Passagens sobre Natal

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Fora da língua natal ninguém respira amplamente Рtudo o que existe vive da existência do verbo.

Como a gente se perde! A linguagem que o meu sangue entende ‚ÄĒ √© esta. A comida que o meu est√īmago deseja ‚ÄĒ √© esta. O ch√£o que os meus p√©s sabem pisar ‚ÄĒ √© este. E, contudo, eu n√£o sou j√° daqui. Pare√ßo uma destas √°rvores que se transplantam, que t√™m m√° sa√ļde no pa√≠s novo, mas que morrem se voltam √† terra natal.

A √ļnica pessoa realmente cega no Natal √© aquela que n√£o tem o Natal no seu cora√ß√£o.

Onde Começa a Felicidade

¬ęAurea mediocritas¬Ľ – dizia Hor√°cio, um dos poetas latinos que faz a base da nossa civiliza√ß√£o. As palavras com o tempo corrompem-se, alteram-se, adulteram-se. ¬ęMediocritas¬Ľ em portugu√™s deu mediocridade, tal como ¬ęparvus¬Ľ deu parvo, ao contr√°rio do castelhano em que apenas significa pequeno, ou ¬ęsinistra¬Ľ em italiano quer apenas dizer esquerda.

A ¬ęAurea mediocritas¬Ľ que cantava Hor√°cio era a doce e suave mediania entre as emo√ß√Ķes, um equil√≠brio quase buc√≥lico na vida a ter e nos neg√≥cios a ter na vida. N√£o, Hor√°cio, romano educado, n√£o era adepto dos desportos radicais.
Equil√≠brio entre o qu√™? Distorcendo Hor√°cio, a dois mil anos de dist√Ęncia, podemos dizer, talvez, equil√≠brio entre o sonho e a realidade. A felicidade n√£o pode ser s√≥ o que h√°, sen√£o apodrecemos, mas tamb√©m n√£o pode ser s√≥ o que desejamos, sen√£o ficamos com uma neurose de tanto ansiar pelo que h√°-de vir.

O resto √© com cada qual. Alguns gostam da felicidade bovina de n√£o pensar muito, outros gostam de estar sozinhos no deserto, outros ficam felizes com a desgra√ßa alheia. Estes tr√™s exemplos s√£o, c√° para mim, desgra√ßados, mas o que sei eu dos outros? √Č por n√£o saber nada dos outros que escrevo hist√≥rias sobre os outros.

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Feliz, feliz Natal, que nos traz de volta as ilus√Ķes da inf√Ęncia, recorda ao idoso os prazeres da juventude e transporta o viajante de volta √† pr√≥pria lareira e √† tranq√ľilidade do seu lar.

Ladainha dos Póstumos Natais

H√°-de vir um Natal e ser√° o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

H√°-de vir um Natal e ser√° o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

H√°-de vir um Natal e ser√° o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

H√°-de vir um Natal e ser√° o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

H√°-de vir um Natal e ser√° o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

H√°-de vir um Natal e ser√° o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

H√°-de vir um Natal e ser√° o primeiro
em que nem o Natal ter√° qualquer sentido

H√°-de vir um Natal e ser√° o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito

O Natal não é um tempo nem uma temporada, mas um estado de espírito. Valorizar a paz e a boa vontade, ser abundantemente misericordioso, é ter o verdadeiro espírito do Natal.

Que Natal?

Natal n√£o tive. Ou tive
só o Natal que tiveram
minhas filhas. Esse vive
como as coisas que viveram
mas j√° n√£o s√£o. Que Natal
tenho hoje? Que alegria,
que festa, neste final,
nesta descida sombria?
Diz Natal quem diz começo,
ou chegada, ou descoberta…
Onde estou, só há tropeço,
terra fria e deserta.

Se, no fim, recomeçasse!
Se, descendo, eu subisse!
Se, parando, n√£o parasse!
Ressuscitar… quem o disse?

O Milagre De Guaxenduba

Minha Terra natal, em Guaxenduba;
Na trincheira, em que o luso ainda trabalha,
A artilharia, que ao francês derruba,
Por três bocas letais pragueja e ralha.

O leão de França, arregaçando a juba,
Saltou. E o luso, como um tigre, o atalha.
Troveja a boca do arcabuz, e a tuba
Do índio corta o clamor e o medo espalha.

Foi ent√£o que se viu, sagrando a guerra,
Nossa Senhora, com o Menino ao colo,
Surgir lutando pela minha terra.

Foi-lhe vista na m√£o a espada em brilho…
(P√°tria, se a Virgem quis assim teu solo,
Que por ti n√£o far√° quem for teu filho?)

Quando um Homem Quiser

Tu que dormes à noite na calçada do relento
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solid√£o, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que dormes s√≥ o pesadelo do ci√ļme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solid√£o sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que h√° no ventre da mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por n√£o os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
p√Ķes um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão

√Č Tempo de Natal

√Č tempo de Natal. Exibe-se um pinheiro,
Com l√Ęmpadas de cor, sobre o balc√£o.
Tem, também, pendurados, a isca do dinheiro
E flocos finos de algod√£o.

Nas férias, foge a freguesia
Do final das manh√£s,
Com os seus kispos disformes, de inflada fantasia,
E o conforto das l√£s.

Bebem-se mais bebidas quentes.
O ch√£o, mais h√ļmido, incomoda.
E h√° apelos insistentes
Do cauteleiro que anda à roda.

Os embrulhos, nas mesas, nos regaços,
Com vistosos papéis,
Florescem de acetinados laços,
Lembram o oiro, o incenso, a mirra, em m√£os de reis.

Muitos adultos. Pouca criançada.
Muito cansaço. Pouca animação.
A vida (a cruz!) t√£o cara, t√£o pesada!
E d√£o-se as boas-festas sem se sentir que o s√£o.

Consigo mesa junto à vidraça.
E é em mim que procuro, ou é lá fora,
A estrela que n√£o luz, o pastor que n√£o passa,
O anjo que n√£o vem anunciar a hora?

Natal… Natais…

Tu, grande Ser,
Voltas pequeno ao mundo.
N√£o deixas nunca de nascer!
Com braços, pernas, mãos, olhos, semblante,
Voz de menino.
Humano o corpo e o coração divino.

Natal… Natais…
Tantos vieram e se foram!
Quantos ainda verei mais?

Em cada estrela sempre pomos a esperança
De que ela seja a mensageira,
E a sua chama azul encha de luz a terra inteira.
Em cada vela acesa, em cada casa, pressentimos
Como um an√ļncio de alvorada;
E ein cada √°rvore da estrada
Um ramo de oliveira;
E em cada gruta o abrigo da criança omnipotente;

E no fragor do vento falas de anjos, e no v√°cuo
De silêncio da noite
Estriada de s√ļbitos clar√Ķes,
A presença de Alguém cuja forma é precária
E a sua essência, eterna.
Natal… Natais…
Tantos vieram e se foram!
Quantos ainda verei mais?

Natal

Natal, antes e agora
imut√°vel. Feliz
noite branca sem hora
no p√°tio da Matriz.

Natal: os mesmos sinos
de repiques iguais.
Brinquedos e meninos,
Natal de outros natais.

A Banda, vozes, passos
da multid√£o fiel.
Tudo nos seus espaços,
o mundo e o carrossel.

Tudo, menos o andejo
homem que se conclui.
Olho-me, e n√£o me vejo,
n√£o sei para onde fui.

¬ęO povo que andava nas trevas viu uma grande luz¬Ľ (Isa√≠as 9:1). Esta profecia de Isa√≠as nunca deixa de comover-nos, especialmente quando a ouvimos na liturgia da Noite de Natal. Comove-nos porque diz a realidade profunda daquilo que somos; somos criaturas em movimento, e ao nosso redor – e tamb√©m dentro de n√≥s –¬† h√° sombras de luz.

O Natal √© o encontro com Deus que nasce na pobreza da gruta de Bel√©m para ensinar o poder da humildade. Com efeito, o Natal √© tamb√©m a festa da luz que n√£o √© aceite pela gente ¬ęeleita¬Ľ, mas pela gente pobre e simples que esperava do Senhor a salva√ß√£o.

O Presépio e a árvore de Natal são sinais natalícios sempre sugestivos e queridos para as nossas famílias cristãs: lembram-nos o mistério da Encarnação, o Filho unigénito de Deus feito homem para nos salvar e a luz que Jesus trouxe ao mundo com o Seu nascimento. Mas o Presépio e a árvore tocam o coração de toda a gente, mesmo daqueles que não acreditam, porque falam de fraternidade, de intimidade e de amizade.

A isto, antes de mais nada, nos chama o Natal: a dar glória a Deus, porque Ele é bom, é fiel, é misericordioso. Neste dia desejo a todos que reconheçam o verdadeiro rosto de Deus, o Pai que nos deu Jesus. Desejo a todos que sintam que Deus está perto, possam estar na Sua presença, que O amem e O adorem.

A Realidade é Mais Poderosa que Qualquer Literatura

Eu costumava pensar que podia compreender tudo e exprimir tudo. Ou quase tudo. Eu lembro-me que quando estava a escrever o meu livro sobre a guerra no Afeganist√£o, Zinky Boys, que fui ao Afeganist√£o e eles mostraram-me algumas das armas estrangeiras que tinham sido capturadas aos combatentes afeg√£os. Fiquei espantada com a perfei√ß√£o das suas formas, e quanto perfeitamente um pensamento humano poderia ser expresso. Havia um oficial ao meu lado que disse: “Se algu√©m pisar esta mina italiana que voc√™ diz que √© t√£o bonita que parece uma decora√ß√£o de Natal, n√£o restaria mais nada deles al√©m de um balde de carne. Voc√™ teria que rasp√°-los do ch√£o com uma colher. ” Quando me sentei para escrever isto, foi a primeira vez que eu pensei, “Isto √© algo que devo dizer?” Eu tinha sido educada na grande literatura russa, pensei que poderia ir muito muito longe, e ent√£o escrevi sobre aquela carne. Mas a Zona – √© um mundo √† parte, um mundo dentro do resto do mundo – e √© mais poderoso do que qualquer coisa que a literatura tenha a dizer.