Cita√ß√Ķes sobre Suicidas

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Frases sobre suicidas, poemas sobre suicidas e outras cita√ß√Ķes sobre suicidas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Rebeca se levantou √† meia-noite e comeu punhados de terra no jardim, com avidez suicida, chorando de dor e f√ļria, mastigando minhocas macias e espeda√ßando os dentes nas cascas de carac√≥is.

Diz-me a Verdade acerca do Amor

Há quem diga que o amor é um rapazinho,
E quem diga que ele é um pássaro;
H√° quem diga que faz o mundo girar,
E quem diga que é um absurdo,
E quando perguntei ao meu vizinho,
Que tinha ar de quem sabia,
A sua mulher zangou-se mesmo muito,
E disse que isso n√£o servia para nada.

Ser√° parecido com uns pijamas,
Ou com o presunto num hotel de abstinência?
O seu odor faz lembrar o dos lamas,
Ou tem um cheiro agrad√°vel?
√Č √°spero ao tacto como uma sebe espinhosa
Ou é fofo como um edredão de penas?
√Č cortante ou muito polido nos seus bordos?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.

Os nossos livros de história fazem-lhe referências
Em curtas notas crípticas,
√Č um assunto de conversa muito vulgar
Nos transatl√Ęnticos;
Descobri que o assunto era mencionado
Em relatos de suicidas,
E até o vi escrevinhado
Nas costas dos guias ferrovi√°rios.

Uiva como um c√£o de Als√°cia esfomeado,
Ou ribomba como uma banda militar?
Poderá alguém fazer uma imitação perfeita
Com um serrote ou um Steinway de concerto?

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A Cidade de Palaguin

Na cidade de Palaguin
o dinheiro corrente era olhos de crianças.
Em todas as ruas havia um bordel
e uma multid√£o de prostitutas
frequentava aos grupos casas de ch√°.
Havia dramas e histórias de era uma vez
havia hospitais repletos:
o pus escorria da porta para as valetas.
Havia janelas nunca abertas
e pris√Ķes descomunais sem portas.
Havia gente de bem a vagabundear
com a barba crescida.
Havia cães enormes e famélicos
a devorar mortos insepultos e voantes.
Havia três agências funerárias
em todos os locais de turismo da cidade.
Havia gente a beber sofregamente
a água dos esgotos e das poças.
Havia um corpo de bombeiros
que lançava nas chamas gasolina.

Na cidade de Palaguin
havia crianças sem braços e desnudas
brincando em parques de p√Ęntanos e abismos.
Havia ardinas a anunciar
a falência do jornal que vendiam;
havia cinemas: o preço de entrada
era o sexo dum adolescente
(as m√£es cortavam o sexo dos filhos
para verem cinema).
Havia um trust bem organizado
para a exploração do homossexualismo.

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Sonetos Para Maria Helena

Tu que por crenças vãs a Vida arrasas
e ante o espelho não queres ver que és,
que imagina viver abrindo as asas
e te esqueces de andar com os pr√≥prios p√©s…

Que transforma o Sonho num revés
mesmo a acender o fogo em que abrasas,
e te algema as m√£os, – as m√£os escravas
como as do prisioneiro das galés.

Tu que te enganas a falar de alturas
com as palavras mais belas e mais puras
e te imolas num gesto superior,

n√£o percebes nessa √Ęnsia de suicida
que nada h√° enfim mais alto do que a Vida
quando a erguemos num brinde Рébrios de amor!

Ninguém ousa dizer adeus aos seus próprios hábitos. Muitos suicidas detiveram-se no limiar da morte ao pensar no café onde vão todas as noites jogar a sua partida de dominó.

Desde o colapaso do socialismo, o capitalismo ficou sem rival. Esta situação anormal desencadeou o seu ganancioso e Рacima de tudo Рo seu poder suicida. Agora a crença é que tudo Рe todos Рestão num jogo justo.

Uma Completa Fome por Ti

Anais,

N√£o esperes que continue s√£o. N√£o vamos ser sensatos. Foi um casamento, em Louveciennes ‚ÄĒ n√£o podes neg√°-lo. Voltei com peda√ßos de ti pegados a mim. Estou a andar, a nadar num oceano de sangue, o teu sangue andaluz, destilado e venenoso. Tudo o que fa√ßo e digo e penso tem a ver com o casamento. Vi-te como a senhora do teu lar, uma moura de cara pesada, uma negra com um corpo branco, olhos por toda a tua pele, mulher, mulher, mulher. N√£o consigo ver como conseguirei viver longe de ti ‚ÄĒ estas interrup√ß√Ķes s√£o uma morte. Como te pareceu quando o Hugo voltou? Eu continuava a√≠? N√£o consigo imaginar-te a moveres-te com ele como fizeste comigo. Pernas fechadas. Fragilidade. Doce, trai√ßoeira aquiesc√™ncia. Docilidade de p√°ssaro. Tornaste-te uma mulher comigo. Isso quase me aterrorizou. N√£o tens s√≥ trinta anos de idade… Tens mil anos de idade.

Aqui estou de volta e ainda fervilhando de paixão, como vinho a fermentar. Não uma paixão apenas da carne, mas uma completa fome por ti, uma fome devoradora. Leio no jornal acerca de suicídios e homicídios e compreendo-o perfeitamente. Sinto-me assassino, suicida. Sinto talvez ser uma desgraça nada fazer,

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As Causas

Todas as gera√ß√Ķes e os poentes.
Os dias e nenhum foi o primeiro.
A frescura da √°gua na garganta
De Adão. O ordenado Paraíso.
O olho decifrando a maior treva.
O amor dos lobos ao raiar da alba.
A palavra. O hex√Ęmetro. Os espelhos.
A Torre de Babel e a soberba.
A lua que os Caldeus observaram.
As areias in√ļmeras do Ganges.
Chuang Tzu e a borboleta que o sonhou.
As maçãs feitas de ouro que há nas ilhas.
Os passos do errante labirinto.
O infinito linho de Penélope.
O tempo circular, o dos estóicos.
A moeda na boca de quem morre.
O peso de uma espada na balança.
Cada v√£ gota de √°gua na clepsidra.
As √°guias e os fastos, as legi√Ķes.
Na manh√£ de Fars√°lia J√ļlio C√©sar.
A penumbra das cruzes sobre a terra.
O xadrez e a √°lgebra dos Persas.
Os vest√≠gios das longas migra√ß√Ķes.
A conquista de reinos pela espada.
A b√ļssola incessante. O mar aberto.
O eco do relógio na memória.
O rei que pelo gume é justiçado.
O incalculável pó que foi exércitos.

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– O suic√≠dio tanto pode ser afirma√ß√£o da morte como nega√ß√£o da vida. Tanto faz. – √Č mentira. E vou explicar: o suicida √© aquele que perdeu tudo, menos a vida.

O Valor da Ingenuidade

O maior perigo que corre o ingénuo: o de querer ser esperto. Tão ingénuo que cuida, coitado, de que alguma vez no mundo o conhecimento valeu mais do que a ingenuidade de cada um. A ingenuidade é o legítimo segredo de cada qual, é a sua verdadeira idade, é o seu próprio sentimento livre, é a alma do nosso corpo, é a própria luz de toda a nossa resistência moral.
Mas os ing√©nuos s√£o os primeiros que ignoram a for√ßa criadora da ingenuidade, e na √Ęnsia de crescer compram vantagens imediatas ao pre√ßo da sua pr√≥pria ingenuidade.
Raríssimos foram e são os ingénuos que se comprometeram um dia para consigo próprios a não competir neste mundo senão consigo mesmos. A grande maioria dos ingénuos desanima logo de entrada e prefere tricher no jogo de honra, do mérito e do valor. São eles as próprias vítimas de si mesmos, os suicidas dos seus legítimos poetas, os grotescos espanatalhos da sua própria esperteza saloia.
Bem haja o povo que encontrou para o seu idioma esta denunciante expressão da pessoa que é vítima de si mesma: a esperteza saloia. A esperteza saloia representa bem a lição que sofre aquele que não confiou afinal em si mesmo,

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Vivemos Para os Momentos Futuros, e N√£o o Presente

A √Ęnsia de matar tempo, de liquidar o espa√ßo de dias entre um acontecimento e o que lhe sucede, transmite, tanto em casos de amor como em outros, fins importantes, um estado de alma que se preocupa exclusivamente em atingir esse alvo previamente estabelecido. N√£o se pensa em mais nada. Semelhante √† situa√ß√£o criada quando se sabe de antem√£o que se vai encontrar determinada pessoa que nos interessa muito. Fica-se incapaz de articular palavra, de estreitar v√≠nculo com quem quer que seja que se nos atravesse no caminho. Est√°-se a viver em outrem, num estado fora da rela√ß√£o humana do dia a dia. Nem sequer ouvimos os sons, arrepiamos a pele ao tomar conhecimento consciente de not√≠cias que j√° sab√≠amos de antem√£o pertencerem ao dom√≠nio p√ļblico. Esta √© tamb√©m a √Ęnsia do suicida que nada mais faz entre a decis√£o de cometer o homic√≠dio e a pr√°tica do acto extremo.

Somos Irracionais

No meu tempo de escola prim√°ria, algumas cr√©dulas e ing√©nuas pessoas, a quem d√°vamos o respeitoso nome de mestres, ensinaram-me que o homem, al√©m de ser um animal racional, era, tamb√©m, por gra√ßa particular de Deus, o √ļnico que de tal fortuna se podia gabar. Ora, sendo as primeiras li√ß√Ķes aquelas que mais perduram no nosso esp√≠rito, ainda que, muitas vezes, ao longo da vida, julguemos t√™-las esquecido, vivi durante muitos anos aferrado √† cren√ßa de que, apesar de umas tantas contrariedades e contradi√ß√Ķes, esta esp√©cie de que fa√ßo parte usava a cabe√ßa como aposento e escrit√≥rio da raz√£o. Certo era que o pintor Goya, surdo e s√°bio, me protestava que √© no sono dela que se engendram os monstros, mas eu argumentava que, n√£o podendo ser negado o surgimento dessas avantesmas, tal s√≥ acontecia quando a raz√£o, pobrezinha, cansada da obriga√ß√£o de ser razon√°vel, se deixava vencer pela fadiga e mergulhava no esquecimento de si pr√≥pria. Chegado agora a estes dias, os meus e os do mundo, vejo-me diante de duas probabilidades: ou a raz√£o, no homem, n√£o faz sen√£o dormir e engendrar monstros, ou o homem, sendo indubitavelmente um animal entre os animais, √©, tamb√©m indubitavelmente, o mais irracional de todos eles.

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