Passagens sobre Raciocínio

92 resultados
Frases sobre racioc√≠nio, poemas sobre racioc√≠nio e outras passagens sobre racioc√≠nio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os jovens t√™m no√ß√Ķes exaltadas, porque ainda n√£o foram humilhados pela vida ou aprenderam suas limita√ß√Ķes necess√°rias, al√©m disso, sua disposi√ß√£o esperan√ßosa faz pensar-se igual a grandes coisas, e isso significa ter no√ß√Ķes exaltadas. Eles sempre preferem fazer a√ß√Ķes nobres do que os √ļteis: Suas vidas s√£o reguladas mais pelo sentimento moral do que pelo racioc√≠nio‚Ķ Todos os seus erros s√£o no sentido de fazer as coisas em excesso e com veem√™ncia. Eles exageram em tudo, eles amam muito, odeio muito, e assim com todo o resto.

As Discuss√Ķes Nunca S√£o Feitas de Boa F√©

S√≥ os ing√©nuos podem crer que uma discuss√£o visa resolver um problema ou esclarecer uma quest√£o dif√≠cil. Na realidade, a sua √ļnica justifica√ß√£o √© testar a capacidade de os participantes derrubarem o advers√°rio. O que est√° em jogo n√£o √© a verdade, mas o amor pr√≥prio. O bem falante leva a melhor sobre o que tartamudeia, o temer√°rio sobre o t√≠mido e o arrebatado sobre o escrupuloso. Estar de boa f√© equivale a potenciar as desvantagens, porquanto os escr√ļpulos se somam √† circunspec√ß√£o, dificultando a express√£o. O que √© a boa f√©? Uma conduta de fracasso, um aut√™ntico suic√≠dio… Quem participa em debates fala sem escutar, espezinha qualquer racioc√≠nio que n√£o seja conduzido por si pr√≥prio, despreza as oposi√ß√Ķes, ignora as obstruc√ß√Ķes e, de certo modo, conquista a vit√≥ria √† for√ßa de palavras.
Cultiva a má fé com o profissionalismo do jardineiro que cria uma planta venenosa cujo veneno possui suavidades tão profundas que quem o prova já não passa sem ele. Para dar melhor resultado, a má fé não deve ser demasiado subtil. Com efeito, o seu impacte não será suficiente para desnortear o outro, rápida e duradouramente. Nesta matéria, a subtileza não substitui a brutalidade que, não obstante a detestável fama em certos meios intelectuais,

Continue lendo…

O Que é a Inspiração?

Eu n√£o sei o que √© a inspira√ß√£o. Mas tamb√©m a verdade √© que √†s vezes n√≥s usamos conceitos que nunca paramos a examinar. Vamos l√° a ver: imaginemos que eu estou a pensar determinado tema e vou andando, no desenvolvimento do racioc√≠nio sobre esse tema, at√© chegar a uma certa conclus√£o. Isto pode ser descrito, posso descrever os diversos passos desse trajecto, mas tamb√©m pode acontecer que a raz√£o, em certos momentos, avance por saltos; ela pode, sem deixar de ser raz√£o, avan√ßar t√£o rapidamente que eu n√£o me aperceba disso, ou s√≥ me aperceba quando ela tiver chegado ao ponto a que, em circunst√Ęncias diferentes, s√≥ chegaria depois de ter passado por todas essas fases.
Talvez, no fundo, isso seja inspiração, porque há algo que aparece subitamente; talvez isso possa chamar-se também intuição, qualquer coisa que não passa pelos pontos de apoio, que saltou de uma margem do rio para a outra, sem passar pelas pedrinhas que estão no meio e que ligam uma à outra. Que uma coisa a que nós chamamos razão funcione desta maneira ou daquela, que funcione com mais velocidade ou que funcione de forma mais lenta e que eu posso acompanhar o próprio processo,

Continue lendo…

Toda a Virtude Assenta na Justa Medida

Toda a virtude assenta na justa medida, e a justa medida baseia-se em propor√ß√Ķes determinadas. A firmeza n√£o pode sequer tentar elevar-se, e o mesmo se dir√° da confian√ßa, da verdade, da lealdade. Pode acrescentar-se alguma coisa √†quilo que √© perfeito? Nada, de outro modo n√£o seria perfeito, pois algo se lhe acrescentou. Nada, por conseguinte, se pode adicionar √† virtude, pois se tal fosse poss√≠vel era porque algo lhe faltava. Tamb√©m a honestidade n√£o √© pass√≠vel de qualquer acr√©scimo, pois o que √© a honestidade decorre do racioc√≠nio acima exposto. E quanto ao mais, o respeito pelas normas sociais, a justi√ßa, a legalidade, n√£o achas que s√£o conceitos do mesmo tipo, definidos por crit√©rios igualmente rigorosos? Para uma coisa ser suscept√≠vel de acr√©scimo essa coisa tem de ser imperfeita. Todo o bem obedece a esta mesma lei: o interesse privado e o interesse p√ļblico s√£o t√£o dissoci√°veis como, que sei eu?, aquilo que merece o louvor se n√£o distingue do que merece o nosso esfor√ßo. Por conseguinte, todas as virtudes s√£o t√£o iguais entre si como todas as realiza√ß√Ķes da virtude e todos os homens dotados dessas virtudes.

A Humildade na Escrita

N√≥s, os que escrevemos, temos na palavra humana, escrita ou falada, grande mist√©rio que n√£o quero desvendar com o meu racioc√≠nio que √© frio. Tenho que n√£o indagar do mist√©rio para n√£o trair o milagre. Quem escreve ou pinta ou ensina ou dan√ßa ou faz c√°lculos em termos de matem√°tica, faz milagre todos os dias. √Č uma grande aventura e exige muita coragem e devo√ß√£o e muita humildade. Meu forte n√£o √© a humildade em viver. Mas ao escrever sou fatalmente humilde. Embora com limites. Pois do dia em que eu perder dentro de mim a minha pr√≥pria import√Ęncia – tudo estar√° perdido.

Um homem e uma mulher s√£o a tal ponto a mesma coisa, que quase n√£o se entende a quantidade de distin√ß√Ķes e racioc√≠nios subtis dos quais a sociedade se nutre sobre esta quest√£o.

A descoberta não é afectada pelo raciocínio lógico, apesar de o produto final estar associado a uma forma lógica.

A Verdadeira Liberdade

A liberdade, sim, a liberdade!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convic√ß√Ķes.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!

A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade crist√£ da minha inf√Ęncia que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim…
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber √°gua como se fosse todos os vinhos do mundo!

Passos todos passinhos de crian√ßa…
Sorriso da velha bondosa…
Apertar da m√£o do amigo [s√©rio?]…
Que vida que tem sido a minha!
Quanto tempo de espera no apeadeiro!
Quanto viver pintado em impresso da vida!

Ah, tenho uma sede s√£.

Continue lendo…

Os humanos têm obstáculos que não dificultam a vida dos animais, como raciocínio, lógica, compreensão. Enquanto os animais têm a esplendidez daquilo que é directo e se dirige directo.

No conto (como em qualquer outro g√©nero liter√°rio) o mais importante n√£o √© o seu conte√ļdo liter√°rio mas a forma como ele nos comove e nos ensina a entender n√£o atrav√©s do racioc√≠nio mas do sentimento (ser√° que existem estas categorias, assim separadas?).

O Saber Ajuda em Todas as Actividades

O mero fil√≥sofo √© geralmente uma personalidade pouco admis¬≠s√≠vel no mundo, pois sup√Ķe-se que ele em nada contribui para o be¬≠nef√≠cio ou para o prazer da sociedade, porquanto vive distante de toda comunica√ß√£o com os homens e envolto em princ√≠pios e no√ß√Ķes igualmente distantes de sua compreens√£o. Por outro lado, o mero ig¬≠norante √© ainda mais desprezado, pois n√£o h√° sinal mais seguro de um esp√≠rito grosseiro, numa √©poca e uma na√ß√£o em que as ci√™ncias florescem, do que permanecer inteiramente destitu√≠do de toda esp√©cie de gosto por estes nobres entretenimentos. Sup√Ķe-se que o car√°cter mais perfeito se encontra entre estes dois extremos: conserva igual capacidade e gosto para os livros, para a sociedade e para os neg√≥cios; mant√©m na conversa√ß√£o discernimento e delicadeza que nascem da cultura liter√°ria; nos neg√≥cios, a probidade e a exatid√£o que resultam naturalmente de uma filosofia conveniente. Para difundir e cultivar um car√°cter t√£o aperfei√ßoado, nada pode ser mais √ļtil do que as com¬≠posi√ß√Ķes de estilo e modalidade f√°ceis, que n√£o se afastam em demasia da vida, que n√£o requerem, para ser compreendidas, profunda apli¬≠ca√ß√£o ou retraimento e que devolvem o estudante para o meio de homens plenos de nobres sentimentos e de s√°bios preceitos,

Continue lendo…

A Única Crítica é a Gargalhada

A √ļnica cr√≠tica √© a gargalhada! N√≥s bem o sabemos: a gargalhada nem √© um racioc√≠nio, nem um sentimento; n√£o cria nada, destr√≥i tudo, n√£o responde por coisa alguma. E no entanto √© o √ļnico coment√°rio do mundo pol√≠tico em Portugal. Um Governo decreta? gargalhada. Reprime? gargalhada. Cai? gargalhada. E sempre esta pol√≠tica, liberal ou opressiva, ter√° em redor dela, sobre ela, envolvendo-a como a palpita√ß√£o de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, e cruel ‚Äď a gargalhada! Pol√≠tica querida, s√™ o que quiseres, toma todas as atitudes, pensa, ensina, discute, oprime ‚Äď n√≥s riremos. A tua atmosfera √© de chala√ßa.

A Essência de Nós não Está na Razão

“Que teria sido de mim, que teria sido da minha vida se n√£o fossem essas cren√ßas, se n√£o soubesse que √© preciso viver para Deus e n√£o para as minhas necessidades? Teria roubado, teria matado, teria mentido. Nenhuma das principais alegrias da minha vida teria podido existir para mim”. E por mais esfor√ßos mentais que fizesse, n√£o conseguia ver-se a si pr√≥prio como o ser bestial que teria sido, caso n√£o soubesse para que vivia. “Buscava resposta √† minha pergunta. Mas o pensamento n√£o me podia responder, pois o pensamento n√£o pode medir-se com a pergunta. A pr√≥pria vida se encarregou de me responder gra√ßas ao conhecimento do bem e do mal”.

“E esse conhecimento n√£o o adquiri atrav√©s de coisa alguma, foi-me outorgado, como a todos os demais, visto que o n√£o pude encontrar em parte alguma. De onde o soube? Porventura foi atrav√©s do racioc√≠nio que eu cheguei √† conclus√£o de que √© preciso amar o pr√≥ximo e n√£o lhe fazer mal? Disseram-me na inf√Ęncia e acreditei-o com alegria, pois trazia-o na alma. E quem o descobriu? A raz√£o, n√£o. A raz√£o descobriu a luta pela exist√™ncia e a lei, que exige que se eliminem todos quantos nos impedem de satisfazer os nossos desejos.

Continue lendo…

Tu, V√£ Filosofia

Tu, v√£ Filosofia, embora aviltes
Os crentes nas vis√Ķes do pensamento,
Turvo clarão de raciocínios tristes
Por entre sombras nos conduz, e a mente,
Rastejando a verdade, a desencanta;
Nem doloroso espírito se ilude,
Se o que, dormindo, creu, crê, despertando.
Até no afortunado a vida é sonho
(Sonho, que l√° no fim se verifica),
E ansioso pesadelo em mim, que a choro,
Em mim, que provo o fel da desventura,
Desde que levantei, que abri, carpindo,
Os olhos infantis à luz primeira;
Em mim, que fui, que sou de Amor o escravo,
E a vítima serei, e o desengano
Da suprema paix√£o, por ti cantada
Em versos imortais, como o princípio
Etéreo, criador, de que emanaram.

A coisa mais penosa do nosso tempo √© que os tolos possuem convic√ß√£o e os que possuem imagina√ß√£o e racioc√≠nio vivem cheios de d√ļvida e indecis√£o.

Humorismo √© a arte de fazer c√≥cegas no racioc√≠nio dos outros. H√° duas esp√©cies de humorismo: o tr√°gico e o c√īmico. O tr√°gico √© o que n√£o consegue fazer rir; o c√īmico √© o que √© verdadeiramente tr√°gico para se fazer.