Cita√ß√Ķes sobre Texto

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Frases sobre texto, poemas sobre texto e outras cita√ß√Ķes sobre texto para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Neruda e García Lorca em Homenagem a Rubén Dario

Eis o texto do discurso:

Neruda: Senhoras…

Lorca: …e senhores. Existe na lide dos touros uma sorte chamada ¬ętoreio dei alim√≥n¬Ľ, em que dois toureiros furtam o corpo ao touro protegidos pela mesma capa.

Neruda: Federico e eu, ligados por um fio eléctrico, vamos emparelhar e responder a esta recepção tão significativa.

Lorca: √Č costume nestas reuni√Ķes que os poetas mostrem a sua palavra viva, prata ou madeira, e sa√ļdem com a sua voz pr√≥pria os companheiros e amigos.

Neruda: Mas n√≥s vamos colocar entre v√≥s um morto, um comensal vi√ļvo, escuro nas trevas de uma morte maior que as outras mortes, vi√ļvo da vida, da qual foi na sua hora um marido deslumbrante. Vamos esconder-nos sob a sua sombra ardente, vamos repetir-lhe o nome at√© que a sua grande for√ßa salte do esquecimento.

Lorca: N√≥s, depois de enviarmos o nosso abra√ßo com ternura de pinguim ao delicado poeta Amado Villar, vamos lan√ßar um grande nome sobre a toalha, na certeza de que v√£o estalar as ta√ßas, saltar os garfos, buscando o olhar que todos anseiam, e que um golpe de mar h√°-de manchar as toalhas. N√≥s vamos evocar o poeta da Am√©rica e da Espanha: Rub√©n…

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√Āfrica vive numa situa√ß√£o quase √ļnica: as gera√ß√Ķes vivas s√£o contempor√Ęneas da constru√ß√£o dos alicerces das na√ß√Ķes. O que √© o mesmo que dizer os alicerces das suas pr√≥prias identidades. √Č como se tudo se passasse no presente, como se todas as na√ß√Ķes se entrecruzassem no mesmo texto. Cada na√ß√£o √© assunto de todos, uma inadi√°vel urg√™ncia a que ningu√©m se pode alhear. Todos s√£o c√ļmplices dessa inf√Ęncia, todos deixam marcas num retrato que est√° em gesta√ß√£o.

As M√°ximas e as Interpreta√ß√Ķes

Quem quer discutir ou contradizer máximas, devia ser capaz de as observar com toda a clareza e, depois, ser capaz de manter a discussão dentro dos limites dessa clareza, para não se dar o caso de andar a lutar com falsas imagens da sua própria invenção.
A obscuridade de certas máximas é meramente relativa; nem tudo o que é luminoso para quem pratica o género tem que ser tornado distinto perante o ouvinte.
Há muito ditos dos antigos que cuidamos de repetir constantemente e que tinham uma significação muito diferente daquela que depois se pretendeu atribuir-lhes.
Quem quiser acusar um autor de ser obscuro devia começar por observar a sua própria interioridade para verificar se encontra nela clareza suficiente. Na penumbra, um texto muito claro torna-se ilegível.

Testemunho Incontestado

1

Cam√Ķes, mas que Cam√Ķes?
Que mundo em transição se fixa nesta língua
Que margem se afirma
na língua que se inventa?
Que poeta transita
no mundo que se fixa?
Que poema se afixa
na mente que se alarga
à escala do Globo Universal
e amarga?
Que contr√°rios se afrontam
nos ossos que nos tentam?
Cam√Ķes, mas que Cam√Ķes √© este
que nos marca?

2

homem ou texto
olho vazado ou letra
miséria ou redondilha
bruxo velho ou brochura
sabedoria ou ilha
pesadelo ou vis√£o
aventureiro ou m√°quina
tensa gasta ou tens√£o
um cego amor ou mundo
novidade ou idade
horizonte ou imagem
Cam√Ķes ou re-Cam√Ķes
Fortuna ou coisa amada
mudança ou só desejo
?

3

o lírico nas lonas

o épico e o hípico
que só a pé andou

corre o mundo em degredo
liberta-se em pris√Ķes

só um olho lhe basta
para a vis√£o dos tempos
que novos se dispersam

e em não contradição se contradiz

4

dissipo a vida
se
dissipo a morte

aprendo a vida
se
aprendo a morte

sustento a vida
se
sustenho a morte

re contenho a vida

se retenho a morte

A Certeza do Nosso Amor

A certeza do nosso amor era calma. Ao escrever, algo de nós se tocava. Ao escrever, sentia-a passar por mim, sentia-a atravessar-me. Depois, fechava os olhos e via-a sorrir. Ainda dentro de mim, mas um pouco do seu rosto de anjo e da lonjura do seu olhar e dos seus gestos brandos a existir na página, no texto. Às vezes, levantava-me, segurava as folhas a tremerem-me na mão e lia devagar. Após cada frase, parava e ouvia-a lida na memória. Ela era o texto. Cada palavra a dizia, cada palavra era o nome dos seus gestos e de tudo o que em si era belo. Ela era o sentido das palavras. Ela não era nem material, nem imaterial. Ela era o sentido das palavras. Nem sequer terra, nem sequer céu, estrelas, noite. Existia para lá do que podemos tocar ou entender. Ela era aquilo que existia, porque era sentida por mim. Existia dentro de mim e existia no texto para quem o lesse. Existia porque existia, porque existia para ser sentida. As noites passavam e conhecíamo-nos. Por ela estar dentro de mim e dentro do texto escrito pela minha mão, cheguei a pensar que era parte de mim. Enganei-me. Ela era maior do que eu.

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Para a escrita de um texto liter√°rio, ter uma ideia √© t√£o importante como ter um computador. Conseguir uma mesa √© facultativo mas tem a sua import√Ęncia. Uma folha de papel de nada serve sem uma esferogr√°fica ou um l√°pis. Para escrever um texto liter√°rio, √© absolutamente essencial escrev√™-lo.

A Essência do Fanatismo

A ess√™ncia do fanatismo consiste em considerar determinado problema como t√£o importante que ultrapasse qualquer outro. Os bizantinos, nos dias que precederam a conquista turca, entendiam ser mais importante evitar o uso do p√£o √°zimo na comunh√£o do que salvar Constantinopla para a cristandade. Muitos habitantes da pen√≠nsula indiana est√£o dispostos a precipitar o seu pa√≠s na ru√≠na por divergirem numa quest√£o importante: saber se o pecado mais detest√°vel consiste em comer carne de porco ou de vaca. Os reaccion√°rios amercianos prefiririam perder a pr√≥xima guerra do que empregar nas investiga√ß√Ķes at√≥micas qualquer indiv√≠duo cujo primo em segundo grau tivesse encontrado um comunista nalguma regi√£o. Durante a Primeira Guerra Mundial, os escoceses sabat√°rios, a despeito da escassez de v√≠veres provocada pela actividade dos submarinos alem√£es, protestavam contra a planta√ß√£o de batatas ao domingo e diziam que a c√≥lera divina, devido a esse pecado, explicava os nossos malogros militares. Os que op√Ķem objec√ß√Ķes teol√≥gicas √† limita√ß√£o dos nascimentos, consentem que a fome, a mis√©ria e a guerra persistam at√© ao fim dos tempos porque n√£o podem esquecer um texto, mal interpretado, do G√©nese. Os partid√°rios entusiastas do comunismo, tal como os seus maiores inimigos, preferem ver a ra√ßa humana exterminada pela radioactividade do que chegar a um compromisso com o mal –

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Às vezes acusam-me de que meus os filmes são muito falados. Ora, falados são os filmes americanos, e falam sem dizer nada. Ao menos os meus filmes dizem alguma coisa porque eu escolho textos ricos, bons, profundos, mais difíceis naturalmente. Mas a imagem é formidável.

Escuta, Amor

Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo. Se preferires uma imagem da terra, somos árvores velhas, os ramos a crescerem muito lentamente, a madeira viva, a seiva. Para as árvores, a terra faz todo o sentido. De certeza que as árvores acreditam que são feitas de terra.

Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos.

Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti,

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Falar com Coração

N√£o √© poss√≠vel dominares as palavras nem, por exemplo, uma qualquer audi√™ncia que tenhas √† frente se n√£o tiveres um total e absoluto conhecimento a teu pr√≥prio respeito, se n√£o confiares em ti e se n√£o tiveres como h√°bito dar voz aos teus sentidos. Vai sempre soar a falso. N√£o √© poss√≠vel agarrares uma plateia nem mexer com as emo√ß√Ķes de quem te ouve se n√£o te vulnerabilizares, se n√£o te assumires como o ser humano que √©s e se tudo o que disseres j√° tiver sido dito por outros. Vais fazer figura de parvo. E n√£o esperes nunca sensibilizar ou gerar identifica√ß√£o em algu√©m se n√£o falares sobre ti mesmo, se n√£o te expuseres ao erro e se n√£o partilhares o segredo que tu pr√≥prio desvendaste para superar um qualquer problema. Vais ver as pessoas a bocejar. As pessoas precisam de saber que n√£o s√£o as √ļnicas a ter problemas por resolver, que h√° mais gente em busca de si mesma, com crises existenciais e que errar √©, afinal, absolutamente humano, assim como desvendar solu√ß√Ķes para tudo. √Č isso que gera identifica√ß√£o, √© isso que fortalece os la√ßos entre as pessoas e √© isso que te torna num bom comunicador.

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Só dogmáticos podem pretender explicar a vida social, na sua extrema riqueza, diversidade e complexa e irregular evolução, com a aplicação de fórmulas imutáveis ou com a citação de textos.

A Voz que Ouço quando Leio

Quando leio, h√° uma voz que l√™ dentro de mim. Paro o olhar sobre o texto impresso, mas n√£o acredito que seja o meu olhar que l√™. O meu olhar fica embaciado. √Č essa voz que l√™. Quando √© s√©ria, ou√ßo-a falar-me de assuntos s√©rios. √Äs vezes, sussurra-me. √Äs vezes, grita-me. Essa voz n√£o √© a minha voz. N√£o √© a voz que, em filmagens de festas de anos e de natais, vejo sair da minha boca, do movimento dos meus l√°bios, a voz que estranho por, num rosto parecido com o meu, n√£o me parecer minha. A voz que ou√ßo quando leio existe dentro de mim, mas n√£o √© minha. N√£o √© a voz dos meus pensamentos. A voz que ou√ßo quando leio existe dentro de mim, mas √© exterior a mim. √Č diferente de mim. Ainda assim, n√£o acredito que algu√©m possa ter uma voz que l√™ igual √† minha, por isso √© minha mas n√£o √© minha. Mas, claro, n√£o posso ter a certeza absoluta. N√£o s√≥ porque uma voz √© indescrit√≠vel, mas tamb√©m porque nunca ningu√©m me tentou descrever a voz que ouve quando l√™ e porque eu nunca falei com ningu√©m da voz que ou√ßo quando leio.

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Sentidos Inconscientes

Nada consola mais o autor de um romance do que descobrir as leituras nas quais n√£o havia pensado e que lhe s√£o sugeridas pelos leitores… N√£o digo que o autor n√£o possa descobrir uma leitura que lhe pare√ßa aberrante, mas em todos os casos deveria calar-se: que os outros a contestem, texto em punho. De resto, a grande maioria dos leitores faz-nos descobrir efeitos de sentidos nos quais n√£o hav√≠amos pensado.

O coração após certo momento da vida é qual palimpsesto; nada se pode escrever nele sem primeiro raspar o texto da época anterior.

Virtudes dos Jovens e dos Velhos

Os jovens são mais aptos para inventar do que para julgar, para executar do que para aconselhar, para os novos projectos do que os negócios estabilizados. Porque a experiência da idade, nas coisas que quadram os velhos, dirige-os, mas engana-os nas coisas que aparecem de novo. Os erros dos jovens causam a ruína dos negócios; mas os erros dos velhos limitam-se ao que deveria ser feito de novo, ou mais cedo.
Os jovens, na condução e na economia dos negócios, têm ampla visão das coisas que não podem dominar, agitam mais do que apaziguam, voam rapidamente para os fins sem consideração dos meios e dos graus; conduzem os poucos princípios, que por acaso acolheram, até ao absurdo; não receiam inovar, o que traz desconhecidos inconvenientes, usam de princípio os remédios extremos, e, o que duplica todos os erros, não querem reconhecer-se nem retratar-se, como o cavalo mal ensinado que não quer parar nem retroceder.
Os homens de idade objectam muito, consultam muito, aventuram-se pouco, arrependem-se depressa, raras vezes conduzem os negócios ao grau de plenitude, porque se contentam com a mediocridade no êxito.
Certamente, é proveitoso combinar o emprego de novos e velhos: será vantajoso para o presente,

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Desde que Te Conheço

invade-me uma grande calma quando penso em ti. sinto-me bem, disposto para as mais dif√≠ceis tarefas, para os mais complicados e demorados trabalhos. j√° n√£o √© na turbul√™ncia das noites (vividas na pressa) que encontro a vontade de escrever. as noites cansaram-me, ia acabando comigo de vez na desordem e na √Ęnsia de viver. claro que continuo a sair √† noite e a amar esse espa√ßo fant√°stico que √© a cidade. esta cidade que amo, mas tu est√°s nela tamb√©m. a cidade mudou desde o instante em que nela entraste. j√° n√£o percorro a noite numa ang√ļstia que se esquece e anula na bebedeira, ao nascer do dia. desde que te conhe√ßo tenho levado uma vida bastante regrada. deixei de beber. deixei de andar por a√≠ a ver se algu√©m me pega ou se eu pego em algu√©m. acabou. tenho-te e sinto uma felicidade estranha a dominar-me. trabalho calmamente, com vagar, e avan√ßo sem ser aos trope√ß√Ķes. leio e releio o que escrevo. tudo se torna, de texto em texto, mais preciso, mais pr√≥ximo do que penso. escrevo somente (como de resto sempre fiz) o que me d√° gozo e ao mesmo tempo me perturba. por isso odeio tanto reler-me.

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O Vício de Ler

O v√≠cio de ler tudo o que me ca√≠sse nas m√£os ocupava o meu tempo livre e quase todo o das aulas. Podia recitar poemas completos do repert√≥rio popular que nessa altura eram de uso corrente na Col√īmbia, e os mais belos do S√©culo de Ouro e do romantismo espanh√≥is, muitos deles aprendidos nos pr√≥prios textos do col√©gio. Estes conhecimentos extempor√Ęneos na minha idade exasperavam os professores, pois cada vez que me faziam na aula qualquer pergunta dif√≠cil, respondia-lhes com uma cita√ß√£o liter√°ria ou com alguma ideia livresca que eles n√£o estavam em condi√ß√Ķes de avaliar. O padre Mejia disse: ¬ę√Č um garoto afectado¬Ľ, para n√£o dizer insuport√°vel. Nunca tive que for√ßar a mem√≥ria, pois os poemas e alguns trechos de boa prosa cl√°ssica ficavam-me gravados em tr√™s ou quatro releituras. Ganhei do padre prefeito a primeira caneta de tinta permanente que tive porque lhe recitei sem erros as cinquenta e sete d√©cimas de ¬ęA vertigem¬Ľ, de Gaspar N√ļnez de Arce.

Lia nas aulas, com o livro aberto em cima dos joelhos e com tal descaramento que a minha impunidade s√≥ parecia poss√≠vel devido √† cumplicidade dos professores. A √ļnica coisa que n√£o consegui com as minhas ast√ļcias bem rimadas foi que me perdoassem a missa di√°ria √†s sete da manh√£.

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A Educação da Fé

Sendo a f√© um dom, como pode ser motivo de educa√ß√£o? N√£o pode realmente ser ensinada, mas sim irradiada. Os que a possuem podem significar a estrela-guia, a perseveran√ßa num encontro dif√≠cil de suceder, mas cuja esperan√ßa comove todo o nosso ser. √Č poss√≠vel que a Igreja se volte para esse apostolado da f√© que foi extremamente importante no seu come√ßo. N√£o o velho sistema de grupos sect√°rios que s√£o o modelo dos processos pol√≠ticos e que, quando se afirma um movimento e este toma amplitude, se eliminam. N√£o √© isso. Trata-se de focos de comunica√ß√£o que dispensam a organiza√ß√£o premeditada e at√© a linguagem elaborada, o discurso piedoso e a erudi√ß√£o duma exegese. Um interessar a alma na f√© sem recorrer ao preconceito da santidade. Descobrir a imensa novidade da f√© num mundo em que o pr√≥prio crist√£o vive de maneira pag√£ e singularmente a coberto dos antigos textos que esqueceu ou que desconhece completamente.

A prova de que o cristão vive como um bárbaro é o sentido que tomou a arte religiosa. Não é raro encontrar nas salas de convívio burguesas, juntamente com a televisão, ou a mesa de jogo, ou a instalação estereofónica para o gira-disco,

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Todas as religi√Ķes t√™m raz√£o quanto ao fundo, e est√£o erradas quanto √† forma. Texto: Deus. Tradutor, traidor. Uma religi√£o √© um tradutor.