Passagens sobre Exigentes

31 resultados
Frases sobre exigentes, poemas sobre exigentes e outras passagens sobre exigentes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Em Louvor da Miniblusa

Hoje vai a antiga musa
celebrar a nova blusa
que de Norte a Sul se usa
como graça de verão.
Graça que mostra o que esconde
a blusa comum, mas onde
um velho da era do bonde
encontrar√° mais mensagem
do que na bossa estival
da rola que ao natural
mostra seu colo fatal,
ou quase, pois tanto faz,
se a anatomia me ensina
a tocar a concertina
em busca ao mapa da mina
que ora muda de lugar?
J√° nem sei mais o que digo
ao divisar certo umbigo:
penso em flor, cereja, figo,
penso em deixar de pensar,
e em louvar o costureiro
ou costureira ‚ÄĒ joalheiro
que exp√Ķe a qualquer soleiro
esse profundo diamante
exclusivo antes das praias
(Copas, Leblons, Marambaias
e suas areias gaias).
Salve, moda, salve, sol
de sal, de alegre inventiva,
que traz à matéria viva
a prova figurativa!
Pode a ind√ļstria de fia√ß√£o
carpir-se do pouco pano
que o figurino magano
reduz a zero, cada ano.
Que importa?

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Viver √©…

Viver √© uma perip√©cia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o √Ęnimo e o des√Ęnimo, um entusiasmo ora doce, ora din√Ęmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital.

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Educar ajuda a n√£o ceder aos enganos de quem quer fazer crer que o trabalho, o empenhamento quotidiano, o dom de n√≥s mesmos e o estudo n√£o t√™m valor. Hoje, no mundo trabalho – mas tamb√©m nos outros meios – √© urgente ensinar a percorrer o caminho, luminoso e exigente, da honestidade, fugindo aos atalhos do favoritismo e das recomenda√ß√Ķes.

O Fim do Amor Tr√°gico e Rom√Ęntico?

Vivemos, de facto, numa √©poca em que a no√ß√£o de amor tr√°gico e rom√Ęntico, que herd√°mos do s√©culo dezanove, se tornou inactual, embora continue ainda a ser vivida por muitos – e at√© com o car√°cter de constru√ß√£o moral e est√©tica – essa rela√ß√£o extremamente apaixonada, exigente e exclusiva. A reclama√ß√£o da liberdade er√≥tica n√£o me parece que de algum modo tenda a degradar a vida, conquanto possa dessublimiz√°-la e do mesmo passo desmistific√°-la, precisamente no prop√≥sito de a tornar mais l√ļcida e mais generosa. Afigura-se-me que na contesta√ß√£o de todas as prepot√™ncias firmadas em preconceitos, em princ√≠pios estabelecidos aprior√≠sticamente, h√° sempre um nexo muito √≠ntimo entre a reinvindica√ß√£o da liberdade er√≥tica, da liberdade no trabalho e da liberdade pol√≠tica. E, naturalmente, quando se d√° uma explos√£o desta esp√©cie, √© como uma pedra que rola e que vai agregando uma s√©rie de materiais e descobrindo a sua pr√≥pria composi√ß√£o at√© √†s zonas mais profundas da sua estrutura.

Bailados do Luar

Pétalas de rosas
tombam lentamente, silenciosas…
E de vagar
vem entrando
a far√Ęndola r√≠tmica
e silente
dos g√≥ticos bailados do luar!…

Sobre as dobras macias
e assediantes
da seda do meu leito desmanchado,
esguias sombras
adelgaçando afagos,
poisam no meu peito desvestido…
E a boca hipnótica e algente
do meu luarento amante,
vai esculpindo o meu corpo
p√°lido e vencido!…

No espaço azul e vago,
esvoaça subtiltmente
a cálida lembrança
da tua voz!

Busco a verdade viva do teu beijo
e encontro apenas
esta estranha heresia,
crispando o alvo recorte
do meu corpo magoado!…

Estilhaçam-se, vibrando
numa √Ęnsia doentia,
os meus nervos nost√°lgicos,
irreverentes
empalidecendo
em dolências inocentes
o rubor do meu desejo
insaciado…

As rosas v√£o tombando lentamente,
devagar,
sobre a carícia dormente
e embruxada…
dos esp√°smicos beijos do luar…
Oiço a tua voz
em toda a parte!

E perco-me dentro dos meus próprios braços,
tumultuosos e exigentes,

a procurar-te!

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Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os √°cidos, os gumes
E os √Ęngulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulm√Ķes doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve a conta na botica!
Mal ganha para sopas…

O obst√°culo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, h√° dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopéia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais duma redação, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa
Vale um desdém solene.

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Escolho os meus amigos pela sua boa apresentação, os meus conhecidos pelo seu bom carácter e os meus inimigos pela sua boa inteligência. Um homem não pode ser muito exigente na escolha dos seus inimigos.

O Europeu, comparado com o Americano, √© mais cr√≠tico, mais consciente, menos af√°vel e prest√°vel, mais exigente nas suas distrac√ß√Ķes e nas suas leituras e, geralmente, mais ou menos pessimista.

N√£o entendo. Nossa televis√£o, com excep√ß√Ķes, √© pobre, al√©m de superlotada de an√ļncios. Mas Chacrinha foi demais. Simplesmente n√£o entendi o fen√≥meno. E fiquei triste, decepcionada: eu quereria um povo mais exigente.

Ausência

Meu amor, como eu sofro este tormento
da tua aus√™ncia!… Ando magoada
como a folha arrancada pelo vento
ao carinhoso anseio da ramada…

Procuro desviar o pensamento…
mas oiço ao longe a tua voz molhada
em l√°grimas, vibrando o sofrimento
da nossa vida assim, t√£o separada!

Os meus beijos escutam os teus beijos
exigentes ‚ÄĒ perdidos de saudade…
crispando amargamente os meus desejos!

E dia a dia essa canção de dor,
ritornelo sombrio de ansiedade,
exalta ainda mais o meu amor!

Quem é exigente com a qualidade dos produtos, mas não com a sua qualidade de vida, trai a sua própria felicidade.

O amor √© muito mais exigente do que ele pr√≥prio sup√Ķe: nove d√©cimos do amor est√£o no enamoramento, um d√©cimo na subst√Ęncia amor.

A Chama da Vida e o Fogo das Paix√Ķes

Nem sempre estar apaixonado √© bom. A maior parte das paix√Ķes tomam conta da vontade e assumem o controlo do sentir e do pensar. Prometem a maior das liberta√ß√Ķes, mas escravizam quem desiste de si mesmo e a elas se submete.

A paix√£o √© sofrimento, um furor que √© o oposto da paz e do contentamento. Um vazio fulminante capaz das maiores acrobacias para se satisfazer. Mas que, como nunca se sacia, acaba por se consumir, por se destruir a si mesmo. Para ter paz precisamos de fazer esta guerra, na conquista do mais exigente de todos os equil√≠brios: entre a monotonia de nada arriscar e a imprud√™ncia de entregar tudo sem uma vontade pr√≥pria profunda. √Č essencial que saibamos desafiarmo-nos, por vezes, a um profundo desequil√≠brio moment√Ęneo. Afinal, quem nunca ousa est√° perdido, para sempre.
H√° boas paix√Ķes. S√£o as que trabalham como um fermento. De forma pacata, pac√≠fica e paciente. Animam, mas n√£o dominam. Orientam, mas n√£o decidem. Iluminam, mas n√£o cegam.

Quase ningu√©m faz ideia da capacidade que cada um de n√≥s tem para suportar e vencer grandes sofrimentos…

Por paix√Ķes comuns, h√° quem perca a cabe√ßa, o cora√ß√£o e a alma.

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√Č sempre f√°cil encontrar um alibi para justificar a neglig√™ncia de estudos mais s√©rios e

√Č sempre f√°cil encontrar um alibi para justificar a neglig√™ncia de estudos mais s√©rios e exigentes.

Saudade

Segue-me noite e dia o teu desejo!…
Oi√ßo a tua voz r√ļbida e cantante
Suplicar-me a carícia do meu beijo,
numa teima exigente e perturbante!

E o meu corpo vencido, dominado,
vai tombar doloroso, inconsciente,
sobre a lembrança morna do passado
– e fica-se a sonhar… perdidamente!