Passagens sobre Integração

5 resultados
Frases sobre integra√ß√£o, poemas sobre integra√ß√£o e outras passagens sobre integra√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Talento na Juventude e na Velhice

Nada menos exacto do que supor que o talento constitui privilégio da mocidade. Não. Nem da mocidade, nem da velhice. Não se é talentoso por se ser moço, nem genial por se ser velho. A certidão de idade não confere superioridade de espírito a ninguém. Nunca compreendi a hostilidade tradicional entre velhos e moços (que aliás enche a história das literaturas); e não percebo a razão por que os homens se lançam tantas vezes recíprocamente em rosto, como um agravo, a sua velhice ou a sua juventude.
Ser idoso não quer dizer que se seja necessáriamente intolerante e retrógado; e engana-se quem supuser que a mocidade, por si só, constitui garantia de progresso ou de renovação mental. As grandes descobertas que ilustram a história da ciência e contribuiram para o progresso humano são, em geral, obra dos velhos sábios; e a mocidade literária, negando embora sistemáticamente o passado, é nele que se inspira, até que o escritor adquire (quando adquire) personalidade própria.
(…) A mocidade, em geral, n√£o cria; utiliza, transformando-o, o legado que recebeu. Juventude e velhice n√£o se op√Ķem; completam-se na harmonia universal dos seres e das coisas. A vida n√£o √© s√≥ o entusiasmo dos mo√ßos;

Continue lendo…

As Restri√ß√Ķes dos Guardi√Ķes Morais

Parece-me a mim que o pressuposto em que se baseiam as ac√ß√Ķes restritivas dos nossos guardi√Ķes morais √© simplesmente o de que o acesso √† literatura proibida nos pode levar a comportar-se como animais. Mas pensar assim √© insultar o reino animal. E, ao mesmo tempo, transformar paix√£o, o maior atributo do homem, numa caricatura. A gama da paix√£o humana √© quase ilimitada, atingindo alturas e profundidades impens√°veis. Precisamente por abarcar tais extremos √© a paix√£o a aut√™ntica pedra de toque da nossa humanidade, e talvez tamb√©m da nossa divindade. De todas as criaturas da terra, o homem √© a √ļnica de comportamento imprevis√≠vel. H√° em n√≥s alguma coisa de toda a cria√ß√£o. Quando nos √© negada a menor parcela de liberdade, ficamos espiritualmente limitados e mutilados. √Č a plena consci√™ncia da nossa natureza m√ļltipla e a integra√ß√£o da mir√≠ade de elementos de que somos compostos que nos faz completos, que nos faz humanos. A religi√£o faz de n√≥s santos, ou apenas bons cidad√£os, mas o que faz de n√≥s homens, o que nos faz humanos at√© ao √Ęmago, √© a liberdade. √Č uma palavra terr√≠vel, a liberdade, para aqueles que viveram toda a vida mentalmente algemados.

Uma Significação para a Vida

Como √© que o homem vai viver sem uma significa√ß√£o para a vida? Donde essa significa√ß√£o? Os suced√Ęneos dos deuses atropelam-se tumultuosos, mas duram menos que os deuses, duram menos que um homem. Imaginei um dia que o homem viria a aceitar a sua condi√ß√£o em plenitude. S√≥ n√£o imagino esse homem. Porque imaginando-o como me √© poss√≠vel, penso que admitir√° uma transcend√™ncia inomin√°vel, uma dimens√£o que supere o imediato da vida. S√≥ que o pens√°-lo n√£o me afecta o sentir. Tenho o enigma mas n√£o a chave que o desvende. Sei a interroga√ß√£o, mas n√£o posso convert√™-la na pergunta a que se d√° uma resposta. Da integra√ß√£o do homem no mist√©rio do universo o que me fica √© a vertigem. Mas aguento-me a√≠ sem me retirar do abismo nem cair nele. O curioso √© que s√£o os ¬ęracionalistas¬Ľ quem menos se perturba com a sem-raz√£o de tudo isto. Porque eles √© que deviam saber, mais do que os outros, o porqu√™ e o para qu√™. N√£o querem. O mundo existe-lhes assim mesmo, sem significa√ß√£o. Para mim me existe tamb√©m. Mas isso aturde-me. A velhice que se anuncia, anuncia-me a aceita√ß√£o e a serenidade. Mas n√£o me anuncia a liquida√ß√£o do problema.

Continue lendo…

Hoje n√£o podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecol√≥gica se torna sempre uma abordagem social, que deve integrar a justi√ßa nas discuss√Ķes sobre o ambiente, para ouvir tanto o clamor da Terra como clamor dos pobres.