Passagens sobre Revolução

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Frases sobre revolu√ß√£o, poemas sobre revolu√ß√£o e outras passagens sobre revolu√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A √ļnica revolu√ß√£o definitiva √© a de despojar-se cada um das propriedades que o limitam e acabar√£o por o destruir, propriedade de coisas, propriedade de gente, propriedade de si pr√≥prio.

Todos aqueles que tornam as revolu√ß√Ķes pac√≠ficas imposs√≠veis tornar√£o inevit√°veis as revolu√ß√Ķes violentas.

O amor que sinto

O amor que sinto
é um labirinto.

Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
(sabes o teu nome),
sombra necess√°ria
de um Sol que n√£o vejo,
onde cabe o p√°ria,
a Revolução
e a Reforma Agr√°ria
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
neste Amor que sinto.

Amor que me fere,
chame-se mulher,
onda de veludo,
p√°tria mal-amada,
chame-se “amar nada”
chame-se “amar tudo”.

E porque n√£o minto
sou um labirinto.

A Fragilidade dos Valores

Todas as coisas ¬ęboas¬Ľ foram noutro tempo m√°s; todo o pecado original veio a ser virtude original. O casamento, por exemplo, era tido como um atentado contra a sociedade e pagava-se uma multa, por ter tido a imprud√™ncia de se apropriar de uma mulher (ainda hoje no Cambodja o sacerdote, guarda dos velhos costumes, conserva o jus primae noctis). Os sentimentos doces, ben√©volos, conciliadores, compassivos, mais tarde vieram a ser os ¬ęvalores por excel√™ncia¬Ľ; por muito tempo se atraiu o desprezo e se envergonhava cada qual da brandura, como agora da dureza.
A submiss√£o ao direito: oh! que revolu√ß√£o de consci√™ncia em todas as ra√ßas aristocr√°ticas quando tiveram de renunciar √† vingan√ßa para se submeterem ao direito! O ¬ędireito¬Ľ foi por muito tempo um vetitum, uma inova√ß√£o, um crime; foi institu√≠do com viol√™ncia e opr√≥bio.
Cada passo que o homem deu sobre a Terra custou-lhe muitos supl√≠cios intelectuais e corporais; tudo passou adiante e atrasou todo o movimento, em troca teve inumer√°veis m√°rtires; por estranho que isto hoje nos pare√ßa, j√° o demonstrei na Aurora, aforismo 18: ¬ęNada custou mais caro do que esta migalha de raz√£o e de liberdade, que hoje nos envaidece¬Ľ. Esta mesma vaidade nos impede de considerar os per√≠odos imensos da ¬ęmoraliza√ß√£o dos costumes¬Ľ que precederam a hist√≥ria capital e foram a verdadeira hist√≥ria,

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Humanismo e Liberalismo

O termo humanismo √© infelizmente uma palavra que serve para designar as correntes filos√≥ficas, n√£o somente em dois sentidos, mas em tr√™s, quatro, cinco ou seis. Toda a gente √© humanista na hora que passa, at√© mesmo certos marxistas que se descobrem racionalistas cl√°ssicos, s√£o humanistas num enfadonho sentido, derivado das ideias liberais do √ļltimo s√©culo, o dum liberalismo refractado atrav√©s de toda a crise actual. Se os marxistas podem pretender ser humanistas, as diferentes religi√Ķes, os crist√£os, os hindus, e muitos outros afirmam-se tamb√©m antes de mais humanistas, como por sua vez o existencialista, e de um modo geral, todas as filosofias. Actualmente muitas correntes pol√≠ticas se reivindicam igualmente um humanismo. Tudo isso converge para uma esp√©cie de tentativa de restabelecimento duma filosofia que, apesar da sua pretens√£o, recusa no fundo comprometer-se, e recusa comprometer-se, n√£o somente no ponto de vista pol√≠tico e social, mas tamb√©m num sentido filos√≥fico profundo.

Se o cristianismo se pretende antes de tudo humanista, √© porque ele n√£o pode comprometer-se, quer dizer participar na luta das for√ßas progressivas, porque se mant√©m em posi√ß√Ķes reaccion√°rias frente a esta revolu√ß√£o. Quando os pseudomarxistas ou os liberais se reclamam da pessoa antes do mais, √© porque eles recuam diante das exig√™ncias da situa√ß√£o presente no mundo.

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A palavra ”Revolu√ß√£o” √© uma palavra pela qual se mata, pela qual se morre, pela qual se mandam massas populares para a morte. Mas que n√£o tem nenhum conte√ļdo.

O revolucionário mais radical se torna um conservador no dia seguinte à revolução.

As revolu√ß√Ķes, como os vulc√Ķes, t√™m os seus dias de chamas e os seus anos de fuma√ßa.

Colocar ao lado da noção de direito a noção de dever, é a tarefa daqueles a quem cabe a missão de solidificar o edifício que a revolução social fundou.

As revolu√ß√Ķes s√≥ se det√™m com as guerras. As na√ß√Ķes, cada vez mais enredadas nas suas embara√ßosas decis√Ķes, h√£o-de por fim querer sair delas atrav√©s dum risco cego, duma experi√™ncia que pare√ßa resumir a verdade conjuntural.

A Revolução da Bondade

Acho que a grande revolu√ß√£o, e o livro ¬ęEnsaio sobre a Cegueira¬Ľ fala disso, seria a revolu√ß√£o da bondade. Se n√≥s, de um dia para o outro, nos descobr√≠ssemos bons, os problemas do mundo estariam resolvidos. Claro que isso nem √© uma utopia, √© um disparate. Mas a consci√™ncia de que isso n√£o acontecer√°, n√£o nos deve impedir, cada um consigo mesmo, de fazer tudo o que pode para reger-se por princ√≠pios √©ticos. Pelo menos a sua passagem pelo este mundo n√£o ter√° sido in√ļtil e, mesmo que n√£o seja extremamente √ļtil, n√£o ter√° sido perniciosa. Quando n√≥s olhamos para o estado em que o mundo se encontra, damo-nos conta de que h√° milhares e milhares de seres humanos que fizeram da sua vida uma sistem√°tica ac√ß√£o perniciosa contra o resto da humanidade. Nem √© preciso dar-lhes nomes.

. Paulo, Outubro 1995″

Historiador Objectivo

A resolu√ß√£o de ignorar o sentido que os pr√≥prios homens forneceram √† sua ac√ß√£o e de reservar ao encadeamento dos factos toda a efic√°cia hist√≥rica – em suma, a idolatria da objectividade – encerra, segundo uma observa√ß√£o profunda de Trotsky, o ju√≠zo mais audacioso quando se trata de uma revolu√ß√£o, j√° que ela imp√Ķe √† priori ao homem de ac√ß√£o, que acredita numa l√≥gica da hist√≥ria e numa verdade do que faz, as categorias de historiador ¬ęobjecitvo¬Ľ, que nisso n√£o acredita.

Artista, Homem e Revolucion√°rio

Creio que n√£o √© preciso. Em todo o caso, fica aqui a declara√ß√£o. O que eu fui sempre, o que eu sou, e o que serei, √© um artista, um homem e um revolucion√°rio. Na medida em que sou artista, quero um mundo onde a beleza seja o v√©rtice da pir√Ęmide. Na medida em que sou homem, quero que nesse mundo os indiv√≠duos sejam livres e conscientes. E na medida em que sou revolucion√°rio, quero que a revolu√ß√£o traga √† tona as grandes massas, e que nunca acabe de percorrer o seu caminho perp√©tuo, sem estratifica√ß√Ķes e sem dogmas.

Mas soada a hora de a√ß√£o, o mineiro se agita, n√£o teme surpresas e as suas arrancadas conservam a impetuosidade dos fen√īmenos s√≠smicos e ele desafia as intemp√©ries, enfrenta o pat√≠bulo, planta institui√ß√Ķes, rasga os c√©us, inova a ci√™ncia, aprimora a arte, planta cidades, prega e faz revolu√ß√Ķes.

O Amor e a Vida

O amor √© uma imagem da nossa vida. Tanto o primeiro como a segunda est√£o sujeitos √†s mesmas revolu√ß√Ķes e mudan√ßas. A sua juventude √© resplandecente, alegre e cheia de esperan√ßas porque somos felizes por ser jovens tal como somos felizes por amar. Este agradabil√≠ssimo estado leva-nos a procurar outros bens muito s√≥lidos. N√£o nos contentamos nessa fase da vida com o facto de susbsistirmos, queremos progredir, ocupamo-nos com os meios para nos aperfei√ßoarmos e para assegurar a nossa boa sorte. Procuramos a protec√ß√£o dos ministros, mostrando-nos sol√≠citos e n√£o aguentamos que outrem queira o mesmo que temos em vista. Este est√≠mulo cumula-nos de mil trabalhos e esfor√ßos que logo se apagam quando alcan√ßamos o desejado. Todas as nossas paix√Ķes ficam ent√£o satisfeitas e nem por sombras podemos imaginar que a nossa felicidade tenha fim.
No entanto, esta felicidade raramente dura muito e fatiga-se da graça da novidade. Para possuirmos o que desejámos não paramos de desejar mais e mais. Habituamo-nos ao que temos, mas os mesmos haveres não conservam o seu preço, como nem sempre nos tocam do mesmo modo. Mudamos imperceptivelmente sem disso nos apercebermos. O que já adquirimos torna-se parte de nós mesmos e sofreríamos muito com a sua perda,

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Os Velhos S√£o os Verdadeiros Rebeldes

Os velhos s√£o os verdadeiros rebeldes. Os jovens, por muiro rasgados que estejam os blus√Ķes de cabedal, querem sempre conformar-se com qualquer coisa. Querem fazer parte dum movimento. Querem fazer parte de uma revolu√ß√£o ou de uma comunidade. Os velhos s√≥ querem fazer partes. De prefer√™ncia gagas. Os velhos n√£o t√™m nada a perder. Podem dizer e fazer o que lhes apetece. √Č por isso que os velhos, mais do que os novos, dizem quase sempre a verdade. N√≥s √© que podemos n√£o querer ouvi-la. H√°-de reparar-se que aquilo que os velhos dizem √© que ¬ęa vida √© uma chatice¬Ľ. N√≥s dizemos que eles est√£o senis. Mas eles √© que t√™m raz√£o.

Irm√£o

Eu não fiz uma revolução.
Mas me fiz irm√£o de todas as revolu√ß√Ķes.
Eu fiquei irm√£o de muitas coisas no mundo.
Irm√£o de uma certa camisa.
Uma certa camisa que era de um gesto de céu
e com certo carinho me vestia, como se me
vestisse de √°rvore e de nuvens.
Eu fiquei irm√£o de uma vaca, como se ela
também sonhasse. Fiquei irmão de um vira-lata
com o brio com que ele também me abraçava.
Fiquei irmão de um riacho, que é nome
de rio pequeno, um pequeno que cabe
todo dentro de mim, me falando,
me beijando, me lambendo, me lembrando.
Brincava e me envolvia, certos dias eu
girava em torno do redemoinho do cachorro
e do riacho e da vaca, sem às vezes saber
se estava beijando o riacho, o cachorro
ou a vaca, com um grande céu
me entornando, com um grande céu
com a vaca no lombo e com o c√£o,
com o riacho rindo de nós todos.
Eu fiquei irm√£o de livros, de gentes.
Eu fiquei irm√£o de uma certa montanha.

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Os trabalhadores não têm nada a perder em uma revolução comunista, a não ser suas correntes.

Os inferiores se revoltam, a fim de que eles possam ser iguais, iguais aos que lhe s√£o superiores. Esse √© o estado de esp√≠rito que gera as revolu√ß√Ķes.