Cita√ß√Ķes sobre Fim

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Frases sobre fim, poemas sobre fim e outras cita√ß√Ķes sobre fim para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Femeeiro L√≠rico e Femeeiro √Čpico

Os homens que têm a mania das mulheres dividem-se facilmente em duas categorias. Uns procuram em todas as mulheres a ideia que eles próprios têm da mulher tal como ela lhe aparece em sonhos, o que é algo de subjectivo e sempre igual. Aos outros, move-os o desejo de se apoderarem da infinita diversidade do mundo feminino objectivo.
A obsess√£o dos primeiros √© uma obsess√£o l√≠rica; o que procuram nas mulheres n√£o √© sen√£o eles pr√≥prios, n√£o √© sen√£o o seu pr√≥prio ideal, mas, ao fim e ao cabo, apanham sempre uma grande desilus√£o, porque, como sabemos, o ideal √© precisamente o que nunca se encontra. Como a desilus√£o que os faz andar de mulher em mulher d√°, ao mesmo tempo, uma esp√©cie de desculpa melodram√°tica √† sua inconst√Ęncia, n√£o poucos cora√ß√Ķes sens√≠veis acham comovente a sua perseverante poligamia.
A outra obsessão é uma obsessão épica e as mulheres não vêem nela nada de comovente: como o homem não projecta nas mulheres um ideal subjecitvo, tudo tem interesse e nada pode desiludi-lo. E esta impossibilidade de desilusão encerra em si algo de escandaloso. Aos olhos do mundo, a obsessão do femeeiro épico não tem remissão (porque não é resgatada pela desilusão).

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Os criadores e os g√©nios, no in√≠cio da sua carreira, quase sempre, e muitas vezes at√© no fim, sempre foram considerados pela sociedade como uns parvos e uns loucos ‚ÄĒ √© esta uma das observa√ß√Ķes mais triviais e sabidas.

Se uma pessoa resolve lutar, convém saber a razão pela qual está a lutar. Caso contrário não faz sentido. A pessoa geralmente luta contra um poder, a fim de conquistar o poder para ele próprio. Ou porque o poder em questão está a ameaçar a sua vida.

Trata de saborear a vida; e fica sabendo, que a pior filosofia é a do choramingas que se deita à margem do rio para o fim de lastimar o curso incessante das águas. O ofício delas é não parar nunca; acomoda-te com a lei, e trata de aproveitá-la.

O Futuro é dos Virtuosos e dos Capazes

√Č preciso confessar, o presente √© dos ricos, e o futuro √© dos virtuosos e dos capazes. Homero ainda vive, e viver√° sempre; os recebedores de direitos, os publicanos, n√£o existem mais: existiram algum dia? A sua p√°tria, os seus nomes, s√£o conhecidos? Houve arrecadores de impostos na Gr√©cia? Que fim levaram essas personagens que desprezavam Homero, que s√≥ pensavam, na rua, em evit√°-lo, n√£o correspondiam √† sua sauda√ß√£o, ou o saudavam pelo nome, desdenhavam associ√°-lo √† sua mesa, olhavam-no como um home que n√£o era rico e fazia um livro?
O mesmo orgulho que faz elevar-se altivamente acima dos seus inferiores, faz rastejar vilmente diante dos que est√£o acima de si. √Č pr√≥prio deste v√≠cio, que n√£o se funda sobre o m√©rito pessoal nem sobre a virtude, e sim sobre as riquezas, cargos, cr√©dito, e sobre ci√™ncias v√£s, levar-nos igualmente a desprezar os que t√™m menos essa esp√©cie de bens do que n√≥s e a apreciar demais aqueles que t√™m uma medida que excede a nossa.

H√° almas sujas, amassadas com lama e sujidade, tomadas pelo desejo de ganho e interesse, como as belas almas o s√£o pelo da gl√≥ria e da virtude: capazes de uma √ļnica vol√ļpia,

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Dificultar Equivale a Facilitar e Inversamente

Muita coisa, que em certas fases do homem lhe dificulta a vida, serve, numa fase superior, para lha facilitar, porque esses homens aprenderam a conhecer maiores complica√ß√Ķes da vida. O inverso sucede igualmente: √© assim, por exemplo, que a religi√£o tem um duplo rosto, conforme uma pessoa ergue para ela o olhar, para que ela o livre da sua cruz e das suas penas, ou baixa para ela o olhar como para as cadeias que lhe foram postas, a fim de que n√£o suba pelos ares demasiado alto.

Anjo

Quando a fitar-te ainda o sol declina
E a cor dos teus cabelos no Ar flutua,
A tua alma na minha se insinua,
Teu vulto é prece alando-se, divina!

A nossa voz, esparsa em luz, fascina;
A nossa voz… perdoa, Amor, a tua!
Ergues o olhar: crece em silêncio a lua,
Como uma flor, na tarde peregrina!

E a tua graça, etéreo Abril jucundo,
Bênção de Deus que tudo beija e alcança,
Sorri em flor na escurid√£o do Mundo…

A luz do Céu é o teu olhar sem fim;
E, no silêncio feito de esperança,
ouço o teu coração bater por mim!

O Homem ao Serviço dos Objectos

Pro√≠bo aos comerciantes que gabem de mais as mercadorias. Eles t√™m tend√™ncia a tornar-se pedagogos e mostram-te como fim aquilo que por ess√™ncia n√£o passa de um meio. Depois de assim te enganarem sobre o caminho a seguir, pouco falta para te perverterem. Se a m√ļsica deles √© vulgar, para ta vender, n√£o hesitar√£o em te fabricar uma alma vulgar. Ora, se √© bom que se alicercem os objectos para servir os homens, seria monstruoso que se exigissem alicerces aos homens para servir de caixote do lixo aos objectos.

A Partida

Partimos muito cedo — A madrugada
Clara, serena, vaporosa e fresca,
Tinha as nuances de mulher tudesca
De fina carne esplêndida e rosada.

Seguimos sempre afora pela estrada
Franca, poeirenta, alegre e pitoresca,
Dentre o frescor e a luz madrigalesca
Da natureza aos poucos acordada.

Depois, no fim, l√° de algum tempo — quando
Chegamos nós ao termo da viagem,
Ambos joviais, a rir, cantarolando,

Da mesma parte do levante, de onde
Saímos, pois, faiscava na paisagem
O sol, radioso e altivo como um conde.

Deus morreu. N√£o digas que isso √© absurdo e inintelig√≠vel, s√≥ porque as seitas religiosas enxameiam hoje o mundo. Porque √© quando uma doen√ßa √© incur√°vel que h√° mais abund√Ęncia de rem√©dios para a curar. Como a prolifera√ß√£o de religi√Ķes no fim do imp√©rio romano era o sinal de que a religi√£o de Roma estava a acabar.

A Vida Grata

Feliz aquele a quem a vida grata
Concedeu que dos deuses se lembrasse
E visse como eles
Estas terrenas coisas onde mora
Um reflexo mortal da imortal vida.
Feliz, que quando a hora tribut√°ria
Transpor seu √°trio por que a Parca corte
O fio fiado até ao fim,
Gozar poderá o alto prémio
De errar no Averno grato abrigo
Da convivência.

Mas aquele que quer Cristo antepor
Aos mais antigos Deuses que no Olimpo
Seguiram a Saturno ‚ÄĒ
O seu blasfemo ser abandonado
Na fria expia√ß√£o ‚ÄĒ at√© que os Deuses
De quem se esqueceu deles se recordem ‚ÄĒ
Erra, sombra inquieta, incertamente,
Nem a vi√ļva lhe p√Ķe na boca
O óbolo a Caronte grato,
E sobre o seu corpo insepulto
N√£o deita terra o viandante.

O Sábio Face à Vida

Existe acaso algu√©m a quem possas colocar acima do s√°bio? O s√°bio tem, sobre os deuses, opini√Ķes piedosas. N√£o teme a morte em momento nenhum, considera-a o fim normal da natureza, julga que o termo dos bens √© f√°cil de atingir e de possuir, sabe que os males t√™m uma dura√ß√£o e uma gravidade limitadas; sabe o que √© mister pensar da fatalidade, da qual se constuma fazer uma ama desp√≥tica. Sabe que os acontecimentos nascem, uns da fortuna, outros de n√≥s pr√≥prios, porque a fatalidade √© cega e a fortuna inconstante; que o que vem de n√≥s n√£o est√° submisso a nenhuma tirania, sujeito a reproche e a elogio.
Com efeito, melhor fora acreditar nas narrativas mitol√≥gicas sobre os deuses que tornar-se escravo da fatalidade dos f√≠sicos. A mitologia consente a esperan√ßa de que, honrando os deuses, poderemos disp√ī-los a nosso favor, enquanto a fatalidade √© inexor√°vel. O s√°bio n√£o cr√™, como o vulgo, que a fortuna seja uma divindade, pois um deus n√£o pode agir de maneira desordenada. Nem √©, para ele, uma causa, dada a sua instabilidade. N√£o a admite como causa do bem e do mal, ou da vida feliz; n√£o obstante, sabe que pode trazer grandes bens ou grandes males.

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Por volta do ano 1830, Bentham acreditava que a educação universal levaria a resolver, a contento, todos os problemas sociais, antes do fim do século.

Tive um Cavalo de Cart√£o

Mulher. A tua pele branca foi um verão que quis viver e me foi negado. Um caminho que não me enganou. Enganou-me a luz e os olhos foscos das manhãs revividas. Enganou-me um sonho de poder ser o filho que fui, a correr pelos campos todo o dia, a medir as searas pelo tamanho dos braços abertos; enganou-me um sonho de poder ser o filho que fui no teu homem e no teu rosto, no teu filho, nosso. Não há manhãs para reviver, sei-o hoje. Não se podem construir dias novos sobre manhãs que se recordam. Inventei-te talvez, partindo de uma estrela como todas estas. Quis ter uma estrela e dar-lhe as manhãs de julho. As grandes manhãs de julho diante de casa e a minha mãe a acabar o almoço bom e o meu pai a chegar e a ralhar, sem ser a sério, por o almoço não estar pronto e eu sentado na terra, talvez a fazer um barroco, talvez a brincar com o cavalo de cartão. Tive um cavalo de cartão. Nunca te contei, pouco te contei, mas tive um cavalo de cartão. Brincava com ele e era bonito. Gostava muito dele. Tanto. Tanto. Tanto. Quando o meu pai mo trouxe,

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O 25 de Abril foi, para todos nós, o fim da ditadura. Os heróicos militares que prepararam e executaram a revolta realizaram um acto de libertação de si mesmos, mas consigo mesmos quiseram libertar Portugal inteiro.