Cita√ß√Ķes sobre Natal

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O Natal √© um tempo de benevol√™ncia, perd√£o, generosidade e alegria. A √ļnica √©poca que conhe√ßo, no calend√°rio do ano, em que homens e mulheres parecem, de comum acordo, abrir livremente seus cora√ß√Ķes.

Neruda e García Lorca em Homenagem a Rubén Dario

Eis o texto do discurso:

Neruda: Senhoras…

Lorca: …e senhores. Existe na lide dos touros uma sorte chamada ¬ętoreio dei alim√≥n¬Ľ, em que dois toureiros furtam o corpo ao touro protegidos pela mesma capa.

Neruda: Federico e eu, ligados por um fio eléctrico, vamos emparelhar e responder a esta recepção tão significativa.

Lorca: √Č costume nestas reuni√Ķes que os poetas mostrem a sua palavra viva, prata ou madeira, e sa√ļdem com a sua voz pr√≥pria os companheiros e amigos.

Neruda: Mas n√≥s vamos colocar entre v√≥s um morto, um comensal vi√ļvo, escuro nas trevas de uma morte maior que as outras mortes, vi√ļvo da vida, da qual foi na sua hora um marido deslumbrante. Vamos esconder-nos sob a sua sombra ardente, vamos repetir-lhe o nome at√© que a sua grande for√ßa salte do esquecimento.

Lorca: N√≥s, depois de enviarmos o nosso abra√ßo com ternura de pinguim ao delicado poeta Amado Villar, vamos lan√ßar um grande nome sobre a toalha, na certeza de que v√£o estalar as ta√ßas, saltar os garfos, buscando o olhar que todos anseiam, e que um golpe de mar h√°-de manchar as toalhas. N√≥s vamos evocar o poeta da Am√©rica e da Espanha: Rub√©n…

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Voto de Natal

Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as m√£os dos meus filhos.

E a corrida que siga, o facho n√£o se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!

Filhos, as vossas m√£os! E a solid√£o estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida…
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual é que se eterniza.

Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
O calor destas m√£os nos meus dedos t√£o frios?
Acende-se de novo o Presépio nas almas.
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.

Feliz, feliz Natal, a que faz que nos lembremos das ilus√Ķes de nossa inf√Ęncia, recorde-lhe ao av√ī as alegrias de sua juventude, e lhe transporte ao viajante a sua chamin√© e a seu doce lar!

Natal! Esta é a estação para acender o fogo da hospitalidade no corredor, o cordial fogo da caridade no coração.

O Natal parece-me ser um tempo festivo necessário; precisamos de um tempo em que possamos lamentar as nossas falhas nos nossos relacionamentos humanos: é a festa do fracasso, triste mas consoladora.

O Natal é um tempo em que, de todas as épocas do ano, a memória de todos os sofrimentos, erros e problemas no mundo à nossa volta, se tornem bem presentes, não menos do que as nossas próprias vivências, por todo o tempo.

Natal

1

A voz clamava no Deserto.

E outra Voz mais suave,
Lírio a abrir, esvoaçar incerto,
Tímido e alvente, de ave
Que larga o ninho, melodia
Nascente, docemente,
Uma outra Voz se erguia…

A voz clamava no Deserto…

Anunciando
A outra Voz que vinha:
Balbuciar de fonte pequenina,
Dando
√Ä luz da Terra o seu primeiro beijo…
Inef√°vel an√ļncio, dealbando
Entre as estrelas moribundas.

2

Das entranhas profundas
Do Mundo, eco do Verbo, a profecia,
– √Ä dist√Ęncia de S√©culos, – dizia,
Pressentia
Fragor de sismos, o dum mundo ruindo,
Redimindo
Os c√°rceres do mundo…

A voz dura e ardente
Clamava no Deserto…

Natal de Primavera,
A nova Luz nascera.
Voz do céu, Luz radiante,
Mais humana e mais doce
E irm√£ dos Poetas
Que a voz trovejante
Dos profetas
Solit√°rios.

3

A divina alvorada
Trazia
Lírios no regaço
E rosas.
Natal. Primeiro passo
Da secular Jornada,
Era um canto de Amor
A anunciar Calv√°rios,

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Natal

Que nos trazes a n√£o ser
l√°grimas cada vez mais,
natal eterno a nascer
de outros natais…
Ligeira esperança que toca
os nossos olhos molhados
e o sangue da nossa boca,
amorda√ßados…

Ah bruxuleante luz
acenando ao longe em v√£o
e que a dor nos reproduz
em ilus√£o…
Ternura dum breve instante
que o próprio instante desterra,
morta no facto constante
de tanta guerra…

Quando nos recordamos dos Natais passados, na maioria das vezes descobrimos que s√£o as coisas mais simples – n√£o as grandes ocasi√Ķes – que nos oferecem os maiores momentos de felicidade.

Se minha namorada n√£o ser√°s
Na √°rvore de Natal enforcado me encontrar√°s.

O Natal não é um momento, nem uma estação, senão um estado da mente. Valorizar a paz e a generosidade e ter graça é compreender o verdadeiro significado de Natal.

XXXII

Como quisesse livre ser, deixando
As paragens natais, espaço em fora,
A ave, ao bafejo tépido da aurora,
Abriu as asas e partiu cantando.

Estranhos climas, longes céus, cortando
Nuvens e nuvens, percorreu: e, agora
Que morre o sol, suspende o v√īo, e chora,
E chora, a vida antiga recordando …

E logo, o olhar volvendo compungido
Atr√°s, volta saudosa do carinho,
Do calor da primeira habita√ß√£o…

Assim por largo tempo andei perdido:
– Ali! que alegria ver de novo o ninho,
Ver-te, e beijar-te a pequenina m√£o!

O Natal é construído com base num lindo e intencional paradoxo: que o nascimento de uma pessoa sem lar seja celebrado em todos os lares.

A Felicidade Pertence aos que se Bastam a si Próprios

Cada um deve ser e proporcionar a si mesmo o melhor e o m√°ximo. Quanto mais for assim e, por conseguinte, mais encontrar em si mesmo as fontes dos seus deleites, tanto mais ser√° feliz. Com o maior dos acertos, diz Arist√≥teles: A felicidade pertence aos que se bastam a si pr√≥prios. Pois todas as fontes externas de felicidade e deleite s√£o, segundo a sua natureza, extremamente inseguras, prec√°rias, passageiras e submetidas ao acaso; podem, portanto, estancar com facilidade, mesmo sob as mais favor√°veis circunst√Ęncias; isso √© inevit√°vel, visto que n√£o podem estar sempre √† m√£o.
Na velhice, ent√£o, quase todos se esgotam necessariamente, pois abandonam-nos o amor, o gracejo, o prazer das viagens, o prazer da equita√ß√£o e a propens√£o para a sociedade. At√© os amigos e parentes nos s√£o levados pela morte. √Č quando, mais do que nunca, importa saber o que algu√©m tem em si mesmo. Pois isso se conservar√° por mais tempo. Mas tamb√©m em cada idade isso √© e permanece a √ļnica fonte genu√≠na e duradoura da felicidade. Em qualquer parte do mundo, n√£o h√° muito a buscar: a mis√©ria e a dor preenchem-no, e aqueles que lhes escaparam s√£o espreitados em todos os cantos pelo t√©dio.

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O Natal √© o esp√≠rito de dar sem um pensamento de obter. √Č felicidade porque vemos alegria nas pessoas. √Č esquecermo-nos a n√≥s pr√≥prios e encontrar tempo para os outros. √Č descartar as coisas sem sentido e sublinhar os verdadeiros valores.