m do comum. Outrora eu agia assim, e, se ouvia falar de esp√≠ritos que retornam, ou do progn√≥stico das coisas futuras, de encantamentos, de feiti√ßarias, ou contarem alguma outra hist√≥ria que eu n√£o conseguisse compreender, vinha-me compaix√£o pelo pobre povo logrado por essas loucuras. Mas actualmente acho que eu pr√≥prio era no m√≠nimo igualmente digno de pena;

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Só se pode sentir a evidência das coisas até um certo ponto: além disso, ou nos rebaixamos ou nos aproximamos do sentimento superior que nos liberta. De facto, o verdadeiro estado de liberdade é o de ultrapassar a imaginação.

Não há evidência clara a demonstrar que a política de investimento socialmente mais vantajosa coincida com a mais lucrativa.

Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.

Os Feitos Simples s√£o os Mais Elogiados e Lembrados

Duas pátrias produziram dois heróis: de Tebas saiu Hércules; de Roma saiu Catão. Foi Hércules aplauso da orbe, foi Catão enfado de Roma. A um admiraram todos, ao outro esquivaram-se os romanos. Não admite controvérsia a vantagem que levou Catão a Hércules, pois o excedeu em prudência; mas ganhou Hércules a Catão em fama. Mais de árduo e primoroso teve o assunto de Catão, pois se empenhou em sujeitar os monstros dos costumes, e Hércules os da natureza; mas teve mais de famoso o do tebano. A diferença consistiu em que Hércules empreendeu façanhas plausíveis e Catão odiosas. A plausibilidade do cargo levou a glória de Alcides (nome anterior de Hércules) aos confins do mundo, e passará ainda além deles caso se alarguem. O desaprezível do cargo circunscreveu Catão ao interior das muralhas de Roma.
Com tudo isto, preferem alguns, e não os menos judiciosos, o assunto primoroso ao mais plausível, e pode mais com eles a admiração de poucos que o aplauso de muitos, sendo vulgares. Os milagres de ignorantes apelam aos empenhos plausíveis. O árduo, o primoroso de um superior assunto poucos o percebem, embora eminentes, sendo assim raros os que nele acreditam. A facilidade do plausível permite-se a todos,

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Eu Digo do Amor n√£o Mais que a Sombra

Eu digo do amor n√£o mais que a sombra.
Agora o quarto oferece toda a inclinação da luz
aos dedos que tremem só de aflorar
o que da carne é já incorruptível saber
e crispação sem causa natural.
S√£o nossas inimigas as cortinas
amplas do ver√£o, os fumos e vapores
que esta terra nos devolve, a fria
repercussão do espírito que treme
sobre um tão ausente e despossuído mundo.
Disse-te que voltasses devagar os teus olhos
para o mecanismo simples da eros√£o.
Eu parti h√° muito e neste quarto
apenas aguardo o rel√Ęmpago surdo do teu corpo,
a contenção muda e não menos esplendorosa
da carne recordada e pressentida.
No entanto, deix√°mos escurecer
excessivamente o mundo. Ele acolhe-se
a nós, com terror e evidência,
e nós, em verdade, que podemos dizer?
Eu digo do amor n√£o mais que a sombra,
mas o teu rosto e a luz nada pode conter.

Entender, mais pelo Sentir que pela Raz√£o

Uma verdade só o é quando sentida Рnão quando apenas entendida. Ficamos gratos a quem no-la demonstra para nos justificarmos como humanos perante os outros homens e entre eles nós mesmos. Mas a força dessa verdade está na força irrecusável com que nos afirmamos quem somos antes de sabermos porquê.
Assim nos é necessário estabelecer a diferença entre o que em nós é centrífugo e o que apenas é centrípeto. Nós somos centrifugamente pela irrupção inexorável de nós com tudo o que reconhecido ou não Рe de que serve reconhecê-lo ou não? Рcomo centripetamente provindo de fora, se nos recriou dentro no modo absoluto e original de se ser.
S√≥ assim entenderemos que da ¬ędiscuss√£o¬Ľ quase nunca nas√ßa a ¬ęluz¬Ľ, porque a luz que nascer √© normalmente a de duas pedras que se chocam. Da discuss√£o n√£o nasce a luz, porque a luz a nascer seria a que iluminasse a obscuridade de n√≥s, a profundeza das nossas sombras profundas.
Decerto uma ideia que nos semeiem pode germinar e por isso as ideias √© necess√°rio que no-las semeiem. Mas a sua fertilidade n√£o est√° na nossa m√£o ou na estrita qualidade da ideia semeada, porque o que somos profundamente s√≥ se altera quando isso que somos o quer –

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