Cita√ß√Ķes sobre Normalidade

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Frases sobre normalidade, poemas sobre normalidade e outras cita√ß√Ķes sobre normalidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Felicidade é tão Cansativa como a Infelicidade

Toda a gente tem o seu m√©todo de interpretar a seu favor o balan√ßo das suas impress√Ķes, para que da√≠ resulte de algum modo aquele m√≠nimo de prazer necess√°rio √†s suas exist√™ncias quotidianas, o suficiente em tempos de normalidade. O prazer da vida de cada um pode ser tamb√©m constitu√≠do por desprazer, essas diferen√ßas de ordem material n√£o t√™m import√Ęncia; sabemos que existem tantos melanc√≥licos felizes como marchas f√ļnebres, que pairam t√£o suavemente no elemento que lhes √© pr√≥prio como uma dan√ßa no seu. Talvez tamb√©m se possa afirmar, ao contr√°rio, que muitas pessoas alegres de modo nenhum s√£o mais felizes do que as tristes, porque a felicidade √© t√£o cansativa como a infelicidade; mais ou menos como voar, segundo o princ√≠pio do mais leve ou mais pesado do que o ar. Mas haveria ainda uma outra objec√ß√£o: n√£o ter√° raz√£o aquela velha sabedoria dos ricos segundo a qual os pobres n√£o t√™m nada a invejar-lhes, j√° que √© pura fantasia a ideia de que o seu dinheiro os torna mais felizes? Isso s√≥ lhes imporia a obriga√ß√£o de encontrar um sistema de vida diferente do seu, cujo or√ßamento, em termos de prazer, fecharia apenas com um m√≠nimo excedente de felicidade,

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Solução dos problemas apenas restaura a normalidade. Aproveitar oportunidades significa explorar novos caminhos.

Mania da D√ļvida

Tudo para mim é um duvidar
Com a normalidade sempre em cis√£o,
E o seu incessante perguntar
Cansa meu coração.
As coisas são e parecem e o nada sustém
O segredo da vida que contém.

A presença de tudo sempre perguntando
Coisas de ang√ļstia premente,
Em terrível hesitação experimentando
A minha mente.
√Č falsa a verdade? Qual o seu aparentar
Já que tudo são sonhos e tudo é sonhar?

Perante o mistério vacila a vontade
Em luta dividida dentro do pensar,
E a Raz√£o cede, qual cobarde,
No encontrar
Mais do que as coisas em si revelam ser,
Mas que elas, por si só, não deixam ver.

Olhar para as Coisas com alguma Dist√Ęncia

Percorrendo as ruas fui descobrindo coisas espantosas que l√° ocorriam desde sempre, disfar√ßadas sob uma m√°scara t√©nue de normalidade: um vi√ļvo que, depois de se reformar, passava as tardes sentado no carro, a porta aberta, a perna esquerda fora, a direita dentro; um sujeito t√£o magro que se podia tomar por uma figura de cart√£o, ideia refor√ßada por andar de bicicleta e, sobretudo, por nela carregar o papel√£o que recolhia nos contentores do lixo; a mulher que, com uma regularidade cronom√©trica, vinha √† janela, olhava para um lado e para o outro, como se aguardasse h√° muito a chegada de algu√©m. Eram tr√™s exemplos de situa√ß√Ķes que – creio ser esta a melhor formula√ß√£o – aconteciam desde sempre e pela primeira vez. Se olharmos para as coisas com alguma dist√Ęncia, retirando-as do contexto, deixando-nos contaminar pela estranheza, tudo, tudo mesmo, adquire uma aura macabra e repetitiva, singular, reconhec√≠vel, que se mistura com a subst√Ęncia dos sonhos, a mat√©ria das mentes perturbadas. Penso sempre, n√£o sei porque, que talvez a resposta esteja naquela revista antiga que n√£o resistiu √†s tra√ßas: nos sobreviventes de Hiroxima, no clar√£o absoluto que os cegou, no mundo irreal em que foram condenados a viver a partir desse momento,

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As Notícias São o Contrário da Vida

As not√≠cias s√£o o contr√°rio da vida. Uma not√≠cia √© uma novidade; √© uma excep√ß√£o. Mas a pergunta mais dif√≠cil (provocando a resposta mais interessante) √©: “S√£o uma excep√ß√£o a qu√™?”
A no√ß√£o corrente, idiota, √© que “c√£o morde homem” n√£o √© not√≠cia, mas que “homem morde c√£o” √©. Mentira. A grande maioria dos c√£es n√£o morde as pessoas. E quando h√° uma pessoa que morde um c√£o n√£o s√≥ √© raro, como desinteressante.
Atrás Рou à frente Рdesta simplificação está a questão bastante mais importante de como se dão os cães e os homens. As mordeduras são episódios pouco representativos e facilmente explicáveis, sem explicarem nada.
Um psicopata assassina muitas pessoas. √Č uma not√≠cia. Mas que nos diz dos noruegueses? Nada. Que nos diz sobre o comportamento dos europeus? Nada.
A realidade é o contrário da notícia. A notícia é histriónica e histérica, separada da normalidade, que nunca é unívoca ou definidora. Existem dois impulsos. O mais antigo é realçar a surpresa e a indignação. O mais moderno é notar as ausências e as diferenças, mas investigar e descrever as presenças circundantes, onde e entre as quais ocorrem tanto a novidade como a antiguidade.

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Até que ponto é o artista um anormal, não sei nem quero saber. A anormalidade nunca me meteu medo, se é criadora. Agora até que ponto o homem normal combate o artista e o quer destruir, já me interessa. A normalidade causou-me sempre um grande pavor, exactamente porque é destruidora.

O Desejo do Homem é Contrário à Sua Unidade

Houve tempo em que o homem inventou o amor cort√™s para n√£o perder a intimidade das mulheres. Elas estavam a ser atra√≠das pela formid√°vel influ√™ncia da Igreja que as recebia permitindo-lhes uma personalidade est√°vel. As mulheres amam essa personalidade est√°vel que Freud soube preservar nas suas rela√ß√Ķes com Marta, a mulher de toda a sua vida. Ler a correspond√™ncia de Freud com Marta √© muito salutar neste mundo a abarrotar de esgotamentos nervosos e falsas ou reais confid√™ncias. Um dos seus clientes (Schonberg) causava-lhe grande preocupa√ß√£o. Um dia, a cunhada, vendo o doente cumprimentar uma senhora, disse: ¬ęO facto de ele ser outra vez bem educado com as mulheres √© tamb√©m um √≠ndice de melhoria¬Ľ. Freud n√£o deixa de referir isto, que corresponde a uma personalidade vener√°vel. As mulheres acham que √© sinal de normalidade serem tratadas com cortesia. O desejo n√£o lhes diz nada, comparado com uma palavra doce e conveniente. Isto n√£o √© uma s√≠ntese do comportamento dos homens e das mulheres. Mas sim uma certeza – o que n√£o pro√≠be toda a esp√©cie de averbamentos necess√°rios √† verdade.

Nietzsche, imoralista por definição, disse que não há nada mais contrário ao gosto do que o homem que deseja.

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A loucura repetida √© um t√©dio: uma rotina como qualquer outra. A normalidade consiste em absolutamente nada ‚Äď e √© por isso que tanta gente √© viciada nela.

N√£o creio que a coisa melhor do homem seja ser normal, como n√£o me parece ser a fruta melhor do mundo a normalidade que agora Portugal est√° importando, ou a CEE (enquanto existe CEE, claro) vai obrigar a importar.

Crónica de Natal

Todos os anos, por esta altura, quando me pedem que escreva alguma coisa sobre o Natal, reajo de mau modo. ¬ęOutra vez, uma hist√≥ria de Natal! Que chatice!¬Ľ ‚ÄĒ digo. As pessoas ficam muito chocadas quando eu falo assim. Acham que abuso dos direitos que me s√£o conferidos. Os meus direitos s√£o falar bem, assim como para outros n√£o falar mal. Uma vez, em Paris, um chauffeur de t√°xi, desses que se fazem casti√ßos e dizem palavr√Ķes para corresponder √† fama que t√™m, aborreceu-me tanto que lhe respondi com palavr√Ķes. Ditos em franc√™s, a mim n√£o me impressionavam, mas ele levou muito a mal e ficou amuado. Como se eu pisasse um terreno que n√£o era o meu e cometesse um abuso. Ele era malcriado mas eu – eu era injusta. Cada situa√ß√£o tem a sua justi√ßa pr√≥pria, √© isto √© duma complexidade que o c√≥digo civil n√£o alcan√ßa.

Mas dizia eu: ¬ęOutra vez o Natal, e toda essa boa vontade de encomenda!¬Ľ Ponho-me a percorrer as imagens que s√£o de praxe, anjos trombeteiros, pastores com capotes de burel e meninos pobres do tempo da Revolu√ß√£o Industrial inglesa. Pobres e explorados, mas, entretanto, n√£o exclu√≠dos do trato social atrav√©s dos seus conflitos pr√≥prios,

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Controlar a Ira

Se deste vaz√£o √† ira, fica certo de que, al√©m do mal nela impl√≠cito, revigoraste o h√°bito e acrescentaste lenha √† fogueira. Quando √©s vencido por uma tenta√ß√£o da carne, n√£o consideres isso simples derrota: considera, tamb√©m, que revigoraste os teus h√°bitos dissolutos. Os h√°bitos e as faculdades s√£o necessariamente afectados pelos actos correspondentes. Os que antes n√£o existiam, agora aparecem; os demais cobram vigor e dom√≠nio. Esta √© a vers√£o que os Fil√≥sofos d√£o das mol√©stias da mente: sup√Ķe que algum dia cobi√ßaste ter dinheiro: se a raz√£o, em dose suficiente para provocar a consci√™ncia do mal, intervir, a cobi√ßa √© anulada e a mente recupera imediatamente a sua autoridade original; contudo, se n√£o recorreres a nenhum rem√©dio, jamais poder√°s esperar tal recupera√ß√£o; ao contr√°rio, a pr√≥xima vez em que for excitada pelo objecto correspondente, a chama do desejo irromper√° mais prontamente do que antes. Pela frequ√™ncia da repeti√ß√£o, a mente, ao fim e ao cabo, fica calejada e, assim, esta mol√©stia mental produz Avareza confirmada.
Quando algu√©m teve febre, mesmo depois de voltar √† normalidade, n√£o se encontra nas mesmas condi√ß√Ķes de sa√ļde que antes, a menos que a sua cura seja completa. Algo de semelhante ocorre com as mol√©stias da mente.

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A solução dos problemas apenas restaura a normalidade. Aproveitar oportunidades significa explorar novos caminhos.

Viver exige capacidade de ser anormal. Anormal puro-sangue ‚Äď anormal que n√£o sabe como ser normal simplesmente porque, para si, √© aquela (a sua anormalidade) a normalidade.

Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.