Passagens sobre Minutos

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Frases sobre minutos, poemas sobre minutos e outras passagens sobre minutos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Nenhuma Morte Apagar√° os Beijos

Nenhuma morte apagar√° os beijos
e por dentro das casas onde nos am√°mos ou pelas ruas
[clandestinas da grande cidade livre
estar√£o para sempre vivos os sinais de um grande amor,
esses densos sinais do amor e da morte
com que se vive a vida.

Aí estarão de novo as nossas mãos.
E nenhuma dor será possível onde nos beijámos.
Eternamente apaixonados, meu amor. Eternamente livres.
Prolongaremos em todos os dedos os nossos gestos e,
profundamente, no peito dos amantes, a nossa alma líquida
[e atormentada

desvender√° em cada minuto o seu segredo
para que este amor se prolongue e noutras bocas
ardam violentos de paix√£o os nossos beijos
e os corpos se abracem mais e se confundam
mutuamente violando-se, violentando a noite
para que outro dia, afinal, seja possível.

Amamos, e chegamos antes da hora; amamos ainda, e chegamos no √ļltimo minuto; j√° n√£o amamos, e chegamos atrasados.

Aproveitar o Tempo

Aproveitar o tempo!
Mas o que é o tempo, que eu o aproveite?
Aproveitar o tempo!
Nenhum dia sem linha…
O trabalho honesto e superior…
O trabalho √† Virg√≠lio, √† M√≠lton…
Mas é tão difícil ser honesto ou superior!
√Č t√£o pouco prov√°vel ser Milton ou ser Virg√≠lio!

Aproveitar o tempo!
Tirar da alma os bocados precisos – nem mais nem menos –
Para com eles juntar os cubos ajustados
Que fazem gravuras certas na história
(E est√£o certas tamb√©m do lado de baixo que se n√£o v√™)…
P√īr as sensa√ß√Ķes em castelo de cartas, pobre China dos ser√Ķes,
E os pensamentos em dominó, igual contra igual,
E a vontade em carambola difícil.
Imagens de jogos ou de paci√™ncias ou de passatempos –
Imagens da vida, imagens das vidas. Imagens da Vida.

Verbalismo…
Sim, verbalismo…
Aproveitar o tempo!
N√£o ter um minuto que o exame de consci√™ncia desconhe√ßa…
N√£o ter um acto indefinido nem fact√≠cio…
N√£o ter um movimento desconforme com prop√≥sitos…
Boas maneiras da alma…
Eleg√Ęncia de persistir…

Aproveitar o tempo!

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O bom humor é essencial, o que nos salva. No minuto em que surge, toda nossa irritação e ressentimento somem, cedendo lugar a um espírito radiante.

o homem que j√° n√£o sou

n√£o me olhes agora que estou
mais velho e n√£o correspondo em
nada ao homem que
amaste, procura encarar a tristeza
sem me incluíres, seria demasiado
cruel que me usasses para a
dor. para ti
quis trazer as coisas mais belas
e em tudo o que fiz pus o
cuidado meticuloso de quem
ama. n√£o me obrigues a cortar os
pulsos quando fores num minuto ao
jardim com o c√£o

esta noite, sem notares, sustive a
respiração e quase morri. não deste
por nada. julgaste que voltei a
ressonar e até terás esboçado um
sorriso. e se eu pudesse morrer
enquanto sorris, pergunto

deixo para depois, ou talvez
desista. mas n√£o pode ser se
tu me olhares em busca de tudo o que
j√° n√£o existe. n√£o pode ser, levo a
faca maior para debaixo do meu
travesseiro, juro-te que me
mato se continuares assim

√Äs vezes, naquele minuto de ora√ß√£o deixamos de tomar uma atitude precipitada, de proferir uma palavra agressiva, de permitir que a c√≥lera nos induza a qualquer atitude infeliz…

O silêncio só é necessário quando não se tem nada de válido a dizer. Ele faz com que até os idiotas pareçam sábios por um minuto.

Presença

Só saberei de ti pelos teus olhos,
que falam mais que a tua fala pouca.
Doce memória (irei buscar-te sempre)
encilhada a essa égua dos minutos,

onde os ponteiros trotam meus desejos,
avivando a paisagem na lembrança
vinda de ti, e em mim reconstruída.
Essa presença, em passos e pegadas,

passeia no meu corpo, agora estrada,
caminho teu; submisso, eis meu segredo.
Que abrigar teus pés, possa, novamente,

o meu sereno peito fatigado.
Este que anseia teu corpo presente
olho no olho na véspera do gozo.

Viajar é interpretar. Duas pessoas vão ao mesmo país e, quando regressam, contam histórias diferentes, descrevem os naturais desse país de maneiras diferentes. Uma diz que são simpáticos, a outra diz que são antipáticos. Uma diz que são tímidos, a outra diz que não se calam durante um minuto.

Um decreto a reconhecer a cidadania faz-se em minutos e pode fazer-se já; um cidadão, isto é, o homem pleno e conscientemente integrado numa sociedade política civilizada leva séculos a fazer.

Daqui a Vinte e Cinco Anos

Perguntaram-me uma vez se eu saberia calcular o Brasil daqui a vinte e cinco anos. Nem daqui a vinte e cinco minutos, quanto mais vinte e cinco anos. Mas a impressão-desejo é a de que num futuro não muito remoto talvez compreendamos que os movimentos caóticos atuais já eram os primeiros passos afinando-se e orquestrando-se para uma situação económica mais digna de um homem, de uma mulher, de uma criança. E isso porque o povo já tem dado mostras de ter maior maturidade política do que a grande maioria dos políticos, e é quem um dia terminará liderando os líderes. Daqui a vinte e cinco anos o povo terá falado muito mais.
Mas se n√£o sei prever, posso pelo menos desejar. Posso intensamente desejar que o problema mais urgente se resolva: o da fome. Muit√≠ssimo mais depressa, por√©m, do que em vinte e cinco anos, porque n√£o h√° mais tempo de esperar: milhares de homens, mulheres e crian√ßas s√£o verdadeiros moribundos ambulantes que tecnicamente deviam estar internados em hospitais para subnutridos. Tal √© a mis√©ria, que se justificaria ser decretado estado de prontid√£o, como diante de calamidade p√ļblica. S√≥ que √© pior: a fome √© a nossa endemia, j√° est√° fazendo parte org√Ęnica do corpo e da alma.

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Um P√°ssaro a Morrer

Não é vida nem morte, é uma passagem,
nem antes nem depois: somente agora,
um minuto nos tantos duma hora.
Uma pausa. Um intervalo. Uma viragem.

Prisioneira de mim, onde a coragem
de quebrar as algemas, ir-me embora,
se tudo o que em mim ria agora chora,
se j√° n√£o me seduz outra viagem?

E nada disto é céu nem é inferno.
Tristeza, só tristeza. Sol de Inverno,
sem uma flor a abrir na minha m√£o,

sem um b√ļzio a cantar ao meu ouvido.
Só tristeza, um silêncio desmedido
e um pássaro a morrer: meu coração.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

As Paix√Ķes Humanas

Eu considero inteligente o homem que em vez de desprezar este ou aquele semelhante √© capaz de o examinar com olhar penetrante, de lhe sondar por assim dizer a alma e descobrir o que se encontra em todos os seus desv√£os. Tudo no homem se transforma com grande rapidez; num abrir e fechar de olhos, um terr√≠vel verme pode corroer-lhe as entranhas e devorar-lhe toda a sua subst√Ęncia vital. Muitas vezes uma paix√£o, grande ou mesquinha pouco importa, nasce e cresce num indiv√≠duo para melhor sorte, obrigando-o a esquecer os mais sagrados deveres, a procurar em √≠nfimas bagatelas a grandeza e a santidade. As paix√Ķes humanas n√£o t√™m conta, s√£o tantas, tantas, como as areias do mar, e todas, as mais vis como as mais nobres, come√ßam por ser escravas do homem para depois o tiranizarem.
Bem-aventurado aquele que, entre todas as paix√Ķes, escolhe a mais nobre: a sua felicidade aumenta de hora a hora, de minuto a minuto, e cada vez penetra mais no ilimitado para√≠so da sua alma. Mas existem paix√Ķes cuja escolha n√£o depende do homem: nascem com ele e n√£o h√° for√ßa bastante para as repelir. Uma vontade superior as dirige, t√™m em si um poder de sedu√ß√£o que dura toda a vida.

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