Cita√ß√Ķes sobre Serm√Ķes

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Frases sobre serm√Ķes, poemas sobre serm√Ķes e outras cita√ß√Ķes sobre serm√Ķes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Guerra

Musa, pois cuidas que é sal
o fel de autores perversos,
e o mundo levas a mal,
porque leste quatro versos
de Hor√°cio e de Juvenal,

Agora os ver√°s queimar,
j√° que em v√£o os fecho e os sumo;
e leve o vol√ļvel ar,
de envolta como turvo fumo,
o teu furor de rimar.

Se tu de ferir n√£o cessas,
que serve ser bom o intento?
Mais carapuças não teças;
que importa d√°-las ao vento,
se podem achar cabeças?

Tendo as s√°tiras por boas,
do Parnaso nos dois cumes
em hora negra revoas;
tu d√°s golpes nos costumes,
e cuidam que é nas pessoas.

Deixa esquipar Inglaterra
cem naus de alterosa popa,
deixa regar sangue a terra.
Que te importa que na Europa
haja paz ou haja guerra?

Deixa que os bons e a gentalha
brigar ao Casaca v√£o,
e que, enquanto a turba ralha,
v√° recebendo o balc√£o
os despojos da batalha.

Que tens tu que ornada história
diga que peitos ferinos,

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Hoje √© dia de vinho e mulheres, alegria e risadas. V√©spera de serm√Ķes e muita √°gua mineral.

No Amor é a Alma aquilo que Mais nos Toca

As mesmas paix√Ķes s√£o bastante diferentes nos homens. O mesmo objecto pode-lhes agradar por aspectos opostos; suponho que v√°rios homens podem prender-se a uma mesma mulher; uns a amam pelo seu esp√≠rito, outros pela sua virtude, outros pelos seus defeitos, etc. E pode at√© acontecer que todos a amem por coisas que ela n√£o tem, como quando se ama uma mulher leviana a quem se julga s√©ria. Pouco importa, a gente prende-se √† id√©ia que se tem prazer em fazer dela; e √© mesmo apenas essa id√©ia que se ama, n√£o √© a mulher leviana. Assim, n√£o √© o obje¬≠to das paix√Ķes que as degrada ou as enobrece, mas a ma¬≠neira como a gente o encara.
Ora, eu disse que era pos¬≠s√≠vel que se buscasse no amor algo mais puro do que o interesse dos nossos sentidos. Eis o que me faz pensar assim. Vejo todos os dias no mundo que um homem cer¬≠cado de mulheres com as quais nunca falou, como na missa, no serm√£o, nem sempre se decide pela mais boni¬≠ta, ou mesmo pela que lhe pare√ßa tal. Qual a raz√£o disso? √Č que cada beleza exprime um car√°cter bem particular, e preferimos aquele que melhor se encaixa no nosso.

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Prejudicar a Estupidez

A reprova√ß√£o do ego√≠smo, que se pregou com tamanha convic√ß√£o casmurra, prejudicou certamente, no conjunto, esse sentimento (em benef√≠cio, hei-de repeti-lo milhares e milhares de vezes, dos instintos greg√°rios do homem), e prejudicou-o, nomeadamente no facto de o ter despojado da sua boa consci√™ncia e de lhe ter ordenado a procurar em si pr√≥prio a verdadeira fonte de todos os males. ¬ęO teu ego√≠smo √© a maldi√ß√£o da tua vida¬Ľ, eis o que se pregou durante mil√©nios: esta cren√ßa, como eu ia dizendo, fez mal ao ego√≠smo; tirou-lhe muito esp√≠rito, serenidade, engenhosidade e beleza; bestializou-o, tornou-o feio, envenenado.
Os fil√≥sofos antigos indicavam, ao contr√°rio, uma fonte completamente diferente para o mar; os pensadores n√£o cessaram de pregar desde S√≥crates: ¬ę√Č a vossa irreflex√£o, s√£o a vossa estupidez, o vosso h√°bito de vegetar obedecendo √† regra e de vos subordinar ao ju√≠zo do pr√≥ximo, que vos impedem t√£o amiudadamente de serdes felizes; somos n√≥s, pensadores, que o somos mais, porque pensamos¬Ľ. N√£o nos perguntemos aqui se este serm√£o contra a estupidez tem mais fundamentos do que o serm√£o contra o ego√≠smo; o que √© certo √© que despojou a estupidez da sua boa consci√™ncia: estes fil√≥sofos foram prejudiciais √† estupidez!

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Cantares Bacantes IV

S√£o Mateus bebo teu verbo
conjugado na tintura,
semi-breve partitura
na reg√™ncia d’um Efebo.

Ocarina chora uvas
esmagadas no serm√£o,
e esconde no coração
gotas vermelhas de chuvas.

Um pombo pousa na taça
evangelho vivo de asas:
traz ao bico, verde salsa.

A boa nova rascante
que me entra pela boca
doce beijo da amante.

As Pessoas Só Crescem ao Ritmo a que São Obrigadas

Os jovens de agora parece que t√™m dificuldade em crescer. N√£o sei porqu√™. Se calhar as pessoas s√≥ crescem ao ritmo a que s√£o obrigadas. Um primo meu, com dezoito anos, j√° tinha as insign√≠as de auxiliar do xerife. Era casado e tinha um filho. Tive um amigo de inf√Ęncia que, com a mesma idade, j√° tinha sido ordenado sacerdote baptista. Era pastor de uma igrejinha rural, muito antiga. Ao fim de uns tr√™s anos foi transferido para Lubbock e, quando disse √†s pessoas que se ia embora, elas desataram todas a chorar, ali sentadas no banco da igraja. Homens e mulheres, todos em l√°grimas. Tinha celebrado casamento, baptizados, funerais. Com vinte e um anos, talvez vinte e dois. Quando pregava os seus serm√Ķes, a assist√™ncia era tanta que havia gente de p√© no adro a ouvir. Fiquei espantado. Na escola ele era sempre t√£o calado.
(…) A Loretta contou-me que ouviu falar na r√°dio de uma certa percentagem de crian√ßas deste pa√≠s que est√° a ser criada pelos av√≥s. J√° n√£o me lembro do n√ļmero. Era bastante alto, pareceu-me. Os pais n√£o querem ter esse trabalho. Convers√°mos sobre isso. Demos connosco a pensar que quando a pr√≥xima gera√ß√£o crescer e tamb√©m j√° n√£o quiser criar os filhos,

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A Poezia do Outomno

Noitinha. O sol, qual brigue em chammas, morre
Nos longes d’agoa… √ď tardes de novena!
Tardes de sonho em que a poezia escorre
E os bardos, a sonhar, molham a penna!

Ao longe, os rios de agoas prateadas
Por entre os verdes cannaviaes, esguios,
S√£o como estradas liquidas, e as estradas
Ao luar, parecem verdadeiros rios!

Os choupos nus, tremendo, arripiadinhos,
O chale pedem a quem vae passando…
E nos seus leitos nupciaes, os ninhos,
As lavandiscas noivam piando, piando!

O orvalho cae do céu, como um unguento.
Abrem as boccas, aparando-o, os goivos…
E a larangeira, aos repell√Ķes do vento,
Deixa cair por terra a flor dos noivos.

E o orvalho cae… E, √° falta d’agoa, rega
O val sem fruto, a terra arida e nua!
E o Padre-Oceano, l√° de longe, prega
O seu Serm√£o de Lagrymas, √° Lua!

Tardes de outomno! ó tardes de novena!
Outubro! Mez de Maio, na lareira!
Tardes…
L√° vem a Lua, gratiae plena,
Do convento dos céus, a eterna freira!

Estão Todas as Verdades à Espera em Todas as Coisas

Est√£o todas as verdades
à espera em todas as coisas:
não apressam o próprio nascimento
nem a ele se op√Ķem,
não carecem do fórceps do obstetra,
e para mim a menos significante
é grande como todas.
(Que pode haver de maior ou menor
que um toque?)

Serm√Ķes e l√≥gicas jamais convencem
o peso da noite cala bem mais
fundo em minha alma.

(Só o que se prova
a qualquer homem ou mulher,
é que é;
só o que ninguém pode negar,
é que é.)

Um minuto e uma gota de mim
tranquilizam o meu cérebro:
eu acredito que torr√Ķes de barro
podem vir a ser l√Ęmpadas e amantes,
que um manual de manuais é a carne
de um homem ou mulher,
e que num √°pice ou numa flor
est√° o sentimento de um pelo outro,
e h√£o-de ramificar-se ao infinito
a começar daí
até que essa lição venha a ser de todos,
e um e todos nos possam deleitar
e nós a eles.

Se Eu Fosse Um Padre

Se eu fosse um padre, eu, nos meus serm√Ķes,
n√£o falaria em Deus nem no Pecado
– muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas sedu√ß√Ķes,

n√£o citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terr√≠veis maldi√ß√Ķes…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a inf√Ęncia me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
… a um belo poema – ainda que de Deus se aparte –
um belo poema sempre leva a Deus!

Terra – 3

Eles subiram o monte com o povo arrebanhado
e padre-nossos nos l√°bios.
Eles subiram o monte e eram negros, grandiosos e medonhos.
Vinham de longe e diziam duma verdade nos l√°bios firmes e finos.
Vinham de longe, de Miss√Ķes do cabo do mundo;
– da √Āfrica? dos Brasis? ‚Äď vinham de longe…
E ficou aquela cruz branca e esguia
erguida na serra.
Serm√Ķes na igreja, comunh√£o geral
e prociss√£o na rua.
Cristo, na cruz do alto, protegendo a freguesia ‚Äď Hosana!
Terra e gente ficaram santos nesse dia ‚Äď Hosana!
Hoje, todos sentem aqueles olhos parados l√° do cimo
– caminheiros da serra, viajante da estrada –
todos sentem os olhos l√° do cimo
Рolhar imóvel e indiferente
daqueles que subiram o monte.

O Teatro e a Sátira Política

O teatro pol√≠tico coloca toda uma s√©rie de problemas. H√° que evitar os serm√Ķes a todo o custo. A objectividade √© essencial, deve-se deixar as personagens respirar o seu pr√≥prio ar. O autor n√£o pode confin√°-las nem obrig√°-las a satisfazer o seu pr√≥prio gosto, inclina√ß√Ķes ou preconceitos. Tem de estar preparado para as abordar sob uma grande variedade de √Ęngulos, um leque de perspectivas diversas, apanh√°-las de surpresa, talvez, de vez em quando, mas deixando-lhes a liberdade de seguirem o seu pr√≥prio caminho. Isto nem sempre funciona. E a s√°tira pol√≠tica, √© evidente, n√£o obedece a nenhum destes preceitos; faz exactamente o inverso, e √© essa a sua fun√ß√£o principal.

Na religião, tudo é verdade, excepto o sermão; tudo é bom, excepto o sacerdote.

Eu fazia can√ß√Ķes, n√£o eram serm√Ķes. Se examinarem as can√ß√Ķes, n√£o acredito que encontrem nada que digo que sou porta-voz de algu√©m ou de alguma coisa

Aquele que √© incapaz de crer que ele pr√≥prio √© filho de Deus, tamb√©m n√£o ser√° capaz de crer que os outros s√£o filhos de Deus. Aquele que prega serm√Ķes, dizendo: ‚ÄėPecador, acabar√°s no inferno!‚Äô, acabar√° ele pr√≥prio no inferno.