Passagens sobre Países

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Frases sobre pa√≠ses, poemas sobre pa√≠ses e outras passagens sobre pa√≠ses para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Nostalgia

Nesse País de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as j√≥ias que p’las aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!

Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por l√° que as semeei e que as perdi…
Mostrem-me esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o Reino de que eu sou Infanta!

O meu País de sonho e de ansiedade,
N√£o sei se esta quimera que me assombra,
√Č feita de mentira ou de verdade!

Quero voltar! N√£o sei por onde vim…
Ah! N√£o ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!

As minas antipessoais s√£o produzidas por pa√≠ses que se reclamam da civiliza√ß√£o e dos direitos humanos. Algumas destas na√ß√Ķes proclamam-se mesmo campe√£s na luta contra o terrorismo e as armas de destrui√ß√£o em massa. Mas recusaram-se sempre a assinar o acordo para o fornecimento desta insidiosa forma de terrorismo que todos os dias mutila e mata mulheres, crian√ßas e homens inocentes nos pa√≠ses pobres.

Quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas, pois boas leis há por toda a parte.

N√£o h√° pa√≠s, por mais culto que seja, que n√£o tenha um defeito peculiar, e essa fraqueza serve de precau√ß√£o ou consolo √†s na√ß√Ķes vizinhas.

Livros Antigos Portugueses

Quisemos mostrar, ou antes tornar conhecidos, os nossos livros. 0 nosso intuito √© simples; tentando dar vida a esses livros, procuramos deixar ver a obra Portuguesa, especialmente nos s√©culos xv e xvi, atrav√©s dos ¬ęliuros de forma¬Ľ que foram impressos em Portugal, acompanhando-os de alguns ¬ęde penna¬Ľ, e de outros escritos em linguagem, mas publicados fora do pa√≠s. Os livros s√£o amigos silenciosos e fi√©is junto dos quais se aprende a li√ß√£o da vida. S√£o o ensinamento, e em muitos casos a prova, da √©poca que se deseja descrever; aqueles que s√£o coevos desses tempos, podemos, certamente, consider√°-los como a melhor documenta√ß√£o ‚ÄĒ exceptuando os manuscritos originais ‚ÄĒ para essas pesquisas. A meta do nosso esfor√ßo √© erguer bem alto o nome do nosso pa√≠s, demonstrar os feitos dos Portugueses e, servindo a nossa P√°tria, ¬ęlevantar a bandeira dos triunfos dela¬Ľ. √Č um trabalho sem pretens√Ķes, que nada vem dizer de novo, e que nada julga ensinar, mas que, esperamos, provar√° o nosso amor pela P√°tria querida. E se alcan√ßarmos esse fim ambicionado, teremos a consola√ß√£o suprema de um dever cumprido.

. Manuel II, ¬ęLivros Antigos Portugueses 1489-1600¬Ľ’

Seguro Emocional

Com frequência, comento com os meus alunos da licenciatura em psicanálise e psicologia multifocal que uma das tarefas mais nobres e relevantes do Eu é mapear, esquadrinhar os nossos fantasmas e reeditar as nossas janelas traumáticas. De outro modo, podemos fazer parte do rol dos que falam sobre maturidade mas são verdadeiras crianças no território da emoção, pois não sabem ser minimamente criticados, contrariados e, além disso, têm a necessidade neurótica de poder e de que o mundo gravite na sua órbita.

Certa vez, perguntei a executivos das cinquenta empresas psicologicamente mais saud√°veis do pa√≠s: ¬ęQuem tem algum tipo de seguro?¬Ľ Todos responderam que tinham. Em seguida, indaguei: ¬ęQuem tem um seguro emocional?¬Ľ Ningu√©m arriscou levantar a m√£o. Foram sinceros. Como podemos falar de empresas saud√°veis sem mencionar os mecanismos b√°sicos para proteger a emo√ß√£o? S√≥ fazemos um seguro daquilo que nos √© caro. Mas, infelizmente, a mais importante propriedade tem tido um valor irrelevante.

Em geral, estes profissionais s√£o √≥timos para a empresa, mas carrascos de si mesmos. Acertam no trivial, mas erram muito no essencial. E eu? E o leitor? Ainda que possamos dizer que a mente humana √© a mais complexa de todas as ¬ęempresas¬Ľ,

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A Face Oculta dos Progressos Técnicos

Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido será destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se.
O choque mais violento vai dar-se exactamente, como era natural, nos países em que existir uma liberdade maior; nos outros, as formas autoritárias de regime de certo modo poderão canalizar mais facilmente a Humanidade para a utilização desse ócio; sucederá, porém, o seguinte: nos países não-livres, porque nenhum há livre,

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√Č preciso que as pessoas estejam profundamente bem-educadas. A Educa√ß√£o √© fundamental. No aspecto das prioridades governamentais, por exemplo, penso que o que deve estar em 1¬ļ lugar √© a Sa√ļde. Um pa√≠s sem Sa√ļde n√£o vale nada. Em 2¬ļ lugar est√° a Educa√ß√£o e a seguir a Arte porque √© o complemento da Educa√ß√£o, √© a condi√ß√£o humana. √Č essencial conhecer isto, sem isto n√£o se pode funcionar. E depois vem o resto…

Os políticos, em lugar de se ajudarem entre si e uns aos outros nesta tarefa difícil que é administrarem um país, em que se tem ao mesmo tempo que olhar o presente com todo o cuidado objectivo, e ter a maior confiança no que se pode concretizar de futuro, em lugar de os políticos se ajudarem uns aos outros, se auxiliarem, a realmente levar essa tarefa por diante, tantas vezes se entretêm, em todos os países, a lutar uns com os outros, a desacreditarem-se uns aos outros, como se isso pudesse fazer avançar seja o que for.

Assim, meus caros Americanos: Não exijam o que o vosso país pode fazer por vós Рexijam o que vocês podem fazer pelo vosso país. Meus caros cidadãos do mundo: não exijam o que a América irá fazer por vós, mas sim o que, juntos, poderemos fazer pela liberdade do homem.

A cultura brasileira reflete mais a africana do que a americana. Nos E.U.A. temos o Jazz e quase só isso. Não existem figuras como Machado de Assis, um mulato considerado um dos maiores escritores do país.

Igual-Desigual

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos s√£o iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers s√£o iguais
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol s√£o
iguais.
Todos os partidos políticos
s√£o iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
s√£o iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em verso livre s√£o enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo s√£o iguais.
Todas as fomes s√£o iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as cria√ß√Ķes da natureza s√£o iguais.
Todas as ac√ß√Ķes, cru√©is, piedosas ou indiferentes, s√£o iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
[coisa.

Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
ímpar.

Carlos Drummond de Andrade, in ‘A Paix√£o Medida’

H√° que P√īr Pedra sobre Pedra

Nunca pensei em ser governo, nunca o quis mesmo, mas interessei-me sempre muito pelos neg√≥cios p√ļblicos, pelos neg√≥cios do Pa√≠s. E a√≠ tem um exemplo, anterior √† minha entrada no Governo, que lhe pode dar uma ideia do ritmo da minha ac√ß√£o, da tal marcha vagarosa de que me acusam…
(…) √Č que me fui habilitando, lentamente, sem precipita√ß√Ķes, quase sem dar por isso, liberto de qualquer ambi√ß√£o de ordem pessoal. E assim, quando a minha interven√ß√£o na m√°quina do Estado p√īde ser √ļtil, ela foi aproveitada, talvez, como n√£o seria se eu tivesse improvisado uma cultura. Pois com a marcha do Pa√≠s o mesmo acontece. H√° que p√īr pedra sobre pedra, mas desinteressadamente, sem pensar na gl√≥ria pr√≥pria e sem pensar at√©, excessivamente, na ab√≥bada, na finalidade. A √Ęnsia de chegar ao fim, de fazer muitas coisas ao mesmo tempo leva, √†s vezes, ao fim, mas ao fim de tudo…

H√° uma tend√™ncia autorit√°ria em muitos pa√≠ses. Nada restou dos ideais. A esquerda sofre uma esp√©cie de tenta√ß√£o maligna que √© a fragmenta√ß√£o. N√£o vejo nada mais est√ļpido do que a esquerda. Uns enfrentam os outros, por grupos, por partidos, por op√ß√Ķes.

Não posso admitir que se olhe para o desemprego como se fosse uma realidade abstracta. O desemprego são desempregados! E um desempregado, sobretudo de longa duração, é um homem que, pouco a pouco, perde a sua autodignidade, perde respeito por si e pelos outros. Num jovem é muito pior: sente que lhe estão a roubar o futuro. E daqui resulta ou a desistência, a passividade, ou a evasão perversa, ou a revolta. Em muitos países as grandes revoltas foram feitas pela juventude, que não aceita que lhe roubem o futuro!

Qualquer mulher que entenda os problemas de cuidar de uma casa está muito perto de entender os de cuidar de um país.

Os crimes da rep√ļblica, tornados poss√≠veis pela desgra√ßada incapacidade mon√°rquica e pela indiferen√ßa da maioria dos portugueses, est√£o agora dando o seu fruto, que, quando absolutamente maduro, ser√° a derrocada de tudo! (…) √Č uma profunda tristeza e por ora n√£o vejo o rem√©dio ao mal profundo que est√° matando o pa√≠s, pois, com m√°goa o digo, os portugueses est√£o-se parecendo com os macacos do Brasil quando caem num rio, p√Ķem as m√£os na cabe√ßa, v√£o para o fundo da √°gua e morrem afogados.

O Sentimento dum Ocidental

I

Avé-Maria

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
H√° tal soturnidade, h√° tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O g√°s extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposi√ß√Ķes, pa√≠ses:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edifica√ß√Ķes somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquet√£o ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueir√Ķes, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Cam√Ķes no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu n√£o verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

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