Passagens sobre Evidência

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Frases sobre evid√™ncia, poemas sobre evid√™ncia e outras passagens sobre evid√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Inutilidade dos Sindicatos

A sindica√ß√£o, sa√≠da da liberdade como o monop√≥lio espont√Ęneo, √© igualmente inimiga dela, e sobretudo das vantagens dela; √©-o com menos brutalidade e evid√™ncia e, por isso mesmo, com mais seguran√ßa. Um sindicato ou associa√ß√£o de classe ‚ÄĒ comercial, industrial, ou de outra qualquer esp√©cie ‚ÄĒ nasce aparentemente de uma congrega√ß√£o livre dos indiv√≠duos que comp√Ķem essa classe; como, por√©m, quem n√£o entrar para esse sindicato fica sujeito a desvantagens de diversa ordem, a sindica√ß√£o √© realmente obrigat√≥ria. Uma vez constitu√≠do o sindicato, passam a dominar nele ‚ÄĒ parte m√≠nima que se substitui ao todo ‚ÄĒ n√£o os profissionais (comerciantes, industriais, ou o que quer que sejam), mais h√°beis e representativos, mas os indiv√≠duos simplesmente mais aptos e competentes para a vida sindical, isto √©, para a pol√≠tica eleitoral dessas agremia√ß√Ķes. Todo o sindicato √©, social e profissionalmente, um mito.
Mais incisivamente ainda: nenhuma associa√ß√£o de classe √© uma associa√ß√£o de classe. No caso especial da sindica√ß√£o na ind√ļstria e no com√©rcio, o resultado √© desaparecerem todas as vantagens da concorr√™ncia livre, sem se adquirir qualquer esp√©cie de coordena√ß√£o √ļtil ou ben√©fica. O car√°ter natural do reg√≠men livre atenua-se, porque surge em meio dele este elemento estranho e essencialmente oposto √† liberdade.

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T√£o Grande Dor

“T√£o grande dor para t√£o pequeno povo” palavras de um timorense √† RTP
Timor fragilíssimo e distante
Do povo e da guerrilha
Evanescente nas brumas da montanha

“S√Ęndalo flor b√ļfalo montanha
Cantos danças ritos
E a pureza dos gestos ancestrais”

Em frente ao pasmo atento das crianças
Assim contava o poeta Rui Cinatti
Sentado no ch√£o
Naquela noite em que voltara da viagem

Timor
Dever que não foi cumprido e que por isso dói

Depois vieram notícias desgarradas
Raras e confusas
Violências mortes crueldade
E anos após ano
Ia crescendo sempre a atrocidade
E dia a dia – espanto prod√≠gio assombro –
Cresceu a valentia
Do povo e da guerrilha
Evanescente nas brumas da montanha

Timor cercado por um bruto silêncio
Mais pesado e mais espesso do que o muro
De Berlim que foi sempre falado
Porque n√£o era um muro mas um cerco
Que por segundo cerco era cercado

O cerco da surdez dos consumistas
Tão cheios de jornais e de notícias

Mas como se fosse o milagre pedido
Pelo rio da prece ao som das balas
As imagens do massacre foram salvas
As imagens romperam os cercos do silêncio
Irromperam nos écrans e os surdos viram
A evidência nua das imagens

Memória Curta

A vida dos povos prova a necessidade de repeti√ß√Ķes que impressionem. Acumula√ß√Ķes de ru√≠nas e torrentes de sangue s√£o, por vezes, necess√°rias para que a alma de uma ra√ßa assimile certas verdades experimentais.
Muitas vezes ela n√£o se aproveita disso durante muito tempo porquanto, em virtude da diminuta dura√ß√£o da mem√≥ria afectiva, as aquisi√ß√Ķes experimentais de uma gera√ß√£o servem pouco para outra.
Todas as na√ß√Ķes verificam, desde as origens do mundo, que a anarquia termina pela ditadura. Mas dessa eterna li√ß√£o elas n√£o tiram qualquer proveito. Repetidos factos mostram que as precau√ß√Ķes s√£o o melhor meio de favorecer a extens√£o de uma cren√ßa religiosa, mas isso n√£o impede que, sem tr√©guas, essas persegui√ß√Ķes continuem. A experi√™ncia ensina ainda que ceder perpetuamente a amea√ßas populares √© condenar-se a tornar imposs√≠vel qualquer governo. Vemos, no entanto, que os pol√≠ticos diariamente olvidam essa evid√™ncia.

A Eternidade é o Nosso Signo

Sim, a eternidade √© o nosso signo. N√£o come√ß√°mos a existir nem o fim da exist√™ncia o entendemos como fim. Por isso n√£o sentimos que n√£o existimos antes de come√ßarmos a existir mas apenas que tudo isso que aconteceu antes de termos existido foi apenas qualquer coisa a que por acaso n√£o assistimos como a muito do que acontece no nosso tempo. E √† morte invencivelmente a ultrapassamos para nos pormos a existir depois dela. O prazer que nos d√° a hist√≥ria do passado, sobretudo os documentos que no-lo d√£o flagrantemente, vem de nos sentirmos prolongados at√© l√°, de nos sentirmos de facto presentes nesse modo de ser contempor√Ęneos. Mas sobretudo h√° em n√≥s uma mem√≥ria-limite, uma mem√≥ria absoluta que n√£o tem nada de referenci√°vel e se prolonga ao sem fim. Do mesmo modo h√° o futuro que √© pura projec√ß√£o de n√≥s, apelo irreprim√≠vel a um amanh√£ sem termo ou sem amanh√£. Por isso a morte nos angustia e sobretudo nos intriga por nos provar √† evid√™ncia o que profundamente n√£o conseguimos compreender. Mas sobretudo a eternidade √© o que se nos imp√Ķe no instante em que vivemos. O tempo n√£o passa por n√≥s e da√≠ vem a impossibilidade de nos sentirmos envelhecer.

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A Distração e a Categorização da Vida

Mas tu, meu amgo, onde est√°s? Sobre a tua sorte, quanta coisa fascinante e absurda imagin√°mos! No entanto, tudo isso que imagin√°mos, v√™ tu, quantas vezes o n√£o foi tanto como resposta para as nossas interroga√ß√Ķes, como um motivo para nos distrairmos mais ainda… Porque a distrac√ß√£o √© a parte mais rebelde e a mais insidiosa da nossa condi√ß√£o. Ela infilta-se-nos n√£o apenas no nosso consentimento, nas tr√©guas que nos damos, mas at√© mesmo no que √© uma conquista da nossa rara grandeza.

A arte, o hero√≠smo, a pr√≥pria evid√™ncia da vertigem, do milagre, os sonhos da reden√ß√£o e da nobreza, tudo o que √© da nossa profunda unidade, um nada o reabsorve em solidez, em moeda de compra-e-venda para a transaccionarmos com os outros no mercado da vaidade, do passatempo, na grande feira da vida. H√° uma dist√Ęncia infinita entre a apari√ß√£o da verdade, a imediata evid√™ncia de seja o que for, e at√© mesmo o seu reconhecimento: quando olhamos a evid√™ncia pela segunda vez, j√° ela est√° alinhada, classificada, endurecida entre as coisas que nos cercam. Eis porque n√≥s ignoramos ou esquecemos depressa a face do que h√° de estranho nos factos mais banais: no da vida,

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Abençoado quem se abstém de falar, nos poupando da evidência de que não tem nada a dizer.

Há um meio de se conseguir e de se ficar sendo por muito tempo mulher em evidência. Esse meio sempre surtiu efeito: é ser ajuizada com má reputação.

A Ilus√£o Pol√≠tica das Grandes Manifesta√ß√Ķes Populares

Nisto de manifesta√ß√Ķes populares, o mais dif√≠cil √© interpret√°-las. Em geral, quem a elas assiste ou sabe delas ingenuamente as interpreta pelos factos como se deram. Ora, nada se pode interpretar pelos factos como se deram. Nada √© como se d√°. Temos que alterar os factos, tais como se deram, para poder perceber o que realmente se deu. √Č costume dizer-se que contra factos n√£o h√° argumentos. Ora s√≥ contra factos √© que h√° argumentos. Os argumentos s√£o, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A l√≥gica √© o nosso crit√©rio de verdade, e √© nos argumentos, e n√£o nos factos, que pode haver l√≥gica.
Nisto de manifesta√ß√Ķes ‚ÄĒ ia eu dizendo ‚ÄĒ o dif√≠cil √© interpret√°-las. Porque, por exemplo, uma manifesta√ß√£o conservadora √© sempre feita por mais gente do que toma parte nela. Com as manifesta√ß√Ķes liberais sucede o contr√°rio. A raz√£o √© simples. O temperamento conservador √© naturalmente avesso a manifestar-se, a associar-se com grande facilidade; por isso, a uma manifesta√ß√£o conservadora vai s√≥ um reduzido n√ļmero da gente que poderia, ou mesmo quereria, ir. O feitio ps√≠quico dos liberais √©, ao contr√°rio, expansivo e associador; as manifesta√ß√Ķes dos “avan√ßados” englobam, por isso, os pr√≥prios indiferentes de sa√ļde,

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√Č tamb√©m uma li√ß√£o da hist√≥ria e uma evid√™ncia da actual situa√ß√£o internacional que as for√ßas agressivas do imperialismo se apoiam sempre, al√©m fronteiras, nos regimes e nas for√ßas mais reaccion√°rias, apoiando estes por sua vez.

Viver pela Evidência

Creio que já falei disto. Mas de que é que diabo se não falou já? Se não falámos nós, falaram os outros, que também são gente. E no entanto, de cada vez se fala pela primeira vez, porque o que importa não é o que se sabe mas o que se vê. E ver é ver sempre de outra maneira para aquele que vê. Quantas vezes se falou da morte e da vida e do amor e de mil outras coisas sisudas? Mas volta-se sempre à mesma, porque o saber pela evidência é saber pela primeira vez; e uma dor que nos dói ou uma alegria que nos alegra não doeu nem alegrou senão a nós. De modo que de novo me intriga a extraordinária desproporção entre o complexo de uma vida e a coisa chilra que dela resulta.
Mesmo os grandes homens, que s√£o maiores do que n√≥s, que √© que nos deixaram em testamento? Um livro, uma ideia, uma f√≥rmula. E os que nada nos deixaram? Mas uma vida √© fant√°stica pelo que nela aconteceu. H√° assim um desperd√≠cio extraordin√°rio, uma pura perda do que se amealhou. Rela√ß√Ķes, sentimentos, projectos, ac√ß√Ķes correntes que foram desencadear mil efeitos maus ou √ļteis.

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A Crise da Democracia

√Č natural que a crise da democracia, imposs√≠vel de negar, se revele sob o aspecto de sucessivas crises pol√≠ticas. Mas para qu√™ jogar com as palavras? Quando a m√°quina se desarranja, frequentemente, por melhor eco e por mais vistosas engrenagens que possua, torna-se urgente p√ī-la de lado como in√ļtil, aproveitando-lhe, √© claro, as inova√ß√Ķes, tudo o que for suscept√≠vel de aplicar a outra m√°quina…
(…) N√£o √© poss√≠vel negar certas verdades e conquistas da democracia que s√£o hoje indispens√°veis √† vida de todos os regimes. Mas os sistemas propriamente ditos, na sua inteireza, nascem, vivem e morrem como os homens. As escolas pol√≠ticas e sociais s√£o como as escolas liter√°rias. Esgotada a sua capacidade criadora, a sua flama, perdem a for√ßa, extinguem-se, depois de terem deixado a sua marca, o tra√ßo profundo da sua influ√™ncia. Os pr√≥prios defensores da democracia procuram transigir com o esp√≠rito do seu tempo, confessando e admitindo a necessidade de modificar o sistema das suas ideias, de renovar os √≥rg√£os da democracia. Mas que prop√Ķem eles, afinal, para que se efective essa renova√ß√£o? Medidas rid√≠culas que n√£o se adaptam ao pr√≥prio sistema: ligeiras altera√ß√Ķes no regulamento interno das C√Ęmaras, limita√ß√Ķes no tempo dos discursos, restri√ß√Ķes no uso da palavra,

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Os Meios de Comunicação Têm Sempre Razão

A domina√ß√£o intelectual √© dif√≠cil se n√£o dispomos de uma tribuna medi√°tica. Em vez de perdermos longos anos a reflectir sobre o sentido da vida, as rela√ß√Ķes entre homens e mulheres, a influ√™ncia da alimenta√ß√£o transg√©nica na produ√ß√£o leiteira das vacas normandas (conhe√ßo um investigador que passou quarenta anos a estudar as t√©rmitas; admite n√£o ter conseguido desvendar-lhes o segredo que, no seu entender, existe!) ou qualquer assunto mais ou menos relacionado com o destino da Humanidade, mais vale come√ßarmos por arranjar meios de aceder √† redac√ß√£o de um jornal ou, melhor, de um canal televisivo. Com efeito, √© a import√Ęncia do meio de comunica√ß√£o em termos de audi√™ncia que determina a supremacia de uma opini√£o. Qualquer tolice cat√≥dica emitida entre as 20 e as 20:30 horas √© mais cred√≠vel que a conclus√£o amadurecida de um col√≥quio de especialistas. Porqu√™ mais cred√≠vel? Porque mais acreditada.
O p√ļblico aprecia a confirma√ß√£o de que √© verdade aquilo que sente como verdadeiro (por exemplo, que os pol√≠ticos s√£o podres ou que a Madonna √© a mulher mais sensual do mundo). Este g√©nero de opini√£o, no entanto, s√≥ passa a ser uma evid√™ncia depois de ter sido santificado por um meio de comunica√ß√£o.

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S√≥ confie numa testemunha quando ela fala de quest√Ķes em que n√£o se acham envolvidos nem o seu interesse pr√≥prio, nem as suas paix√Ķes, nem os seus preconceitos, nem o amor pelo maravilhoso. No caso de haver esse envolvimento, requeira evid√™ncia corroborativa em propor√ß√£o exata √† viola√ß√£o da probabilidade evocada pelo seu testemunho.

Nada é menos digno de honra do que um homem idoso que não tenha outra evidência de ter vivido muito exceto a sua idade.

A Realidade em Coro

A realidade sempre me atraiu como um √≠man, torturando-me e hipnotizando-me, e eu queria captur√°-la no papel. Comecei ent√£o a apropriar-me imediatamente deste g√©nero de vozes humanas e confiss√Ķes, de evid√™ncias de testemunhas e documentos. Isto √© como eu vejo e ou√ßo o mundo – como um coro de vozes individuais e uma colagem de detalhes quotidianos. Desta forma, todo o meu potencial mental e emocional √© realizado em pleno. Desta forma eu posso ser, simultaneamente, uma escritora, uma jornalista, uma soci√≥loga, uma psic√≥loga e uma pregadora.

Existem muitas hip√≥teses na ci√™ncia que s√£o erradas. Isso √© perfeitamente correto; elas s√£o a abertura para descobrir o que √© certo. A ci√™ncia √© um processo auto-corretivo. Para serem aceitas, novas id√©ias devem sobreviver aos mais rigorosos padr√Ķes de evid√™ncia e escrut√≠nio.

O Orgulho e a Vaidade

O orgulho √© a consci√™ncia (certa ou errada) do nosso pr√≥prio m√©rito, a vaidade, a consci√™ncia (certa ou errada) da evid√™ncia do nosso pr√≥prio m√©rito para os outros. Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser ‚ÄĒ pois tal √© a natureza humana ‚ÄĒ vaidoso sem ser orgulhoso. √Č dif√≠cil √† primeira vista compreender como podemos ter consci√™ncia da evid√™ncia do nosso m√©rito para os outros, sem a consci√™ncia do nosso pr√≥prio m√©rito. Se a natureza humana fosse racional, n√£o haveria explica√ß√£o alguma. Contudo, o homem vive a princ√≠pio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a no√ß√£o de efeito precede, na evolu√ß√£o da mente, a no√ß√£o de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que n√£o √©, a ser tido em menor conta por aquilo que √©. √Č a vaidade em ac√ß√£o.

O Homem-Massa

Numa boa ordena√ß√£o das coisas p√ļblicas, a massa √© o que n√£o actua por si mesma. Tal √© a sua miss√£o. Veio ao mundo para ser dirigida, influ√≠da, representada, organizada ‚Äď at√© para deixar de ser massa, ou, pelo menos, aspirar a isso. Mas n√£o veio ao mundo para fazer tudo isso por si. Necessita referir a sua vida √† inst√Ęncia superior, constitu√≠da pelas minorias excelentes. Discuta-se quanto se queira quem s√£o os homens excelentes; mas que sem eles ‚Äď sejam uns ou outros ‚Äď a humanidade n√£o existiria no que tem de mais essencial, √© coisa sobre a qual conv√©m que n√£o haja d√ļvida alguma, embora leve a Europa todo um s√©culo a meter a cabe√ßa debaixo da asa, ao modo dos estr√ļcios para ver se consegue n√£o ver t√£o radiante evid√™ncia. Porque n√£o se trata de uma opini√£o fundada em factos mais ou menos frequentes e prov√°veis, mas numa lei da ¬ęf√≠sica¬Ľ social, muito mais incomov√≠vel que as leis da f√≠sica de Newton. No dia em que volte a imperar na Europa uma aut√™ntica filosofia ‚Äď √ļnica coisa que pode salv√°-la ‚Äď, compreender-se-√° que o homem √©, tenha ou n√£o vontade disso, um ser constitutivamente for√ßado a procurar uma inst√Ęncia superior.

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