Passagens sobre Exagero

35 resultados
Frases sobre exagero, poemas sobre exagero e outras passagens sobre exagero para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

√Čs como o Ar que Respiro

Qual √© a for√ßa extraordin√°ria que possuis? ‚ÄĒ pergunto muitas vezes a mim mesmo. Dois ou tr√™s princ√≠pios crist√£os inabal√°veis ‚ÄĒ e por tr√°s milhares de seres que desapareceram ignorados, cumprindo a vida ignorada. Nem sequer se debateram. Entregaram-se. Confiaram. A mulher portuguesa comunica ao lar a ternura com que os p√°ssaros aquecem o ninho. Sua vida d√° luz, para alumiar os outros. Foi assim com t√£o pequenos meios, que me ensinaste. Com uma palavra e mais nada, com um simples olhar, com sil√™ncio e mais nada. Uma atitude fazia-me pensar. E mal sabes tu quando Os teus dedos √°geis trabalhavam a meu lado, teciam ao mesmo tempo o pano grosso de casa e a nossa vida espiritual.

E como tu milhares de seres t√™em cumprido a vida em sil√™ncio, aceitando-a sem exageros. Nas m√£os das mulheres at√© as coisas vulgares que se fazem na aldeia, cozer o p√£o, lan√ßar a teia ‚ÄĒ assumem um car√°cter sagrado. Elas passam desconhecidas e disp√Ķem dum poder extraordin√°rio. Mant√™em a vida ordenada com um sorriso t√≠mido. A mulher est√° mais perto que n√≥s da natureza e de Deus.

Cada vez me aproximo mais de ti. O que h√° de puro em mim a ti o devo.

Continue lendo…

Possuir-te é Gozar de um Tesouro Infinito

Que suprema felicidade foi hoje a minha, querida desta alma! Como tu estavas, linda, terna, amante, encantadora! Nunca te vi assim, nunca me pareceste t√£o bela! Que deliciosa variedade h√° em ti, minha Rosa adorada! Possuir-te √© gozar de um tesouro infinito, inesgot√°vel. Juro-te que j√° n√£o tenho m√©rito em te ser fiel, em te protestar e guardar esta lealdade exclusiva que te hei-de consagrar at√© ao √ļltimo instante da minha vida: n√£o tenho m√©rito algum nisso. Depois de ti, toda a mulher √© imposs√≠vel para mim, que antes de ti n√£o conheci nenhuma que me pudesse fixar.

E o que eu te estimo e aprecio al√©m disso. A ternura de alma verdadeira que tenho por ti. Onde estavam no meu cora√ß√£o estes afectos que nunca senti, que s√≥ tu despertaste e que d√£o √† minha alma um bem-estar t√£o suave? Realmente que te devo muito, que me fizeste melhor, outro do que nunca fui. O que sinto por ti √© inexplic√°vel. Bem me dizias tu que em te conhecendo te havia de adorar deveras. √Č certo, assim foi, e estou agora seguro deste amor, porque repousa em bases t√£o s√≥lidas que j√° nada creio que o possa destruir.

Continue lendo…

Um Estado Desacostumado

N√£o √© imposs√≠vel assistir a um desvio anormal no funcionamento latente ou vis√≠vel das leis da natureza. Efectivamente, se qualquer um se der ao engenhoso trabalho de interrogar as diversas fases da sua exist√™ncia (sem esquecer qualquer delas, porque talvez fosse essa a que estava destinada a fornecer a prova do que afirmo), n√£o ser√° sem um certo espanto, que noutras circunst√Ęncias seria c√≥mico, que se recordar√° de que em determinado dia, para come√ßar a falar de coisas objectivas, foi testemunha de qualquer fen√≥meno que parecia ultrapassar, e positivamente ultrapassava, as no√ß√Ķes conhecidas fornecidas pela observa√ß√£o e pela experi√™ncia, como, por exemplo, as chuvas de sapos, cujo m√°gico espect√°culo n√£o foi a princ√≠pio compreendido pelos s√°bios. E de que, noutro dia, para falar em segundo e √ļltimo lugar de coisas subjectivas, a sua alma apresentou ao olhar investigador da psicologia, n√£o vou ao ponto de dizer uma aberra√ß√£o da raz√£o (que, no entanto, n√£o deixaria de ser curiosa; pelo contr√°rio, ainda o seria mais), mas, pelo menos, para n√£o me fazer rogado perante certas pessoas frias, que nunca perdoariam as locubra√ß√Ķes flagrantes do meu exagero, um estado desacostumado, muitas vezes grav√≠ssimo, que significa que o limite concedido pelo bom-senso √† imagina√ß√£o √©,

Continue lendo…

A Censura de Um Deve Pesar Mais que uma Plateia de Ignorantes

Hamlet (para um dos actores): Portanto, nada de conten√ß√£o exagerada. O seu discernimento deve ser o seu guia. Ajuste o gesto √† palavra, a palavra ao gesto, e cuide de n√£o perder a simples naturalidade. Pois tudo o que √© for√ßado foge do prop√≥sito da actua√ß√£o, cuja finalidade, tanto na origem como agora, era e √© erguer um espelho diante da natureza. Mostrar √† virtude as suas fei√ß√Ķes; ao orgulho, o desprezo, e a cada √©poca e gera√ß√£o, sua figura e estampa. O exagero e a imper√≠cia podem divertir os incultos, mas causam apenas desconforto aos judiciosos; √†queles cuja censura, ainda que de um s√≥, deve pesar mais em sua estima que toda uma plateia de ignorantes.

Bilhete

O teu vulto ficou na lembrança guardado,
vivo, por muitas horas!… e em meus olhos ba√ßos
Fitei-te Рcomo alguém que ansioso e torturado
Tentasse inutilmente reavivar teus tra√ßos…

Num relance te vi – depois, quase irritado
Fugi, – e reparei que ao marcar os meus passos
ia a dizer teu nome e a ver por todo lado
o teu vulto… o teu rosto… e o clar√£o dos teus bra√ßos!

Talvez eu faça mal em querer ser sincero,
censurar√°s – quem sabe? Essa minha ousadia,
e pensar√°s at√© que minto, e que exagero…

Ou dir√°s, que eu falar-te nesse tom, n√£o devo,
que o que escrevo é infantil e absurdo, é fantasia,
e afinal tens raz√£o… nem sei por que te escrevo!

O Intelecto Como Exagero

A beleza, a verdadeira beleza, acaba onde a a express√£o intelectual come√ßa. O intelecto √© j√° uma forma de exagero e destr√≥i a harmonia de qualquer rosto. Assim que nos sentamos a pensar, ficamos s√≥ nariz, ou s√≥ testa, ou uma coisa horr√≠vel do g√©nero. Olha para os homens bem sucedidos em qualquer das profiss√Ķes eruditas. Como s√£o perfeitamente hediondos! A n√£o ser, evidentemente, na Igreja. Mas a verdade √© que na Igreja eles n√£o pensam. Um bispo continua a dizer aos oitenta anos o que lhe mandaram dizer quando era um rapaz de dezoito e, por conseguinte, parece sempre perfeitamente encantador.

O Vício do Exagero

Hoje, no caf√©, aqui-del-rei que eu exagero, aqui-del-rei que conto uma anedota e a anedota sai da minha boca transfigurada. Aqui-del-rei que descrevo um indiv√≠duo e ponho bigodes de pol√≠cia onde havia somente uma discreta penugem. √Č certo, exagero. Come√ßo a pintar um bot√£o, e √© capaz de me sair o cosmos.

O Conceito de Nós Próprios

Cada homem, desde que sai da nebulose da inf√Ęncia e da adolesc√™ncia, √© em grande parte um produto do seu conceito de si mesmo. Pode dizer-se sem exagero mais que verbal, que temos duas esp√©cies de pais: os nossos pais, propriamente ditos, a quem devemos o ser f√≠sico e a base heredit√°ria do nosso temperamento; e, depois, o meio em que vivemos, e o conceito que formamos de n√≥s pr√≥prios – m√£e e pai, por assim dizer, do nosso ser mental definitivo.
Se um homem criar o h√°bito de se julgar inteligente, n√£o obter√° com isso, √© certo, um grau de intelig√™ncia que n√£o tem; mas far√° mais da intelig√™ncia que tem do que se julgar est√ļpido. E isto, que se d√° num caso intelectual, mais marcadamente se d√° num caso moral, pois a plasticidade das nossas qualidades morais √© muito mais acentuada que a das faculdades da nossa mente.
Ora, ordinariamente, o que é verdade da psicologia individual Рabstraindo daqueles fenómenos que são exclusivamente individuais Рé também verdade da psicologia colectiva. Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.
O primeiro passo passou para uma regeneração,

Continue lendo…

A heresia e a ortodoxia n√£o derivam de um exagero fan√°tico dos mecanismos doutrin√°rios, elas lhes pertencem fundamentalmente.

O Homem é o Animal Menos Preparado

A capacidade do homem para o pensamento abstracto, que parece faltar √† maioria dos outros mam√≠feros, conferiu-lhe sem d√ļvida o seu actual dom√≠nio sobre a superf√≠cie da Terra ‚Äď um dom√≠nio disputado apenas por centenas de milhares de tipos de insectos e organismos microsc√≥picos. Este pensamento abstracto √© o respons√°vel pela sua sensa√ß√£o de superioridade e pelo que, sob esta sensa√ß√£o, corresponde a uma certa medida de realidade, pelo menos dentro de estreitos limites. Mas o que √© frequentemente subestimado √© o facto de que a capacidade de desempenhar um acto n√£o √©, de forma alguma, sin√≥nima de seu exerc√≠cio salubre. √Č f√°cil observar que a maior parte do pensamento do homem √© est√ļpida, sem sentido e injuriosa para ele. Na realidade, de todos os animais, ele parece o menos preparado para tirar conclus√Ķes apropriadas nas quest√Ķes que afectam mais desesperadamente o seu bem-estar.
Tente imaginar um rato, no universo das ideias dos ratos, chegando a no√ß√Ķes t√£o ocas de plausibilidade como, por exemplo, o Swedenborgianismo, a homeopatia ou a telepatia mental. O instinto natural do homem, de facto, nunca se dirige para o que √© s√≥lido e verdadeiro; prefere tudo que √© especioso e falso. Se uma grande na√ß√£o moderna se confrontar com dois problemas antag√≥nicos ‚Äď um deles baseado em argumentos prov√°veis e racionais,

Continue lendo…

√ďdios e Rancores

Recusa ser testemunha em processos: serias necessariamente alvo do rancor de uma das partes. Nunca forne√ßas informa√ß√Ķes acerca de um homem que n√£o seja bem nascido – e menos ainda se √© de baixa extrac√ß√£o -, e faz como se tudo ignorasses a seu respeito. Se, em conversa, resolveres lan√ßar uma ofensa contra algu√©m, sobretudo n√£o tomes um ar pesado, mas continua a falar como se nada fosse. Em presen√ßa de terceiros, n√£o manifestes a ningu√©m favores especiais, pois considerar-se-ia que desprezas os outros e serias votado a um √≥dio constante.
Evita avan√ßar na carreira de modo demasiado r√°pido ou vistoso. √Č necess√°rio que, perante uma luz que se torna cada vez mais brilhante, os olhos se habituem a pouco e pouco; caso contr√°rio, desviam-se. Nunca v√°s contra o que agrada √† gente do povo, quer se trate de simples tradi√ß√Ķes ou mesmo de h√°bitos que te repugnam.
Se és forçado a admitir que cometeste uma acção odiosa, não atices o ódio que desperta dando a impressão que não a lastimas ou, pior ainda, troçando das tuas vítimas, ou orgulhando-te do que fizeste: serias odiado duas vezes mais. O melhor é ausentares-te, deixares agir o tempo e não te manifestares.

Continue lendo…

Reclamar com Espalhafato

Pelo facto de uma situa√ß√£o de crise (por exemplo, os v√≠cios de uma administra√ß√£o, a corrup√ß√£o e o favoritismo em agremia√ß√Ķes pol√≠ticas ou eruditas) ser descrita com forte exagero, essa descri√ß√£o perde, na verdade, o seu efeito junto das pessoas sensatas, mas actua tanto mais fortemente sobre as que o n√£o s√£o (as quais teriam permanecido indiferentes ante uma exposi√ß√£o bem comedida). Como estas, por√©m, constituem uma significativa maioria e albergam em si uma maior for√ßa de vontade e um gosto mais impetuoso pela ac√ß√£o, esse exagero torna-se pretexto para inqu√©ritos, puni√ß√Ķes, promessas, reorganiza√ß√Ķes. √Č nessa medida que √© rent√°vel descrever situa√ß√Ķes cr√≠ticas em termos exagerados.

Incontentado

Paix√£o sem grita, amor sem agonia,
Que n√£o oprime nem magoa o peito,
Que nada mais do que possui queria,
E com t√£o pouco vive satisfeito.

Amor, que os exageros repudia,
Misturado de estima e de respeito,
E, tirando das m√°goas alegria,
Fica farto, ficando sem proveito.

Viva sempre a paix√£o que me consome,
Sem uma queixa, sem um só lamento!
Arda sempre este amor que desanimas!

Eu eu tenha sempre, ao murmurar teu nome,
O coração, malgrado o sofrimento,
Como um rosal desabrochado em rimas.