Longas

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S√≥ h√° um problema filos√≥fico verdadeiramente s√©rio: o suic√≠dio. Julgar se a vida merece ou n√£o ser vivida √© responder uma quest√£o fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem tr√™s dimens√Ķes, se o esp√≠rito tem nove ou doze categorias, vem depois. Trata-se de jogos; √© preciso primeiro responder. E se √© verdade, como quer Nietzsche, que um fil√≥sofo, para ser estimado, deve pregar com o seu exemplo, percebe-se a import√Ęncia dessa reposta, porque ela vai anteceder o gesto definitivo. S√£o evid√™ncias sens√≠veis ao cora√ß√£o, mas √© preciso ir mais fundo at√© torn√°-las claras para o esp√≠rito. Se eu me pergunto por que julgo que tal quest√£o √© mais premente que tal outra, respondo que √© pelas a√ß√Ķes a que ela se compromete. Nunca vi ningu√©m morrer por causa do argumento ontol√≥gico. Galileu, que sustentava uma verdade cient√≠fica importante, abjurou dela com a maior tranq√ľilidade assim que viu sua vida em perigo. Em certo sentido, fez bem. Essa verdade n√£o valia o risco da fogueira. Qual deles, a Terra ou o Sol gira em redor do outro, √©-nos profundamente indiferente.

Havia na Manch√ļria um batalh√£o do ex√©rcito chin√™s formado somente por adeptos de certa seita religiosa. Eles usavam preso ao abd√īmen um talism√£ e possu√≠am a seguinte f√© inabal√°vel: ‚ÄėAs balas n√£o atingem; mesmo que me atinjam, n√£o morrerei; mesmo que eu morra, ressuscitarei‚Äô. Esses soldados investiam destemidamente contra os inimigos, causando-lhes s√©rios danos. Nem as rajadas de metralhadoras conseguiam det√™-los. Mesmo recebendo duas ou tr√™s balas no corpo, eles n√£o esmoreciam; quando ca√≠am, levantavam-se e avan√ßavam de novo. Por isso, quando se enfrentava esse batalh√£o, era inevit√°vel acabar em luta corpo-a-corpo, com baionetas. Consta que, ao final da luta, examinando-se os corpos de alguns desses soldados, que jaziam mortos, podia-se constatar em cada um deles dezenas de perfura√ß√Ķes √† bala, o que significava que, apesar desses ferimentos, eles continuaram avan√ßando e finalmente foram mortos a baionetadas. Como √© grande o poder da f√©! Aquele que se apavora porque teve hemoptise algumas vezes, deve envergonhar-se diante do exemplo desses soldados chineses. Aquele que n√£o consegue reerguer-se porque fracassou algumas vezes na vida deve envergonhar-se de sua fraqueza. Fracassar e cair n√£o √© vergonha; vergonhoso √© perder a coragem para se reerguer. Quando se faz limpeza no po√ßo, este parece secar temporariamente,

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Fatos empíricos:
Um: Todos nós somos capazes de sentir amor por outros seres humanos.
Dois: Impomos limita√ß√Ķes a esse amor.
Tr√™s: Podemos transcender a todas essas limita√ß√Ķes – se nos aprouver. (√Č uma quest√£o de observa√ß√£o que, quem quer que o deseje, poder√° vencer a repugn√Ęncia pessoal, o sentimento de classe, o √≥dio nacional, o preconceito de cor. N√£o √© coisa f√°cil; mas podemos conseguir, se tivermos vontade e soubermos p√īr em pr√°tica as nossas boas inten√ß√Ķes.)
Quatro: Amor que se manifesta em bom tratamento cria amor. √ďdio que se manifesta em mau tratamento cria √≥dio.
√Ä luz desses fatos √© √≥bvio quais deveriam ser os comportamentos pol√≠ticos entre pessoas, entre classes, entre na√ß√Ķes. Mas, ainda uma vez, o saber n√£o basta. Saber, todos n√≥s sabemos; onde quase todos n√≥s fracassamos √© em fazer. E a quest√£o est√°, habitualmente, em achar os melhores m√©todos de dar cumprimento √†s inten√ß√Ķes. Entre outras coisas, a propaganda da paz deve consistir numa s√©rie de instru√ß√Ķes para a arte de modificar o car√°ter.

Sem qualquer excep√ß√£o, homens e mulheres de todas as idades, de todas as culturas, de todos os graus de instru√ß√£o e de todos os n√≠veis econ√≥micos t√™m emo√ß√Ķes, est√£o atentos √†s emo√ß√Ķes dos outros, cultivam passatempos que manipulam as suas pr√≥prias emo√ß√Ķes, e governam as suas vidas, em grande parte, pela procura de uma emo√ß√£o, a felicidade, e pelo evitar das emo√ß√Ķes desagrad√°veis. √Ä primeira vista, n√£o existe nada de caracteristicamente humano nas emo√ß√Ķes, uma vez que √© bem claro que os animais tamb√©m t√™m emo√ß√Ķes. No entanto, h√° qualquer coisa de muito caracter√≠stico no modo como as emo√ß√Ķes est√£o ligadas √†s ideias, aos valores, aos princ√≠pios e aos ju√≠zos complexos que s√≥ os seres humanos podem ter , sendo nessa liga√ß√£o que reside a nossa ideia bem leg√≠tima de que a emo√ß√£o humana √© especial. A emo√ß√£o humana n√£o se reduz ao prazer sexual ou ao pavor de r√©pteis. Tem a ver, igualmente, com o horror de testemunhar o sofrimento e com a satisfa√ß√£o de ver cumprida a justi√ßa.