Passagens sobre Aprendizagem

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Frases sobre aprendizagem, poemas sobre aprendizagem e outras passagens sobre aprendizagem para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Vontade de Escrever

Quando conscientemente, aos treze anos de idade, tomei posse da vontade de escrever Рeu escrevia quando era criança, mas não tomara posse de um destino Рquando tomei posse da vontade de escrever, vi-me de repente num vácuo. E nesse vácuo não havia quem pudesse me ajudar. Eu tinha que eu mesma me erguer de um nada, tinha eu mesma que me entender, eu mesma inventar por assim dizer a minha verdade. Comecei, e nem sequer era pelo começo. Os papéis se juntavam um ao outro Рo sentido se contradizia, o desespero de não poder era um obstáculo a mais para realmente não poder: a história interminável que então comecei a escrever (com muita influência de O Lobo das Estepes de Hermann Hesse), que pena eu não ter conservado: rasguei, desprezando todo um esforço quase sobre-humano de aprendizagem, de autoconhecimento. E tudo era feito em tal segredo. Eu não contava a ninguém, vivia aquela dor sozinha. Uma coisa eu já adivinhava: era preciso tentar escrever sempre, não esperar um momento melhor porque este simplesmente não vinha. Escrever sempre me foi difícil, embora tivesse partido do que se chama vocação. Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento,

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Talvez porque para as outras voca√ß√Ķes eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado √© a pr√≥pria vida se vivendo em n√≥s e ao redor de n√≥s. √Č que n√£o sei estudar. E, para escrever, o √ļnico estudo √© mesmo escrever.

A criatividade é um tipo de processo de aprendizagem em que o professor e o aluno se encontram no mesmo indivíduo.

Eu acredito que o melhor processo de aprendizagem, em qualquer tipo de actividade, é olhar para o trabalho dos outros.

Quando observamos a quantidade e a variedade dos estabelecimentos de ensino e de aprendizado, assim como o grande n√ļmero de alunos e professores, √© poss√≠vel acreditar que a esp√©cie humana d√° muita import√Ęncia √† instru√ß√£o e √† verdade.

Curta Pavana

O dorso que se curva arco elegante
desenha na memória a leve dança
da bailarina gr√°cil, celebrante
de rito sedutor, que me balança

toda vez que me vejo t√£o distante,
torcendo meus desejos na lembrança
dos momentos vividos, no constante
aprendizado vasto da mudança.

Posto que a vida corre em curtas curvas,
transitória paisagem, vário atalho
que vai modificando linhas turvas.

Mutante claridade me agasalha:
no casulo do gozo de sussurros
sei-me bicho saído dessa malha.

O Coração Oco do Homem

Sobrecarregam-se os homens desde a inf√Ęncia com o cuidado da sua honra, do seu bem, dos seus amigos, e ainda com o bem e a honra dos seus amigos. Fatigam-se de afazeres, de aprendizagem de l√≠nguas e exerc√≠cios, e faz-se-lhes sentir que n√£o poder√£o ser felizes sem que a sua sa√ļde, a sua honra, a sua fortuna e a dos seus amigos estejam em bom estado e que uma s√≥ coisa que faltasse os tornaria desgra√ßados. Assim d√£o-se-lhes cargos e neg√≥cios que os fazem afadigar-se desde o amanhecer. – A√≠ est√°, direis, uma estranha maneira de os tornar felizes!
Que poderia fazer-se de melhor para os tornar desgraçados? РComo! O que se poderia fazer? Bastava apenas tirar-lhes todos estes cuidados; pois então ver-se-iam a si mesmos, pensariam no que são, donde vêm e para onde vão; e assim não os podem ocupar demais nem desviá-los. E é por isso que, depois de lhes terem preparado tantos afazeres, se têm algum tempo de descanso, os aconselham a empregá-lo a divertir-se, a jogar e a ocupar-se sempre inteiramente.

Aprender a Morrer para Saber Viver

Diz C√≠cero que filosofar n√£o √© outra coisa sen√£o preparar-se para a morte. Isso porque de certa forma o estudo e a contempla√ß√£o retiram a nossa alma para fora de n√≥s e ocupam-na longe do corpo, o que √© um certo aprendizado e representa√ß√£o da morte; ou ent√£o porque toda a sabedoria e discernimento do mundo se resolvem por fim no ponto de nos ensinarem a n√£o termos medo de morrer. Na verdade, ou a raz√£o se abst√©m ou ela deve visar apenas o nosso contentamento, e todo o seu trabalho deve ter como objectivo, em suma, fazer-nos viver bem e ao nosso gosto, como dizem as Santas Escrituras. Todas as opini√Ķes do mundo coincidem em que o prazer √© a nossa meta, embora adoptem meios diferentes para isso; de outra forma as rejeitar√≠amos logo de in√≠cio, pois quem escutaria algu√©m que estabelecesse como fim o nosso penar e descontentamento?

O fim de toda a aprendizagem é conhecer a Deus, e, mediante esse conhecimento, amá-lo e ser como ele é

Sílaba sobre Sílaba

Aprendo uma gram√°tica de ex√≠lio, nas vertentes do sil√™ncio. √Č uma aprendizagem que requer pernas rijas e m√£o segura, coisas de que j√° n√£o me posso gabar, mas embora prec√°rias, sempre as minhas m√£os foram animais de paci√™ncia, e as pernas, essas ainda v√£o trepando pelos dias sem ajuda de ningu√©m. Sem o desembara√ßo de muitos, mas tirando partido dos variados acidentes da pedra, que conhe√ßo bem, l√° vou pondo s√≠laba sobre s√≠laba. Do nascer ao p√īr do sol.

O que Nós Vemos das Cousas São as Cousas

O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir s√£o ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma seq√ľestra√ß√£o na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas s√£o as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas n√£o s√£o sen√£o estrelas
Nem as flores sen√£o flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.

Tabacaria

N√£o sou nada.
Nunca serei nada.
N√£o posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milh√Ķes do mundo que ningu√©m sabe quem √©
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a p√īr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje l√ļcido, como se estivesse para morrer,
E n√£o tivesse mais irmandade com as coisas
Sen√£o uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.

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O Político Português

Para o bom portugu√™s, meus Senhores, a carreira verdadeiramente ideal √© aquela que n√£o exija prepara√ß√£o e em que se n√£o fa√ßa nada sob a apar√™ncia de que se faz alguma coisa. (Porque em suma ele envergonha-se de o chamarem pregui√ßoso). Ora desde os tempos em que Spencer, um pouco irreverentemente, √© verdade, vinha declarar que, ¬ęexigindo-se uma longa aprendizagem para se fazerem sapatos, n√£o era precisa nem pequena nem grande para se fazerem leis¬Ľ, o caminho, h√£o-de concordar, estava naturalmente tra√ßado. Demais aquele velho Arist√≥teles, que foi fil√≥sofo na antiga Gr√©cia, escreveu ingenuamente um dia que a pol√≠tica era a dific√≠lima arte de os indiv√≠duos governarem os povos. J√° l√° v√£o s√©culos por√©m. O tempo tudo altera; alterou tamb√©m a ideia: hoje √© a mais f√°cil arte de os povos governarem os indiv√≠duos.

Um Cérebro Sempre Jovem

A sociedade est√° a ser varrida por um movimento chamado nova velhice. A norma social para as pessoas de idade era passiva e sombria; confinadas a cadeiras de baloi√ßo, esperava-se que entrassem em decl√≠nio f√≠sico e mental. Agora o inverso √© verdade. As pessoas mais velhas t√™m expetativas mais elevadas de que permanecer√£o ativas e com vitalidade. Consequentemente, a defini√ß√£o de velhice mudou. Num inqu√©rito perguntou-se a uma amostra de baby boomers: “Quando tem in√≠cio a velhice?” A resposta m√©dia foi aos 85. √Ä medida que aumentam as expetativas, o c√©rebro deve claramente manter-se a par e adaptar-se √† nova velhice. A antiga teoria do c√©rebro fixo e estagnado sustentava ser inevit√°vel um c√©rebro que envelhecesse. Supostamente as c√©lulas cerebrais morriam continuamente ao longo do tempo √† medida que uma pessoa envelhecia, e a sua perda era irrevers√≠vel.

Agora que compreendemos qu√£o flex√≠vel e din√Ęmico √© o c√©rebro, a inevitabilidade da perda celular j√° n√£o √© v√°lida. No processo de envelhecimento ‚ÄĒ que progride √† raz√£o de 1% ao ano depois dos trinta anos de idade ‚ÄĒ n√£o h√° duas pessoas que envelhe√ßam de maneira igual. At√© os g√©meos id√™nticos, nascidos com os mesmos genes, ter√£o muito diferentes padr√Ķes de atividade gen√©tica aos setenta anos,

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O Dilema do Conhecimento

Como todos sabemos, aprender pouco é algo perigoso. Mas o excesso de aprendizado altamente especializado também é uma coisa perigosa, e por vezes pode ser ainda mais perigoso do que aprender só um pouco. Um dos principais problemas da educação superior agora é conciliar as exigências da muita aprendizagem, que é essencialmente uma aprendizagem especializada, com as exigências da pouca aprendizagem, que é a abordagem mais ampla, mas menos profunda, dos problemas humanos em geral.
(…) O que precisamos fazer √© arranjar casamentos, ou melhor, trazer de volta ao seu estado original de casados os diversos departamentos do conhecimento e das emo√ß√Ķes, que foram arbitrariamente separados e levados a viver em isolamento nas suas celas mon√°sticas. Podemos parodiar a B√≠blia e dizer: “Que o homem n√£o separe o que a natureza juntou”; n√£o permitamos que a arbitr√°ria divis√£o acad√©mica em disciplinas rompa a teia densa da realidade, transformando-a em absurdo.
Mas aqui deparamo-nos com um problema muito grave: qualquer forma de conhecimento superior exige especializa√ß√£o. Precisamos de nos especializar para entrar mais profundamente em certos aspectos separados da realidade. Mas se a especializa√ß√£o √© absolutamente necess√°ria, pode ser absolutamente fatal, se levada longe demais. Por isso, precisamos de descobrir algum meio de tirar o maior proveito de ambos os mundos –

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