Passagens sobre Mal

1898 resultados
Frases sobre mal, poemas sobre mal e outras passagens sobre mal para ler e compartilhar. Leia as melhores citações em Poetris.

Ó pavoroso mal de ser sozinha!
Ó pavoroso e atroz mal de trazer
Tantas almas a rir dentro da minha!

A Tirania do Sofrimento

O homem, quando sofre, faz uma ideia muito ideia muito especial do bem e do mal, ou seja, do bem que os outros lhe deveriam fazer e que ele pretende como se do seu sofrimento derivasse um qualquer direito a ser compensado, e do mal que pode fazer aos outros como se igualmente o seu sofrimento o autorizasse a praticá-lo. E se os outros não lhe fazem o bem quase por dever, ele acusa-os; e de todo o mal que ele faz, quase por direito, facilmente se desculpa.

Na essência, todas as religiões concordam com o princípio de que ‘O mal não existe na criação de Deus’. Porém, muitas erram na conclusão seguinte: ‘… a doença não é uma coisa má, pois ela vem de Deus; aceitemo-la agradecendo’.

Para uma família ser feliz, é necessário haver sedução. Os filhos têm de ser charmosos para encantar os pais, os pais têm de se esforçar para educarem convincentemente os filhos. E marido e mulher, caso queiram permanecer juntos, têm de passar a vida inteira a engatar-se. O mal da família é a facilidade. É pensar que aquele amor já é assunto arrumado.

O Acto de Criação é de Natureza Obscura

O acto de criação é de natureza obscura; nele é impossível destrinçar o que é da razão e o que é do instinto, o que é do mundo e o que é da terra. Nunca nenhum dualismo serviu bem o poeta. Esse «pastor do Ser», na tão bela expressão de Heidegger, é, como nenhum outro homem, nostálgico de uma antiga unidade. As mil e uma antinomias, tão escolarmente elaboradas, quando não pervertem a primordial fonte do desejo, pecam sempre por cindir a inteireza que é todo um homem. Não há vitória definitiva sem a reconciliação dos contrários. É no mar crepuscular e materno da memória, onde as águas «superiores» não foram ainda separadas das «inferiores», que as imagens do poeta sonham pela primeira vez com a precária e fugidia luz da terra.
Diante do papel, que «la blancheur défend», o poeta é uma longa e só hesitação. Que Ifigénia terá de sacrificar para que o vento propício se levante e as suas naves possam avistar os muros de Tróia? Que augúrios escuta, que enigmas decifra naquele rumor de sangue em que se debruça cheio de aflição? Porque ao princípio é o ritmo; um ritmo surdo, espesso, do coração ou do cosmos — quem sabe onde um começa e o outro acaba?

Continue lendo…

A vida – da forma que ela realmente é – não é uma batalha entre o bem e o mal, mas entre o mau e o pior.

O natural: «O mal teve sempre por si o grande efeito! E a natureza é má! Sejamos portanto naturais!», assim raciocinam em segredo esses grandes pesquisadores de efeito da humanidade que, vezes demais, foram contados entre os grandes homens.

O Céu e a Terra

Aqueles que afirmam existir mais coisas no céu que na terra, têm razão e não têm, por serem ambos a mesma coisa, embora em planos inversos. Todas as almas sabem disto, quando estão no etéreo, à espera de reencarnar, mas depois esquecem-se, quando mergulham no limbo e se agarram ao corpo mirrado de uma coisa viva que há-de ser.
E, tenho para mim, que as beatas não fazem por mal quando batem no peito e censuram o resto do mundo por não ser igual a si. Buscam, talvez, um comportamento livre dos corpos que as aproxime do que elas foram um dia: uma coisa diáfana e sem corpo, desprendidas da realidade da carne.

Da Vossa Vista a Minha Vida Pende

Da vossa vista a minha vida pende,
Maior bem para mim não pode ser
Que ver-vos, mas não ouso de vos ver;
Que vosso alto respeito mo defende.

O meu amor, que o vosso só pretende,
Receio que se venha a conhecer,
Nos olhos, que mal podem esconder
O desejo, dum peito que se rende.

Por vós a tal estremo d’Amor venho,
Que com força resisto a meu desejo,
Porque nada de mim vos descontente.

Mas neste mal, senhora, este bem tenho,
Que sempre tal, qual sois, n’alma vos pinto
Sem dar que ver, nem que falar à gente.

Arrojos

Se a minha amada um longo olhar me desse
Dos seus olhos que ferem como espadas,
Eu domaria o mar que se enfurece
E escalaria as nuvens rendilhadas.

Se ela deixasse, extático e suspenso
Tomar-lhe as mãos mignonnes e aquecê-las,
Eu com um sopro enorme, um sopro imenso
Apagaria o lume das estrelas.

Se aquela que amo mais que a luz do dia,
Me aniquilasse os males taciturnos,
O brilho dos meus olhos venceria
O clarão dos relâmpagos noturnos.

Se ela quisesse amar, no azul do espaço,
Casando as suas penas com as minhas,
Eu desfaria o Sol como desfaço
As bolas de sabão das criancinhas.

Se a Laura dos meus loucos desvarios
Fosse menos soberba e menos fria,
Eu pararia o curso aos grandes rios
E a terra sob os pés abalaria.

Se aquela por quem já não tenho risos
Me concedesse apenas dois abraços,
Eu subiria aos róseos paraísos
E a Lua afogaria nos meus braços.

Se ela ouvisse os meus cantos moribundos
E os lamentos das cítaras estranhas,

Continue lendo…