Cita√ß√Ķes sobre Reflex√£o

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Frases sobre reflex√£o, poemas sobre reflex√£o e outras cita√ß√Ķes sobre reflex√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Existem v√°rias formas de pobreza. E h√°, entre todas, uma que escapa √†s estat√≠sticas e aos indicadores num√©ricos: √© a pen√ļria da nossa reflex√£o sobre n√≥s mesmos. Falo da dificuldade de nos pensarmos como sujeitos hist√≥ricos, como lugar de partida e como destino de um sonho.

Sou como um quarto com in√ļmeros espelhos fant√°sticos que torcem para reflex√Ķes falsas uma √ļnica central realidade que n√£o est√° em nenhum e est√° em todos.

Estou a fazer filmes há uns bons anos e muito do que levo para o cinema nasce de uma reflexão generosa, de aprendiz, que faço da literatura. Tudo nesta vida que levamos tem uma duração estabelecida, um momento para acabar, incluindo os valores monetários, menos as histórias que contamos. As histórias que os livros nos contam duram para sempre e o mesmo espero das histórias trazidas pelo cinema.

N√£o se Render a um Humor Vulgar

Grande homem √© o que nunca se submete a impress√Ķes passageiras. √Č li√ß√£o de advert√™ncia a reflex√£o sobre si; conhecer a sua real disposi√ß√£o e preveni-la, e ainda ponderar sobre o outro extremo para achar, entre o natural e o artificial, o fiel da sind√©rese. O princ√≠pio de corrigir-se √© o conhecer-se, pois h√° monstros de impertin√™ncia: sempre est√£o de algum humor, variando com eles os seus afectos; e, arrastados eternamente por essa destemperan√ßa civil, empenham-se de modos contradit√≥rios; e n√£o s√≥ esse excesso arru√≠na a vontade como tamb√©m afronta o ju√≠zo, alterando o querer e o entender.

N√£o √© de avisados e experientes ceder √† c√≥lera. (…) Operai ap√≥s reflex√£o madura. Ela vence mais que a viol√™ncia do pensamento r√°pido, e fugaz. A sabedoria √© irm√£ da prud√™ncia, e pouco avisado anda aquele, que se apega √†s asas do g√©nio iracundo, que n√£o prev√™ despenhadeiros.

As palavras ditas sem reflex√£o, inspiradas pela c√≥lera, n√£o deitam ra√≠zes em parte alguma; por√©m quando sugeridas pelo ci√ļme alastram-se quais plantas parasitas, crescem e deitam ramagem sobre a √°rvore que √© o cora√ß√£o, ensombrecendo-o.

A Piedade

A piedade √© um sentimento natural, que, moderando em cada indiv√≠duo a actividade do amor de si pr√≥prio, concorre para a conserva√ß√£o m√ļtua de toda a esp√©cie. √Č ela que nos leva sem reflex√£o em socorro daqueles que vemos sofrer; √© ela que, no estado de natureza, faz as vezes de lei, de costume e de virtude, com a vantagem de que ningu√©m √© tentado a desobedecer √† sua doce voz; √© ela que impede todo o selvagem robusto de arrebatar a uma crian√ßa fraca ou a um velho enfermo a sua subsist√™ncia adquirida com sacrif√≠cio, se ele mesmo espera poder encontrar a sua alhures; √© ela que, em vez desta m√°xima sublime de justi√ßa raciocinada, faz a outrem o que queres que te fa√ßam, inspira a todos os homens esta outra m√°xima de bondade natural, bem menos perfeita, por√©m mais √ļtil, talvez, do que a precedente: faz o teu bem com o menor mal poss√≠vel a outrem. Em uma palavra, √© nesse sentimento natural, mais do que em argumentos subtis, que √© preciso buscar a causa da repugn√Ęncia que todo o homem experimentaria em fazer mal, mesmo independentemente das m√°ximas da educa√ß√£o. Embora possa competir a S√≥crates e aos esp√≠ritos da sua t√™mpera adquirir a virtude pela raz√£o,

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Estamos Nós Realmente Salvando o Mundo?

Hoje a pergunta com que nos confrontamos é simples: estamos nós realmente salvando o mundo? Não me parece que a resposta possa ser aquela que gostaríamos. O mundo só pode ser salvo se for outro, se esse outro mundo nascer em nós e nos fizer nascer nele.
Mas nem o mundo est√° sendo salvo nem ele nos salva enquanto seres de exist√™ncia √ļnica e irrepet√≠vel. Alguns de n√≥s estar√£o fazendo coisas que acreditam ser important√≠ssimas. Mas poucos ter√£o a cren√ßa que est√£o mudando o nosso futuro. A maior parte de n√≥s est√° apenas gerindo uma condi√ß√£o que sabemos torta, geneticamente modificada ao sabor de um enorme laborat√≥rio para o qual todos trabalhamos mesmo sem vencimento.

Se alguma coisa queremos mudar e parece que mudar √© preciso, temos que enfrentar algumas perguntas. A primeira das quais √© como estamos n√≥s, bi√≥logos, pensando a ci√™ncia biol√≥gica? Antes de sermos cientistas somos cidad√£os cr√≠ticos, capazes de questionar os pressupostos que nos s√£o entregues como sendo ¬ęnaturais¬Ľ. A verdade, colegas, √© que estamos hoje perante uma natureza muito pouco natural.

E é aqui que o pecado da preguiça pode estar ganhando corpo. Uma subtil e silenciosa preguiça pode levar a abandonar a reflexão sobre o nosso próprio objecto de trabalho.

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Arte e Sensibilidade

1) Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade.
2) A sensibilidade é pessoal e intransmissível.
3) Para se transmitir a outrem o que sentimos, e é isso que na arte buscamos fazer, temos que decompor a sensação, rejeitando nela o que é puramente pessoal, aproveitando nela o que, sem deixar de ser individual, é todavia susceptível de generalidade, portanto, compreensível, não direi já pela inteligência, mas ao menos pela sensibilidade dos outros.
4) Este trabalho intelectual tem dois tempos: a) a intelectualiza√ß√£o directa e instintiva da sensibilidade, pela qual ela se converte em transmiss√≠vel (√© isto que vulgarmente se chama “inspira√ß√£o”, quer dizer, o encontrar por instinto as frases e os ritmos que reduzam a sensa√ß√£o √† frase intelectual (prim. vers√£o: tirem da sensa√ß√£o o que n√£o pode ser sens√≠vel aos outros e ao mesmo tempo, para compensar, refor√ßam o que lhes pode ser sens√≠vel); b) a reflex√£o cr√≠tica sobre essa intelectualiza√ß√£o, que sujeita o produto art√≠stico elaborado pela “inspira√ß√£o” a um processo inteiramente objectivo ‚ÄĒ constru√ß√£o, ou ordem l√≥gica, ou simplesmente conceito de escola ou corrente.
5) Não há arte intelectual, a não ser, é claro, a arte de raciocinar. Simplesmente,

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Toda reflexão que leve o homem para fora do estreito círculo do seu egoísmo é saudável e boa para a alma, seja qual for o caminho pelo qual enverede essa reflexão.

Nada é Tão Fatigante Como a Indecisão

A fadiga (do homem da cidade) √© devida a inquieta√ß√Ķes que poderiam ser evitadas por uma melhor filosofia da vida e um pouco mais de disciplina mental. A maior parte dos homens e mulheres n√£o governam eficazmente os seus pensamentos. Quero com isto dizer que eles n√£o podem deixar de pensar nos assuntos que os atormentam, mesmo quando nesse momento nenhuma solu√ß√£o lhes podem dar. Os homens levam muitas vezes para a cama as suas inquieta√ß√Ķes em mat√©rias de neg√≥cios e, durante a noite, quando deviam ganhar novas for√ßas para enfrentar os dissabores do dia seguinte, √© nelas que pensam, repetidas vezes, embora nesse instante nada possam fazer; e pensam nos problemas que os inquietam, n√£o de forma a encontrar uma linha de conduta firme para o dia seguinte, mas nessa semi-dem√™ncia que caracteriza as agitadas medita√ß√Ķes da ins√≥nia.
De manh√£, qualquer coisa dessa dem√™ncia nocturna persiste ainda neles, obscurece-lhes o julgamento, rouba-lhes a calma, de forma que qualquer obst√°culo os enfurece. O homem sensato s√≥ pensa nas suas inquieta√ß√Ķes quando julga de interesse faz√™-lo; no restante tempo pensa noutras coisas e √† noite n√£o pensa em coisa nenhuma. N√£o quero dizer que numa grande crise, por exemplo, quando a ru√≠na est√° iminente,

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E assim como não há mármore nem bronze tão duro que, ferido do raio do sol, não responda ao mesmo sol com a reflexão do seu raio, assim não há coração tão de mármore na dureza, e tão de bronze na resistência, que, prevenido no amor, o não redobre e corresponda com outro.

Falar Sempre, Pensar Nunca

Desde que, com a ajuda do cinema, das soap operas e do horney, a psicologia profunda penetra nos √ļltimos rinc√Ķes, a cultura organizada corta aos homens o acesso √† derradeira possibilidade da experi√™ncia de si mesmo. E esclarecimento j√° pronto transforma n√£o s√≥ a reflex√£o espont√Ęnea, mas o discernimento anal√≠tico, cuja for√ßa √© igual √† energia e ao sofrimento com que eles se obt√™m, em produtos de massas, e os dolorosos segredos da hist√≥ria individual, que o m√©todo ortodoxo se inclina j√° a reduzir a f√≥rmulas, em vulgares conven√ß√Ķes.
At√© a pr√≥pria dissolu√ß√£o das racionaliza√ß√Ķes se torna racionaliza√ß√£o. Em vez de realizar o trabalho de autognose, os endoutrinados adquirem a capacidade de subsumir todos os conflitos em conceitos como complexo de inferioridade, depend√™ncia materna, extrovertido e introvertido, que, no fundo, s√£o pouco menos que incompreens√≠veis. O horror em face ao abismo do eu √© eliminado mediante a consci√™ncia de que n√£o se trata mais do que uma artrite ou de sinus troubles.
Os conflitos perdem assim o seu aspecto amea√ßador. S√£o aceites; n√£o sanados, mas encaixados somente na superf√≠cie da vida normalizada como seu ingrediente inevit√°vel. S√£o, ao mesmo tempo, absorvidos como um mal universal pelo mecanismo da imediata identifica√ß√£o do indiv√≠duo com a inst√Ęncia social;

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Pensamentos valem e vivem pela observação exacta ou nova, pela reflexão aguda ou profunda; não menos querem a originalidade, a simplicidade e a graça do dizer.

As suas reflex√Ķes n√£o eram pensamentos, o seu sono n√£o era repouso. De dia n√£o era um homem, de noite n√£o era um homem adormecido.

Se as paix√Ķes aconselham por vezes mais ousadamente do que a reflex√£o, isso deve-se a que elas d√£o mais for√ßa para executar.

O prazer da reflex√£o deriva duma condi√ß√£o que se presume essencialmente masculina, a da interroga√ß√£o. O homem interroga, a mulher escolhe. Isto estabelece a m√ļtua depend√™ncia dos sexos.

Mas Eu

Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflex√£o emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antag√īnicas e absurdas se sucedem ‚ÄĒ
Eu o foco in√ļtil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensa√ß√Ķes,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.