Passagens sobre Sacerdotes

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Frases sobre sacerdotes, poemas sobre sacerdotes e outras passagens sobre sacerdotes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Fragilidade dos Valores

Todas as coisas ¬ęboas¬Ľ foram noutro tempo m√°s; todo o pecado original veio a ser virtude original. O casamento, por exemplo, era tido como um atentado contra a sociedade e pagava-se uma multa, por ter tido a imprud√™ncia de se apropriar de uma mulher (ainda hoje no Cambodja o sacerdote, guarda dos velhos costumes, conserva o jus primae noctis). Os sentimentos doces, ben√©volos, conciliadores, compassivos, mais tarde vieram a ser os ¬ęvalores por excel√™ncia¬Ľ; por muito tempo se atraiu o desprezo e se envergonhava cada qual da brandura, como agora da dureza.
A submiss√£o ao direito: oh! que revolu√ß√£o de consci√™ncia em todas as ra√ßas aristocr√°ticas quando tiveram de renunciar √† vingan√ßa para se submeterem ao direito! O ¬ędireito¬Ľ foi por muito tempo um vetitum, uma inova√ß√£o, um crime; foi institu√≠do com viol√™ncia e opr√≥bio.
Cada passo que o homem deu sobre a Terra custou-lhe muitos supl√≠cios intelectuais e corporais; tudo passou adiante e atrasou todo o movimento, em troca teve inumer√°veis m√°rtires; por estranho que isto hoje nos pare√ßa, j√° o demonstrei na Aurora, aforismo 18: ¬ęNada custou mais caro do que esta migalha de raz√£o e de liberdade, que hoje nos envaidece¬Ľ. Esta mesma vaidade nos impede de considerar os per√≠odos imensos da ¬ęmoraliza√ß√£o dos costumes¬Ľ que precederam a hist√≥ria capital e foram a verdadeira hist√≥ria,

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Existe uma classe de pessoas que d√° provas e atribui-se o m√©rito de ser ilustre h√° muitas gera√ß√Ķes, embora permane√ßa ociosa e in√ļtil. Intitula-se nobreza; e, n√£o menos do que a classe dos sacerdotes, deve ser considerada como um dos maiores obst√°culos √† vida livre e um dos mais ferozes e permanentes pilares da tirania.

Na religião, tudo é verdade, excepto o sermão; tudo é bom, excepto o sacerdote.

A Religião e o Jornalismo São as Únicas Forças Verdadeiras

Todas as artes s√£o uma futilidade perante a literatura. As artes que se dirigem √† visualidade, al√©m de serem √ļnicos os seus produtos, e perec√≠veis, podendo portanto, de um momento para o outro, deixar de existir, n√£o existem sen√£o para criar ambiente agrad√°vel, para distrair ou entreter ‚ÄĒ exactamente como as artes de representar, de cantar, de dan√ßar, que todos reconhecem como sendo inferiores em rela√ß√£o √†s outras. A pr√≥pria m√ļsica n√£o existe sen√£o enquanto executada, participando portanto da futilidade das artes de representa√ß√£o. Tem a vantagem de durar, em partituras; mas essa n√£o √© como a dos livros, ou coisas escritas, cuja valia est√° em que s√£o partituras acess√≠veis a todos os que sabem ler, existindo ali para a interpreta√ß√£o imediata de quem l√™, e n√£o para a interpreta√ß√£o do executante, transmitida depois ao ouvinte.
As literaturas, porém, são escritas em línguas diferentes, e, como não há possibilidades de haver uma língua universal, nem, se vier a havê-la, será o grego antigo, onde tantas obras de arte se escreveram, ou o latim, ou o inglês ou outra qualquer, e se for uma delas não será as outras, segue que a literatura, sendo escrita para a posteridade, não a atinge senão,

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A Inveja n√£o tem Passado

Ainda não tendes advertido, que a inveja faz grande diferença dos mortos aos vivos, e dos presentes aos passados? Os olhos da inveja são como os do Sacerdote Heli, dos quais diz o Texto sagrado, que não podiam ver a luz do Templo, senão depois que se apagava: Oculi ejus caligaverant, nec poterat videre lucernam Dei, antequam extingueretur. Enquanto as luzes são vivas, cada reflexo delas é um raio, que cega os olhos da inveja: porém depois que elas se apagaram, e muito mais se se metem largos anos em meio, então abre a inveja, como ave nocturna, os olhos; então vê o que não podia ver: então venera e celebra essas mesmas luzes, e levanta sobre as Estrelas seus resplendores. Por isso disse com grande juízo S. Zeno Veronense, que todo o invejoso é inimigo dos presentes, e amigo dos passados: In omnibus se inimicum praesentium servat, amicum vero pereuntium. Os mesmos que agora amam, e veneram tanto a Santo António, se viveram em seu tempo, o haviam de aborrecer e perseguir; e as mesmas maravilhas, que tanto celebram e encarecem, se foram obradas na sua Pátria, as haviam de escurecer e aniquilar.

Como a Aparência se Torna Ser

O actor acaba por n√£o deixar de pensar na impress√£o causada pela sua pessoa e no efeito c√©nico total, at√© por ocasi√£o da mais profunda m√°goa, por exemplo, mesmo no enterro do seu filho; chorar√° ante o seu pr√≥prio desgosto e respectivas exterioriza√ß√Ķes como sendo o seu pr√≥prio espectador. O hip√≥crita, que desempenha sempre um mesmo papel, acaba por deixar de ser hip√≥crita; por exemplo, sacerdotes, que, enquanto homens novos, s√£o habitualmente, de modo consciente ou inconsciente, hip√≥critas, por fim tornam-se naturais e s√£o, ent√£o, realmente, sem qualquer simula√ß√£o, mesmo sacerdotes; ou se o pai n√£o consegue l√° chegar, ent√£o, talvez, o filho, que se serve do avan√ßo do pai e herda a sua habitua√ß√£o. Se uma pessoa quiser, durante muito tempo e persistentemente, parecer alguma coisa, consegue-o pois acaba por se lhe tornar dif√≠cil ser qualquer outra coisa. A profiss√£o de quase toda a gente, at√© do artista, come√ßa com hipocrisia, com uma imita√ß√£o a partir do exterior, com um copiar de aquilo que √© eficaz. Aquele, que traz sempre a m√°scara das express√Ķes fision√≥micas amistosas, tem de acabar por adquirir poder sobre as disposi√ß√Ķes an√≠micas ben√©volas, sem as quais n√£o √© poss√≠vel for√ßar a express√£o da afabilidade –

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Os Deuses Reclinados

… Por todos os lados as est√°tuas de Buda, de Lorde Buda… As severas, verticais, carcomidas est√°tuas, com um dourado de resplendor animal, com uma dissolu√ß√£o como se o ar as desgastasse… Crescem-lhes nas faces, nas pregas das t√ļnicas, nos cotovelos, nos umbigos, na boca e no sorriso pequenas m√°culas: fungos, porosidades, vest√≠gios excrement√≠cios da selva… Ou ent√£o as jacentes, as imensas jacentes, as est√°tuas de quarenta metros de pedra, de granito areento, p√°lidas, estendidas entre as sussurrantes frondes, inesperadas, surgindo de qualquer canto da selva, de qualquer plataforma circundante… Adormecidas ou n√£o adormecidas, est√£o ali h√° cem anos, mil anos, mil vezes mil anos… Mas s√£o suaves, com uma conhecida ambiguidade ultraterrena, aspirando a ficar e a ir-se embora… E aquele sorriso de suav√≠ssima pedra, aquela majestade imponder√°vel, mas feita de pedra dura, perp√©tua, para quem sorriem, para quem, sobre a terra sangrenta?… Passaram as camponesas que fugiam, os homens do inc√™ndio, os guerreiros mascarados, os falsos sacerdotes, os turistas devoradores…

E manteve-se no seu lugar a est√°tua, a imensa pedra com joelhos, com pregas na t√ļnica de pedra, com o olhar perdido e n√£o obstante existente, inteiramente inumana e de alguma forma tamb√©m humana, de alguma forma ou de alguma contradi√ß√£o estatu√°ria,

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O Vil Metal

Tim√£o: Ouro amarelo, fulgurante, ouro precioso! (…) Basta uma por√ß√£o dele para fazer do preto, branco; do feio, belo; do errado, certo; do baixo, nobre; do velho, jovem; do cobarde, valente. √ď deuses!, por que isso? O que √© isso, √≥ deuses? (…) [O ouro] arrasta os sacerdotes e os servos para longe do seu altar, arranca o travesseiro onde repousa a cabe√ßa dos √≠ntegros. Esse escravo dourado ata e desata v√≠nculos sagrados; aben√ßoa o amaldi√ßoado; torna ador√°vel a lepra repugnante; nomeia ladr√Ķes e confere-lhes t√≠tulos, genuflex√Ķes e a aprova√ß√£o na bancada dos senadores. √Č isso que faz a vi√ļva anci√£ casar-se de novo (…). Venha, mineral execr√°vel, prostituta vil da humanidade (…) eu o farei executar o que √© pr√≥prio da sua natureza.

Miser√°veis Macabros

√Č que n√£o foram t√£o poucas como isso as vezes que vi a piedade enganar-se. N√≥s, que governamos os homens, aprendemos a sondar-lhes os cora√ß√Ķes, para s√≥ ao objecto digno de estima dispensarmos a nossa solicitude. Mais n√£o fa√ßo do que negar essa piedade √†s feridas de exibi√ß√£o que comovem o cora√ß√£o das mulheres. Assim como tamb√©m a nego aos moribundos, e al√©m disso aos mortos. E sei bem porqu√™.
Houve uma altura da minha mocidade em que senti piedade pelos mendigos e pelas suas √ļlceras. At√© chegava a apalavrar curandeiros e a comprar b√°lsamos por causa deles. As caravanas traziam-me de uma ilha long√≠nqua unguentos derivados do ouro, que t√™m a virtude de voltar a compor a pele ao cimo da carne. Procedi assim at√© descobrir que eles tinham como artigo de luxo aquele insuport√°vel fedor. Surpreendi-os a co√ßar e a regar com bosta aquelas p√ļstulas, como quem estruma uma terra para dela extrair a flor cor de p√ļrpura. Mostravam orgulhosamente uns aos outros a sua podrid√£o e gabavam-se das esmolas recebidas.
Aquele que mais ganhara comparava-se a si pr√≥prio ao sumo sacerdote que exp√Ķe o √≠dolo mais prendado. Se consentiam em consultar o meu m√©dico, era na esperan√ßa de que o cancro deles o surpreendesse pela pestil√™ncia e pelas propor√ß√Ķes.

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Amor E Religi√£o

Conheci-o: era um padre, um desses santos
Sacerdotes da Fé de crença pura,
Da sua fala na eternal doçura
Falava o coração. Quantos, oh! Quantos

Ouviram dele frases de candura
Que d’infelizes enxugavam prantos!
E como alegres n√£o ficaram tantos
Cora√ß√Ķes sem prazer e sem ventura!

No entanto dizem que este padre amara.
Morrera um dia desvairado, estulto,
Su’alma livre para o C√©u se alara.

E Deus lhe disse: “√Čs duas vezes santo,
Pois se da Religi√£o fizeste culto,
Foste do amor o m√°rtir sacrossanto.”

O homem deveria tremer, o mundo deveria vibrar, o Céu inteiro deveria comover-se profundamente quando o Filho de Deus aparece sobre o altar nas mãos do sacerdote.

Um artista é uma das duas coisas: ou ele é um alto sacerdote, ou então um saltimbanco mais ou menos esperto.

Luto pela Bondade

Quero viver num mundo sem excomungados. N√£o excomungarei ningu√©m. N√£o diria, amanh√£, a esse sacerdote: ¬ęVoc√™ n√£o pode baptizar ningu√©m porque √© anticomunista.¬Ľ N√£o diria ao outro: ¬ęN√£o publicarei o seu poema, o seu trabalho, porque voc√™ √© anticomunista.¬Ľ Quero viver num mundo em que os seres sejam simplesmente humanos, sem mais t√≠tulos al√©m desse, sem trazerem na cabe√ßa uma regra-, uma palavra r√≠gida, um r√≥tulo. Quero que se possa entrar em todas as igrejas, em todas as tipografias. Quero que n√£o esperem ningu√©m, nunca mais, √† porta do munic√≠pio para o deter e expulsar. Quero que todos entrem e saiam sorridentes da C√Ęmara Municipal. N√£o quero que ningu√©m fuja em g√īndola, que ningu√©m seja perseguido de motocicleta. Quero que a grande maioria, a √ļnica maioria, todos, possam falar, ler, ouvir, florescer. Nunca compreendi a luta sen√£o como um meio de acabar com ela. Nunca aceitei o rigor sen√£o como meio para deixar de existir o rigor. Tomei um caminho porque creio que esse caminho nos leva, a todos, a essa amabilidade duradoura. Luto pela bondade ub√≠qua, extensa, inexaur√≠vel. De tantos encontros entre a minha poesia e a pol√≠cia, de todos esses epis√≥dios e de outros que n√£o contarei porque repetidos,

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Antes de dar ao povo sacerdotes, soldados e maestros, sería oportuno saber se ele não está morrendo de fome.

Importa Procurar o Perigo

N√£o estamos n√≥s na maior pobreza onde mais seguros estamos, na maior riqueza onde estamos em maior perigo – n√£o √© voltar sempre a procurar o perigo que importa; n√£o existe um h√°lito de morte e de putrefac√ß√£o em torno de todas as institui√ß√Ķes em que a vida √© descurada e preterida pelo mecanismo da vida, tais as reparti√ß√Ķes p√ļblicas, as escolas oficiais, o funcionamento assegurado dos sacerdotes, etc.?

Estas Risadas

Estas risadas límpidas e frescas
Que Pan trauteia em c√°lamos maviosos
Nesta amplid√£o dos campos verdurosos,
Nestas paisagens flóreas, pitorescas;

Toda esta pompa e gala principescas
Destas searas, destes altanosos
Montes e v√°rzeas, prados vigorosos,
Louros — talvez como as vis√Ķes tudescas;

Este luxuoso e rico paramento,
Feito de luz e de deslumbramento
— Do grande altar da natureza imensa.

Aguarda o poeta sacerdote augusto,
Para cantar no seu missal robusto,
A nova Missa da raz√£o que pensa…

Rela√ß√Ķes de Poder entre Homens e Mulheres

Por cada mulher e rapariga atacadas com viol√™ncia, reduzimos a nossa humanidade. Por cada mulher for√ßada a ter sexo desprotegido por exig√™ncia do homem, destru√≠mos dignidade e orgulho. Cada mulher que tem de vender a sua vida por sexo, condenamos a pris√£o perp√©tua. Por cada mulher infectada pelo VIH, destru√≠mos uma gera√ß√£o. (…) Temos de ser honestos e sinceros sobre as rela√ß√Ķes de poder entre homens e mulheres na nossa sociedade, e temos de ajudar a construir um ambiente de maior capacita√ß√£o e apoio, que coloque o papel da mulher na ribalta desta luta. Cada um de n√≥s – irm√£ e irm√£o, m√£e e pai, professor e aluno, sacerdote e paroquiano, gerente e trabalhador, presidentes e primeiros-ministros – t√™m de juntar a sua voz a esta exig√™ncia de actua√ß√£o.

Versos Curtos e Compridos

Como poeta actuante, combati o meu pr√≥prio ensimesmamento. Por isso, o debate entre o real e o subjectivo se decidiu dentro do meu pr√≥prio ser. Sem pretens√Ķes de aconselhar ningu√©m, os resultados podem auxiliar as minhas experi√™ncias Vejamo-los de relance.
√Č natural que a minha poesia esteja exposta tanto √† opini√£o da cr√≠tica elevada como submetida √† paix√£o do libelo. Isto faz parte do jogo. Sobre este aspecto da discuss√£o n√£o tenho voz, mas tenho voto. Para a cr√≠tica essencial, o meu voto s√£o os meus livros, a minha poesia inteira. Para o libelo inamistoso, tenho tamb√©m direito de voto ‚ÄĒ e este tamb√©m √© constitu√≠do pela minha pr√≥pria e constante cria√ß√£o.
Se soa a vaidade o que digo, pode ser que tenham razão. No meu caso, trata-se da vaidade do artesão que exerceu um oficio por muitos anos com amor indelével.
Mas há uma coisa com que estou satisfeito: de uma maneira ou outra, fiz respeitar, pelo menos na minha pátria, o ofício de poeta, a profissão da poesia.

Na época em que comecei a escrever, o poeta era de dois géneros. Uns, eram poetas grandes senhores que se faziam respeitar pelo seu dinheiro,

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