Citações sobre Vinte

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A Mulher dos Vinte Poemas

Perguntam-me sempre quem é a mulher dos «Vinte Poemas». É difícil responder. As duas ou três que se entrelaçam nesta melancólica e ardente poesia correspondem, digamos, a Marisol e Marisombra. Marisol é o idílio da província encantada, com imensas estrelas nocturnas e olhos escuros como o céu molhado de Temuco. É ela que figura, com a sua alegria e a sua vivaz beleza, em quase todas as páginas, rodeada pelas águas do porto e pela meia-lua sobre as montanhas. Marisombra é a estudante da capital. Boina parda, olhos dulcíssimos, o constante aroma a madressilva do errante amor estudantil, o sossego físico dos apaixonados encontros nos esconderijos da urbe.

Eu fiz mais do que vinte e cinco albĂşns de estĂşdio, e penso que fiz dois albĂşns realmente maus nesse tempo, outros que nĂŁo foram maus, e alguns realmente bons. Estou orgulhoso do que fiz. Foi de facto um bom passeio.

A mulher para ser perfeita deve ser passiva e submissa. Todas deveriam ser assim. Permanecer dormindo até aos vinte e um anos e só depois despertar para a vida.

Vinte anos de romance fazem uma mulher parecer uma ruĂ­na; mas vinte anos de casamento tornam-na semelhante a um edifĂ­cio pĂşblico.

Retrospecto

Vinte e seis anos, trinta amores: trinta
vezes a alma de sonhos fatigada.
e, ao fim de tudo, como ao fim de cada
amor, a alma de amor sempre faminta!

Ă“ mocidade que foges! brada
aos meus ouvidos teu futuro, e pinta
aos meus olhos mortais, com toda a tinta,
os remorsos da vida dissipada!

Derramo os olhos por mim mesmo… E, nesta
muda consulta ao coração cansado,
que Ă© que vejo? que sinto? que me resta?

Nada: ao fim do caminho percorrido,
o Ăłdio de trinta vezes ter jurado
e o horror de trinta vezes ter mentido!

Onde estĂŁo vinte pessoas reunidas em pregĂŁo ao insulto do infortĂşnio, aĂ­ sem dĂşvida estĂŁo acobertados vinte crimes. Do elo da libertinagem ao elo da ladroeira preencham a cadeia com os fuzis que faltam.

Eternidade

A minha eternidade neste mundo
Sejam vinte anos sĂł, depois da morte!
O vento, eles passados, que, enfim, corte
A flor que no jardim plantei tĂŁo fundo.

As minhas cartas leia-as quem quiser!
Torne-se pĂşblico o meu pensamento!
E a terra a que chamei — minha mulher —
A outros dê seu lábio sumarento!

A outros abra as fontes do prazer
E teça o leito em pétalas e lume!
A outros dĂŞ seus frutos a comer
E em cada noite a outros dĂŞ perfume!

O globo tem dois pĂłlos: Ontem e hoje.
Dizemos só: — Meu pai! ou só:— Meu filho!
O resto Ă© baile que nĂŁo deixa trilho.
Rosto sem carne; fixidez que foge.

Venham beijar-me a campa os que me beijam
Agora, frágeis, frívolos e humanos!
Os que me virem, morto, ainda me vejam
Depois da morte, vivo, ainda vinte anos!

Nuvem subindo, anis que se evapora…
Assim um dia passe a minha vida!
Mas, antes, que uma lágrima sentida
Traga a certeza de que alguém me chora!

Adro!

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O Lugar Certo

O tempo mudava de um momento para o outro, juntando, no curto espaço de vinte e quatro horas, a Primavera e o Outono, o Verão e até Inverno. Mas José Artur sentia-se vivo como um lobo das estepes libertado. Tinha a tensão alta dos heróis românticos e, em muitas circunstâncias, dava por si a citar Thoreau:

“Fui para os bosques viver de livre vontade. Vara sugar todo o tutano da vida, para aniquilar tudo o que não era vida e para, quando morrer, não descobrir que não vivi.”

Lamentava que Darwin ou Twain não tivessem encontrado naquelas ilhas o mesmo que ele encontrava agora, mas percebeu que, no século dezanove, ainda restavam outros paraísos no planeta. E, de qualquer modo, havia Chateaubriand, Raul Brandão, até Melville, impressionado com a valentia dos marinheiros das ilhas a leste de Nantucket. Não, ele não estava louco. Havia uma sabedoria naquilo — havia ecos e refracções, como se algo de mais profundo se insinuasse. Tinha a certeza de que, se a terra tremesse agora, conseguiria senti-la.

Aquele era o seu lugar. Não havia por que sentir falta dos privilégios da cidade. Um homem que soubesse povoar-se tinha alimento para uma vida na fotografia de um labandeira,

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A Guerra como Revolta da TĂ©cnica

Todos os esforços para estetizar a polĂ­tica convergem para um ponto. Esse ponto Ă© a guerra. A guerra e somente a guerra permite dar um objectivo aos grandes movimentos de massa, preservando as relações de produção existentes. Eis como o fenĂłmeno pode ser formulado do ponto de vista polĂ­tico. Do ponto de vista tĂ©cnico, a sua formulação Ă© a seguinte: somente a guerra permite mobilizar na sua totalidade os meios tĂ©cnicos do presente, preservando as actuais relações de produção. É Ăłbvio que a apoteose fascista da guerra nĂŁo recorre a esse argumento. Mas seria instrutivo lançar os olhos sobre a maneira como ela Ă© formulada. No seu manifesto sobre a guerra colonial da EtiĂłpia, diz Marinetti: «Há vinte e sete anos, nĂłs futuristas contestamos a afirmação de que a guerra Ă© antiestĂ©tica (…) Por isso, dizemos: (…) a guerra Ă© bela, porque graças Ă s máscaras de gás, aos megafones assustadores, aos lança-chamas e aos tanques, funda a supremacia do homem sobre a máquina subjugada. A guerra Ă© bela, porque inaugura a metalização onĂ­rica do corpo humano. A guerra Ă© bela, porque enriquece um prado florido com as orquĂ­deas de fogo das metralhadoras. A guerra Ă© bela, porque conjuga numa sinfonia os tiros de fuzil,

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O Amor Ă© de outro Reino

O amor Ă© de outro reino. (…) Da amizade, do amor, do encontro de duas pessoas que se sentem bem uma ao lado da outra, fazendo amor, falando de amor, trocando amor, conversando de amor, falando de nada, falando de pequenas histĂłrias cĂłdigo de ministros com aventuras de aventuras sem ministros conversa alta e baixa de livros e de quadros de compras e de ninharias conversas trocadas em miĂşdos ouvindo mĂşsica sem escutar mĂşsica que ajuda o amor o amor precisa de ajudas de ir Ă s cavalitas de andas de muita coisa simples amor Ă© um segredo que deve ser alimentado nas horas vagas alimentado nas horas de trabalho nas horas mais isoladas amor Ă© uma ocupação de vinte e quatro horas com dois turnos pela mesma pessoa com desconfianças e descobertas com cegueiras e lumineiras amor de tocar no mais Ă­ntimo na beleza de um encanto escondido recĂ´ndito que todos no mundo fizeram pais de padres mĂŁes de bispos avĂłs de cardeais amor agarrado intrometido de falus com prazer de alegria amor que nĂŁo se sabe o que vai dar que nunca se sabe o que vai dar amor tĂŁo amor.

Fiz um curso de leitura dinâmica e li «Guerra e Paz» em vinte minutos. Tem a ver com a Rússia.

Foram-se, há muito, os vinte anos, a Ă©poca das análises, das complicadas dissecações interiores. Compreendi por fim que nada compreendi, que mesmo nada poderia ter compreendido de mim. Restam-me os outros… talvez por eles possa chegar Ă s infinitas possibilidades do meu ser misterioso, intangĂ­vel, secreto.

Há só vinte variedades de mulheres; logo que se conheçam duas ou três de cada variedade, começa o fastio.

Renda anual de vinte libras, despesa de dezanove libras, dezanove xelins e seis pence, resultado: felicidade. Renda anual de vinte libras, despesa anual de vinte libras e seis pence, resultado: desespero.

Esta semana, mais um recorde da Loteria Esportiva: vinte e seis milhões, quatrocentos e vinte mil, trezentos e oito perdedores.

Retrato das Mulheres em Todas as Idades

Mulher, de quinze a vinte Ă© fresca rosa;
De vinte, a vinte e cinco Ă© de exp’rimenta.
De vinte cinco a trinta, a graça aumenta:
Ditoso nesta idade quem a goza!

De trinta a trinta e cinco Ă© mal gostosa
Porém, pode passar, com sal, pimenta,
Mas já dos trinta e cinco aos quarenta
Vai-se tornando assaz fastidiosa.

De quarenta e cinco ela Ă© bachareleira,
Fala fanhoso e é já de pouco gabo.
De cinquenta cerrados Ă© santeira!

Aos sessenta este seu retrato acabo:
Menina, moça, velha benzedeira,
Bruxa gogosa, entĂŁo, leve-a o diabo!

Soneto 251 Quantitativo

Centenas de sonetos sĂŁo legado
de nomes tidos como monumentos.
Apenas de Camões, mais de duzentos,
registro que Ă© por poucos superado.

NĂŁo fossem os LusĂ­adas o dado
que faz dele o primeiro entre os portentos,
ainda assim Camões marca outros tentos,
e, entre outros tantos, este Ă© consagrado:

“Sete anos de pastor”, o vinte e nove,
que, se nĂŁo for mais belo, Ă© o mais perfeito,
a menos que em contrário alguém me prove.

Mas, como dois Ă© dom, trĂŞs Ă© defeito,
tambĂ©m um “Alma minha”, o dezenove,
ocupa igual lugar no meu conceito.

Por vezes, vejo pessoas como eu, da minha idade, que passaram os últimos vinte e cinco anos a trabalhar numa corporação americana. E parecem dez ou quinze anos mais velhas.