Cita√ß√Ķes sobre Vendas

38 resultados
Frases sobre vendas, poemas sobre vendas e outras cita√ß√Ķes sobre vendas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Cantar do Amigo Perfeito

Passado o mar, passado o mundo, em longes praias,
de areia e ténues vagas, como esta
em que haverá de nossos passos a memória
embora soterrada pela areia nova,
e em que sobre as muralhas quanta sombra
na pedra carcomida guarda que pass√°mos,
em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
ainda recordas esta, ó meu amigo?

Aqui passe√°mos tanta vez, por entre os corpos
da alheia juventude, impudica ou severa,
esplêndida ou sem graça, à venda ou pronta a dar-se,
ido na brisa o sol às mais sombrias curvas;
e o meu e o teu olhar guiando-se leais,
de nós um para o outro conquistando
– em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
ainda recordas, diz, ó meu amigo?

Também aqui relembro as ruas tenebrosas,
de vulto em vulto percorridas, lado a lado,
numa nudez sem espírito, confiança
tranquila e √°spera, animal e t√°cita,
j√° menos que amizade, mas diversa
da suspeição do amor, tão cauta e delicada
– em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
ainda as recordas, diz, ó meu amigo?

Também aqui,

Continue lendo…

Soneto 573 Barbarizado

Já se disse: sete é conta de mentira e lenda.
Também dizem que de azar o treze é cifra certa.
Isso explica a redondilha como porta aberta
no cantar dos repentistas, na feroz contenda,

à bazófia descarada, onde é melhor a emenda
que o soneto decassílabo, no qual se enxerta
entre termos eruditos a fal√°cia esperta,
lei de todo bom poeta que seu peixe venda.

Outrossim, também se explica por que nunca é visto
um soneto alexandrino, mas de pé quebrado:
este, a cuja tentação do treze não resisto.

Vou cham√°-lo “aleijadinho”, pois, em vez de errado,
tem car√°ter de obra-prima, pelo menos nisto:
completar catorze versos sem ficar quadrado!

Para a mercadoria de venda difícil é preciso que se atraia o comprador; mercadoria boa facilmente encontra comprador.

A Moralidade P√ļblica Degradada

As crian√ßas ficam todas contentes quando encontram na praia alguns calhaus coloridos; n√≥s preferimos enormes colunas variegadas, importadas das areias do Egipto ou dos desertos do Norte de √Āfrica para a constru√ß√£o de algum p√≥rtico ou de um sal√£o de banquetes com capacidade para uma multid√£o. Olhamos com admira√ß√£o paredes recobertas de placas de m√°rmore, embora cientes do material que l√° est√° por baixo. Iludimos os nossos pr√≥prios olhos: quando recobrimos os tectos a ouro o que fazemos sen√£o deleitar-nos com uma mentira ? Sabemos bem que por baixo desse ouro se oculta reles madeira! Mas n√£o s√£o s√≥ as paredes ou os tectos que se recobrem de uma ligeira camada: tamb√©m a felicidade destes aparentes grandes da nossa sociedade √© uma felicidade ¬ędourada¬Ľ! Observa atentamente, e ver√°s a corrup√ß√£o que se esconde sob essa leve capa de dignidade. Desde que o dinheiro (que tanto atrai a aten√ß√£o de in√ļmeros magistrados e ju√≠zes e tantos mesmo promove a magistrados e ju√≠zes!…), desde que o dinheiro, digo, come√ßou a merecer honras, a honra aut√™ntica come√ßou a perder terreno; alternadamente vendedores ou objectos postos √† venda, habitua-mo-nos a perguntar pela quantidade, e n√£o pela qualidade das coisas. Somos boas pessoas por interesse,

Continue lendo…

Tu √Čs uma Mulher Rara

Minha Anuska, onde foste buscar a ideia de que és uma mulher como outra qualquer? Tu és uma mulher rara, e, além do mais, a melhor de todas as mulheres. Tu própria não sonhas as qualidades que tens. Não só diriges a casa e as minhas coisas, como a nós todos, caprichosos e enervantes, a começar por mim e a acabar no Aléxis. Nos meus trabalhos desces ao mais pequeno pormenor, não dormes o suficiente, ocupada com a venda dos meus livros e com a administração do jornal. Contudo, conseguimos apenas economizar alguns copeques Рquanto aos rublos, onde estão eles?

Mas a teu lado nada disso tem import√Ęncia. Devias ser coroada rainha, e teres um reino para governar: juro-te que o farias melhor que ningu√©m. N√£o te falta intelig√™ncia, bom senso, sentido da ordem e, at√©… cora√ß√£o. Perguntas como posso eu amar uma mulher t√£o velha e feia como tu A√≠, sim, mentes. Para mim √©s um encanto, n√£o tens igual, e qualquer homem de sentimentos e bom gosto to dir√°, se atentar em ti. Por isso √© que √†s vezes sinto ci√ļmes. Tu pr√≥pria nem sabes a maravilha que s√£o os teus olhos, o sorriso e a anima√ß√£o que p√Ķes na conversa.

Continue lendo…

Tive um Cavalo de Cart√£o

Mulher. A tua pele branca foi um verão que quis viver e me foi negado. Um caminho que não me enganou. Enganou-me a luz e os olhos foscos das manhãs revividas. Enganou-me um sonho de poder ser o filho que fui, a correr pelos campos todo o dia, a medir as searas pelo tamanho dos braços abertos; enganou-me um sonho de poder ser o filho que fui no teu homem e no teu rosto, no teu filho, nosso. Não há manhãs para reviver, sei-o hoje. Não se podem construir dias novos sobre manhãs que se recordam. Inventei-te talvez, partindo de uma estrela como todas estas. Quis ter uma estrela e dar-lhe as manhãs de julho. As grandes manhãs de julho diante de casa e a minha mãe a acabar o almoço bom e o meu pai a chegar e a ralhar, sem ser a sério, por o almoço não estar pronto e eu sentado na terra, talvez a fazer um barroco, talvez a brincar com o cavalo de cartão. Tive um cavalo de cartão. Nunca te contei, pouco te contei, mas tive um cavalo de cartão. Brincava com ele e era bonito. Gostava muito dele. Tanto. Tanto. Tanto. Quando o meu pai mo trouxe,

Continue lendo…

Exactid√£o

Levam as frases sentido
que uma cadência lhes dá:
sentido do n√£o-vivido
a que fica reduzido
o que, escolhido, n√£o h√°.

Do imo do poder ser,
onde o n√£o-sido se arrasta,
ouvi cadências crescer:
vaga m√ļsica de ter,
na vida, quanto n√£o basta –

quanto um sentido se entenda,
que nem verdade ou mentira.
(Que o que dele se aprenda
é como cobarde venda
para que a luz nos n√£o fira.

Luz sem luz, brilho da treva
que tudo no fundo é;
e a certeza que se eleva
do fundo da própria treva,
de exacta que seja, é.)

Levam justiça consigo
as palavras que dissermos.
Por quanto sentido antigo,
nelas ficou por castigo
o futuro que tivermos.

Levam as frases sentido
que uma cadência lhes dá.
√Č justo, injusto – o escolhido?
Como quereis que, vivido,
ele n√£o seja o que ser√°?

Mudar o Governo

N√£o se pode governar um pa√≠s como se a pol√≠tica fosse um quintal e a economia fosse um bazar. Ao avaliar um regime de governa√ß√£o precisamos, no entanto, de ir mais fundo e saber se as quest√Ķes n√£o prov√™m do regime mas do sistema e a cultura que esse sistema vai gerando. Pode-se mudar o governo e tudo continuar√° igual se mantivermos intacto o sistema de fazer economia, o sistema que administra os recursos da nossa sociedade. N√≥s temos hoje gente com dinheiro. Isso em si mesmo n√£o √© mau. Mas esses endinheirados n√£o s√£o ricos. Ser rico √© outra coisa. Ser rico √© produzir emprego. Ser rico √© produzir riqueza. Os nossos novos-ricos s√£o quase sempre predadores, vivem da venda e revenda de recursos nacionais.

Afinal, culpar o governo ou o sistema e ficar apenas por a√≠ √© f√°cil. Algu√©m dizia que ¬ęgovernar √© t√£o f√°cil que todos o sabem fazer at√© ao dia em que s√£o governo¬Ľ. A verdade √© que muitos dos problemas que n√≥s vivemos resultam da falta de resposta nossa como cidad√£os activos. Resulta de apenas reagirmos no limite quando n√£o h√° outra resposta sen√£o a viol√™ncia cega. Grande parte dos problemas resulta de ficarmos calados quando podemos pensar e falar.

Continue lendo…

Besta Célere

H√° quem lhe chame, por brincadeira, besta c√©lere para caracterizar a qualidade mediana (tomada por m√©dia) desse produto cultural (agora √© tudo cultural!) e, ao mesmo tempo, a rapidez com que ele se esgota em sucessivas edi√ß√Ķes. O best-seller √© um produto perfeita (ou eficazmente) projectado em termos de ¬ęmarketing¬Ľ editorial e livreiro. √Č para se vender – muito e depressa – que o best-seller √© constru√≠do com os olhos postos num leitor-tipo que vai encontrar nele aquilo que exactamente esperava. Nem mais, nem menos. Os exemplos, abundant√≠ssimos, nem vale a pena enumer√°-los. Conv√©m n√£o confundir, pelo menos em todos os casos, best-seller com ¬ętopes¬Ľ de venda. Embora seja cabe√ßa de lista, o best-seller tem, em rela√ß√£o aos livros ¬ęnormais¬Ľ, uma caracter√≠stica que logo o diferencia: foi feito propositadamente para ser um campe√£o de vendas. A sua raz√£o de ser √© essa e s√≥ essa. E aqui poderia dizer-se, recuperando o lugar-comum para um sentido s√©rio, que ¬ęo resto √© literatura¬Ľ.
Estou a pensar em bestas c√©leres como Love Story ou O Aeroporto. N√£o estou a pensar em ¬ętopes¬Ľ de venda como O Nome da Rosa ou Mem√≥rias de Adriano. estes √ļltimos s√£o boa, excelente literatura que, por raz√Ķes pontuais e,

Continue lendo…

Caminho

I

Tenho sonhos cru√©is; n’alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente…

Saudades desta dor que em v√£o procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o cora√ß√£o dum v√©u escuro!…

Porque a dor, esta falta d_harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o c√©u d’agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

II

Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
d Bom dia, companheiro, te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho

√Č longe, √© muito longe, h√° muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei…
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.

√Č no monte escabroso, solit√°rio.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia!… Foi no entanto

Que choramos a dor de cada um…

Continue lendo…

Consumismo Cego

A nossa vida √© influenciada em grande medida pelos jornais. A publicidade √© feita unicamente no interesse dos produtores e nunca dos consumidores. Por exemplo, convenceu-se o p√ļblico de que o p√£o branco √© superior ao p√£o escuro. A farinha, cada vez mais finamente peneirada, foi privada dos seus princ√≠pios mais √ļteis. Mas conserva-se melhor e o p√£o faz-se mais facilmente. Os moleiros e os padeiros ganham mais dinheiro. Os consumidores comem, sem o saber, um produto inferior. E em todos os pa√≠ses em que o p√£o √© a parte principal da alimenta√ß√£o, as popula√ß√Ķes degeneram. Gastam-se enormes quantias na publicidade comercial. Assim, imensos produtos alimentares e farmac√™uticos in√ļteis, e muitas vezes prejudiciais, tornaram-se uma necessidade para os homens civilizados. Deste modo, a avidez dos indiv√≠duos suficientemente h√°beis para orientar o gosto das massas populares para os produtos √† venda desempenha um papel capital na nossa civiliza√ß√£o.

A Influência dos Livros e dos Jornais

Os jornais e os livros exercem no nascimento e na propaga√ß√£o das opini√Ķes uma influ√™ncia imensa, conquanto inferior √† dos discursos. Os livros actuam muito menos que os jornais, pois a multid√£o n√£o os l√™. Alguns foram, contudo, bastante poderosos pela sua influ√™ncia sugestiva para provocar a morte de milhares de homens. Tais s√£o as obras de Rousseau, verdadeira b√≠blia dos chefes do Terror, ou A Cabana do Pai Tom√°s, que contribuiu muito para a sanguinolenta guerra de secess√£o na Am√©rica do Norte. Outras obras como Robinson Crus√≥e e os romances de J√ļlio Verne exerceram grande influ√™ncia nas opini√Ķes da juventude e determinaram muitas carreiras.
Essa for√ßa dos livros era, sobretudo, consider√°vel quando se lia pouco. A leitura da B√≠blia no tempo de Cromwel criou na Inglaterra um n√ļmero avultado de fan√°ticos. Sabe-se que na √©poca em que foi escrito Dom Quixote, os romances de cavalaria exerciam uma ac√ß√£o t√£o perniciosa em todos os c√©rebros que os soberanos espanh√≥is vedaram, finalmente, a venda desses livros.
Hoje, a influ√™ncia dos jornais √© muito superior √† for√ßa dos livros. S√£o em n√ļmero incalcul√°vel as pessoas que t√™m unicamente a opini√£o do jornal que elas l√™em.

O Que Procuro na Literatura

Que √© que eu procuro na literatura? Que √© que me arrasta para este combate intermin√°vel e sempre votado ao fracasso? Como √© imbecil pensar-se que se escreve para se ¬ęter nome¬Ľ e as vantagens que nisso v√™m. Espera-se decerto sempre fazer melhor, mas s√≥ porque sempre se falhou. Assim se sabe tamb√©m que se vai falhar de novo. N√£o se escreve para ningu√©m, o problema decide-se apenas entre n√≥s e n√≥s. Mas h√° um lugar inating√≠vel e cada nova tentativa √© uma tentativa para o alcan√ßar.
O desejo que nos anima é o de fixar, segurar pela palavra o que entrevemos e se nos furta. Julgamos às vezes que o atingimos, mas logo se sabe que não. Miragem perene de uma presença luminosa, de um absoluto de estarmos inundados dessa evidência, encantamento que nos deslumbra no instante e nesse instante se dissolve.
O que me arrasta nesta luta sem fim é o aceno de uma plenitude de ser, a integração perfeita do que sou no milagre que me entreluz, a transfiguração de mim e do mundo no que fulgura e vai morrer.
Recaído de cada vez no mais baixo, na grossa naturalidade de que sou feito,

Continue lendo…

Da Desigualdade que Existe Entre os Homens

Plutarco diz nalgum lugar que n√£o observa entre um animal e outro dist√Ęncia t√£o grande como encontra entre um homem e outro. Est√° a falar do valor da alma e das faculdades interiores. Na verdade, observo tanta dist√Ęncia de Epaminondas, como o imagino, at√© algu√©m que conhe√ßo, quero dizer capaz de senso comum, que de bom grado eu iria al√©m de Plutarco e diria que h√° mais dist√Ęncia entre tal e tal homem do que h√° entre tal homem e tal animal: Ah! Entre um homem e outro homem, quanta dist√Ęncia! (Ter√™ncio), e que h√° tantos graus de esp√≠ritos quantas bra√ßas h√° daqui ao c√©u, e igualmente inumer√°veis.
Mas, a propósito da avaliação dos homens, é espantoso que, excepto nós, todas as coisas sejam avaliadas tão-somente pelas suas próprias qualidades. Elogiamos um cavalo porque é vigoroso e ágil, e não pelos arreios; um galgo pela sua velocidade, não pela coleira; um pássaro pela envergadura e não pelas suas correias e sinetas. Por que da mesma forma não avaliamos um homem pelo que é propriamente seu? Ele tem um alto nível de vida, um belo palácio, tanto de crédito, tanto de renda: tudo isto está ao redor dele e não nele.

Continue lendo…

Caminho II

Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
– Bom dia, companheiro, te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho

√Č longe, √© muito longe, h√° muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei…
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.

√Č no monte escabroso, solit√°rio.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia!… Foi no entanto

Que choramos a dor de cada um…
E o vinho em que choraste era comum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.

Caminho

II

Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
– Bom dia, companheiro – te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho.

√Č longe, √© muito longe, h√° muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei…
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.

√Č no monte escabroso, solit√°rio.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia!… Foi no entanto

Que chor√°mos a dor de cada um…
E o vinho em que choraste era comum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.

Infelizmente só posso comprar o que está à venda, senão há muito tempo que teria comprado um pouco de felicidade.