Passagens sobre Orgulho

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Na prosperidade, quando a corrente da vida corre igualmente com os nossos desejos, fujamos sempre de todo orgulho, altivez e arrog√Ęncia.

Um Estado Desacostumado

N√£o √© imposs√≠vel assistir a um desvio anormal no funcionamento latente ou vis√≠vel das leis da natureza. Efectivamente, se qualquer um se der ao engenhoso trabalho de interrogar as diversas fases da sua exist√™ncia (sem esquecer qualquer delas, porque talvez fosse essa a que estava destinada a fornecer a prova do que afirmo), n√£o ser√° sem um certo espanto, que noutras circunst√Ęncias seria c√≥mico, que se recordar√° de que em determinado dia, para come√ßar a falar de coisas objectivas, foi testemunha de qualquer fen√≥meno que parecia ultrapassar, e positivamente ultrapassava, as no√ß√Ķes conhecidas fornecidas pela observa√ß√£o e pela experi√™ncia, como, por exemplo, as chuvas de sapos, cujo m√°gico espect√°culo n√£o foi a princ√≠pio compreendido pelos s√°bios. E de que, noutro dia, para falar em segundo e √ļltimo lugar de coisas subjectivas, a sua alma apresentou ao olhar investigador da psicologia, n√£o vou ao ponto de dizer uma aberra√ß√£o da raz√£o (que, no entanto, n√£o deixaria de ser curiosa; pelo contr√°rio, ainda o seria mais), mas, pelo menos, para n√£o me fazer rogado perante certas pessoas frias, que nunca perdoariam as locubra√ß√Ķes flagrantes do meu exagero, um estado desacostumado, muitas vezes grav√≠ssimo, que significa que o limite concedido pelo bom-senso √† imagina√ß√£o √©,

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Apto e Inapto, Verdade e Mentira

A dura√ß√£o, seja os s√©culos para as civiliza√ß√Ķes, seja os anos e as dezenas de anos para o indiv√≠duo, tem uma fun√ß√£o darwiniana de elimina√ß√£o do inapto. O que est√° apto para tudo √© eterno. √Č apenas nisto que reside o valor daquilo a que chamamos a experi√™ncia. Mas a mentira √© uma armadura com a qual o homem, muitas vezes, permite ao inapto que existe em si sobreviver aos acontecimentos que, sem essa armadura, o aniquilariam (bem como ao orgulho para sobreviver √†s humilha√ß√Ķes), e esta armadura √© como que segregada pelo inapto para prevenir uma situa√ß√£o de perigo (o orgulho, perante a humilha√ß√£o, adensa a ilus√£o interior). Subsiste na alma uma esp√©cie de fagocitose; tudo o que √© amea√ßado pelo tempo, para n√£o morrer, segrega a mentira e, proporcionalmente, o perigo de morte. √Č por isso que n√£o existe amor pela verdade sem uma admiss√£o ilimitada da morte. A cruz de Cristo √© a √ļnica porta do conhecimento.

H√° diversos tipos de curiosidade; uma de interesse, que nos leva ao desejo de aprender o que nos pode ser √ļtil, e outra, de orgulho, que prov√©m do desejo de saber o que os outros ignoram.

Orgulho! Desce os olhos dos céus sobre ti mesmo, e vê como os nomes mais poderosos vão se refugiar numa canção.

O Sofrimento do Hipócrita

Ter mentido √© ter sofrido. O hip√≥crita √© um paciente na dupla acep√ß√£o da palavra; calcula um triunfo e sofre um supl√≠cio. A premedita√ß√£o indefinida de uma a√ß√£o ruim, acompanhada por doses de austeridade, a inf√Ęmia interior temperada de excelente reputa√ß√£o, enganar continuadamente, n√£o ser jamais quem √©, fazer ilus√£o, √© uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no c√©rebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfei√ß√£o com a perversidade, fazer c√≥cegas com o punhal, por a√ß√ļcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na m√ļsica da voz, n√£o ter o pr√≥prio olhar, nada mais dif√≠cil, nada mais doloroso. O odioso da hipocrisia come√ßa obscuramente no hip√≥crita. Causa n√°useas beber perp√©tuamente a impostura. A meiguice com que a ast√ļcia disfar√ßa a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e h√° momentos de enj√īo em que o hip√≥crita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva √© coisa horr√≠vel. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hip√≥crita se estima. H√° um eu desmedido no impostor.

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N√£o amei nunca, nem mesmo minha mulher que √© morta e pela qual n√£o tenho amor, mas remorso de n√£o t√™-la compreendido, mais devido √† oclus√£o muda do meu orgulho intelectual; e t√™-la-a amado certamente, se t√£o est√ļpido sentimento n√£o tivesse feito passar por mim a √ļnica alma e pessoa que me podiam inspirar t√£o grave pensamento.

Se és portador de defeito físico ou doença incurável, suporta os sofrimentos. Não invejes aquele que possui um bom cavalo (corpo). Não amaldiçoes o próximo. Tem orgulho de estares montando especialmente um cavalo (corpo) débil, pois tua Vida é um cavaleiro exímio. Não fraquejes. Não humilhes tua própria Vida, que é um exímio cavaleiro.

Ninguém pode levar consigo para o outro mundo nem o dinheiro, nem o poder, nem a vaidade, nem o orgulho. Nada! Podemos apenas levar o amor que nos dá Deus Pai, as carícias de Deus e o bem que tenhamos feito aos outros.

A √ļnica via para sair da corrup√ß√£o, a √ļnica via para vencer a tenta√ß√£o √© o servi√ßo. Porque a corrup√ß√£o vem do orgulho, da soberba, e o servi√ßo humilha-nos: √© justamente a caridade humilde a ajudar os outros.

Musa Impassível I

Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero
Luto jamais te afeie o c√Ęndido semblante!
Diante de um Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.

Em teus olhos n√£o quero a l√°grima; n√£o quero
Em tua boca o suave e idílico descante.
Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.

D√°-me o hemist√≠quio d’ouro, a imagem atrativa;
A rima, cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d’alma; a estrofe limpa e viva;

Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,
Ora o √°spero rumor de um calhau que se quebra,
Ora o surdo rumor de m√°rmores partidos.

Generosidade é dar mais do que você pode, orgulho é pegar menos do que você precisa.

Nunca nos Assemelhamos a nós Próprios

O homem não é conhecível a si próprio, porque a sua vida consiste em esforços alternados para ser o que não é, e essa transposição e substituição contínuas de almas irreais e estranhas fazem com que aquilo que na verdade e, ao contrário de Deus, pareça o que nunca é. Mesmo no mais pobre de nós existem pelo menos sete homens.
Há aquele que parece aos outros e o julgado, justamente, sabe quase sempre que não é.
Há aquele que diz ser e ele próprio sabe não ser, porque a vaidade ou medo tornam sempre mentiroso.
Há aquele que julga ser e é o mais distante da verdade, que cada um se inclina para se julgar aquilo que não é, por uma retorsão do orgulho que afasta tudo o pior, que é a maioria.
H√° aquele que quereria ser, o mito pessoal de todo o homem, o sonho reservado ao futuro, aquele que depois deforma todas as autobiografias.
Aquele que finge ser para comodidade e necessidade da vida comum, onde o insensível deve mostrar-se caloroso, o avarento liberal e o vil corajoso.
H√° aquele que se poderia chamar o nosso duplo desconhecido: a personalidade subconsciente,

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Campesinas VIII

Orgulho das raparigas,
Encanto ideal dos rapazes,
Acendes crenças vivazes
Com tuas belas cantigas.

No louro ondear das espigas,
Boca cheirosa a lilazes,
Carne em polpa de ananases
Lembras baladas antigas.

Tens uns tons enevoados
De castelos apagados
Nas eras medievais.

Falta-te o pajem na ameia
Dedilhando, a lua cheia,
O bandolim dos seus ais!

As Palavras n√£o Servem para Nada

Foi quando aprendi que as palavras não servem para nada; que as palavras nunca se adaptam nem mesmo ao que elas querem dizer. Quando ele nasceu compreendi que a maternidade foi inventada por alguém que tinha de arranjar uma palavra para isso, porque as que tinham os filhos não queriam saber se havia ou não uma palavra para isso. Compreendi que o medo foi inventado por alguém que nunca tinha tido medo; o orgulho, por quem nunca tinha sentido orgulho.

O Orgulho Nacional

O tipo mais barato de orgulho √© o orgulho nacional. Ele trai naquele que por ele √© possu√≠do a aus√™ncia de qualidades individuais, das quais ele se poderia orgulhar; caso contr√°rio, n√£o recorreria √†quelas que compartilha com tantos milh√Ķes. Quem possui m√©ritos pessoais distintos reconhecer√°, antes, de modo mais claro, os defeitos da sua pr√≥pria na√ß√£o, pois sempre os tem diante dos olhos. Mas todo o pobre-diabo, que n√£o tem nada no mundo de que se possa orgulhar, agarra-se ao √ļltimo recurso, o de se orgulhar com a na√ß√£o √† qual pertence; isso faz com que se sinta recuperado e, na sua gratid√£o, pronto para defender com unhas e dentes todos os defeitos e desvarios pr√≥prios √† tal na√ß√£o. Desse modo, de cinquenta ingleses, por exemplo, haver√° no m√°ximo um que concordar√° connosco quando falarmos, com justo desprezo, da beatice est√ļpida e degradante da sua na√ß√£o; mas esta √ļnica excep√ß√£o ser√° com certeza um homem de cabe√ßa.