Cita√ß√Ķes sobre √Āfrica

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Frases sobre √°frica, poemas sobre √°frica e outras cita√ß√Ķes sobre √°frica para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

√Āfrica vive numa situa√ß√£o quase √ļnica: as gera√ß√Ķes vivas s√£o contempor√Ęneas da constru√ß√£o dos alicerces das na√ß√Ķes. O que √© o mesmo que dizer os alicerces das suas pr√≥prias identidades. √Č como se tudo se passasse no presente, como se todas as na√ß√Ķes se entrecruzassem no mesmo texto. Cada na√ß√£o √© assunto de todos, uma inadi√°vel urg√™ncia a que ningu√©m se pode alhear. Todos s√£o c√ļmplices dessa inf√Ęncia, todos deixam marcas num retrato que est√° em gesta√ß√£o.

Qu√£o Grande, Meus Amigos

Qu√£o grande, meus amigos, n√£o era o Povo em que um Poeta podia dizer isto, sem medo de que o mundo, nem a posteridade, o desmentisse!

E nós também, nós, os Portugueses, já houve um tempo, em que pouco menos fomos.

Ouvi como o nosso Cam√Ķes o cantava:

Mas em tanto que cegos, e sedentos
andais do vosso sangue, ó gente insana,
n√£o faltar√£o crist√£os atrevimentos
nesta pequena casa Lusitana.
De √Āfrica tem mar√≠timos assentos;
√© na √Āsia mais que todas soberana;
na quarta parte nova os campos ara,
e, se mais mundo houvera, l√° chegara.
Hoje… que s√£o aquela Roma, e este Portugal?
Roma pereceu. Portugal, se n√£o agoniza, enferma gravemente.
Mas para Roma não há já esperança; para nós há ainda uma. Sabeis qual?
Sois vós, vós mesmos, vós unicamente, ó Lavradores.

A Vós Seu Resplendor Deu Sol e Lua

Pelos raros extremos que mostrou
Em sábia Palas, Vénus em formosa,
Diana em casta, Juno em animosa,
√Āfrica, Europa e √Āsia as adorou.

Aquele saber grande que juntou
Espírito e corpo em liga generosa,
Esta mundana m√°quina lustrosa
De só quatro elementos fabricou.

Mas fez maior milagre a natureza
Em vós, Senhoras, pondo em cada uma
O que por todas quatro repartiu.

A vós seu resplendor deu Sol e Lua:
A vós com viva luz, graça e pureza,
Ar, Fogo, Terra e √Āgua vos serviu.

A Moralidade P√ļblica Degradada

As crian√ßas ficam todas contentes quando encontram na praia alguns calhaus coloridos; n√≥s preferimos enormes colunas variegadas, importadas das areias do Egipto ou dos desertos do Norte de √Āfrica para a constru√ß√£o de algum p√≥rtico ou de um sal√£o de banquetes com capacidade para uma multid√£o. Olhamos com admira√ß√£o paredes recobertas de placas de m√°rmore, embora cientes do material que l√° est√° por baixo. Iludimos os nossos pr√≥prios olhos: quando recobrimos os tectos a ouro o que fazemos sen√£o deleitar-nos com uma mentira ? Sabemos bem que por baixo desse ouro se oculta reles madeira! Mas n√£o s√£o s√≥ as paredes ou os tectos que se recobrem de uma ligeira camada: tamb√©m a felicidade destes aparentes grandes da nossa sociedade √© uma felicidade ¬ędourada¬Ľ! Observa atentamente, e ver√°s a corrup√ß√£o que se esconde sob essa leve capa de dignidade. Desde que o dinheiro (que tanto atrai a aten√ß√£o de in√ļmeros magistrados e ju√≠zes e tantos mesmo promove a magistrados e ju√≠zes!…), desde que o dinheiro, digo, come√ßou a merecer honras, a honra aut√™ntica come√ßou a perder terreno; alternadamente vendedores ou objectos postos √† venda, habitua-mo-nos a perguntar pela quantidade, e n√£o pela qualidade das coisas. Somos boas pessoas por interesse,

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Vale a Pena Sentir para ao Menos Deixar de Sentir

Vai pelo cais fora um bulício de chegada próxima,
Começam chegando os primitivos da espera,
J√° ao longe o paquete de √Āfrica se avoluma e esclarece.
Vim aqui para não esperar ninguém,
Para ver os outros esperar,
Para ser os outros todos a esperar,
Para ser a esperança de todos os outros.
Trago um grande cansaço de ser tanta coisa.
Chegam os retardatários do princípio,
E de repente impaciento-me de esperar, de existir, de ser,
Vou-me embora brusco e not√°vel ao porteiro que me fita muito
mas rapidamente.
Regresso à cidade como à liberdade.
Vale a pena sentir para ao menos deixar de sentir.

Uma bolha no pr√≥prio pesco√ßo interessa uma pessoa mais que quarenta terremotos na √Āfrica.

Soneto X

Vendo da peste o b√°rbaro flagelo
Mil vidas a ceifar a cada instante,
D’√Āfrica deixa o solo distante
E veio no Brasil curar Otelo.

O semblante imposto negro-amarelo
Cresta do orgulho a chama crepitante,
Traz cheia de vidrinhos o turbante,
E buído punhal por escalpelo.

Homeopata é, e o albergue puro
Do puro Martins busca e diz-lhe ardido:
“Doutor, eu quero ter vosso futuro.”

‚ÄĒ Bravo! grita o Martins enternecido;
Pelas cinzas de Hahnemann te juro
Que n√£o h√°s de morrer desconhecido.

Esta Velha Ang√ļstia

Esta velha ang√ļstia,
Esta ang√ļstia que trago h√° s√©culos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em l√°grimas, em grandes imagina√ß√Ķes,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emo√ß√Ķes s√ļbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que…,
Isto.

Um internado num manic√īmio √©, ao menos, algu√©m,
Eu sou um internado num manic√īmio sem manic√īmio.
Estou doido a frio,
Estou l√ļcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que s√£o loucura
Porque n√£o s√£o sonhos.
Estou assim…

Pobre velha casa da minha inf√Ęncia perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Est√° maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religi√£o qualquer!
Por exemplo,

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Uma Nação só Vive porque Pensa

Uma na√ß√£o s√≥ vive porque pensa. Cogitat ergo est. A for√ßa e a riqueza n√£o bastam para provar que uma na√ß√£o vive duma vida que mere√ßa ser glorificada na Hist√≥ria – como rijos m√ļsculos num corpo e ouro farto numa bolsa n√£o bastam para que um homem honre em si a Humanidade. Um reino de √Āfrica, com guerreiros incont√°veis nas suas aringas e incont√°veis diamantes nas suas colinas, ser√° sempre uma terra bravia e morta, que, para lucro da Civiliza√ß√£o, os civilizados pisam e retalham t√£o desassombradamente como se sangra e se corta a r√™s bruta para nutrir o animal pensante. E por outro lado se o Egipto ou Tunis formassem resplandescentes centros de ci√™ncias, de literaturas e de artes, e, atrav√©s de uma serena legi√£o de homens geniais, incessantemente educassem o mundo – nenhuma na√ß√£o mesmo nesta idade do ferro e de for√ßa, ousaria ocupar como um campo maninho e sem dono esses solos augustos donde se elevasse, para tornar as almas melhores, o enxame sublime das ideias e das formas.
Só na verdade o pensamento e a sua criação suprema, a ciência, a literatura, as artes, dão grandeza aos Povos, atraem para eles universal reverência e carinho,

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A Rua Dos Cataventos – XI – Para Ant√īnio Nobre, √Ä Maneira Do Mesmo

Contigo fiz, ainda menininho,
Todo o meu Curso d’Alma… e desce cedo
Aprendi a sofrer devagarinho,
A guardar meu amor como um segredo…

Nas minhas chagas vinhas p√īr o dedo
E eu era o Triste, o Doido, o Pobrezinho!
Amava, à noite, as Luas de bruxedo,
Chamava o P√īr de Sol de Meu Padrinho…

Anto querido, esse teu livro “S√≥”
Encheu de luar a minha inf√Ęncia triste!
E ninguém mais há de ficar tão só:

Sofreste a nossa dor, como Jesus…
E nesta Costa d’√Āfrica surgiste
Para ajudar-nos a levar a Cruz!…

√ą preciso confiar no povo portugu√™s. Eu confio no povo portugu√™s e no g√©nio do povo portugu√™s. E um povo que tem a hist√≥ria que tem Portugal e fez aquilo que fez, incluindo a revolu√ß√£o de sucesso que foi a revolu√ß√£o do 25 de Abril, que realizou todos os seus objectivos, um Pa√≠s que consegue ter a melhores rela√ß√Ķes com √Āfrica e com as antigas col√≥nias portuguesas como n√£o t√™m nem os franceses nem os ingleses.

Pela primeira vez na hist√≥ria, temos o dinheiro e o know-how tecnol√≥gico necess√°rios para resolver os problemas da √Āfrica. Mas ser√° que temos a vontade?

Terra – 3

Eles subiram o monte com o povo arrebanhado
e padre-nossos nos l√°bios.
Eles subiram o monte e eram negros, grandiosos e medonhos.
Vinham de longe e diziam duma verdade nos l√°bios firmes e finos.
Vinham de longe, de Miss√Ķes do cabo do mundo;
– da √Āfrica? dos Brasis? ‚Äď vinham de longe…
E ficou aquela cruz branca e esguia
erguida na serra.
Serm√Ķes na igreja, comunh√£o geral
e prociss√£o na rua.
Cristo, na cruz do alto, protegendo a freguesia ‚Äď Hosana!
Terra e gente ficaram santos nesse dia ‚Äď Hosana!
Hoje, todos sentem aqueles olhos parados l√° do cimo
– caminheiros da serra, viajante da estrada –
todos sentem os olhos l√° do cimo
Рolhar imóvel e indiferente
daqueles que subiram o monte.

Pelos Extremos Raros Que Mostrou

Pelos extremos raros que mostrou
em saber, Palas, Vénus em fermosa,
Diana em casta, Juno em animosa,
√Āfrica, Europa e Asia as adorou.

Aquele saber grande que ajuntou
esprito e corpo em liga generosa,
esta mundana m√°quina lustrosa,
de só quatro Elementos fabricou.

Mas mor milagre fez a natureza
em v√≥s, Senhoras, pondo em cada √ľa
o que por todas quatro repartiu.

A v√≥s seu resplandor deu Sol e L√ľa,
a vós com viva luz, graça e pureza,
Ar, Fogo, Terra e √Āgua vos serviu.

O Elogio do Trabalho

H√° no trabalho, segundo a natureza da obra e a capacidade do trabalhador, todas as grada√ß√Ķes, desde o simples al√≠vio do t√©dio √†s satisfa√ß√Ķes mais profundas. Na maior parte dos casos, o trabalho que as pessoas t√™m de executar n√£o √© interessante, mas ainda em tais circunst√Ęncias oferece grandes vantagens. Em primeiro lugar, preenche uma boa parte do dia sem haver necessidade de decidir sobre o que se h√°-de fazer. A maioria das pessoas, quando est√£o em condi√ß√Ķes de escolher livremente o emprego do seu tempo, t√™m dificuldade em encontrar o que quer que seja suficientemente agrad√°vel para as ocupar. E tudo o que decidam deixa-as atormentadas pela ideia de que qualquer outra coisa seria mais agrad√°vel.
Ser capaz de utilizar inteligentemente os momentos de lazer √© o √ļltimo degrau da civiliza√ß√£o, mas presentemente muito poucas pessoas o atingiram. Al√©m disso, a ac√ß√£o de escolher √© fatigante. Excepto para os indiv√≠duos dotados de extraordin√°rio esp√≠rito de iniciativa, √© muito c√≥modo ser-se informado do que se tem a fazer em cada hora do dia, desde que tais ordens n√£o sejam desagrad√°veis em demasia.

A maior parte dos ricos occiosos sofrem de um inexprimível aborrecimento em paga de se terem libertado dum trabalho penoso.

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Este jovem ama cada um de v√≥s; na verdade, tivesse eu uns enormes bolsos, pegaria em cada um de v√≥s e meter-vos-ia nos meus bolsos, e voltaria convoso para a √Āfrica do Sul.