Passagens sobre Adolescência

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Frases sobre adolesc√™ncia, poemas sobre adolesc√™ncia e outras passagens sobre adolesc√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Quanto me fazem pensar os trinta anos de vida oculta de Jesus! Da primeira inf√Ęncia e da adolesc√™ncia em Nazar√© numa fam√≠lia pobre e depois no deserto, em solid√£o e na esteira de grandes mestres como Jo√£o Batista, para jejuar, rezar, fazer sil√™ncio e preparar-se para a tarefa que o esperava, a miss√£o p√ļblica.

Segurar a pequena mão dele, sentir os seus dedos pequenos a agarrarem a minha mão é uma justificação óbvia para tudo, para a vida. Vale a pena nascer, crescer, vale a pena a adolescência inteira, todos os sacrifícios, vale a pena a responsabilidade, vale a pena sair pelo desconhecido e estar preparado para o impossível, vale a pena ler obras completas, passar dias fechado apenas a ler, vale a pena comer sopa, aprender a fazer sopa, vale a pena lavar loiça para ter a oportunidade de segurar-lhe a mão.

A Amizade Exercita-se

√Č um erro desejar ser compreendido antes de se ser elucidado por si mesmo a seus pr√≥prios olhos. √Č procurar prazeres na amizade, e n√£o m√©ritos. √Č qualquer coisa de mais corruptor ainda do que o amor. Venderias a tua alma por amor.
Aprende a repelir a amizade, ou melhor, o sonho da amizade. Desejar a amizade √© um grande erro. A amizade deve ser uma alegria gratuita como as que a arte ou a vida oferecem. √Č preciso recus√°-la para se ser digno de a receber: ela √© da categoria da gra√ßa (¬ęMeu Deus, afastai-vos de mim…¬Ľ). √Č dessas coisas que s√£o dadas por acr√©scimo. Toda a ilus√£o de amizade merece ser destru√≠da. N√£o √© por acaso que nunca foste amado… Desejar escapar √† solid√£o √© uma cobardia. A amizade n√£o se procura, n√£o se imagina, n√£o se deseja; exercita-se (√© uma virtude). Abolir toda esta margem de sentimento, impura e enevoada. Schluss!
Ou melhor (pois n√£o √© necess√°rio desbastar-se a si mesmo rigorosamente), tudo o que, na amizade, n√£o passe por altera√ß√Ķes efectivas deve passar por pensamentos ponderados. √Č absolutamente in√ļtil privar-se da virtude inspiradora da amizade. O que deve ser severamente proibido, √© sonhar com os prazeres do sentimento.

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Primeiras Vigílias

Dos revoltos lençóis sobre o deserto
Despejava-se, em ondas silenciosas,
O luar dessas noites vaporosas,
De seu l√Ęnguido c√°lix todo aberto.

Rangia a cama, e deslizavam, perto
Alvas, femíneas formas ondulosas;
E eu a idear, nas √Ęnsias amorosas,
Uns ombros nus, um colo descoberto.

E a gemer: – “Abeirai-vos de meu leito,
√ď sensuais vis√Ķes da adolesc√™ncia,
E inflamai-vos na pira em que me inflamo!

Fervem paix√Ķes despertas no meu peito;
Descai a flor virgínea da inocência,
E irrompe o fruto dolorido… Eu amo!”

A Velocidade do Tempo é Infinita

A velocidade do tempo √© infinita, e s√≥ quando olhamos para o passado, √© que temos consci√™ncia disso. O tempo ilude quem se aplica ao momento presente, de tal modo √© insens√≠vel a passagem do seu curso vertiginoso. Queres saber porqu√™? Porque todo o tempo passado se acumula num mesmo lugar; todo o passado √© contemplado em bloco, forma uma totalidade; todo ele se precipita no mesmo abismo. De resto, n√£o √© poss√≠vel delimitar grandes intervalos nesta nossa vida t√£o breve. A exist√™ncia humana √© um ponto, √© menos que um ponto. S√≥ por tro√ßa √© que a natureza deu a t√£o diminuta exist√™ncia a apar√™ncia de uma grande dura√ß√£o, dividindo-a em inf√Ęncia, em adolesc√™ncia, em juventude, em per√≠odo de transi√ß√£o da juventude √† velhice, finalmente em velhice. Tantos per√≠odos num t√£o ex√≠guo espa√ßo de tempo!
(…) Habitualmente n√£o me parecia t√£o veloz a passagem do tempo; agora, por√©m, parece-me incrivelmente r√°pida, talvez porque sinto aproximar-se o fim, talvez porque passei a dar-lhe aten√ß√£o e a avaliar o desgaste que em mim provoca.
Por isso mesmo me causa indignação ver como as pessoas gastam em futilidades a maior parte de uma vida que, mesmo dispendida com a maior parcimónia,

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O Prolongamento da Adolescência

No dia a seguir ao casamento os noivos est√£o mais velhos cinco anos. Biol√≥gicamente, a idade madura come√ßa com o casamento, porque o descuidoso brincar de at√© ali substitui-se pelo trabalho e pela responsabilidade, a paix√£o cede diante das limita√ß√Ķes da ordem social – a poesia passa a prosa. Esta mudan√ßa varia com os costumes e o clima; o casamento vem mui tardiamente nas cidades modernas, facto que prolonga a adolesc√™ncia; mas entre os povos do Sul e do Oriente realiza-se em idade bem verde. Os rapazes orientais, diz Stanley Hall, come√ßam a exercer as fun√ß√Ķes de marido aos treze anos, e aos trinta, j√° gastos, recorrem a afrodis√≠acos… Aos trinta anos as mulheres dos climas quentes j√° est√£o velhas. Est√° verificado que o dilatar da adolesc√™ncia prolonga a vida. Se pud√©ssemos retardar a nossa maturidade sexual de modo a coincidir com a nossa maturidade econ√≥mica, prolongando assim a adolesc√™ncia e a fase educativa, erguer√≠amos a civiliza√ß√£o a n√≠vel jamais alcan√ßado.

A Embriaguez e Seriedade da Juventude

Passada a adolesc√™ncia, √© poss√≠vel conhecer-se alegrias, mas n√£o j√° a embriaguez. Tapar os buracos das pe√ļgas uns com os outros! Ter medo de perder o comboio! Ter o dinheiro √† justa para a viagem e recear que √† √ļltima hora um irm√£o ainda a dormir surripie a quantia! Talvez porque a embriaguez venha do facto da inquieta√ß√£o e das hesita√ß√Ķes se tornarem mais angustiantes quando tudo se ignora. N√£o teria qualquer aventura amorosa em Nantes? Quem diz ¬ęamor¬Ľ diz pistola, e pistola era coisa que eu n√£o tinha. Ora o que nesta viagem mais me surpreendeu foi terem-me reconhecido, em casa de um sapateiro, por certa parecen√ßa com uma velha parente minha e o elogio que ouvi fazerem dessa criatura cuja vida eu considerava nula. Os jovens levam tudo a s√©rio, ainda que n√£o saibam conferir um ar s√©rio √†quilo que levam. Na realidade, experimentam apenas emo√ß√Ķes desproporcionadas.

Passamos boa parte de nossa vida suprimindo aquilo que deixamos entrarem nosso cora√ß√£o durante a adolesc√™ncia. Essa opera√ß√£o chama-se ‘adquirir experi√™ncia’.

Da Duração das Obras

Algumas obras morrem porque nada valem; estas, por morrerem logo, s√£o natimortas. Outras t√™m o dia breve que lhes confere a sua express√£o de um estado de esp√≠rito passageiro ou de uma moda da sociedade; morrem na inf√Ęncia. Outras, de maior escopo, coexistem com uma √©poca inteira do pa√≠s, em cuja l√≠ngua foram escritas, e, passada essa √©poca, elas tamb√©m passam; morrem na puberdade da fama e n√£o alcan√ßam mais do que a adolesc√™ncia na vida perene da gl√≥ria. Outras ainda, como exprimem coisas fundamentais da mentalidade do seu pa√≠s, ou da civiliza√ß√£o, a que ele pertence, duram tanto quanto dura aquela civiliza√ß√£o; essas alcan√ßam a idade adulta da gl√≥ria universal. Mas outras duram al√©m da civiliza√ß√£o, cujos sentimentos expressam. Essas atingem aquela maturidade de vida que √© t√£o mortal como os Deuses, que come√ßam mas n√£o acabam, como acontece com o Tempo; e est√£o sujeitas apenas ao mist√©rio final que o Destino encobre para todo o sempre (…)

O Conceito de Nós Próprios

Cada homem, desde que sai da nebulose da inf√Ęncia e da adolesc√™ncia, √© em grande parte um produto do seu conceito de si mesmo. Pode dizer-se sem exagero mais que verbal, que temos duas esp√©cies de pais: os nossos pais, propriamente ditos, a quem devemos o ser f√≠sico e a base heredit√°ria do nosso temperamento; e, depois, o meio em que vivemos, e o conceito que formamos de n√≥s pr√≥prios – m√£e e pai, por assim dizer, do nosso ser mental definitivo.
Se um homem criar o h√°bito de se julgar inteligente, n√£o obter√° com isso, √© certo, um grau de intelig√™ncia que n√£o tem; mas far√° mais da intelig√™ncia que tem do que se julgar est√ļpido. E isto, que se d√° num caso intelectual, mais marcadamente se d√° num caso moral, pois a plasticidade das nossas qualidades morais √© muito mais acentuada que a das faculdades da nossa mente.
Ora, ordinariamente, o que é verdade da psicologia individual Рabstraindo daqueles fenómenos que são exclusivamente individuais Рé também verdade da psicologia colectiva. Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.
O primeiro passo passou para uma regeneração,

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Não podemos rectificar os nossos actos passados e praticá-los de novo correctamente. Talvez os deuses possuam este poder, mas não os homens e as mulheres, o que, provavelmente, é uma sorte. A não ser assim, as pessoas morreriam de velhas a tentar reescrever a sua adolescência.

Só Dependes de Ti para Ser Feliz

Só dependes de ti para ser feliz.

A felicidade encontra-se dentro de ti. Este é o teu princípio. O fim será aquele que tu quiseres.

Aprendi isto enquanto escrevia o meu primeiro livro, ‚ÄúCarta Branca‚ÄĚ. Um relato muito pessoal acerca da minha primeira grande viagem interior em busca dessa espec√≠fica descoberta. Iniciei-o numa fase muito conturbada da minha vida, em que a rela√ß√£o comigo era praticamente inexistente e quando existia n√£o passava de agress√Ķes a mim mesmo, baseadas, naturalmente, em muito daquilo que ouvira, aprendera e modelara na minha inf√Ęncia e adolesc√™ncia. Como costumo dizer, tinha muita dificuldade em estar ao meu lado. N√£o me conhecia, apenas sabia o que representava para os outros. N√£o sabia o que queria, apenas sabia o que os outros queriam de mim. E n√£o sabia para onde queria ir, apenas para onde todos queriam que eu fosse. Naturalmente que esta aus√™ncia total de conhecimento n√£o podia germinar coisa boa. E assim era. Eu era revolta, ang√ļstia, inseguran√ßa, permissividade e medo. E lembro-me, lembro-me perfeitamente, quando disse a mim mesmo que se a minha vida n√£o passasse disto n√£o valeria a pena estar vivo. Recordo-me da dor que vivia comigo. Mas recordo-me tamb√©m que foi ela que me incentivou a escrever.

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Algumas Proposi√ß√Ķes com Crian√ßas

A crian√ßa est√° completamente imersa na inf√Ęncia
a crian√ßa n√£o sabe que h√°-de fazer da inf√Ęncia
a crian√ßa coincide com a inf√Ęncia
a crian√ßa deixa-se invadir pela inf√Ęncia como pelo sono
deixa cair a cabe√ßa e voga na inf√Ęncia
a crian√ßa mergulha na inf√Ęncia como no mar
a inf√Ęncia √© o elemento da crian√ßa como a √°gua
é o elemento próprio do peixe
a criança não sabe que pertence à terra
a sabedoria da criança é não saber que morre
a criança morre na adolescência
Se foste criança diz-me a cor do teu país
Eu te digo que o meu era da cor do bibe
e tinha o tamanho de um pau de giz
Naquele tempo tudo acontecia pela primeira vez
Ainda hoje trago os cheiros no nariz
Senhor que a minha vida seja permitir a inf√Ęncia
embora nunca mais eu saiba como ela se diz

Projecto de Bodas

Hoje apetece que uma rosa seja
o coração exterior do dia
e a tua adolescência de cereja
no meu bico de Isolda cotovia.

Hoje apetece a intuição dum cais
para a lucidez de n√£o chegar a tempo
e ficarmos violetas nupciais
com a lua a celebrar o casamento.

Apetece uma casa cor-de-rosa
com um galo vermelho no telhado
e os degraus duma seda vagarosa
que nunca chegue à varanda do noivado.

Hoje apetece que o cigarro saiba
a ter fumado uma cidade toda.
Ser o anel onde o teu dedo caiba
e faltarmos os dois à nossa boda.

Hoje apetece um interior de esponja
E como est√°tua a que moldar o vento.
Deitar as sortes e, se sair monja,
Navegar ao acaso o meu convento.

Hoje apetece o mundo pelo modo
Como vai despenhar-se um trapezista.
Abrir mais uma flor no nosso lodo:
Pedir-lhe um salto e retirar-lhe a pista.

Hoje apetece que a cor dum automóvel
Seja o Egipto de novo em movimento;
E que no espaço duma gota imóvel
Caiba a possível capital do vento.

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A adolescência é um tribunal inesperado:
o julgamento do pai pelo filho,
o julgamento do filho pelo pai.

Apaixonaram-se como as pessoas se apaixonam na adolescência, avassaladoramente e também por acaso.

Preocupar-se em ser adulto ou n√£o, admirar o adulto por ser adulto, corar de vergonha diante da insinua√ß√£o de que se √© infantil: esses s√£o sinais caracter√≠sticos da inf√Ęncia e da adolesc√™ncia.