Cita√ß√Ķes sobre Pensadores

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O essencial √© que n√£o procure o pensador ser elegante; se o for, que venha a eleg√Ęncia da pr√≥pria estrutura do pensar e da pr√≥pria clareza meridiana das ideias a que lhe coube chegar.

Todo o Génio é um Degenerado

Sendo certo que todo o g√©nio √© um degenerado (nem superior, nem inferior, porque h√° s√≥ degenerados de uma esp√©cie, mau grado a absurda escapat√≥ria dos psiquiatras modern style), cert√≠ssimo √©, sem d√ļvida, que entre os g√©nios, os da intelig√™ncia assumem um relevo m√°ximo de degenera√ß√£o. Um chefe pol√≠tico, um grande general, s√£o, no que g√©nios, degenerados, porque s√£o desvios do tipo normal e originais na sua ac√ß√£o e na sua individualidade. Mas s√£o normais porque s√£o homens de ac√ß√£o, porque vivem no meio da vida, e n√£o se pode fazer isso sem uma certa adapta√ß√£o a ela. O mais revolucion√°rio dos g√©nios pol√≠ticos tem de se adpatar ao que quer destruir para o poder destruir. Tem de mergulhar na vida que quer substituir para poder agir sobre ela.
Não assim na esfera da inteligência e da emoção intelectualizada Рna da filosofia e na da arte, digo. Sobre ser original, o artista, o pensador é um inadaptado às formas normais da vida, por isso que nem age no sentido da actividade normal (porque é original), nem age no que age, age vulgarmente (porque, em lugar de ter uma acção vulgar, orienta a sua vida sobretudo para a sensação e para a inteligência e não para a acção,

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Um homem livre é, por força, inseguro. Um homem pensador é, forçosamente, dubitativo.

A Sabedoria do Homem Comum

Os ignorantes e o homem comum n√£o t√™m problemas. Para eles na Natureza tudo est√° como deve estar. Eles compreendem as coisas pela simples raz√£o delas existirem. E, na realidade, n√£o d√£o eles provas de mais raz√£o do que todos os sonhadores, que chegam a duvidar do seu pr√≥prio pensamento? Morre um dos seus amigos, e como julgam saber o que √© a morte √† dor que sentem por o perderem n√£o acrescentam a cruel ansiedade que resulta da impossibilidade de aceitar um acontecimento t√£o natural… Estava vivo, e agora encontra-se morto; falava-me, o seu esp√≠rito prestava aten√ß√£o ao que eu lhe dizia, mas hoje j√° nada disso existe: resta apenas aquele t√ļmulo – mas repousa ele nesse t√ļmulo, t√£o frio como a pr√≥pria sepultura? Erra a sua alma em redor desse monumento? Quando eu penso nele √© a sua alma que vem assolar a minha mem√≥ria? O h√°bito traz-nos de novo, contudo, ao n√≠vel do homem comum.
Quando o seu rasto se tiver apagado – n√£o h√° d√ļvidas de que ele morreu! – ent√£o a coisa deixar√° de nos incomodar. Os s√°bios e os pensadores parecem portanto menos avan√ßados que o homem comum, j√° que eles pr√≥prios n√£o t√™m a certeza,

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Mais Vale Ser Surdo que Ensurdecido

Antigamente as pessoas queriam criar-se uma reputa√ß√£o: isso j√° n√£o basta, a feira tornou-se demasiado vasta; agora √© necess√°rio vender aos berros. A consequ√™ncia √© que mesmo as melhores gargantas for√ßam a voz e as melhores mercadorias n√£o s√£o oferecidas por org√£os enrouquecidos; j√° n√£o h√° g√©nio, nos nossos dias, sem clamor e sem rouquid√£o. √Čpoca vil para o pensador: devemos aprender a encontrar entre duas barulheiras o sil√™ncio de que se tem necessidade e a fingir de surdo at√© chegar a s√™-lo. Enquanto n√£o se tiver chegado a isso, corre-se o risco de perecer de impaci√™ncia e de dores de cabe√ßa.

Estamos no apogeu da ind√ļstria do lazer, mas nunca houve uma gera√ß√£o t√£o triste e depressiva como a nossa. Estamos na era do conhecimento, da democratiza√ß√£o da informa√ß√£o, mas nunca produzimos tantos repetidores de informa√ß√Ķes, em vez de pensadores.

O pensador √© bom na medida em que a aud√°cia das suas explora√ß√Ķes o leva a cada passo √† beira da heterodoxia.

N√£o Existe um Verdadeiro Sistema de Pensamentos

Enfaticamente, n√£o pode existir um verdadeiro sistema de pensamentos, pois nenhum sinal pode substituir a realidade. Pensadores profundos e honestos chegam sempre √† conclus√£o de que toda a cogni√ß√£o √© condicionada a priori pela sua pr√≥pria forma e nunca pode alcan√ßar aquela que as palavras significam… E este ignorabimus tamb√©m est√° em conformidade com a intui√ß√£o de todo o verdadeiro s√°bio: que os princ√≠pios abstractos da vida s√£o aceit√°veis somente como formas de express√£o, m√°ximas banais de uso quotidiano sob as quais a vida corre, como sempre correu, para a frente. Em √ļltima an√°lise, a ra√ßa √© mais forte do que as l√≠nguas, e √© assim que, debaixo de todos os grandes nomes, houve pensadores, que s√£o personalidades, e n√£o sistemas, que s√£o mut√°veis, que produziram efeito sobre a vida.

A Gravidade e a Seriedade nem Sempre andam Juntas

Tomar a verdade a s√©rio! De quantas maneiras diferentes n√£o entendem os homens esta frase! S√£o as mesmas opini√Ķes, as mesmas formas de exame e de demonstra√ß√£o que um pensador considera com uma ligeireza quando as aplica por si pr√≥prio – sucumbiu-lhes para sua vergonha, neste ou naquele momento da sua vida -, s√£o essas mesmas opini√Ķes, esses mesmos m√©todos que podem dar a um artista, quando com eles se choca e com eles vive algum tempo, a consci√™ncia de ter sido dominado pela profunda gravidade da verdade, de ter mostrado – coisa espantosa -, ainda que artista, a mais s√©ria necessidade do contr√°rio da apar√™ncia.
√Č assim que acontece que uma pomposa gravidade revele precisamente a aus√™ncia de seriedade com que um esp√≠rito que se contenta com pouco se tenha debatido at√© ent√£o no dom√≠nio do conhecimento… N√£o somos n√≥s sempre tra√≠dos por aquilo que consideramos importante? A nossa gravidade mostra onde se encontram os nossos pesos e os casos em que temos falta deles.

Na verdade não sou de forma alguma um homem de ciência, nem um observador, nem um experimentador, nem um pensador. Sou, por temperamento, nada mais que um conquistador Рum aventureiro, em outras palavras Рcom toda a curiosidade, ousadia e tenacidade características desse tipo de homem.

Onde Começa o Bem

Há um limite a partir do qual a força visual do olho humano deixa de ser capaz de identificar o mau instinto tornado demasiado subtil para os seus fracos recursos; é aí que o homem faz começar o reino do bem; e a sensação de ter penetrado nesse reino desperta sincronicamente nele todos os instintos, os sentimentos de segurança, de bem-estar, e de benevolência, que o mal limitava e ameaçava. Por consequência: quanto mais o olhar é fraco, maior é o domínio do bem! Daí a eterna alegria do povo e das crianças! Daí o abatimento dos grandes pensadores, e o humor negro que é o seu, humor parente da má consciência.

O Português

Prefere ser um rico desconhecido, a ser um her√≥i pobre. √Č melhor do que parece. O homem portugu√™s √© dissimulado, e fez da inveja um discurso do bom senso e dos direitos humanos.
Mas √© tamb√©m um homem de paix√Ķes moderadas pela sensibilidade, o que faz dele um grande civilizado.
Gosta das mulheres, o que explica o estado de dependência em que as pretende manter. A dependência é uma motivação erótica.
√Č inovador mas tem pouco car√°cter, como √© pr√≥prio dos superiormente inteligentes, tanto cientistas, como fil√≥sofos e criadores em geral.
Mente muito, e a verdade que se arroga √© uma culpa inibida. Vemos que ele se mant√©m num estado primitivo quando defende a sua √°rea de partido, de seita e de fam√≠lia, √† custa de corrup√ß√Ķes e de crimes, se for preciso.
Gosta do poder mas não da notoriedade. Não tem o sentido da eternidade, mas sim o prazer da liberdade imediata. Não é democrata; excepto se isso intimidar os seus adversários.
Não tem génio, tem habilidade.
√Č imaginativo mas n√£o pensador.
√Č culto mas n√£o experiente.
N√£o gosta da lei, porque ela desvaloriza a sua pr√≥pria iniciativa. √Č m√≠stico com a f√°bula e viril com a desgra√ßa.

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Errar é do homem, passear é do parisiense. No fundo, espírito penetrante, e mais pensador do que parecia.

O Pensador

N√£o h√° nenhuma vida verdadeiramente intelectual em que a pol√©mica n√£o seja um acidente, um desn√≠vel entre o engenho e a cultura adquirida, por um lado, e, por outro, o meio ambiente; o pensador n√£o √©, por estrutura, polemista, embora n√£o fuja ante a pol√©mica, nem a considere inferior; o seu dom√≠nio √© no campo da paz, n√£o entre os instrumentos de guerra; quando a batalha se oferece sabe, como o fil√≥sofo antigo, marchar com a calma e a severa repress√£o dos instintos que o mundo inteiro, ante a sua profiss√£o, tem o direito de exigir; o seu dever de cidad√£o imp√Ķe-lhe que tome, ao ecoar da voz b√°rbara, a lan√ßa que defende as oliveiras sagradas e os r√≠tmicos templos. A sua linha, por√©m, o fio de cumeadas por que se alongam os seus passos melhores comportam apenas uma inven√ß√£o superadora, um perp√©tuo oferecer aos seus amigos humanos de toda a descoberta possibilidade de um caminho mais belo e mais nobre. V√™-se como um guia e um observador de horizontes que se estendam para al√©m dos limites do mar e dos limites do c√©u; a sua miss√£o √© a de p√īr ao alcance de todos os que novamente contemplaram os seus olhos e de os ajudar a percorrer a estrada que abriu ou desvendou;

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Há no Pensador uma Tragédia Limitada

há no pensador uma tragédia limitada
o diabo atira pelas frestas para acertar
na verdade na m√£e opressora no pai incalcul√°vel
se alguma qualidade pode ser preferida
se os sentidos do filho excluírem a perda
na medida exata dos ancestrais
e reter a morte com outra igual haver√° muita
precis√£o embora tal habilidade n√£o restrinja
a estupidez no vazio e bastar√° uma brasa para
incendiar o mundo e sei que a miséria
aspirar√° o ar bem fundo pra estourar a raz√£o

As Nossas Verdades

A aprendizagem transforma-nos, faz o mesmo que toda a alimenta√ß√£o que tamb√©m n√£o ¬ęconserva¬Ľ apenas -: como sabe o fisi√≥logo. Mas no fundo de n√≥s mesmos, muito ¬ęl√° no fundo¬Ľ, h√°, na verdade, qualquer coisa rebelde a toda a instru√ß√£o, um granito de fatum espiritual, de decis√Ķes predestinadas e de resposta a perguntas escolhidas e pr√©-formuladas. A cada problema fundamental ouve-se inevitavelmente dizer ¬ęisso sou eu¬Ľ; por exemplo, a respeito do homem e da mulher, um pensador n√£o pode aprender nada de novo mas apenas aprender at√© ao fim, – prosseguir at√© ao fim na descoberta do que, para ele, era ¬ęcoisa assente¬Ľ a esse respeito. Encontram-se por vezes certas solu√ß√Ķes de problemas que alimentam precisamente a nossa grande f√©; talvez de ora em diante lhes chamemos as nossas ¬ęconvic√ß√Ķes¬Ľ.

Mais tarde – s√≥ se ver√°, nessas convic√ß√Ķes, pegadas que conduzem ao autoconhecimento, indicadores que conduzem ao problema que n√≥s somos, – ou mais exactamente, √† grande estupidez que somos, ao nosso fatum espiritual, ao incorrig√≠vel, que se encontra totalmente ¬ęl√° no fundo¬Ľ. – Depois dessa atitude simp√°tica que acabo de assumir em rela√ß√£o a mim pr√≥prio, talvez me seja mais facilmente permitido dizer francamente algumas verdades sobre ¬ęa mulher em si¬Ľ: uma vez que agora j√° se sabe de antem√£o que s√£o apenas –

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A maioria das pessoas de ação estão inclinadas ao fatalismo, a maioria dos pensadores acredita na providência.

O Homem Pensador e a Mulher Faladora

O homem pensador √© necessariamente taciturno. A mulher faladora n√£o consegue atordoar-lhe o esp√≠rito, mas faz-lhe nos ouvidos a traquinada intoler√°vel de uma matraca. A matraca afuguenta do cora√ß√£o todas as quimeras do amor. N√£o vos caseis com homem pensador, mulheres que falais um momento antes de pensar o que direis. O amor ‚ÄĒse vo-lo pode inspirar tal homem‚ÄĒfar√° que n√£o fecheis olhos velando-lhe a doen√ßa; far√° que lhe sacrifiqueis os haveres, a reputa√ß√£o e a vida; far√° tudo que humanamente pode fazer um anjo de sacrif√≠cio, mas n√£o vos far√° calar. O feudo mais pesado que uma tal mulher p√īde imp√īr a um homem √© ‚ÄĒ a obriga√ß√£o de ouvi-la.

A ofensa que tal mulher nunca perdoa √© ‚ÄĒ a insol√™ncia de ouvi-la, sem escut√°-la. Vejam num dicion√°rio a diferen√ßa das duas palavras. Escutar √© querer ouvir. Uma bela mulher, capaz de extremos, tentou a franqueza do amante que, em v√©speras de matrimonio, lhe disse: ¬ęn√£o faltes tanto.¬Ľ A noiva pesou estas palavras, reflectiu, calculou as suas for√ßas, chorou, atormentou-se, e disse: ¬ęn√£o me casarei: √© imposs√≠vel calar-me.¬Ľ Para que me n√£o tomem isto como anedota, √© preciso dizer-lhes que esta mulher foi acerbamente ferida no seu orgulho.

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A Arte e a Filosofia

Nunca ser√° de mais insistir no car√°cter arbitr√°rio da antiga oposi√ß√£o entre arte e a filosofia. Se quisermos interpret√°-la num sentido muito preciso, √© certamente falsa. Se quisermos simplesmente significar que essas duas disciplinas t√™m, cada uma delas, o seu clima particular, isso √© verdade sem d√ļvida, mas muito vago. A √ļnica argumenta√ß√£o aceit√°vel residia na contradi√ß√£o levantada entre o fil√≥sofo fechado no meio do seu sistema e o artista colocado diante da sua obra. Mas isto era v√°lido para uma certa forma de arte e de filosofia, que aqui consideramos secund√°ria. A ideia de uma arte separada do seu criador n√£o est√° somente fora de moda. √Č falsa. Por oposi√ß√£o ao artista, dizem-nos que nunca nenhum fil√≥sofo fez v√°rios sistemas.
Mas isto √© verdade, na pr√≥pria medida em que nunca nenhum artista exprimiu mais de uma s√≥ coisa sob rostos diferentes. A perfei√ß√£o instant√Ęnea da arte, a necessidade da sua renova√ß√£o, s√≥ √© verdade por preconceito. Porque a obra de arte tamb√©m √© uma constru√ß√£o, e todos sabem como os grandes criadores podem ser mon√≥tonos. O artista, tal como o pensador, empenha-se e faz-se na sua obra. Essa osmose levanta o mais importante dos problemas est√©ticos. Al√©m disso,

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