Passagens sobre Mérito

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Frases sobre m√©rito, poemas sobre m√©rito e outras passagens sobre m√©rito para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

√Č dific√≠limo ser certinho. Qualquer palerma consegue ser um doidivanas que faz tudo o que lhe vem √† cabe√ßa. Qualquer trinca-tortas pode ser ¬ęimprevis√≠vel¬Ľ. Desde quando √© que houve o m√≠nimo custo em ser ¬ęirrespons√°vel¬Ľ. Ser desorganizado n√£o tem gra√ßa nem m√©rito. √Č estar inacabado.

A Glória como Mira

Nem todos os homens nasceram para os grandes talentos; e n√£o creio que se possa olhar isso como uma desgra√ßa, pois que √© necess√°rio conservar todas as condi√ß√Ķes, e as artes mais necess√°rias n√£o s√£o as mais engenhosas, nem as mais prestigiadas. Mas o que importa, creio, √© que reina em todos esses estados uma gl√≥ria adequada ao m√©rito que eles solicitam. √Č o amor dessa gl√≥ria que os aperfei√ßoa, que torna os homens de todas as condi√ß√Ķes mais virtuosos, e que faz florescer os imp√©rios, como a experi√™ncia de todos os seculos o demonstra.
Essa glória, inferior à dos talentos mais elevados, não é menos justamente fundamentada; porque aquilo que é bom em si mesmo não pode ser anulado por aquilo que é melhor; o que é estimável pode perder a nossa estima, mas não pode sofrer decesso no seu ser; isso é visível.
Se existe então algum erro a esse respeito entre os homens, é quando procuram uma glória superior aos seus talentos, uma glória, por conseguinte, que engana os seus desejos e os faz negligenciar aquilo que realmente lhes cabe por natureza; que mantém, no entanto, o seu espírito acima da sua condição e os salva talvez de numerosas fraquezas.

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O sábio não se exibe, por isso brilha. Ele não se faz notar, e por isso é notado. Ele não se elogia, e por isso tem mérito. E, porque não está competindo, ninguém no mundo pode competir com ele.

O Empregado Modelo

Um excelente trabalhador pode ser um grande poltr√£o? Alvaro √© a prova evidente que sim. Matas-te a trabalhar por pura burrice, por comodidade ou abulia, para n√£o teres de procurar um emprego mais instrutivo, mais estimulante, com mais perspetivas de carreira e at√© melhor sal√°rio. Eram os chamados trabalhadores fi√©is de antigamente, os empregados modelo; quando se reformavam, davam-lhes uma medalha de ouro alem√£o: cinquenta anos na mesma empresa, fita ao pesco√ßo e medalha ao peito. Grande m√©rito, n√£o haja d√ļvida. Um pobre tolo que passou cinco dec√©nios de cu sentado na mesma cadeira e cotovelos apoiados na mesma mesa. Hoje em dia, pelo contr√°rio, premeia-se a mobilidade. A fidelidade √© entendida como apatia e falta de ambi√ß√£o; √©s encorajado a atrai√ßoar os teus sucessivos chefes, e espera-se que cada uma dessas trai√ß√Ķes te granjeie vantagens econ√≥micas e promo√ß√Ķes.

Existe uma classe de pessoas que d√° provas e atribui-se o m√©rito de ser ilustre h√° muitas gera√ß√Ķes, embora permane√ßa ociosa e in√ļtil. Intitula-se nobreza; e, n√£o menos do que a classe dos sacerdotes, deve ser considerada como um dos maiores obst√°culos √† vida livre e um dos mais ferozes e permanentes pilares da tirania.

Toda pessoa possuidora de algum mérito tem consciência de que em seu interior existe uma força que não pára de incitá-la ao progresso infinito.

O Que Mais Contribui para a Felicidade

J√° reconhecemos em geral que aquilo que somos contribui muito mais para a felicidade do que aquilo que temos ou representamos. Importa saber o que algu√©m √© e, por conseguinte, o que tem em si mesmo, pois a sua individualidade acompanha-o sempre e por toda a parte, e tinge cada uma das suas viv√™ncias. Em todas as coisas e ocasi√Ķes, o indiv√≠duo frui, em primeiro lugar, apenas a si mesmo. Isso j√° vale para os deleites f√≠sicos e muito mais para os intelectuais. Por isso, a express√£o inglesa to enjoy one’s self √© bastante acertada; com ela, dizemos, por exemplo, he enjoys himself at Paris, portanto, n√£o ¬ęele frui Paris¬Ľ, mas ¬ęele frui a si em Paris¬Ľ. Entretanto, se a individualidade √© de m√° qualidade, ent√£o todos os deleites s√£o como vinhos deliciosos numa boca impregnada de fel.
Assim, tanto no bem quanto no mal, tirante os casos graves de infelicidade, importa menos saber o que ocorre e sucede a alguém na vida, do que a maneira como ele o sente, portanto, o tipo e o grau da sua susceptibilidade sob todos os aspectos. O que alguém é e tem em si mesmo, ou seja, a personalidade e o seu valor,

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O verdadeiro mérito é como o fogo vivo: ainda que o abafem rebenta, e quanto maior for a acumulação de versas, tanto maiores serão as labaredas que dele hão-de subir.

Os Cl√°ssicos da Literatura

As emo√ß√Ķes que a literatura suscita s√£o talvez eternas, mas os meios devem variar constantemente, mesmo que lligeiramente, para n√£o perder a sua virtude. Desgastam-se √† medida que o leitor os reconhece. Da√≠ o perigo de afirmar que existem obras cl√°ssicas que o ser√£o para sempre.
Cada qual descr√™ da sua arte e dos seus artif√≠cios. Eu, que me resignei a p√īr em d√ļvida a indefinida dura√ß√£o de Voltaire ou de Shakespeare, acredito (nesta tarde de um dos √ļltimos dias de 1965) na de Schopenhauer e na de Berkeley.
Cl√°ssico n√£o √© um livro (repito-o) que possui necessariamente tais ou tais m√©ritos. √Č um livro que as gera√ß√Ķes dos homens, motivadas por raz√Ķes diversas, l√™em com pr√©vio fervor e com uma misteriosa lealdade.

Tudo Tem de Ser a Favor da Humanidade

Quando fiz o Crist√≥v√£o Colombo, e depois fiz uma apresenta√ß√£o em Fran√ßa, defendi que a hip√≥tese de o navegador ter nascido em Portugal n√£o era uma quest√£o de patriotismo. O m√©rito est√° na pessoa, seja ela de que nacionalidade for. E o m√©rito de qualquer pessoa d√° m√©rito √† na√ß√£o a que pertence, e d√° m√©rito √† humanidade. Essas figuras n√£o s√£o cativas delas pr√≥prias. √Č isto o fundo humanista, porque tudo tem de ser a favor da humanidade. Se for contra, √© mau. Isso √© muito importante. √Č assim que, quando um realizador portugu√™s recebe um pr√©mio, est√° a receb√™-lo a cinematografia portuguesa, est√° a receb√™-lo Portugal, a Europa, o mundo cinematogr√°fico. Isto n√£o √© assim t√£o individual como parece. Quando se fala muito de Cam√Ķes, estamos a falar dos portugueses, mas tamb√©m do m√©rito dos humanos. As pessoas est√£o obcecadas com o patriotismo: “Eu √© que sou.” N√£o √© nada disso. O humanismo √© que √© fundamental e, √†s vezes, √© esquecido. Mesmo nos partidos pol√≠ticos, que muitas vezes caem no sectarismo. A natureza humana, em qualquer um dos partidos, √© sempre a mesma. N√£o muda. √Č nela que est√° o mal e o bem. Mas concordo com a exist√™ncia dos partidos,

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A Minha Lista dos Grandes Autores

Uma revista espanhola teve a ideia de pedir a uns quantos escritores que elaborassem a sua √°rvore geneal√≥gica liter√°ria, isto √©, a que outros autores consideravam eles como avoengos seus, directos ou indirectos, excluindo-se do inventado parentesco, obviamente, qualquer presun√ß√£o de rela√ß√Ķes ou equival√™ncias de m√©rito que a realidade, pelo menos no meu caso, logo se encarregaria de desmentir. Tamb√©m se pedia que, em brev√≠ssimas palavras, fosse dada a justifica√ß√£o dessa esp√©cie de adop√ß√£o ao contr√°rio, em que era o ¬ędescendente¬Ľ a escolher o ¬ęascendente¬Ľ. A cada escritor consultado foi entregue o desenho de uma √°rvore com onze molduras dispersas pelos diferentes ramos, onde suponho que h√£o-de vir a aparecer os retratos dos autores escolhidos. A minha lista, com a respectiva fundamenta√ß√£o, foi esta: Lu√≠s de Cam√Ķes, porque, como escrevi no ¬ęAno da Morte de Ricardo Reis¬Ľ, todos os caminhos portugueses a ele v√£o dar; Padre Ant√≥nio Vieira, porque a l√≠ngua portuguesa nunca foi mais bela que quando ele a escreveu; Cervantes, porque sem ele a Pen√≠nsula Ib√©rica seria uma casa sem telhado; Montaigne, porque n√£o precisou de Freud para saber quem era; Voltaire, porque perdeu as ilus√Ķes sobre a humanidade e sobreviveu a isso; Raul Brand√£o, porque demonstrou que n√£o √© preciso ser-se g√©nio para escrever um livro genial,

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Possuir-te é Gozar de um Tesouro Infinito

Que suprema felicidade foi hoje a minha, querida desta alma! Como tu estavas, linda, terna, amante, encantadora! Nunca te vi assim, nunca me pareceste t√£o bela! Que deliciosa variedade h√° em ti, minha Rosa adorada! Possuir-te √© gozar de um tesouro infinito, inesgot√°vel. Juro-te que j√° n√£o tenho m√©rito em te ser fiel, em te protestar e guardar esta lealdade exclusiva que te hei-de consagrar at√© ao √ļltimo instante da minha vida: n√£o tenho m√©rito algum nisso. Depois de ti, toda a mulher √© imposs√≠vel para mim, que antes de ti n√£o conheci nenhuma que me pudesse fixar.

E o que eu te estimo e aprecio al√©m disso. A ternura de alma verdadeira que tenho por ti. Onde estavam no meu cora√ß√£o estes afectos que nunca senti, que s√≥ tu despertaste e que d√£o √† minha alma um bem-estar t√£o suave? Realmente que te devo muito, que me fizeste melhor, outro do que nunca fui. O que sinto por ti √© inexplic√°vel. Bem me dizias tu que em te conhecendo te havia de adorar deveras. √Č certo, assim foi, e estou agora seguro deste amor, porque repousa em bases t√£o s√≥lidas que j√° nada creio que o possa destruir.

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Mérito é o que dizeis? Ah, pobre ingénuos!
O dinheiro, esse sim é que é mérito, irmãos.
Apenas os ricos s√£o bons, bonitos,
am√°veis, jovens e s√°bios.